sábado, 22 de agosto de 2026

O TARÔ, A CABALAH E OS MISTÉRIOS

 

O TARÔ, A CABALAH E OS MISTÉRIOS

22/08/2026

Por Sett Lupino.

 

Cosmologia & Cabalah por Sett Lupino

A tradição oral diz que antigamente existiram duas lâminas do Louco antigas, uma de trouxa vazia e outra de trouxa cheia, mas vamos entender como essa história foi criada e como os mistérios desenrolaram. Alguns magos de hoje afirmam que o Mago é o número 1 e seria quem está em Kether. Será?

Quem ta certo e quem ta errado?

Por que existe tantos magos evacuando pela boca?

O desconhecimento leva o arrogante a afirmar o desconhecido porque desconhece aquilo que desconhece.

A ilustração acima está com os pilares invertidos de propósito.

O que existiu foi o tarô de Milão, Bolonha e Ferrara no século XV, chamado tarocchi, jogo de trunfos. Ali o Louco, il Matto, era carta fora da numeração, sem número, chamada scusa, desculpa, porque podia ser jogada a qualquer hora para se desculpar de não seguir o naipe. É ele quem vira o coringa no baralho comum tempos depois.

Ele não tinha zero. O zero como número gráfico entra nas cartas só no fim do século XVIII, com Court de Gébelin e depois com Etteilla, que tentam ligar o tarô ao Egito, mas Tarot vem de um termo retirado da Torá.

Etteilla passa a numerar o Louco como zero, e depois algumas ordens mágicas fixaram isso em 1888, onde algumas também fixaram o Mago em Kether.

A Golden Down nasceu nesse contexto.

A história do zero à esquerda que não se soma é real, mas é matemática medieval. O zero, sifr em árabe, que vem do sânscrito sunya, vazio, e chegou na Europa com Fibonacci em 1202 no Liber Abaci. Durante dois séculos os mercadores italianos proibiam o zero nos livros contábeis porque ele podia virar seis ou nove, era fraude. E na aritmética posicional, zero à esquerda não altera valor, 01 é 1.

Isso virou metáfora nos tratados místicos, o zero que antecede o um é o que contém todos os números mas ainda não é número. É a fonte. É daí que algumas Ordens Mágicas tira a ideia do Louco zero em Kether, mas eles não inventaram a metáfora, eles pegaram de Lúlio e de Pico della Mirandola. A Golden Down tentou corrigir a si mesma.

Como isso de fato se ligou a Cabalah?

Vejam, Kether em hebraico כתר significa coroa, de katar, coroar, cercar. Não é zero no sentido de nada, é zero no sentido de Ayin, nada que é tudo. Na cabala judaica Kether é chamado de Yechida, o ponto único, e está acima da dualidade. Por isso não pode ser o Mago. O Mago é ação, verbo, direção. A lâmina do Mago nunca esteve em Kether!!! Quem ensina que o Mago fica em Kether é leigo que desconhece teologia e cosmologia antiga e os próprios fundamentos do álbum de figurinhas do Diabo!

Chokmah חכמה vem de chacham, ser hábil, tecer com sabedoria. Significa sabedoria como força que ejacula, que sai. Binah בינה vem de bain, entre, discernir, separar, é inteligência que recebe, que distingue, que dá forma, útero. São pai e mãe. O Zohar I 3b diz, Chokmah é pai, Binah é mãe, de onde saem os sete dias (sete planetas).

Quando percebemos que tsela significa "lateral" e não costela como foi mal traduzido, temos razão filológica.

Em Gênesis 2:21, vayikach achat mitzalotav, e tomou uma de suas tselá. Tsela צלע em hebraico bíblico nunca é costela isolada, é lado, flanco, tábua lateral, como em Êxodo 25:12, as duas tseláot da arca, os lados da arca, ou em 1 Reis 6:15, as tseláot do Templo, as paredes laterais. São Jerônimo traduziu por costa, costela, em latim, e a Vulgata fixou costela, mas o original é lado/lateral.

Só aqui já quebra qualquer fundamento do cristianismo.

Sinto decepcionar os cristãos, mas Eva nunca nasceu da costela de Adão. Ao contrário!

Kether se divide em 2 polaridades para poder criar. De Kether nascem Chokmah e Binah.

Eva está ao lado, em pé de igualdade lateral, não embaixo da costela. Chokmah e Binah lado a lado.

