Quem
já assistiu o filme Jovens Bruxas (The Craft) de 1996 viu a personagem Nancy
Downs, interpretada por Fairuza Balk, como uma das personagens góticas mais
memoráveis. No filme, Nancy é intensa, ferida, magnética e perigosa, uma
personagem cujo poder nasce tanto da dor quanto da ambição. Inicialmente, ela
se apresenta como uma forasteira em busca de controle em um mundo que lhe negou
segurança, respeito e amor. Sua amizade com Sarah, Bonnie e Rochelle lhe dá
acesso à bruxaria, mas a magia também expõe a profundidade de sua raiva e, é aí
que mora o perigo para quem busca poder pelo poder sem ter controle sobre si
mesma(o). A cena é literalmente a Arte imitando a vida!
A
atuação de Fairuza Balk é fundamental para o impacto da personagem Nancy.
Ela
confere à personagem uma energia selvagem, transitando da vulnerabilidade à
ameaça com uma facilidade perturbadora. As roupas escuras de Nancy, o olhar
penetrante e o comportamento imprevisível a tornam visualmente icônica, mas a
atriz também a impede de se tornar uma vilã simplista. Compreendemos que a
crueldade de Nancy está ligada ao trauma, à pobreza e a uma fome desesperada
por poder, reconhecimento e aceitação do mundo, ela quer ser aprovada e
cultuada e não aceita ser desafiada sem dar o troco, usando a canalização do
seu poder destrutivo como casca para a sua frágil defesa.
Conforme
o filme avança, Nancy é consumida pela magia e em sua mente ela pode voar. Sua
famosa frase, "Eu posso voar", em inglês "eu estou voando"
captura tanto a libertação quanto o colapso.
Ela se sente fascinada pelo poder, mas incapaz de controlar o que ele
desperta nela. Nancy Downs permanece inesquecível porque personifica a raiva, a
rebeldia e o preço assustador de desejar poder sem equilíbrio e age igualmente
a uma pessoa que adentra ao Caminho da Mão Esquerda sem compreender seus
fundamentos para a libertação e dessa forma a sociedade não aceita a régua de
sua pseudo-moral, que deveria construir ao invés de destruir. A libertação
constrói um caráter em fortaleza destruindo seus falsos alicerces, apegos e
crenças estagnadas, não tem a ver com destruir o que está fora de você.
É
um filme de 1996 para jovens, mas capta bem a importância de um trabalho de
transformação para obter controle sobre si mesma(o). O diretor do filme foi
guiado por uma bruxa iniciada para conduzir as filmagens.
Por
isso, na comemoração dos 30 anos desse filme, iremos hoje analisar a Nancy do filme
sobre a lente do Andrew Chumbley e sua Arte Sabática.
NANCY DOWNS, QAYIN E O VENENO DA ÁRVORE DA MORAL DO BEM E DO MAL
The Craft é o Dragon Book pra adolescente. Nancy age como Qayin antes da Marca, ou Qayin que recusou a têmpera.
É
Azha sem Cain. Só Dragão, mas sem o Ferreiro.
A
Inversão da Moral é perigosa quando “Bem” e “Mal” trocam de lugar dentro de cada um.
Comer
o fruto na verdade não te dá “maldade”. Te dá Discernimento. O problema é quem come quando
não sabe fazer a digestão do que comeu!!!
Nancy
comeu com fome de Lobo desenfreado. A soma dos Traumas + Pobreza + Abandono + a
falta de estudos profundos resultam em
um Minério cheio de escória, poluído, o qual chamamos 'vícios de caráter'.
Ela
entra no Círculo e pede poder pelo poder, não transformação, ela quer ter
acesso a fonte do poder.
Ela
faz papel de Abel pedindo aceitação, porém com o método de Qayin.
A
inversão acontece em 3 estágios:
O
primeiro é a fome de sentido distorcida:
“Eu
quero poder e ‘Eu quero entender’, mas ‘quero porque quero e quero agora’ um
poder que não pode ser contrariado por ninguém”.
Ali
ela prova o fruto por carência do que não
tem.
