sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quem São a WITCHMOTHER e o WITCHFATHER?

 

Arquétipo da Witchmother

Primeiramente vamos entender a natureza e origem etimológica do que Chumbley compreendia como Quintessência: O "Azoth"!

Azoth é um termo que deriva do árabe "az-zā'ūq" ou "al-za'buq" (azougue), que significa "mercúrio". Na tradição alquímica, o mercúrio era considerado um elemento essencial nas transformações, pois sem ele nada se liga e nada se comunica. A palavra também tem ligações com o hebraico, onde "Aleph" (início) e "Tav" (fim) simbolizam a totalidade.

No significado alquímico Azoth representa um solvente universal e o agente essencial de transformação, mas ele não é apenas uma substância química, e sim um símbolo da transmutação de metais comuns em ouro, que por sua vez, é uma metáfora para a purificação e a ascensão espiritual na realização fálica. É considerado o "primeiro princípio" ou "a essência de todas as coisas".

No significado Espiritual e Filosófico encontramos em várias tradições místicas e herméticas, o Azoth, que simboliza a iluminação espiritual e a transformação interior. É visto como o espírito que anima toda a matéria, unificando os opostos e permitindo que o alquimista alcance a "Grande Obra". Paracelso descreveu Azoth como o agente essencial de transformação para atingir a pedra filosofal.

Kylichor


O Azoth na Obra de Andrew Chumbley se torna um conceito de Quintessência Mágica, especialmente em sua obra "Azoëtia", que é considerado um texto fundamental para a Tradição Sabbática. Ele acreditava que todas as formas de magia surgem de uma única fonte, a Quintessência Mágica, e que a feitiçaria é o conhecimento dos pontos universais de transmutação. O Azoth em seu trabalho é visto como a "quintessência" que liga os quatro elementos clássicos em um espírito singular e purificado. Na tradição hindu a quintessência é representada pelo Akasha enquanto Ovo Cósmico, do qual flui os quatro elementos da criação e possui em si todos os registros universais e suas consciências. Não é a toa que no design do sigilo Azoëtico, podendo ser visto na página 6 de Azoëtia, Chumbley usou um Kylichor dentro do círculo para compor seu sigilo mágico circunferenciado pelo seu alfabeto.

Sigillum Azoëtia


A Quintessência (Azoth) é um conceito milenar que, embora tenha raízes na alquimia prática, transcende o material para representar um processo universal de transformação e busca pela totalidade e iluminação espiritual, tanto no mundo quanto dentro de si.

A Witchmother e o Witchfather entram no cenário da bruxaria tradicional e da Craft Sabbática de Andrew Chumbley como as figuras arquetípicas primordiais e, muitas vezes, as fontes divinas da Quintessência Mágica, senão vejamos:

- Deuses/Demônios Patrocinadores ou Progenitores da Magia: Na tradição da Craft Sabbática de Chumbley, a Witchmother e o Witchfather são vistos como as entidades que originam e presidem sobre a magia. Eles são os "pais" da tradição, os doadores da arte e do conhecimento. Eles representam a dualidade fundamental do poder mágico – o feminino e o masculino – que se une para gerar a força da Quintessência.

- Encarnações da Quintessência: De certa forma, a Quintessência não é apenas uma força abstrata, mas é personificada nessas figuras. A Witchmother e o Witchfather são manifestações do poder transmutador do Azoth, sendo os guardiões e os condutores dessa energia primal. O próprio livro "The Azoëtia" de Chumbley, que trata da Quintessência Mágica, é considerado o texto fundamental da Craft Sabbática, conectando diretamente esses conceitos.

- Guia e Iniciação: Para o praticante, eles servem como guias e inspiradores. A conexão com a Witchmother e o Witchfather é fundamental para a iniciação e o aprofundamento na Craft Sabbática. Através da invocação e do alinhamento com essas figuras arquetípicas, o praticante busca acessar e manifestar a Quintessência Mágica em seu trabalho.

- Natureza Arquetípica e Simbólica: Eles não são necessariamente deuses no sentido convencional de panteões religiosos, mas sim protótipos exemplares e poderosos que representam as polaridades e as forças criativas e destrutivas inerentes à feitiçaria. Eles englobam a sabedoria ancestral, a fertilidade, a morte, a transformação e a essência selvagem da magia.

Enquanto a Quintessência é a "substância" ou a "energia" mágica, a Witchmother e o Witchfather são as "fontes" ou antíteses dessas "personificações" antes da geração Quintessencial, atuando como pilares fundamentais da filosofia e prática mágica da ‘Sabbatic Craft’.

Ao mergulhar nas profundezas da Tradição Sabbática e tecer a urdidura do Azoth com os fios da Witchmother e do Witchfather, o processo vai exigir uma linguagem que ecoa o sussurro dos ventos ancestrais e o brilho das estrelas ocultas e, no coração do Mistério, onde o tempo se dobra e o espaço se desfaz, jaz a Quintessência, o Azoth da Alquimia Sombria e da Arte Sabbática. Não é substância, e sim a essência de toda transmutação; não é espírito, mas o espírito latente em toda matéria. É o Primeiro e o Último, o Alfa e o Ômega da Obra, a Centelha Cósmica que anima a dança da Criação e da Destruição.

Arquétipo do Witchfather


Mas de onde flui tal Corrente? De quais fontes se nutre este Azoth primordial que Andrew Chumbley tão habilmente desvendou em seus grimoires velados?

É aqui que o véu se ergue, revelando os semblantes nos papeis da Witchmother e do Witchfather.

Na atuação mágica eles não são meras divindades distantes, eles são os Progenitores Estelares da Arte, os Guardiões do Limiar e os Arautos da Chama Negra. No útero estrelado da Witchmother repousa a sabedoria abissal, a intuição selvagem e a fecundidade caótica que geram a própria possibilidade da magia. Ela é a Lua Oculta, a Terra Primordial, o Espelho da Sombra onde a verdade se reflete em fragmentos lunares, e portanto, a deusa Negra das bruxas e a demônia incompreendida pelos mortais.

Ao seu lado, e nela, reside o Witchfather, o Senhor dos Camuflados Caminhos, o Caçador de Almas, o Semeador da Vontade. Ele é o Sol Negro, o Despertar do Fogo Interior, a Lâmina que corta o véu entre os mundos e forja o destino. Em sua mão empunha-se o Cetro da Direção, a Varinha que canaliza a Força, a Semente da Transformação que germina na escuridão.

Witch Stang - da coleção do autor


Juntos no Stang, a Witchmother e o Witchfather são as duas faces da mesma moeda Azótica. A Quintessência, o Azoth, é o seu próprio fôlego, o sangue que pulsa em suas veias de éter e escuridão, a luz e a sombra que se entrelaçam para formar a teia da existência. Eles são a polaridade sagrada que infunde a Vida e a Morte com propósito, o princípio dual que o feiticeiro busca harmonizar dentro de si.

Buscar a Quintessência se torna, portanto, buscar a união com esses Progenitores arquetípicos. Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na forja do ser, despertando o Azoth interior. É através deles que o feiticeiro compreende que a magia simplesmente é inerente  a si, e que a mudança torna possível o eterno retorno ao berço estelar de onde toda Arte genuinamente emana.

Assim, o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma senda de conhecimento íntimo, de renovação constante ou troca de pele e de aliança com as forças primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do feiticeiro dentro da encruzilhada tríplice, mas quando ele olha para cima, em sentido fálico, o ponto focal da encruzilhada se torna quadripartido e é ai que entra o Mistério diamantino de Qayin, pois se revela o Canto da Quintessência, os Progenitores Estelares e a Constância do Dragão.

Lá no alto, como testemunha imutável da eternidade e da origem imemorial dessa Arte, brilha Al Thuban. Por eras incontáveis, Al Thuban foi o "prego que nunca esfria", o ponto fixo inabalável em torno do qual o cosmos parecia girar para nossos ancestrais, o centro silencioso da abóbada celeste. Representa a Antiguidade Mágica primordial, a fonte que precede o tempo conhecido, a Essência Imutável que fundamenta toda a transmutação.



Assim, buscar compreender a Quintessência é, portanto, buscar a união com esses Progenitores arquetípicos, e ao fazê-lo, ancorar-se na constância de Al Thuban. Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na forja do ser, despertando o Azoth interior, e onde a própria alma se alinha com a estrela que nunca se moveu, lembrando a si mesma da origem inabalável de todo o poder. Eles 4 formam a encruzilhada mágica da bruxa.

