
A Mãe da Noite - Arte de Aradjana Lupino
A Feitiçaria Transcendental criada por ele a partir da linhagem que Chumbley recebeu, não é uma manipulação de energias ou a busca por resultados externos. Ela é uma jornada alquímica radical de autodescoberta e re-ligação com o que é primordial. Nesse contexto, Azoth, Zoa e Azoa são as chaves para essa compreensão.
O Azoth é a Quintessência, a fonte primordial indiferenciada
de toda a existência, o potencial puro que precede e permeia tudo. É o oceano
cósmico de consciência. O Zoa somos nós, a vida individualizada, as ondas que
se formam nesse oceano, nossa consciência encarnada. E o Azoa é a
"Não-Vida", o "Outro", as profundezas abissais desse
oceano, o caos primordial, as energias liminares e subterrâneas que desafiam a
forma e a ordem, mas que são igualmente essenciais para a totalidade. A
feitiçaria transcendental contida na Arte Bruxa de Alogos é o ato de navegar e integrar esses três aspectos
para alcançar uma gnose profunda.
A
conexão com o Azoth é fundamental, pois não se trata de um deus externo, mas da
própria essência de tudo. No dia a dia, buscamos isso através de uma
consciência expandida. Meditação é crucial, mas vai além disso: é a
prática de perceber que não somos entidades isoladas, mas manifestações de algo
vasto. Observar a natureza, seja um céu estrelado ou a textura de uma folha,
com uma percepção desprovida de ego, pode nos revelar a interconexão de tudo. É
sentir-se como uma gota de água que compreende ser o próprio oceano. Essa
consciência nos dá um senso de unidade e poder inabalável, pois nos reconecta à
fonte de toda a criação.
O
Zoa é a nossa "recensão única", a nossa manifestação particular do
Azoth. É a partir do nosso Zoa que operamos. A tradição valoriza imensamente a
individualidade, pois cada um de nós é um portal, um ponto de vista único para
a existência. O caminho mágico começa com o reconhecimento e a afirmação do
nosso Eu – nossas paixões, nossos dons, nossas falhas – não como algo a ser
superado e eliminado, mas como a ferramenta primária da nossa arte. É a partir
do "Eu sou" que podemos interagir com o "Outro" e com o
"Tudo". Cuidar do corpo, da mente, da psique, expressar a própria
verdade, tudo isso fortalece o Zoa, tornando-o um vaso mais potente para a
corrente mágica.
O
Azoa é a corrente mais desafiadora, mas também a mais transformadora.
Não é a morte como aniquilação, mas a força do não-manifestado, do potencial
caótico, do que está nas profundezas, "além" da forma que conhecemos.
É o reino do subterrâneo, do inconsciente, o que Chumbley chamaria de Corrente
do Opositor – forças liminares que desconstroem para permitir a nova
construção. Permanecer em Azoa significa estagnação. Mergulhar em Azoa e voltar significa movimento. Lidar com o Azoa é vital porque ele guarda o poder da transmutação
radical. Sem o confronto com o "Não-Eu", com a sombra interna e
externa, não há renovação genuína. É a escuridão fértil de onde a nova vida
pode brotar, e o feiticeiro precisa descer a essas profundezas para extrair um
poder e uma gnose que o integre e o leve a um nível mais profundo de ser.
A
Alteridade é o "Outro essencial". Ela está intrinsecamente ligada aos
três. O Azoth é a unidade que contém todas as Alteridades em potencial. O Zoa é
o "Eu" que, para se conhecer plenamente, precisa do "Outro"
como espelho e catalisador. E o Azoa é a Alteridade em sua forma mais
primordial – o não-eu, o reino das entidades, dos espíritos, das forças que nos
confrontam e nos moldam. A Alteridade é crucial porque é através do encontro,
do "congresso mágico" com o Outro, que o Eu transcende suas próprias
limitações. A Unidade não é alcançada pela anulação das diferenças, mas pela
sua integração sinergética. É reconhecer que o Outro, em sua totalidade, também
é uma manifestação do mesmo Azoth, e ao nos unirmos a ele, nos unimos à
Quintessência de forma mais completa.
A Basílica foi um dentre vários livros da VVCN, cujo carro chefe era a Arte do Chumbley. Nela há a fórmula do 1+1 = 1.