O
segundo é o Voo:
“Eu
estou voando” e ‘Eu estou caindo pra cima’. Ela não consegue estar lúcida
dentro do despertar. Ela está apenas consciente e orientada no tempo e no espaço
e sabe que sua alma pode voar, mas ela não está lúcida e aterrada nessa realidade
ordinária e no “agora”. Ela acha que é 'mais' que os outros.
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| A Dama com a Serpente |
O problema é que o discernimento sem a bigorna vira delírio e auto engano.
O
terceiro é a Queda. Vira tirana, e o hospício vira o Qutub dela, onde funda
cidade em terreno movediço.
Ela
comeu o Mal achando que era Bem sem perceber, sem ter tido um professor da
Arte.
A
Moral Invertida está em Moral vulgar, o Bem obedecer, o Mal desobedecer.
A
Moral Sabática e o Bem é a Escolha com Peso. O Mal é Escolha sem Peso.
Para
ilustrar isso, William Blake tem a frase perfeita:
"Quem faz o bem ao
outro deve fazê-lo nos mínimos detalhes. O bem geral é a alegação do patife, hipócrita
e adulador."— William Blake
Por isso os ingratos vão para a Zona Fantasma, a Galeria dos Invisíveis dos quadros do esquecimento.
Nancy
desobedece, mas não se sustenta. Ela mata o padrasto, enlouquece a amiga, e invoca Manon para que ele se torne escravo do ego dela.
Isso
na verdade não é Caminho da Mão Esquerda e certamente não é Traditional
Witchcraft. É Caminho Sem Mão ou Ego Path.
E aqui reitero que Traditional Witchcraft usa as duas mãos, não só a esquerda. É por isso que nenhum Cunningman e Wise Woman não vão erguer ou defender a Bandeira de algum caminho como se fosse único.
Chumbley
em Azoëtia apresenta o seguinte: “Transgression without Artistry is but Crime”.
Ou seja: Transgredir sem Arte é só crime. E para saber o real sentido de transgressão leiam os dois últimos artigos.
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| A Dama com o Martelo |
Mas por que a sociedade não aceita a régua dela?
Porque
ela não forjou a régua, nem foi tradicionalmente iniciada e pior, não deu continuidade ao aprendizado que lhe foi oferecido. Ela pegou a régua emprestada, mas a régua de Qayin se forja em
Nod, no exílio e no pós recebimento da marca, batendo no próprio osso. Nancy
quis a Coroa antes do Verme comer, e o resultado disso foi a Coroa que comeu ela. É o que a maioria faz, pegam o poder e não sabem o que fazer com ele, pois o ego é seu guia.
O
uso Errado do Poder é como o Arthana sem Têmpera!
Para
quem não sabe, Chumbley explica o significado de Arthana e Athame nas obras
dele.
A
Nancy tem poder, mas não tem caráter. É ferro em brasa sem bigorna e Poder sem
Transformação é Veneno sem a Serpente!
Lembremos
que Ofíuco segura 2 cobras: Veneno e Remédio. É a mesma substância guardada pelo Dragão.
Nancy
pega o veneno e bebe puro, mas não tem fígado pra transmutar. Ela vira a louca da
Via da igreja sombria. O fígado é um órgão regido por Júpiter, não Saturno.
Na
alquimia bruxa, Qayin pega o veneno e vai pra Nod por alguns anos, e vira
Tubal-Cain, e só depois forja. Só então o veneno vira cura.
Quando
ela afirma “Eu posso voar” vemos o BHA sem HU-LA-KA antes.
BHA
é Luz, Voo, Sublimatio. Mas se você não fez HU (a fornalha e hulha), o LA esvaziou, o
KA encarnou, e o voo se tornou psicose.
Em Dragon Book of Essex temos “The Dragon lifteth not the Untempered”. Ou seja, o Dragão não levanta quem não foi temperado. Se
tentar, ele te derruba pra você aprender. Assim, Nancy foi derrubada como acontece com todos os apressados que desconhece que os ensinamentos são passados anualmente, a cada ano um novo degrau da escada. O filme
foi orientado por Bruxas reais na época e o diretor seguiu certinho o roteiro
dado.