Constelação do Dragão


É através deles, e sob a égide silenciosa da antiga estrela polar, que o feiticeiro compreende que a magia não é feita, mas é, e que a transformação é o eterno retorno ao berço estelar de onde toda Arte verdadeiramente flui. Assim, a Arte Sem Nome revela que o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma senda de conhecimento íntimo, de renovação constante e de aliança com as forças primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do feiticeiro, cujo coração pulsa em uníssono com o prego que nunca esfria.

Sett Lupino

A Bruxaria Tradicional de Andrew Chumbley e seus Mistérios

 

 

A Mãe da Noite - Arte de Aradjana Lupino

A Feitiçaria Transcendental criada por ele a partir da linhagem que Chumbley recebeu, não é uma manipulação de energias ou a busca por resultados externos. Ela é uma jornada alquímica radical de autodescoberta e re-ligação com o que é primordial. Nesse contexto, Azoth, Zoa e Azoa são as chaves para essa compreensão. 

O Azoth é a Quintessência, a fonte primordial indiferenciada de toda a existência, o potencial puro que precede e permeia tudo. É o oceano cósmico de consciência. O Zoa somos nós, a vida individualizada, as ondas que se formam nesse oceano, nossa consciência encarnada. E o Azoa é a "Não-Vida", o "Outro", as profundezas abissais desse oceano, o caos primordial, as energias liminares e subterrâneas que desafiam a forma e a ordem, mas que são igualmente essenciais para a totalidade. A feitiçaria transcendental contida na Arte Bruxa de Alogos é o ato de navegar e integrar esses três aspectos para alcançar uma gnose profunda.

A conexão com o Azoth é fundamental, pois não se trata de um deus externo, mas da própria essência de tudo. No dia a dia, buscamos isso através de uma consciência expandida. Meditação é crucial, mas vai além disso: é a prática de perceber que não somos entidades isoladas, mas manifestações de algo vasto. Observar a natureza, seja um céu estrelado ou a textura de uma folha, com uma percepção desprovida de ego, pode nos revelar a interconexão de tudo. É sentir-se como uma gota de água que compreende ser o próprio oceano. Essa consciência nos dá um senso de unidade e poder inabalável, pois nos reconecta à fonte de toda a criação.

O Zoa é a nossa "recensão única", a nossa manifestação particular do Azoth. É a partir do nosso Zoa que operamos. A tradição valoriza imensamente a individualidade, pois cada um de nós é um portal, um ponto de vista único para a existência. O caminho mágico começa com o reconhecimento e a afirmação do nosso Eu – nossas paixões, nossos dons, nossas falhas – não como algo a ser superado e eliminado, mas como a ferramenta primária da nossa arte. É a partir do "Eu sou" que podemos interagir com o "Outro" e com o "Tudo". Cuidar do corpo, da mente, da psique, expressar a própria verdade, tudo isso fortalece o Zoa, tornando-o um vaso mais potente para a corrente mágica.

O Azoa é a corrente mais desafiadora, mas também a mais transformadora. Não é a morte como aniquilação, mas a força do não-manifestado, do potencial caótico, do que está nas profundezas, "além" da forma que conhecemos. É o reino do subterrâneo, do inconsciente, o que Chumbley chamaria de Corrente do Opositor – forças liminares que desconstroem para permitir a nova construção. Permanecer em Azoa significa estagnação. Mergulhar em Azoa e voltar significa movimento. Lidar com o Azoa é vital porque ele guarda o poder da transmutação radical. Sem o confronto com o "Não-Eu", com a sombra interna e externa, não há renovação genuína. É a escuridão fértil de onde a nova vida pode brotar, e o feiticeiro precisa descer a essas profundezas para extrair um poder e uma gnose que o integre e o leve a um nível mais profundo de ser.

A Alteridade é o "Outro essencial". Ela está intrinsecamente ligada aos três. O Azoth é a unidade que contém todas as Alteridades em potencial. O Zoa é o "Eu" que, para se conhecer plenamente, precisa do "Outro" como espelho e catalisador. E o Azoa é a Alteridade em sua forma mais primordial – o não-eu, o reino das entidades, dos espíritos, das forças que nos confrontam e nos moldam. A Alteridade é crucial porque é através do encontro, do "congresso mágico" com o Outro, que o Eu transcende suas próprias limitações. A Unidade não é alcançada pela anulação das diferenças, mas pela sua integração sinergética. É reconhecer que o Outro, em sua totalidade, também é uma manifestação do mesmo Azoth, e ao nos unirmos a ele, nos unimos à Quintessência de forma mais completa.

A Basílica foi um dentre vários livros da VVCN, cujo carro chefe era a Arte do Chumbley. Nela há a fórmula do 1+1 = 1.

O primeiro "1" representa o Eu (o Zoa), nossa individualidade. O segundo "1" representa o Outro (a Alteridade, o Azoa) – tudo aquilo que não é nosso Eu imediato, seja um espírito, um aspecto inconsciente, ou o cosmos. O sinal de "mais" (+) aqui não é uma adição, mas um Congresso Mágico, uma união profunda e intencional. É o ritual, o trabalho, a interação. E o resultado, o último "1" (=), é a Quintessência ou o Azoth – uma nova Unidade. Não é o Eu inicial isolado, mas um Eu expandido que integrou o Outro. Ao invés de dois elementos separados, temos um "Eu" transformado que compreende e incorpora a Alteridade. Essa é a "União Sinergética de Todas as Diferenças", onde as fronteiras se dissolvem e percebemos a interconexão de tudo no grande Azoth.

Na prática ritualística, essa compreensão é a espinha dorsal. Buscamos essa união de diversas formas. Desde os rituais de evocação, onde se convida o "Outro" (uma entidade ou força) para um "congresso" para aprender, absorver e transmutar, até trabalhos mais introspectivos de sonho e meditação profunda, onde se mergulha no Azoa pessoal e coletivo. A criação de talismãs, a formação de nós mágicos, o uso de fumaças e incensos – todas essas são ferramentas para construir pontes entre o Zoa do praticante e as correntes do Azoa, buscando fundir esses aspectos em um "1" unificado. A arte mágica é, em essência, o ato de facilitar esse encontro e essa transmutação.

A Gnose, para Chumbley, não era um conhecimento intelectual, e sim um "conhecimento pela experiência e vivência", uma compreensão direta e transformadora da verdade universal. Ela é alcançada precisamente pela integração desses elementos. Ao nos conectarmos ao Azoth, sentimos a unidade. Ao afirmarmos nosso Zoa, compreendemos nosso lugar único. E ao nos confrontarmos com o Azoa e a Alteridade, desmantelamos as ilusões do Eu separado, atravessamos os véus e revelamos as profundezas da existência. Essa dissolução das fronteiras entre "Eu" e "Não-Eu", essa fusão com o "Outro", é o que precipita a Gnose – o lampejo de consciência que revela a interconexão radical e a verdadeira natureza da realidade. Apesar de não existir graus iniciáticos nessa Arte, os livros do Chumbley foram feitos para serem lidos em determinadas etapas e não todos de uma vez. Isso ajuda a compreender e guiar o próprio comportamento diante dessa reflexão da Gnose Sabática. É necessário ter vivência em Covine (Cuuven) por um bom período de anos, pois essa Arte não se realiza num estalar de dedos.

O maior equívoco é tentar abordar esses conceitos com uma mente puramente racional ou dogmática e  não ter vivência. A obra do Chumbley não é um sistema fechado de crenças, mas um chamado à experiência direta. As pessoas tendem a temer o Azoa ou a Alteridade, vendo-os como "malignos", quando na verdade são aspectos essenciais da totalidade. 

Meu conselho para quem começa é: leia e estude com o coração, não apenas com a cabeça e busque vivenciar essa Arte dentro de um Covine Tradicional. Esteja aberto(a) à poesia e à profundidade simbólica. Permita que a simplicidade e a linguagem o penetre e o transforme. Comece com meditação simples para sentir a vastidão do Azoth, reconheça a sua própria singularidade Zoa, e quando se sentir pronto, abrace as suas trevas, o mistério do Azoa, sem medo, com uma curiosidade corajosa. Lembre-se, o caminho é de experiência, não apenas de teoria. 