Por isso teologicamente não se sustenta colocar o Mago em Kether. Kether é o Ain Soph Aur, a luz sem limite antes da criação, o espaço sideral antes da primeira estrela, que chamamos bem de Lalita Devi, na tradição hindu Tripura Sundari, aquela que contém todas as Shaktis, Maha Shakti, o Espírito Santo.

Sem ela Shiva é shava, cadáver. É o zero grávido. O Louco de trouxa vazia é a melhor imagem para isso, aquele que tem capacidade de ser tudo, mas ainda não viveu nada.

Dessa razão nasce a importância de se vivenciar os mistérios dentro de um Coven!

Tem que Vivenciar!

Não adianta tentar explicar um mistério sem ter vivenciado na pele!

É o tempo quem fará isso. Sem pressa!

O Mago é aleph transformado em beth. Aleph א é touro, sopro silencioso, zero que vira um. Beth ב é casa, primeira letra da Torá, bereshit, no princípio. Beth vale 2, mas é carta 1. Na Golden Dawn original, e isso está nas notas de Westcott e Mathers em 1889, o Louco é Aleph, caminho 11, que liga Kether a Chokmah.

O Mago é Beth, caminho 12, que liga Kether a Binah. Ou seja, nem Louco nem Mago estão em Kether, eles são caminhos que saem de Kether. Quando ordens posteriores do século XX colocam o Mago dentro de Kether, elas confundem caminho com sephirah.

O Mago número 1 é Yang, Phallus, Lingam, linga em sânscrito significa marca, sinal ereto que aponta. Ele é o que se move para fora, energia que ejacula. Por isso só pode estar em Chokmah, polaridade masculina. A Sacerdotisa número 2 é Yoni, Kteis, em grego kteis é pente, concha, o que se abre. Ela só pode estar em Binah, porque Binah é o mar, o útero que recebe a semente de Chokmah e dá forma. Se Adão está em Chokmah, Eva está em Binah, laterais. A Deusa e o Deus no tema dos pais da humanidade e da Criação.

Daí a jornada, de Kether zero sai um, Chokmah, e dois, Binah. Da união deles nasce Daath invisível e depois o resto da árvore. Daath foi o paraíso onde Adão e Eva fizeram sexo, se uniram, e dali já pode haver morte, porque houve vida! E Daath caiu e virou Malkuth. Portanto, estamos do lado de dentro do inferno achando que aqui, o mundo ordinário é o verdadeiro local de tudo, mas só estamos aqui de passagem. Somos passageiros.

A trouxa vazia do Louco é Kether, capacidade pura. A trouxa cheia é o Louco depois que percorreu os 21 arcanos, é a mesma figura, mas agora com experiência. É o mesmo Louco, por isso o tarô termina onde começa. É catábase e anábase, descida e subida. O Uno se divide em dois para aprender a ser Uno de novo.

O erro das ordens mágicas do século XX foi ler cabala pela ótica cristã de Logos, Verbo no princípio, e colocar o verbo, Mago, no topo. Mas na teologia antiga oriental, antes do verbo há o espaço que permite o verbo, e esse espaço é feminino, é Malkuth como reflexo de Kether, é Lua que recebe todas as luzes. Quem entende isso entende a lucidez luciferiana, não como rebeldia contra Deus, mas como Venus oriental, Helel ben Shachar em Isaías 14:12, o brilhante filho da alvorada, que se assenta no trono do Sol na conjunção partil e assume as qualidades do Rei. Lucifer não quer imitar, ele quer iluminar a partir de dentro.

Kether é Louco zero, capacidade sem experiência. Chokmah é Mago um, Phallus que vai. Binah é Sacerdotisa dois, Yoni que recebe. E o resto da árvore é a história desse encontro. O Sacerdote em Chokmah devolve o Phallus para a Sacerdotisa em Binah, para que Ela crie tudo que existe.

Disso nasce a passagem da Espada!

 

OBS: Perguntem a qualquer mago:

Na Cabalah, onde fica a lâmina do Mago, em Kether ou Chokmah?

Se ele responder que fica em Kether, você discretamente sair fora porque ele é uma fraude e não sabe o que está dizendo!


A TEORIA DOS BENÉFICOS E MALÉFICOS NA ASTROLOGIA TRADICIONAL & OS MISTÉRIOS

 

 

A TEORIA DOS BENÉFICOS E MALÉFICOS NA ASTROLOGIA TRADICIONAL & OS MISTÉRIOS

22/08/2026

Por Sett Lupino.

 

Lilith - por Sett Lupino

Em astrologia tradicional Júpiter é o Grande Benéfico porque a natureza dele é a mais favorável à vida.