Muita gente busca o Caminho da Mão Esquerda, mas este quando sem Fundamento é como a Nancy. Aqui no Brasil vemos muitos seguirem as obras do Crowley sem ter estado dentro da irmandade dele ou sem ter realizado o período pós iniciação que se segue justamente para se transmitir uma tradição e seus ensinamentos que servem como uma escada, cada ano é um degrau que se sobe. De igual forma, os achismos predominam na mente dos estudiosos de Spare, e eles acham que sabem, mas nunca viveram o mistério e nem conseguiram produzir uma telesmata.
Os esquemas iniciáticos são feitos para proteção da mente do iniciado e para conduzi-lo de fato pela tradição no
passo-a-passo. Sem isso não se tem tradição, se tem apenas um Frankenstein. Não adianta ter pressa em nenhum caminho iniciático!
A
Mão Esquerda real de Deus é Qayin pós-Marca! Quem não aproveita o período pós
marca, a marca é ausente, pois ela só se sustenta no pós-iniciação. Infelizmente ainda há pessoas que nunca leram a obra teleológica e eudaimonista de Aristóteles chamada Ética a Nicomaco.
Qayn não é grosso, não é estúpido e certamente não é homem sem virtudes já que ele representa o Homem de Espírito não o homem de barro, ele age moral e intelectualmente com razão, encontrando o meio-termo (justa medida) entre o excesso e a falta. Aristóteles escreveu seu livro de Ética para seu filho Nicomaco e, sua obra cabe bem na têmpera de Qayin.
{Nem preciso lembrar que o mestre de Aristóteles foi Platão e que o pano de fundo da Bruxaria Tradicional é Platão puro, diferente do pano de fundo do satanismo que encontra em Nietzsche, o seu alicerce. Entre um e outro só tem uma distancia temporal de 2.200 anos}.
Ou
seja, a pós marca é: Eu desobedeço, e arco (com as consequências). Eu mato a
Vaidade e fundo cidade. Eu sou exilado, e viro Eixo. Eu me torno o Dragão que
guarda o The Point enquanto riqueza porque compreendi o passo-a-passo e a
entrega virou recebimento.
A
Mão Esquerda falsa é Nancy e aqui vocês imaginam quantas Nancys tem por ai. Ou
seja, em Nancy temos: Eu desobedeço porque doeu e porque tenho impulso de repetir isso sem
pensar. Eu faço o que faço por impulso do querer, pela obsessão e pela ousadia, mas sem o Saber e sem
o Calar. Eu mato porque posso. Eu sou vítima, logo mereço trono. Vira rebelde
sem causa digna do chumbo que se torna ouro e aí a obra não se completa.
Uma iniciação não é garantia de troca de pele. Isso é uma Arte completa e não se deve faltar as aulas, muito menos ser indisciplinado. Em Bruxaria Tradicional há deuses, demônios, ancestrais e toda uma egrégora inteira vigiando cada iniciado, mas o ego diz: "vou fazer do meu jeito, não tem ninguém vendo mesmo!"
É desrespeito consigo mesmo, desde que você é o futuro dos seus ancestrais, nada passa desapercebido. Exílio voluntario não se pede antes da hora, assim como um recém nascido não pode ser emancipado.
Uma
é forja Adamantina.
Outra
é forja de vidro. E vidro voa bonito, mas estilhaça.
A
Transformação é o que vem depois da iniciação, mas antes de haver Astúcia do jeito certo em Como
Usar os Poderes da Árvore do bem e do mal. Isso só é ensinado ao longo do tempo para os legítimos pares iguais.
A
Árvore não dá Bem nem Mal na verdade. Dá Responsabilidade ciente. Pra comer sem
morrer, tem que virar o Qutub verdadeiro! Não tem atalhos nesse caminho! Se
usar da auto sabotagem, já se perdeu.
A
Receita de Chumbley em 4 Leis são:
Primeiro:
a do Exílio. Nod antes de Enoque.
Não
peça poder em Malkuth. Seja expulso de Malkuth. “Errante serás”. Errante é outro nome para planeta (que se move no céu e com o céu). Só quem não
tem chão, vira Eixo. Nancy quis poder dentro da casa, da escola, do sistema.