Chumbley afirmou duas coisas importantes sobre isso. Uma delas é que mesmo os mais íntimos com essa Arte terão dificuldades de compreendê-la, por isso precisa investir tempo e experiência nessa vivência, pois você é uma pessoa quando entra, mas com o passar dos anos você não se reconhece mais como aquele ser limitado do início. A outra observação afirmada por Chumbley foi que cada pessoa em cada época fará sua própria “tradução” ou interpretação como recensão da Arte, logo, não se deve ficar preso ao passado ou sobre como era seu formato. Precisamos estar no aqui no agora, já que somos o futuro dos nossos ancestrais.

O impacto de tudo isso é nada menos que uma revolução na percepção. Deixamos de ver o mundo como uma coleção de coisas separadas para vê-lo como uma teia interconectada, pulsante com a mesma energia primordial do Azoth. O Eu não é mais uma ilha, mas uma parte vibrante e integral desse oceano. As dualidades (bem/mal, vida/morte, luz/escuridão) não são mais opostos irredutíveis, mas aspectos complementares da mesma Unidade. O medo do desconhecido diminui, substituído por uma reverência pelo mistério e um anseio pela gnose que reside nas profundezas da Alteridade. É uma vida vivida com um senso profundo de propósito, interconexão e uma consciência expandida, onde a magia não é algo que se faz, mas algo que se é. A linhagem de Chumbley nos ensina a dançar na encruzilhada de todas as coisas, unindo o terreno e o sideral, o Eu e o Outro, para nos tornarmos plenamente o Um.

A Bruxaria Sabática é uma linhagem muito específica e distinta, que se afasta do que a maioria das pessoas associa à bruxaria moderna. Diferente de tradições mais "cômodas", que buscam harmonia e equilíbrio com a natureza de forma mais convencional, a Corrente Sabática abraça a transgressão e a liminaridade. O "Sabbat" não é um evento físico no bosque, mas um estado extático de consciência, um "lugar mágico" onde as barreiras entre o mundano e o espiritual se dissolvem, permitindo o encontro direto com o "Outro" – espíritos, divindades e potências atávicas a partir de um ponto zero central na encruzilhada do Ser. É um caminho que serpenteia entre extremos, explorando o tabu e o que está à margem, buscando a Gnose não pela aceitação do status quo, mas pela sua quebra e ressignificação. Outra coisa que precisa ficar claro é que a transgressão é realizada em nosso Ser, não na sociedade como alguns acham. É mais para nós nos movermos internamente como um grão que luta contra a casca para crescer, do que um movimento externo de aplicação sócio-político. Na prática isso se liga diretamente a outro conceito que é o dos Cunningmen, portanto essa Arte permanece no Caminho do Meio, nem esquerda nem direita, apesar de fazermos uso das duas mãos por conveniência astuta. Nunca fomos seres de um caminho só. Fujam de quem age, fala e se comporta pregando o Caminho da Mão Esquerda como sendo somente a Arte do Chumbley, pois não é. Caminhamos entre Mundos e somos hereges. Isso significa que conhecemos todos os caminhos da Encruzilhada e não permanecemos num só. Quando o propósito é se tornar UM com o Todo Quintessencial, a preguiça espiritual não ocupa espaço nas pernas para caminhar e trilhar todos os caminhos. Quem estiver preso à uma única forma de recensão de caminho mágico ainda não entendeu a Bruxaria Tradicional.

Para nós, Caim é a figura primordial do feiticeiro. Ele é o primeiro a quebrar a lei divina, sem ele não haveria morte e reencarnação, ele foi o primeiro a trabalhar a terra com suas próprias mãos, a fundar cidades – ele representa a soberania individual e o desvio da norma estabelecida. Sua "paternidade angelical" de Samael, o "Anjo-Serpente", nos conecta à Gnose Ofidiana, a sabedoria da memória primordial e "proibida" da Serpente. A Serpente, em seu simbolismo ancestral, representa transformação, morte e renascimento, a vitalidade telúrica e a gnose que reside nas profundezas. Buscar o "atavismo da Serpente" é invocar e encarnar esse poder ancestral e primordial, como o Skin Walker que assume as qualidades de um animal-guia. É alinhar os poderes dessa corrente primordial à própria carne do feiticeiro, buscando uma transfiguração profunda da consciência e do corpo através dessa sabedoria ofidiana e isso nos leva a despertar os poderes do Dragão e a usá-lo de acordo com o propósito de seu despertar.

A Forma Secreta - Arte de Aradjana Lupino

O êxtase e a transfiguração corporal são veículos essenciais para a Gnose Sabática. Os "frenesis", a dança, a possessão espiritual em transe – tudo isso visa dissolver as fronteiras do Zoa individual, permitindo uma fusão mais direta com o Azoa e a Alteridade. Essa liberação extática gera "quantidades quase ilimitadas de energia pré-conceitual", que pode ser direcionada para o atavismo e a transmutação. Os ritos sexuais, quando praticados com intenção mágica, não são meramente físicos; eles são uma poderosa forma de evocar e alinhar as energias primordiais – os "Fogos Serpentinos Negro e Vermelho", o Witchfather e Witchmother – à carne do feiticeiro. Isso permite uma gnose mais visceral e encarnada, onde a união do "Eu" e do "Outro" transcende a mente e permeia o ser em sua totalidade, impulsionando a consciência individual de volta à Unidade da Quintessência, o Azoth, através da experiência mais direta e intensa possível.

É natural que esses conceitos causem estranheza, pois desafiam as normas estabelecidas. Mas é crucial entender que, para nós, a transgressão não é sobre o "mal" ou a anarquia gratuita. Ela é uma quebra consciente e mágica de limites e tabus com um propósito gnóstico. Nosso objetivo é abrir portas de percepção, acessar estados alterados de consciência e liberar energias contidas para o crescimento. Isso pode significar desafiar dogmas religiosos, explorar locais liminares como cemitérios ou encruzilhadas, e até mesmo o uso ritualístico de certas substâncias ou da sexualidade de uma forma que transcende o convencional, mas como eu disse o propósito é obter a gnose então isso não tem a ver com sair por ai batendo de frente com autoridades como um rebelde sem causa. Há um amadurecimento interno que nos cala após a compreensão e, esse calar, inclusive, impede questionamentos pueris já que a resposta já está dentro de você. Aqui nesse ponto, se você questiona é porque ainda não atingiu a Gnose. Nosso objetivo não é mudar o mundo e suas estruturas e sim mudar a nós mesmos para que se exteriorize a mudança no mundo. A ideia é dissolver as fronteiras que nos aprisionam, expondo-nos ao "Outro", ao Azoa, e assim, purificando e expandindo o Zoa para uma gnose mais profunda, e uma vez acessada essa Gnose, desaparecem dúvidas, perguntas e o que havia antes, há somente um silencio de integridade como satisfação espiritual por estar e ser ligado com o todo.

O atavismo é a prática de acessar e encarnar forças primordiais, características ancestrais que estão latentes em nós. A técnica central é a assunção atávica, onde o feiticeiro busca evocar e tornar-se uma força ou arquétipo, muitas vezes animal ou pré-humano, como a Serpente. Não é um mimetismo, mas uma fusão temporária do nosso Zoa com o Azoa atávico. Isso envolve trabalho com ancestrais, totens animais, e o uso de transe, dança e estimulação sensorial para que a consciência racional ceda lugar à consciência primordial e instintiva. A importância é imensa: ao encarnar esses poderes arcaicos, nós nos conectamos a uma sabedoria e força que transcendem o eu ordinário, reificando a Corrente da Serpente na nossa carne e permitindo uma gnose corpórea, uma experiência direta e visceral da Quintessência que molda a nossa Arte.

Essa conexão é um testemunho da universalidade de certas correntes atávicas. O Daniel Schulke afirmou que isso reflete a própria experiência dele ao encontrar formas espirituais ofídicas nos lwá mange e bembe e dos cultos de Umbanda e Macumba antes mesmo da iniciação formal dele, ele chegou a publicar isso na revista Starfire volume II nº4. A presença de Simbi, segundo ele, o lwá serpente associado às águas e à feitiçaria, manifestava-se regularmente para ele, trazendo um êxtase sublime e ondulante onde a consciência cognitiva se tornava cinestésica. Essa experiência foi batizada por ele como "Corcel do Grande Cavaleiro". A Bruxaria Sabática se fortalece ao reconhecer e integrar influências de genealogias espirituais habituais como o Vodu Petro, o Sufismo e correntes Tântricas. E isso está longe de ser uma apropriação, e sim um reconhecimento de que o poder ofidiano e a sabedoria serpentina se manifestam em diversas culturas e sistemas, cada um com sua nomenclatura própria. Essas trocas enriquecem o corpus Sabático, mostrando que o Arcano pode se manifestar por meio de trajetórias distintas, mas todas unidas na Admoestação da Serpente: "Toma, come e sê sábio".