A lógica disso vem de Hipócrates e Galeno, a teoria dos humores, que a astrologia herdou. Por isso eu falo sempre no sentido de incentivar a leitura sobre os filósofos antigos. A matemática e filosofia antiga estavam em tudo.

Tudo era "medido" por quatro qualidades que são quente, frio, seco e úmido.

Saturno é frio e seco ao extremo, por isso estraga. Ele está no limite da ordem cósmica (longe do doador da vida), por isso tudo que ele estraga não tem conserto numa única existência.

Marte é quente e seco ao extremo, por isso queima tudo. Ele está mais perto do Sol que Saturno, por isso a "queimadura" dele tem conserto antes de matar, mas mata também. Saturno e Marte representam a Escassez e o Excesso.

Os dois são maléficos porque levam o corpo para fora do equilíbrio da Vitalidade.

O Sol é o significador da Vitalidade e doador se vida, por isso ele é a "régua" da homeostase. Por isso ele era o Deus do Éden e de tudo.

Vênus é morna e úmida, mas fria à noite, ela mantém e ela une. É a pequena benéfica, mas seus benefícios não são eternos, eles duram o tempo de seu ciclo. Por isso vivia sendo cultuada, afim de que fossem atraídos para perto dos humanos, os seus raios benéficos.

Um centilóquio bem antigo diz que qualquer planeta quando está fazendo conjunção partil com o Sol (no mesmo grau que o Sol está, no grau exato) o planeta assume as qualidades dele (do Sol), ou seja, o planeta se assenta no trono do Rei e governa.

Vem disso o fato dos antigos poeticamente afirmarem que Lúcifer queria tomar o trono de Deus.

Vênus quando está oriental é Lúcifer porque é a estrela matutina (da manhã, aquela que anuncia o dia nos países setentrionais).

É nessa conjunção partil que existe a The Rise of the Lúcifer.

Num é que ele queria imitar ou invejar o pai celestial.

 

Sua Queda é em Virgem (onde Vênus, por estar no signo de terra e intelecto de Mercúrio, tende a reprimir sentimentos, tornando-se mais crítica, analítica e focada em detalhes práticos do que no afeto livre) e disso se tem o Bode do Sabbat, Azazel, aquele que leva os pecados da comunidade, já que ele é quem aponta defeitos e por isso mesmo Pode dar auto-indulgência.

Disso na Cabalah temos Mercúrio em Hod e Lúcifer/Vênus em Netzach, e essa linha invisível cabalística forma a energia que chamamos de Diabo, porque é desafiadora e opositora ao mesmo tempo em que é de Netzach que vemos tanto a queda quanto a iluminação.

Júpiter é o meio perfeito. Ele é quente e úmido de forma temperada. Quente o suficiente para dar vida, mas não para queimar. Úmido o suficiente para fazer crescer, mas não para apodrecer. É o temperamento sanguíneo, sangue bom, ar puro de primavera. Por isso os antigos chamavam de temperado.

O Domicílio (casa/templo) de Vênus é Touro e Libra (onde Vênus se sente "em casa" e expressa seus dons de forma mais natural).

Sua Exaltação é em Peixes (onde Vênus expressa seu amor e beleza de forma idealizada e universal) e Peixes é regido por Júpiter, o Grande Benéfico.

Seu Exílio (ou Detrimento) é em Áries e Escorpião (onde a energia de Vênus encontra oposição aos seus signos de domicílio). Aqui há os pastores e beatas rígidas em dogma religioso brigando com Vênus/Lúcifer que só quer libertar. Dogma prende, não liberta.

Segunda razão, seita.

Em astrologia tradicional temos O Sect, que chamamos de Seita diurna e Seita Noturna.

As seitas humanas ocultistas se baseiam nisso também. Por isso são seitas no sentido religioso.

Seita diurna = Sol, Júpiter e Saturno.

Seita Noturna = Lua, Vênus e Marte.

Para um Grande Benéfico há um Grande Maléfico. É o equilíbrio. E para um Pequeno Benéfico há um Pequeno Maléfico.

 

Os Luminares (Sol e Lua) comandam.

Júpiter é diurno, do time do dia, do Sect diurno do Sol. Planetas diurnos funcionam melhor de dia e gostam de ordem, lei, medida. Júpiter rege a lei, o juramento, o sacerdote, o rei justo. Ele é a Lei e é o Médico do Zodíaco. Saturno é o Juiz, Acusador, Sentenciador e Executor.