Mas Qayin funda fora. Não se enfrenta professores da Arte, se aprende com eles para aplicar no seu mundo pessoal.
Na
Prática isso significa anos sem pedir reconhecimento e sem criar nada, sem se
exaltar, sem se mostrar, sem enfrentar. O recém iniciado ainda está na fase do recebimento e entrega. Por isso trabalha em silêncio olhando para
dentro. Ali o Verme come a coroa, não é a coroa comendo a cabeça e certamente não é o poste mijando no cachorro.
A
segunda é a Lei da Bigorna! Ajoelha no Vazio.
Poder sem ajoelhar é criar Tirano, é dar luz ao bebe de Rosemary. Enquanto que ajoelhar pro mundo (mundano) é Abel que não reencarna em Set, quando você ajoelha pro Vazio você se torna Qutub, é Abel que reencarna em Set. Iniciado deve se esvaziar, assim como meditar significa parar de pensar para se fundir com o todo.
Nancy nunca deitou. Só levitou em sua própria rabiola. Por isso caiu. Ela não fez o oroboros de forma correta porque nem chegou nessa fase. Crianças não dirigem carros e certamente não dirige a vida ou destino de ninguém. Ser disciplinado é quesito fundamental para qualquer iniciado sério. Magia sem disciplina é como criança com a faca na mão, ela se corta e corta os outros e chama de acidente. Iniciado sério não negocia com a própria preguiça, não negocia com a própria curiosidade e pressa. Ou você forja o hábito ou o hábito forja o teu fracasso. Poder obedece ritual, o ritual obedece rotina e a rotina da tradição quem te ensina é seu/sua professor(a). Sem disciplina, você não é iniciado, é só um turista no templo. Sem disciplina, não tem o martelo, o Arthana não tem fio. É como uma coroa sem crânio ou trono sem base.
Quer poder? aprende a obedecer antes de mandar, pois Qayin não ergueu o templo em um dia, foi golpe atrás de golpe, morte atrás de morte. Sem disciplina é só lingote ou tarugo, a massa de metal bruta antes de ser forjada e moldada. Todo ferreiro legítimo sabe disso.
A
terceira é a Lei da Têmpera, onde Mundo é Água Fria, aquela que esfria o metal
após a forja. Têmpera não é sofrer por sofrer. É fogo, é água, é porrada do diabo. É quebrar para não quebrar depois. Sem têmpera é somente ferro doce: brilha, entorta, e morre na primeira luta. Quer ser Lâmina? aprende a sangrar no frio. Toda Lâmina nasce mole, vira uma sentença depois de sentir o beijo da brasa, e no final a água vai calar o grito. Têmpera é o batismo do exilado e na Arte sabática há três exílios, você deve vivê-los, não raciocinar sobre eles.
Depois
do fogo, tem que apanhar do mundo e receber crítica, traição e perda. A Ordália
é certa! Se trincar, tinha ego. Se temperar, vira Aço Negro da Arte.
O
Azoëtia é claro: “The Oppositor is the Tempering”. O Opositor te tempera. Nancy
chamou o Opositor de inimigo. Qayin chamou de Ferreiro. E ferreiro é um cargo de vocação, ou se é ou não é. Fracassar na arte dos metais é diplomar-se na estultícia, não na astúcia.
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| A Dama com o Crânio |
A
quarta é a Lei do Fruto! Você Come e Planta.
Então
vejam, Adão e Eva comeram e esconderam. Qayin comeu, foi exilado, e plantou
cidade. Ele foi o primeiro agricultor, soube arar, plantar e colher.
O
Poder da Árvore só é teu se frutificar fora de ti. Nancy usou pra vingança.
Qayin usou pra Enoque (nome da primeira cidade, seu filho). Qayin foi o primeiro construtor.
No Dragon Book
temos o seguinte: “The Arthana cutteth not for the Hand, but for the Field”. A lamina corta para o Campo, não para a
Mão.
Para
compreender isso vamos examinar Netzach, onde contrastamos Nancy vs Lady
Lucífera.
Lady
Lucífera é Estrela da Manhã possuidora das 2 polaridades. Ela é Vênus Luchífera
e é Lúcifer. Ela é Ele, e Ele é Ela. É
toda possibilidade, é Arte e valor.