Grimoários como o "Livro do Dragão de Essex" e o "Azoetia", bem como Kiasmos e os demais, não devem ser conhecidos como meros livros de receitas mágicas; eles são, na verdade, corpos gnósticos vivos, imbuídos da corrente da Arte. O "Livro do Dragão", por exemplo, foi iniciado e concluído simultaneamente à execução dos Ritos Draconianos por uma célula interna do Cultus Sabbati, a Coluna do Caminho Tortuoso. Ele é um registro da Gnose experiencial, um repositório da consciência iniciática. Esses textos servem como veículos para a "Feitiçaria do Caminho Tortuoso" ao delinear os modelos mágicos trans-históricos operantes na bruxaria, especialmente na linhagem de Essex. Eles fornecem a estrutura e a linguagem simbólica para os Iniciados acessarem e trabalharem com os mistérios da serpente, do tabu e da transgressão, permitindo que a Quintessência Mágica se realize no momento da Gnose. Eles documentam e ativam a corrente para aqueles que estão preparados.

O "Graal da Serpente" e o "Vinum Sabbati" são preparações rituais complexas que servem como catalisadores para a Gnose Ofidiana, especialmente em suas aplicações venéficas. O conhecimento de venenos e toxinas é um domínio do veneficus, o envenenador mágico, e não se trata de causar dano físico, mas de alterar a percepção e dissolver as barreiras da consciência. O Vinum Sabbati pode ser preparado de diversas formas: quando de natureza vibratória lunar, sua composição pode envolver a "emissão sexual de Eva e da Serpente", aludindo a uma fusão gnóstica primordial. Quando solar, pode empregar a raiz de mandrágora, o "Homem-Dragão". Essas substâncias, quando usadas ritualisticamente e com profundo conhecimento, abrem portais internos, permitindo uma gnose direta e muitas vezes intensa. Elas representam a dualidade do veneno – que pode ser destrutivo, mas também uma fonte potente de "conhecer" e transfiguração, onde a mente racional é subvertida para dar lugar a uma sabedoria mais ancestral e instintiva. É com essa Arte que a Bruxa toma voo para o Sabbat.

Andrew D. Chumbley


Como ensinou Andrew Chumbley:


Na pena que dança entre mundos, cada traço é o portal que liberta a magia ancestral do Verbo Vivo.

No eco do Silêncio, onde o nada dança com o tudo, o Ser espelha a Gnose e a Palavra se tece na vacuidade da verdade.

Quando a Palavra se torna o berço da Realidade, o 'Eu' se ergue, um novo deus, cuja sombra eclipsa a própria existência.

Na Gramática das Diferenças, a Magia se revela na anarquia do Infinito, onde a sabedoria transcende o humano e a subversão da lei é o portal para a alma reformada.

No turbilhão da dualidade, onde a Magia se manifesta sem véus morais, o Mago dança como um Diabo Santificado, revelando a sabedoria oculta na dúvida e na subversão do Ser.

No deserto da mente, onde o Silêncio fala e a Magia é a única verdade, o Adepto purifica o Ser, devorando deuses e desafiando a moralidade para forjar a Realidade do Desejo.

Na teia de Teseu, a obstinação forja o Caminho Único que, ao quebrar ídolos e transcender a própria Morte, conduz o Mago ao começo eterno de toda Magia.

No Simpósio da Nova Carne, o Grande Feiticeiro é um universo vivo de divindades e demônios, um Arcano que habita em cada um de nós, superando o humano.

Na dança ancestral do Sabbat, onde a Morte é um portal e o 'Eu Absoluto' manifesta seu êxtase, o Homem audacioso ascende para ocupar o trono vazio, abraçando a magia da Nova Carne.

No altar da Nova Carne, onde a Vontade molda o Vaso carnal e o prazer evoca Lilitu, a alquimia do Sabbat transforma a consciência em uma teia mágica de significado, conectando o vazio à percepção.

Pela alquimia da obsessão e do desejo, o feiticeiro forja um novo Alfabeto na Carne, onde os sonhos moldam a realidade e o 'Eu' se ergue como o Segundo Éden, reificando o inconcebível.

Das profundezas da Escuridão, a Autoimanência irrompe, erguendo a semente germinal do sonho para a costa da carne, onde a Memória desperta e a Visão se encarna no Grande Sabbat das Eras.

No Cemitério do Significado, onde o Espírito da Magia sussurra verdades além do som, o Mago ri com o Eremita, forjando um caminho singular através do tempo e da memória, onde só as Visões verdadeiras permanecem.

Na Arena do Poder, a inação é o abismo do Eu-não-Eu, onde o silêncio revela sua força, a humildade guia a busca e a transcendência da batalha das crenças coroa o verdadeiro rei.

Através do paradoxo do Sigilo, que oscila entre a plenitude e o vazio, e na alquimia dos venenos, que purificam e corrompem, o ser se lança num abismo de transgressão, onde a Larva infesta o Fruto e a Serpente reina no Éden.

Nas Máximas da Cripta, o necromante da Palavra desperta os Mortos, desenterrando a Eternidade em um amor fiel ao Acaso, onde a recapitulação do Eu revela uma alegria solene que desafia a morte e abraça o abismo.

Na forja da Eternidade, a alma, transmutada de chumbo a ouro, revela que o tempo não passa, mas habita em nós, e que a verdadeira busca não é pela divindade, mas pela manifestação do Espírito eternamente autoconhecível.

No espelho do Epigramma, a Magia se revela em mil disfarces, transmutando o Impossível em Necessidade através da Crença, e o Homem, como o Verdadeiro Feiticeiro, abraça a Guerra como Gnose, purificando o mundo ao esmagar seus próprios demônios e perseguir o Desejo Original da Auto-Sexualidade.

No vácuo da morte, a psique violenta encontra a Liberdade Imaculada da Autopresença, redefinindo a Virtude e empoderando o Eu para uma magia que desafia a moralidade, erguendo a Abóbada do Céu com Palavras que Deus não ousaria conceber.

No único agora, onde o Athame se afia no coração, a Magia Viva transcende a Criação e Destruição, e o feiticeiro, com astúcia e transgressão, desmascara a farsa do significado ao encarar o Silêncio, proclamando a Vontade de presença que é a essência de tudo.

No Silêncio que é a Palavra, a Magia se manifesta pela transgressão da Forma Mundana, e o Eu, nascido da Mente, Máquina e Carne, se lança à Iconoclastia para abraçar uma Visão Maior, revelando a Verdade de sua eterna Alteridade.

No Quietus, a Vontade do Silêncio transcende a morte, tocando o Inominável e imergindo a pena no sangue de um universo sacrificado, onde o Escriba dá sua vida ao Livro, e o Livro, em chamas, proclama: 'Para onde fores, lá irei eu!' — a apoteose da criação e destruição.

O próprio 'Khiazmos', é um Oráculo do Silêncio e grimório filosófico da Arte Sabática, onde cada aforismo serve como uma fórmula mágica contemplativa e ativa, integrando as doutrinas do Eu-Congressivo e da Corrente do Opositor, e cujas estelas artísticas são emanações gráficas de estados de transe, um farol eterno da bruxaria do Caminho Tortuoso do qual veneno e antídoto estão uno dentro de ti.

Assim fecho minhas palavras finais, e espero ter ajudado o buscador a compreender essa Arte e que, ainda que não saibas escrever e/ou interpretar o alfabeto de Alogos, a simplicidade de qualquer fala ou anotação está também no Azoth e o seu desprezo pelos seus pares é puramente o apartar-se da União com o todo, pois nesse caminho não há metades pares, mas sim o Todo Quintessencial juramentado pela Arte dos Sábios. Não há razão nem raciocínio aqui, só há o Mistério e toda palavra é pobre para significar um Mistério.