Saturno sem o equilíbrio dos benéficos não possui compaixão, é tirania pura. Daí o Satanás. É ele quem nos ensina sobre isso. Somos nós quem devemos estar "acordados" o suficiente pra perceber as lições diretas e indiretas que vem disso.

Quanto a Júpiter, ele não expande por ganância, ele expande porque há espaço para crescer.

E a Terra está exatamente no lugar do espaço sideral onde pode haver vida como a conhecemos. Por isso ela é Mãe Terra (físico) e a Lua é a Deusa Mãe (alma doadora de vida e dos mistérios) na Terra.

A Terra é onde estamos, é Malkuth. Tem que entender como fazemos a subida pelo caminho da Serpente a partir de Malkuth na Cabalah onde  olhamos pra Diana (Lua) e ela vai até Lúcifer (Vênus), passando antes por Azazel (Mercúrio).

Daí o triângulo invertido yônico que liga Yesod + Hod + Netzach.

E quando essa equação soma Tipheret, temos a primeira encruzilhada cabalística de baixo pra cima.

A Cabalah deve ser lida de cima pra baixo e de baixo pra cima. É a descida da deusa e seu retorno porque de Kether (Ein Sof) que é a Deusa em seu estado bruto - o espaço sideral antes de haver a primeira estrela criada - coloca Sua Yôni/Ktéis em Binah e coloca Seu Lingam/Phallus em Chokmah.

É de Binah que pode haver a Criação do Universo. Ali temos Eva e Lilith. Ali fica a dimensão exata onde Saturno está, na linha divisória zodiacal onde pra dentro é ordem cósmica e pra fora é caos (Apocalipse) "Apok" = fora + elipse do Zodíaco.

Chamamos essa leitura de cima pra baixo e de baixo pra cima, de Catábase e Anábase.

O Uno se separa em 2 polaridades que tem uma jornada onde vai aprender a se unir e se tornar Uno novamente. Nesse mistério há a criação ou destruição. Disso nascem os Ethos e mistérios antigos.

Terceira, Júpiter é contrário natural dos dois maléficos. Ele é quente e úmido, então ele combate o frio seco de Saturno. Por isso se diz que Júpiter mitiga Saturno. E por ser temperado, ele modera o calor excessivo de Marte. Onde Júpiter toca, ele dá contexto, dá sentido, dá saída e favorece a vitalidade doada pelo Sol. Disso nasce a cura. Por isso Júpiter é o médico do Zodíaco.

Quarta, as casas e alegrias. Ele se alegra na casa 11, a casa do Bom Espírito, dos aliados, dos favores do rei. Rege Sagitário e Peixes, e se exalta em Câncer, todos signos férteis, de muito líquido e muita vida. Exaltação em Câncer é o pico da umidade fecunda.

Então quando um tradicional diz Grande Benéfico, ele não está dizendo que Júpiter sempre traz dinheiro. Ele está dizendo que a natureza dele é produzir, conservar, ligar, dar lei e dar crescimento com medida e saúde.

Júpiter é Baal Hadad.

Júpiter é Zeus.

Júpiter é Seth egípcio antes do dilúvio.

Ele (Zeus) fertilizou todo mundo, por isso nos mitos ele é mostrado comendo todas as mulheres que encontra. Seus filhos são semi-deuses nascidos como humanos, contem corpo humano e alma divina feita da mesma substância de que são feito os deuses.

O Sol não é o criador. Ele é o chefe do Espaço, de nossa Galáxia, do nosso Éden. Sozinho ele não faz benefício algum. Com os demais na criação ele sustenta a vida e doa vida, ele permite a fertilidade nos homens e fecundidade nas mulheres e quem nos ensina é a Lua.

Todos os planetas emitem luzes e enviam pra Lua. A Lua capta todas as luzes e manda pra Terra. É o mundo sub-lunar (em Malkuth, o Reino, onde estamos).

Zeus populou a Terra através delas, porque elas são As Mães do Mundo!! Só as férteis.

As inférteis tem seu papel também, mas assim como os abutres são os lixeiros da vida, há que se ter em mente a importância da limpeza. Nunca diminua o papel e a função de se fazer uma limpeza, um exorcismo, um banho, ou das mulheres sem útero e das velhas anciãs amigas do corvo e do abutre saturninos.

E crescimento com medida, na medicina antiga, é a própria definição de saúde, todo mundo precisa de Júpiter e Saturno, do Sol e da Lua, de Vênus e Marte, e de Mercúrio. Eles comandam a vida na Terra. Eles são deuses!

E nós bruxas/bruxos somos o microcosmo do Macrocosmo.

Espero que esse artigo traga lucidez a todos.