Ela/Ele
caiu por Escolha, não por acidente, não por consequência. Caiu com Trono, não atrás de trono. A alma reencarna
e desperta sabendo o que fazer ao se reunir entre seus iguais. É maturidade, não rebeldia.
O
Teste de Netzach é simples e ninguém enxerga!
Ela
te dá a Esmeralda da Coroa e pergunta: "Vai voar ou vai forjar?”
Nancy:
“Vou voar!” e cai, acaba no hospício. É Luz sem Peso.
O(a) folgado(a) usa o poder. O verdadeiro iniciado transforma o poder em criação após se permitir ser forjado por ele.
É
querer reencarnar sem ter passado pelo julgamento de Osíris na balança de
Anúbis sob a vigia de Thot que guarda o segredo do controle de Ammut.
O
segredo? Bem, Ibis come ovos de crocodilo. Fácil de entender, difícil é
compreender o mistério e respeitá-lo. O estúpido desrespeita isso e chama de transgressão.
Qayin:
“Vou forjar” e pega a esmeralda, mete na ponta do
Arthana, e vira Tubal-Cain. Luz com Peso.
A
Moral Reinvertida:
No
fim do Crooked Path há o Bem = ser capaz de ser Mal e escolher não ser para não
se igualar ao Deus do antigo testamento.
Mal
= ser incapaz de ser Bem, mas fingir que escolheu.
Em
Isaías 45:7 declara a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas,
afirmando:
"Eu
formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço
todas essas coisas".
Qayin
não é soberano tirano e muito menos soberano de todas as coisas. Ele é sábio,
astuto, e soberano de si mesmo. Ele usa isso com a verdadeira justiça cósmica,
atributos divinos de sua herança “maléfica” advinda de sua Mãe Lilith (o
demônio que a igreja teme).
Nancy
não era má. Era incapaz. Por isso a sociedade não aceita a régua dela já que
não tem medida. É vidro querendo ser diamante. Nesse ponto o leitor pode ter
uma ideia clara do que a “Marca” realmente é feita.
A
medida é quem mede a gente, não a gente medir a medida. É a exata medida e
proporção das coisas. Eis a fórmula da Arte chamada Tradição. Quem não entende
isso não pertence a Arte, pois é preciso forja antes de Manon atender, ter
coluna de Aço Negro e Asas de Estrela pra aguentar o peso do Voo.
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| A Dama com a Estrela |
As imagens que compõem esse artigo são as Quatro Damas de Elda: Do Fruto ao Eixo, as quatro Senhoras angulares.
O
ciclo começa onde Gênesis mente e Azoëtia revela. Eva come o fruto por
ingenuidade e é expulsa. Lilith recusa o fruto da soberba e do controle
invertido e foge para sua árvore. Eva falha porque comeu sem bigorna. Nancy tenta repetir as
duas, comendo por fome de trauma, cuspindo por achismo do medo de consequência,
e voa sem ter morrido, ela ainda quer o controle, não a libertação, não tem estrela apontando a direção. O resultado
é hospício. É Abel com truques.
Qayin
é a terceira via. Não é Eva que obedece, não é Lilith que foge para a árvore do mal, não é Nancy que
surta. É quem come, é expulso, ajoelha no exílio, forja a coroa, e volta pra
fundar cidades lembrando da raça de sua mãe e do sangue daemônico das estrelas. As quatro Damas são o retrato desse Caminho Tortuoso em osso e luz,
senão vejamos:
1.
Dama com Serpente — BHA, a Sublimatio
É
Eva se tivesse encarado e acompanhado a lição da Serpente ao invés de ouvir sem
compreender, ela não tinha referências anteriores para saber compreender. É
Lilith se tivesse beijado a boca que morde, mas ao invés de beijar ela mordeu.
É Nancy antes do “Eu posso voar”. A serpente de três voltas não é tentação. É
Azhdeha, o Dragão-Veneno que Ofíuco segura. Na mão da Dama, o veneno vira
semente. BHA é a Luz que nasce da Sombra. Eva comeu e escondeu. Lilith cuspiu e
amaldiçoou. Nancy bebeu e enlouqueceu. Qayin segura, contempla, transmuta. A
serpente não sobe pela espinha dela. Ela desce pela serpente até a raiz. A
maldição é estar lúcida em vida e na morte, no estado primordial de tudo. Eis a
verdadeira libertação.