Por Sett Lupino


 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

ENTENDA OS MISTÉRIOS – STREGONERIA & WITCHCRAFT

 




As escolas de Mistérios surgiram para direcionar o pensamento dos iniciados e guiar o comportamento humano de acordo com o entendimento da Ordem Cósmica.

Até a idade média, poucas escolas iniciáticas de Mistérios eram conhecidas, talvez as mais proeminentes foram as Escolas de Eleusis que dividiam seus mistérios em Três, sendo o Rapto de Kora, O retorno de Perséfone e, o nascimento de Dionísio. 

Por isso havia as Eleusínias divididas em duas sendo Eleusínia Maior e Eleusínia Menor, e por fim os Mistérios do Vinho-Sangue de Dionísio que revelava a verdade pela alteração de consciência dada pelo grande teor alcoólico dos vinhos, além da ideia que toda uva precisa ser pisoteada para só depois virar vinho bom.

A bruxaria sem um escopo de Mistérios (das escolas de Mistérios) é apenas feitiçaria. A primeira é compreensão astuta, porque toda iniciação é um olhar para dentro. A segunda é operacional porque é prática colocada em ação.

A bruxa iniciada é uma sacerdotisa e magistra obediente as Leis da Arte, diferente da feiticeira que não tem obrigado de seguir regra alguma. Uma iniciação exige obediência às regras das Leis Cósmicas, senão vejamos:

No original de Aradia O Evangelho das Bruxas, Leland escreveu: 


"Ainda como a filha de Cain tu obediente nunca é

Nem como a raça que se tornou afinal

Mau e infame de tanto sofrer,

Como são os judeus e zingari vagantes,

Tidos todos como ladrões e patifes; 

Mesmo que goste deles, vós não será.

E tu Obediente será

A primeira das bruxas conhecidas;

E tu Obediente será em primeiro lugar no mundo,

E tu Obediente ensinará a arte de envenenar,

O envenenamento são esses grandes senhores de tudo,

Vós, Tu Obediente os fará morrer nos palácios deles/delas,

E tu Obediente ligará a alma do opressor (com poder).

E quando vós achais um campones que for rico,

Então vós ensinará sua aluna bruxa, como arruinar todas as colheitas com medonha tempestade,

Com raio e trovão (terrível),

E com granizo e vento...

E quando um padre fizer um dano pelas bençãos dele, vós fará a ele o dobro do dano, e fará isso em meu nome, que sou Diana, a Rainha de todas as bruxas".

Árvore da Kabbalah com Daath antes da queda, sem Malkuth


A Bruxaria está para o Arquiteto como a feitiçaria está para o Mestre de obras. O maior exemplo dado em filmes foi a história inglesa das Brumas de Avalon, onde Viviane e Morgouse disputavam as políticas. As duas eram feiticeiras, mas a primeira era também uma bruxa, enquanto a outra não. Havia uma escola de mistérios em Avalon que dependia de treinamento e iniciação, coisa que Morgouse nunca se interessou a não ser pelo seu egoísta interesse pelo poder de domínio. Esse filme trata apenas de UM mistério, mas aborda várias causas de conduta que guiam os comportamentos humanos e que podem levar a derrota ou ao sucesso da própria vida.

Entre outras Escolas Iniciáticas de Mistérios há outras tais como as mais antigas que essas já citadas, senão vejamos:

-Escola do Vale do Indo;

-Escola Suméria;

-Escola Fenícia;

-Escola Egípcia (a mais conhecida e a que mais se expandiu no período helenístico devido ao caso de Marco Antônio com Cleópatra);

-Escola Grega;

-Escola Germânica;

-Escola Italiana;

-Escola de Antanho (antiga Anglia);

Árvore da Kabbalah depois da queda de Daath, com Malkuth


-Escola Africana (talvez a única que não precisou ser resgatada e teve uma continuidade até os dias atuais como é o caso do Culto Gèlèdè das deusas Mães ancestrais, as pequeninas mães e as grandes mães, em Osògbo e, o antigo culto tradicional Iorubá que é bem diferente do candomblé de escravo da diáspora, este último não é um culto de mistérios e sim uma religião que contem feitiçaria, até porque, o templo original do culto de Mistérios permanece UM SÓ, único, em Osògbo, quando a pessoa iniciada lá recebe autorização para ver a Mãe do Destino é somente uma única vez que isso pode acontecer e se a pessoa sair da África e do local do Culto ela não tem autorização para revelar os mistérios fora daquele lugar;

É comum rastrear o início de onde tudo começou usando a hermenêutica e o rastreamento da origem dos dialetos e linguagens antes do evento da Torre de Babel, junto com o estudo da história factual. Por exemplo: Língua Indo-Europeias: trata-se de migrações ou irradiações de povos que saíram do Vale do indo e foram para a Europa.

Lalitha Devi


A Escola do Vale do Indo nasceu na civilização pré-Harappeana, época matriarcal original, onde Lalita Devi era a deusa Cósmica do Caos e ao mesmo tempo era todas as Shaktis que existem. 

Todo o Universo era Ela e tudo foi promovido e criado por ela. Os Primeiros rastros de uma Kabbalah tiveram início neste culto e nesta época. Muitas migrações e irradiações dessa época e local foram para suméria ainda no tempo de Lalita Devi e essas migrações deram origem ao Éden e em tudo que se origina na história do Éden. 

O Vale do Indo já tinha seus casais cromossômicos, Eva e Adão, chamados Haviavati e Adapa, onde a primeira é sentimento e o segundo é argila/barro.

Enquanto Lalita é a coroa de tudo (Kether), dela, sai pra fora o que chamamos de Phalus que é Krishna (a criança Preta e Senhor do Espaço Sideral dentro da nossa Galáxia conhecido pelo epíteto de Senhor da verdade absoluta, desde que em seu corpo tudo existe. Quando Platão dizia que era possível atingir a verdade absoluta, ele estava se referindo ao entendimento esse mistério.

Krishna é o pilar preto da Kabbalah e ele é representado em Chokmah que fica no lado direito, e dele nasce a ordem cósmica (zodíaco) em Binah devido sua contra parte ser Radha, a deusa branca que pode dar origem a tudo que existe dentro da ordem cósmica. Ela é o pilar branco da direita na Kabbalah e os três juntos formam o mais antigo Trimurti que existe antes dos Brâmanes  terem surgido em 3000 a.C., para romper com o matriarcado e gerar o patriarcado. 

Esse Trimurti de Lalita (Kether) + Adapa (Chokmah) + sua lateral Haviavati (Binah) antecedem Brahma, Shiva e Vishnu dos Brâmanes.

O que chamamos de Deus Tri-Uno é o mistério do Trimurti. Deus é uma Deusa!!!

Não obstante Freud afirmou que dentro de todo homem há uma mulher. É a essência dessa deusa, a alma mundi, desde que somos o microcosmo do Universo. Sua reencarnação revela pelo gênero (sexo) qual das suas polaridades devem trabalhar em cada existência, se mais Yang e ativa ou, se mais In e receptiva. É a partir disso que se pode criar naturalmente, não artificialmente, pois este último está a cargo do conceito de um deus que trabalha para o povo, o demiurgo feiticeiro. É por isso que toda bruxa é uma feiticeira, mas nem toda feiticeira é uma bruxa. Ficou confuso(a)? Leia de novo a parte de Aradia.

O ocidente chamou o Trimurti de Tetragrama colocando em 4 estações diferentes para combinar os elementos de composição do humor cósmico, aquele que gera as 4 estações da alma da terra, refletida no microcosmo que somos nós. Homero já falava disso em sua Eneida quando exemplou e elencou as 4 partes do inferno.

Sobre o elemento de composição do Tetragrama temos que:

Elemento que significa quatro (ex.: tetradáctilo). Origem etimológica: grego téttara, tettarákonta, quatro. Isso fica mais claro com as Magaras (bruxas) do Sul da Itália, região que foi colonizada pelos Gregos.

Assim nasceram os 4 elementos, os quais sem eles nada existe na ordem cósmica, formados por:

Kether, Chockmah, Binah e Daath. 

Está última esfera ou Sephiroth (Daath) era o que chamamos de Paraíso (Éden), onde Adão e Eva fizeram Sexo, por isso caiu e virou Malkuth. 

Antes da união dos cromossomos espirituais chamados de Eva e Adão ninguém podia nascer ou morrer e por isso não havia Malkuth. Com o sexo, crianças nascem e a ordem cósmica foi compreendida como o local onde tudo podia existir. 

Lilith segurando o símbolo do anel Shen Iônico/vaginal, pisando sobre o Leão (ego) com dois pilares Corujas (pássaro da sabedoria), como podem ver Daath fica no peito, a porta do inferno. Plutão significa riqueza.


Surgem os sacerdócios cujas indumentárias eram feitas com penas de pássaros porque o pássaro era concebido como sendo a imagem da Alma/Psiquê/Consciência. 

Quanto mais asas houvesse na sua indumentária, mais perto do trono você estava e isso era um cargo sacerdotal (Aset/Ísis significa trono). Não houve discos voadores nem intercâmbio intergaláctico como os arqueólogos e historiadores querem fazer parecer. O céu era Astrologia em seu estado insípido. Estamos falando de um culto que antecede a Astrologia como a conhecemos, mas ao mesmo tempo foi a que gerou a Astromancia, Astronomia e Astrologia e, como sua contraparte, gerou a Geomancia pela compreensão do casamento do céu com a terra, o hierogamos. No Egito, esse culto passou e deu origem aos mistérios da alma como o conhecemos hoje na bruxaria. As múmias era assentamentos do tipo avô dos "assentamento de orisà".

A Múmia e seu Ba


Em 3.000 a.C. há uma ruptura social no vale do Indo, o matriarcado dá lugar para o patriarcado e surge ou é criado a escola de castas encabeçada pelos Brâmanes na cabeça, sacerdotes filósofos mágicos. Lalita, Adapa e Haviavati dão lugar à uma outra estrutura mistérica para se compreender a explicação da Ordem Cósmica a mesma que no Egito era chamada Maat, surgindo a explicação de Brahma, Shiva e Vishnu como o novo Trimurti cósmico.

Em 2000 a.C. o rio Sarasvati secou e as pessoas do vale do indo que pertenciam a casta dos Brâmanes começam a migrar para a Suméria em busca de seus ancestrais que já havia ido para lá, mas ao chegar lá o Éden não existia mais.

Clearchus de Solis e Aristóteles registraram que os primeiros Hebreus eram descendentes dos Brâmanes. Como o Éden (cidade Edinú) já não existia, pois já haviam se passado 2 mil anos da criação do Éden, Terá o pai de Abrão conduziu sua família para a cidade de Ur na suméria, onde nasceu Abrão. Abrão só passou se chamar Abraão depois de iniciado no culto fenício de El. Aquilo que a suméria chamava de deus An, os fenícios chamavam de El, significando Sol. Na suméria o Sol percorria um caminho diurno e noturno o ano inteiro, dando origem ao caminho de Anu, a roda do ano solar que imitava o conceito Hindu original de roda do ano.

Estamos falando de uma época onde o Dilúvio já havia acontecido. O Dilúvio foi registrado pelo calendário Hebraico, que quando calculado para o nosso calendário expõe a data aproximada entre 3.700 a.C., diferente do apresentado pela ciência que parece falhar. O dilúvio só ocorreu na região do Mar Negro, região norte da Anatólia próximo ao Mar de Marmara onde os encantamentos mágicos da Troia e da Grécia surgiram. Não houve dilúvio na Itália. Todas as culturas que falam do dilúvio copiam a lenda como se deles fossem e dá a impressão que o dilúvio ocorreu no mundo inteiro. O primeiro e mais antigo registro do dilúvio está em Gilgamesh, o resto é cópia.

Entre a criação do Éden e a chegada do pai de Abrão na cidade de Ur, já havia ocorrido uma série de histórias e fatos, que geraram os Elohins, Nephilins e Anunakis originais que nada tinham a ver com anjos nem extraterrestres. Alguns desses mistérios foram explicados no livro de Enoch, mas nem todos. Eram todos nomes de cargos sacerdotais ocupados por pessoas vivas que cultuavam o Sol, a Floresta e as Estrelas, todos unidos no significador de vitalidade para compreensão da Fertilidade.

Anunnaki é a palavra de junção do Sol celeste com a terra e seus ciclos, são os sacerdotes e sacerdotisas que praticavam o hierogamos imitando os ciclos celestes e terrestres. A deusa Ki, senhora da terra é a mesma energia que foi levada para a criação do Reiki, a energia cósmica e telúrica da Terra.

Só para se ter ideia, El significa Sol, Ohim significa filhos no plural. Elohim foi traduzido pelos ocidentais como deuses no plural e depois pela igreja como anjos, mas eram somente os sacerdotes e sacerdotisas do culto do Sol. Os nomes dos 4 anjos mais famosos evidenciam o poder e cargo de cada uma das 4 estrelas reais que permaneciam numa determinada região celeste ativada pelo Sol ou pela Lua e demais planetas. Jibrail (Gabriel) é o poder da juba do Sol. Enquanto os sumérios e fenícios davam ao Sol o macrocosmo do ego em forma da força do Touro diurno, os hebreus deram a forma do leão e essa é a razão pela qual o leão de Judá foi o animal zodiacal que passou ser regido pelo Sol, enquanto Touro, Vênus. a disputa de Vênus com o Sol, é porque Vênus é Lúcifer, mas no fundo um planeta não concorre com uma estrela, então Lucifer nunca quis pegar o cargo do Pai Sol. Isso é referente ao antigo culto de Vênus e Lua na era matriarcal, que na época patriarcal dos Hebreus deu lugar a cultura sob mando de Elias.

De igual forma isso nasceu na Suméria:: An significa Sol, Nu significa gerado por ele por onde passa - um caminho, e Ki era a deusa da terra que se casou com o Sol (deus An) e passou ser a Senhora do Céu e da Terra recebendo o nome de deusa Antu, a antecessora de todas. Antigamente nessas épocas o Mar era espelho do céu e as águas do mar eram a entrada para o Inferno/submundo, lembrando que as águas ficam em cima da terra e assim, a deusa Antu foi chamada de Senhora do céu e Senhora do Inferno, como é conhecida na Stregoneria. Nesse sentido, existem 3 deusas na Kabbalah, sendo uma em Kether, uma em Binah e uma em Yesod. Também há 3 encruzilhadas na Kabbalah, a qual é Hekate a senhora da Alma porque essas regiões na Kabbalah são regiões de consciência/Alma, e por isso ligada as 3 encruzilhadas, até mesmo pela gematria de seu nome no alfabeto proto-hebraico (fenício). Nenhum Judeu vai te falar que o proto-hebraico era o alfabeto fenício, mas este último deu origem ao alfabeto grego e ao hebraico, os dois únicos que contem gematria.

O deus An (sol sumério e senhor do céu) foi representado como Touro durante o dia e Lobo durante a noite, porque o Touro era sinônimo de força e vitalidade e o lobo morava nas necrópoles e representava a morte. O lobo que está em Daath, o deus An passa da suméria para o Egito como Anúbis. Enquanto o Touro que está em Tipheret é o olho que olha para fora, o olho de Rá, o do lobo é o olho que foi arrancado do rosto de Horus e por isso, só lhe resta olhar para dentro. Isso também formam os Sect diurno e o Sect noturno da astrologia e nas escolas de mistérios se liga a história dos irmãos Seth e Osíris, Rômulo e Remo, Hadad e Mot, entre outros irmãos. Os mistérios de Anubis e sua esposa passam para Itália dos Etruscos e se torna Aita e Phersípnei usando capacetes de lobo na cabeça.

O deus An tinha seu exército que era nada mais nada menos que as estrelas fixas e os planetas em torno dele. O deus An sumério foi chamado de El na Fenícia, casado com a senhora que era fecundada pelos seus raios, a Floresta, as árvores que davam frutos, e seus troncos fortes para abrigar a todos. Na astrologia árabe os planetas e as estrelas fixas são as forças do Sol, as que empoderam ele ou tiram sua força. As que empoderam são o exército e, por isso ele era o senhor dos exércitos. 

Já os cultos de Baal El-Hadad fenício passam para a Grécia e se tornam 3 irmãos, Zeus, PoSidom e Hades. Veja sobre isso no ciclo de Baal ou no meu livro com mais detalhes em como Hadad se torna Hadu em Ebla e se torna Hades na Grécia e, a partir da cidade de Sidom, após vencer o monstro marinho passa ser padroeiro dos marinheiros, Baal-Sidom, sendo Pot em grego = mar/água/oceano e, daí PotSidom.