2.
Dama com Martelo — HU, a Calcinatio
É
Tubal-Cain no feminino. Lilith forja correntes pra se prender no Mar Vermelho e
se dissolver nas águas limpas. Eva forja desculpa pra se esconder no mato.
Nancy forja feitiço pra se vingar do mundo. A Dama forja o próprio osso. O
martelo não bate em inimigo. Bate na bigorna da própria coluna. Cada golpe é HU
— o fogo que calcina o nome dado por Adão. Abel oferece ovelha. Qayin oferece a
si mesmo em brasa. Por isso o mundo o rejeita: ele não pede, ele tempera. Nancy
quis o trono antes do fogo. A Dama queima o trono pra forjar a espinha. Qayin é
o “Homem” de Espírito. Abel é o “homem” do barro. Esse mundo é formado pela
ação hierogamica de Eva e Adão, por isso são os pais da humanidade. Esse mundo
é ilusório e nossas vidas aqui são passageiras. Nele há os do sangue de Qayin e
há os do Sangue de Adão.
3.
Dama com Crânio — KA, a Putrefactio
É
Morte Iniciática. Eva morre de velhice e vira pó. Lilith não morre e vira
assombro desafiador. Nancy morre por dentro e vira paciente. A Dama morre por
vontade e vira Trono. O crânio na mão não é memento mori cristão. É o crânio de
Abel, é lembrança do primeiro sacrifício e assassinato. KA é Coagulatio: o
sangue que verteu do irmão vira argamassa de Enoque. Só senta no osso quem
matou o cordeiro dentro de si. Nancy matou o padrasto e ficou vazia. Qayin
matou o Abel e fundou cidade. A diferença é peso. Um mata pra consumir. Outro
mata pra construir e é segredo que não se põe em palavras, se compreende na
alma que se lembra.
4.
Dama com Estrela — KHU, a Projectio
É
Qutub Setentrional ou Austral. Eva olha pra estrela e vê castigo. Lilith olha e
vê exílio. Nancy olha e vê alucinação. A Dama usa a estrela como coroa. KHU é o
Duplo que sai do crânio e se alinha com Sigma Octantis — a Estrela do Sul que
não brilha pra olho profano. É a estrela do Norte com Al-Thuban, Eixo do Dragão
Morto. Sul tem Sigma, Eixo do Dragão que se Lembra. Nancy gritou “Eu estou voando”
e caiu. A Dama cala, projeta, e o mundo gira em torno dela. Não voa. Vira Eixo
e dona de seu destino.
Eva → Lilith → Nancy.
Qayin é a escada do Éden ao Nod. Eva cai. Lilith foge.
Nancy surta. Qayin forja. Eva e Nancy comem o fruto e morrem. Lilith revela daimon. O último
come e veste a coroa, a coroa é
comida pelo Verme, e renasce como Ferreiro.
Eva cria a humanidade. Qayin revela que a morte existe a partir dos atos de Eva, mas é ele quem transmuta Abel em Set nos desígnios da morte. Set é o terceiro filho de Adão e Eva e o primeiro sacerdote. É Abel reencarnado, o homem de barro volta e se torna o homem da fé sob os auspícios e mistérios da morte, sem a qual não se enxerga quais são da descendência de Samael e Lilith, e quais são da descendência de Deus.
O Azoëtia é
claro nisso: “The Path is Crooked, for the Straight is the Lie. The Crown is
not Given, but Taken from the Skull of the Self”.
As
Quatro Damas agora andam contigo. Serpente na mão, Martelo na coluna, Crânio no
trono, Estrela na coroa. BHA-HU-KA-KHU é o teu tutano e osso agora e não uma invocação
do Mumm-Ra do desenho do Thundercats em grego.
O
Caminho é Torto, pois o Reto é a Mentira. A Coroa não é Dada, mas Tomada do
Crânio do Próprio Eu.
Sett
Lupino
