Entendam que o Sol é significador de Vitalidade e todos os planetas que estão longe do sol são significadores de morte por estarem longe da vitalidade. Desse pensamento nascem os planetas Benéficos e os Maléficos da astrologia.

Enquanto a deusa foi representada tanto pelo Pássaro, quanto pela Serpente, porque um significava o símbolo da alma que voa e é o pássaro que pousa na árvore e o outro a energia viva da terra que está dormindo no solo rastejante, mas que ao despertar começa a subir e ficar de pé como as Najas. Esse culto foi para a África subsaariana e a deusa tomou nome de ÈLA (maiúsculo) significando a Iyá Odú, como a esposa de El, a mãe do destino, e, portanto, a mesma Lilith que sobe em Aserá, mas com aspectos bastante unidos com o culto de Elat (Al-Lat) da Arábia Feliz (Arábia do Sul). Vamos explicar:

Al-Lat, Al-Uzza e Manat era dos tempos da rainha de Sabá na Arábia Feliz, todos de cultos hierogâmicos. Al-Lat foi chamada na Arábia Saudita de Elat. Na África é ÉLA a mãe pássaro dos 16 destinos. 

Precisa ficar claro aqui o seguinte:

De acordo com o Papiro de Ani, o pássaro comanda o destino dos seres humanos e o lobo comanda o destino dos pássaros. é preciso ter muito senso crítico e percepção para notar isso nos mistérios de Anúbis e quem trabalha com os poderes dos Lobos sabem.

Aserá significa Tronco, Árvore e Floresta tudo ao mesmo tempo. Foi grafado (o nome) como Asherat, Asherot, Ashtarot, Ishtar, Aset, Inanna e Astarte entre outros.

Antes da Torre de Babel definir as linguagens dos alfabetos, todo canto havia seus próprios dialetos. Ishtar é atestado na época da Babilônia. Aset era o nome de Ísis no Egito antes da época dos Hicsos, onde ela foi fundida com a deusa Hathor e passou se chamar Ísis. Aset significa trono e sua irmã Nephtis significa templo.

Astarte foi conhecida na fenícia. Inanna foi registrada na Suméria em 2500 a.C.

Ficou registrada na Bíblia Hebraica com formas Ashtoreth (no singular) e Ashtaroth (no plural devido mais de uma estátua ter sido encontrada) e também foi o nome de uma cidade antiga entre a Fenícia e a Suméria. Ashtaroth/Astarte estava alinhada com a estrela Alphecca em seu culto, por ser da natureza de Mercúrio e Vênus, as duas sephiroths da Cabalah que contem o poder chamado de diabo, o intercessor da primeira encruzilhada cabalística da qual junto com a safira da Lua forma a forquilha do diabo devido aos seus mistérios cabalísticos.

O grau zodiacal exato da Estrela Alphecca é onde se pode conjurar ou chamar a deusa Ashtaroth ou Astarte na Goetia da Stregoneria, isso vem desde que seu nome sumério era Antu, já explicado acima.

Ao ser transliterado para o Grego e para o Latim em textos sagrados, os primeiros tradutores entenderam que a palavra no plural era masculina e assim atribuíram uma imagem masculina na demonologia, os ocultistas que copiaram esses erros tornaram a demonologia pior do que ela já era, além de ficar claro que eles desconheciam a originalidade dos fatos divinos de origem, logo, não há nenhuma continuidade sendo transmitida ininterruptamente na linhagem do conhecimento desses ocultistas e magos ocidentais. Até mesmo a própria igreja católica cometeu esse erro e difundiu Astarô como um demônio do cristianismo que era um Grão Duque do inferno. Isso foi propagado pelo Papa Honório e copiado por todos os ocultistas da idade média, gerando mais absurdo ainda.

Entendam que não é proibido usar a Goetia do Mathers, apenas não faz sentido para quem trabalha com coesão tradicional. Hoje em dia a Goetia do Mathers já possui Egrégora e pode funcionar para alguns, mas perceba antes de tudo que não é o demônio quem faz as coisas acontecerem para você, é você! Você é um deus na terra. Você é uma deusa na terra!

Não foi à toa que a Ordem da Golden Dawn viu seus “grandes” magos sofrerem “grandes” tragédias em suas vidas após usarem a Chave Menor de Salomão e a Maior e, depois que elas foram criadas, tornaram a difusão desses conceitos uma nova escola de magia goetia, sendo que Goetia significa uivo e está ligada a compreensão dos Lobos que viviam nas necrópoles. O morto chamado em um ritual de consulta (necromancia é consultar os mortos através de entranhas e da possessão por meio de Entusiasmós que significa estar possuído por um deus – seu duplo etérico), muito diferente das ideias do Mathers que não foi iniciado por uma Strega.

Como podem ver, na Stregoneria e na Bruxaria Tradicional os verdadeiros demônios são as estrelas nefastas, em alinhamento para que o duplo da bruxa se manifeste. Necromancia era a arte da hepatoscopia babilônica e da etrusca disciplinas, as quais consultavam Geomancia pelo órgão do animal sacrificado. Antes dos caldeus atribuírem somente 12 casas astrológicas, juntando as casas adjudícias que estavam nas costas de cada casa angular, formando uma casa angular poderosa, haviam 16 casas astrológicas na Hepatoscopia Babilônica e na Etrusca Disciplina e também no método que foi para a África. O pai da Geomancia foi Daniel (da Bíblia) em 600 a.C. e, Pierre Verger Fatumbi deu um entrevista atestando que a Geomancia nasceu na Arábia Saudita com o Daniel. Portanto, não há que se falar de Ifá antes de Daniel e o culto africano não é mais antigo do que o culto dos Etruscos e Árabes babilônicos, pois a Geomancia foi distribuída ao mesmo tempo no mapa. O mesmo método do Figato di Piacenza da Etrúria era usado na hepatoscopia babilônica.

Até mesmo a bebida tradicional de Esù, o Gin, foi inventada nos anos 1700 da nossa era por um italiano e patenteada por um sueco e é feita com os bagos de Júpiter, o Junípero. Antes disso se oferecia cerveja do tipo hidromel para Esú.

Logo, Ifá não é o oráculo mais antigo que existe e sim, o mais antigo preservado ininterruptamente pelo culto.

Oráculos tradicionais são aqueles que contém a união do Céu com a Terra (Astrologia e Geomancia). Todos os outros são derivações dos mistérios cabalísticos sem necessidade de manter oferendas de sangue para nutrir o Espírito do Oráculo ou, deriva da própria Geomancia que, precisa do sacrifício de sangue.

Nem todos os Hebreus eram Judeus e nem todos os Judeus eram Israelitas.

Precisa ficar claro que os Israelitas são derivado do povo que morou no Nomo 20 do baixo Egito, conhecida como Terra de Gosén onde nasceu Moises 300 anos após a morte do Vizir José (filho de Jacó) que, na época dos Hicsos encontrou sua morte. Havia deixado um testamento para ser enterrado nas terras de seus antepassados e foi assentado no templo de El em Canaã, tendo seu corpo levado por 2 sacerdotes egípcios como foi documentado. É por isso que José significa Deus Acrescentado! Não significa Deus acrescentará.

A questão do senhor dos exércitos: Ele foi o segundo homem mais poderoso do Egito abaixo do faraó, era ele quem comandava os exércitos do faraó como bem entendesse. Quando foi assentado no templo de El (Sol) que comandava os exércitos (as Hostes do céu conhecidas como estrelas), continuou sendo o senhor dos exércitos. Foi ele quem deu as terras egípcias de Gosén no segundo ano de fome para que seus conterrâneos Judeus tivessem o que plantar e o que comer, já que o Egito ainda era a terra mais fértil que existia depois do Dilúvio.

Aserá se torna Saara devagar, não ocorreu com a rapidez que todos imaginam, mas ainda assim, Seth era o deus da fertilidade, trovão, raios e relâmpagos, ventos e tempestades, o mesmo cargo que Baal Hadad ocupava na Fenícia. Seu nome está registado no Shemhamforash, porque El com Aserá tiveram 70 filhos e juntos foram os 72 nomes divinos mais antigos, os que foram destronados pelos Judeus, mas que nunca foram demônios e sim, deuses da Associação das Estrelas, um culto que deixou de existir depois da morte de Jezabel arrumada pelos capangas de Elias, descendentes daqueles mesmos Judeus que herdaram as terras egípcias de Gosén onde Moises nasceu. Depois que José foi assentado no templo de El, esses judeus passaram cultuar ele como um ancestral, desde que ainda naquela época era comum assentar um morto e cultuá-lo pela gratidão de ter sido bom para eles em vida. O autor Idries Shah aborda bastante sobre a antiga magia dos judeus.

Deus havia se apresentado de Abraão até Jacó como El-Shadday que significa Sol-Saturno, todo o espaço sideral onde esses planetas estão agindo e controlando a vida na terra. José (Yahweh) foi o nome escrito no proto-hebraico que ainda era a transição da língua fenícia, a qual passou por 4 fases até se tornar o Hebraico que conhecemos hoje, onde passou ser Yussef.

o Ka, no culto de fé a alma do morto no antigo Egito, a fé como no pai nosso copiado pela igreja


No entendimento dos primeiros Hebreus (que não eram Israelitas), o mistério de Adapa e Haviavati foram traduzidos como YH + WH formando o tetragrama YHWH quando da união em Daath o paraíso. YHWH não era o Yahweh, mas era Vontade da Alma + o barro da Argila do assentamento ou múmia, com José acrescentado.

Quando Daath caiu, virou Malkuth, o lado de dentro do inferno onde estamos achando que estamos vivos. Nós não somos daqui, estamos de passagem e é por isso que a Goetia do Mathers cai por terra e se torna ineficaz nesse mistério.

De acordo com o Papiro de Ani, o qual chama todo morto de Osíris e todo renascido de Horus, a reencarnação é obrigatória para TODO ESPÍRITO, e nele é colocado uma CONSCIÊNCIA (Alma/pássaro). É preciso lembrar que o sentimento divinizado foi para a África subsaariana enquanto o psiquismo foi para a Europa. O papiro de Ani foi feito para ele, mas não foi usado por ele senão teria sido encontrado em sua tumba, não no mercado. Portanto, eram regras das Leis de Maat. O Egito tem 42 províncias. Cada Juiz provincial deu uma lei. O avestruz bota ovo a cada 42 dias e foi ligado como símbolo da Ordem Cósmica, que nada mais era que a Justiça que controlava o povo civil no Egito, desde que tudo oque está acima também está abaixo. Tudo era muito organizado e o Egito não tinha cerca, todo mundo podia sair quando quisesse, não houve escravidão, tanto que o Egito era a terra mais fértil dada aos Judeus para habitarem. Só tiveram que sair dali porque Moisés cometeu um crime e como tudo numa sociedade Teocrática, ninguém está acima da lei. Moisés deveria ser morto e por isso fugiu, mas antes convenceu seus compatriotas a irem junto, foi abrindo com seu cajado o Mar de Juncos, empurrando os Juncos com o bastão, assim deu origem a lenda dele abrir o mar vermelho, que se chamava no original, mar de juncos.

Demônio significa povo destronado! Nada tem a ver com os demônios pregados pela igreja.

Quando você devolve a criança fálica de Chokmah para o colo de Binah você tem a imagem da criança no colo de Maria e/ou a mais antiga, a criança Horus no colo de Ísis.

O papel do Homem de Preto que poucos entendem está em devolver o Phalus de Chokmah para Binah, para que ELA possa construir a Ordem Cósmica e dar manutenção ao que criou.

Ocorre que no vale do Indo a ordem cósmica começa e termina com Saturno que é o limite dos 7 planetas vistos a olho nú. O planeta Saturno é o limite do círculo da Ordem Cósmica zodiacal. E lá no Indo, Saturno é uma mulher, uma deusa, e ela se chama Shani.

A pobreza da teologia ocidental foi ter quebrado esse mistério e colocado um velho barbudo no lugar de Shani e, ainda por cima terem invertido a cor dos pilares. Podem notar, a maioria das escolas de Cabalah o pilar fêmea fica na direita sendo que o tradicional é na esquerda, no pilar da severidade.

Ao olhar a Aserá (árvore da Kabbalah) veja o pilar branco a esquerda e o preto à direita, isso é o correto. Em um jogo de Búzios, Ifá está fundamentado na mesma regra da geomancia. O ZERO é Kether, o caos, o búzio fechado ou de costas. O UM é phalus, o búzio aberto ou de frente com a abertura natural. O resultado é o que se tem em Binah, a criação e a existência de algo. O método muda, mas a sistemática e fundamento são os mesmos desde a hepatoscopia babilônica e etruscas disciplinas.



O MISTÉRIO DE LILITH

De Kether, Lalita Devi envia energia de manutenção todos os meses para os dois pilares. Quando essa energia chega em Chokmah Adão é possuído por Samael. Quando essa energia de Kether chega em Binah, Eva é possuída por ela e a isso foi chamado Lilith. Ela é tudo aquilo que você compreende e tudo aquilo que não se compreende, mas no geral Lilith é o período menstrual ligado ao Sangue. Ela recebe a energia do Caos de Lalita e ela é o Caos dentro da Mulher nesse período, o caos que ela não entende e não controla dentro dela. Algumas mulheres nesse período matam crianças e homens, outras abortam, outras dão seus filhos embora pondo a cesta na porta dos outros, outras desenvolvem uma bipolaridade temporária e só querem saber de transar e fazerem sexo não importando com quem. E por último, outras se reconhecem no silêncio de suas meditações para tentar entender e compreender o que está acontecendo. Suas águas oceânicas internas sobem para os olhos e choram sem compreender o poder de sua empatia, por verem o mundo na merda em que está, etc.

A mulher que controla aquilo que vem de Chokmah e de Kether, tudo junto em Binah, essa é a Bruxa, essa controla a ordem cósmica. Ela pode criar e ela pode destruir.

Os homens daquela época suméria acharam por bem evitarem as mulheres nesses períodos, pois elas poderiam ser altamente perigosas, disfuncionais para a sociedade, e fazerem algum tipo de mal porque isso era um poder assustador, e ainda é.

Ocorre que quando uma mulher está menstruada ela puxa para si todas as bênçãos que está ao seu redor. Esse é o lado “vampírico” de Lilith. Se voc~e for batizar uma criança, estando você nessa fase, tenha certeza de que nenhuma benção chegará na criança. A mulher nesse período não controla o que está acontecendo, seus humores ficam alterados, seus hormônios ficam alterados, é uma possessão completa que a mulher sofre sem ter vontade de passar por isso. È por essa razão que a mulher se sentiu na Obrigação de controlar e compreender esses poderes, formando as bruxas tradicionais que conhecemos hoje.

Se estiver menstruada e for visitar uma amiga no puerpério, ao entrar avise que está menstruada senão você leva o leite dela embora e para trazer de volta deverá comer no mesmo prato.

O mesmo ocorre se tiver batizado uma criança, estando a senhorita menstruada. Para devolver a benção que foi sugada para dentro de sí, deve passar seu sangue na boca da criança e dizer que está devolvendo as bênçãos dela. Caso contrário essa criança viverá eternamente sem benção na vida e só ganhará uma bênção quando a madrinha dela morrer, porque aí a energia que lhe foi tirada retorna. Isso é conhecimento tradicional ensinada pelas nossas mães e avós que foram iniciadas nos mistérios.

Esses mistérios são considerados luciferianos porque trazem luz ao tema de Vênus. O planeta Vênus é Lúcifer, a estrela da manhã e Vésper a estrela da tarde que anuncia a noite nos países setentrionais. A palavra véspera vem de Vênus vespertina, que significa uma troca de estados diurnos para noturnos, na véspera de alguma data você não sabe o que vai ocorrer de verdade, é estado noturno e só uma adivinhação pode ajudar a manter a ansiedade desaparecida.

Há muito ainda o que falar sobre esses mistérios e sobre os outros das demais escolas, mas fica para uma outra aula. Enquanto isso, adquiram meu livro Fundamentos de Bruxaria Tradicional e Stregoneria, no Instagram da Manus Gloriae editora e ganhe sua autonomia e independência na bruxaria para guiar sua vida, pois essas são sabedorias que ninguém nunca irá retirar de você.

Parafraseando Paracelso: "não sei nada além daquilo que aprendi com as bruxas".

"Quando Paracelso, na Basiléia, em 1527, incendeia toda a medicina, declara nada saber além do que aprendeu com as bruxas".

Trecho da apresentação do livro A FEITICEIRA, de Jules Michelet.

Espero ter ajudado,

Sett Lupino