O primeiro "1" representa o Eu (o Zoa), nossa
individualidade. O segundo "1" representa o Outro (a Alteridade, o
Azoa) – tudo aquilo que não é nosso Eu imediato, seja um espírito, um aspecto
inconsciente, ou o cosmos. O sinal de "mais" (+) aqui não é uma
adição, mas um Congresso Mágico, uma união profunda e intencional. É o ritual,
o trabalho, a interação. E o resultado, o último "1" (=), é a
Quintessência ou o Azoth – uma nova Unidade. Não é o Eu inicial isolado, mas um
Eu expandido que integrou o Outro. Ao invés de dois elementos separados, temos
um "Eu" transformado que compreende e incorpora a Alteridade. Essa é
a "União Sinergética de Todas as Diferenças", onde as fronteiras se
dissolvem e percebemos a interconexão de tudo no grande Azoth.
Na
prática ritualística, essa compreensão é a espinha dorsal. Buscamos essa união
de diversas formas. Desde os rituais de evocação, onde se convida o
"Outro" (uma entidade ou força) para um "congresso" para
aprender, absorver e transmutar, até trabalhos mais introspectivos de sonho e
meditação profunda, onde se mergulha no Azoa pessoal e coletivo. A criação de
talismãs, a formação de nós mágicos, o uso de fumaças e incensos – todas essas
são ferramentas para construir pontes entre o Zoa do praticante e as correntes
do Azoa, buscando fundir esses aspectos em um "1" unificado. A arte
mágica é, em essência, o ato de facilitar esse encontro e essa transmutação.
A
Gnose, para Chumbley, não era um conhecimento intelectual, e sim um
"conhecimento pela experiência e vivência", uma compreensão direta e
transformadora da verdade universal. Ela é alcançada precisamente pela
integração desses elementos. Ao nos conectarmos ao Azoth, sentimos a unidade.
Ao afirmarmos nosso Zoa, compreendemos nosso lugar único. E ao nos
confrontarmos com o Azoa e a Alteridade, desmantelamos as ilusões do Eu
separado, atravessamos os véus e revelamos as profundezas da existência. Essa
dissolução das fronteiras entre "Eu" e "Não-Eu", essa fusão
com o "Outro", é o que precipita a Gnose – o lampejo de consciência
que revela a interconexão radical e a verdadeira natureza da realidade. Apesar
de não existir graus iniciáticos nessa Arte, os livros do Chumbley foram feitos
para serem lidos em determinadas etapas e não todos de uma vez. Isso ajuda a
compreender e guiar o próprio comportamento diante dessa reflexão da Gnose
Sabática. É necessário ter vivência em Covine (Cuuven) por um bom período de anos, pois essa Arte não se realiza num estalar de dedos.
O maior equívoco é tentar abordar esses conceitos com uma mente puramente racional ou dogmática e não ter vivência. A obra do Chumbley não é um sistema fechado de crenças, mas um chamado à experiência direta. As pessoas tendem a temer o Azoa ou a Alteridade, vendo-os como "malignos", quando na verdade são aspectos essenciais da totalidade.
Meu conselho para quem começa é: leia e estude com o coração, não apenas com a cabeça e busque vivenciar essa Arte dentro de um Covine Tradicional. Esteja aberto(a) à poesia e à profundidade simbólica. Permita que a simplicidade e a linguagem o penetre e o transforme. Comece com meditação simples para sentir a vastidão do Azoth, reconheça a sua própria singularidade Zoa, e quando se sentir pronto, abrace as suas trevas, o mistério do Azoa, sem medo, com uma curiosidade corajosa. Lembre-se, o caminho é de experiência, não apenas de teoria.
Chumbley afirmou duas coisas importantes sobre isso. Uma delas é que mesmo os mais íntimos com essa Arte terão dificuldades de compreendê-la, por isso precisa investir tempo e experiência nessa vivência, pois você é uma pessoa quando entra, mas com o passar dos anos você não se reconhece mais como aquele ser limitado do início. A outra observação afirmada por Chumbley foi que cada pessoa em cada época fará sua própria “tradução” ou interpretação como recensão da Arte, logo, não se deve ficar preso ao passado ou sobre como era seu formato. Precisamos estar no aqui no agora, já que somos o futuro dos nossos ancestrais.
O
impacto de tudo isso é nada menos que uma revolução na percepção. Deixamos de ver o mundo
como uma coleção de coisas separadas para vê-lo como uma teia interconectada,
pulsante com a mesma energia primordial do Azoth. O Eu não é mais uma ilha, mas
uma parte vibrante e integral desse oceano. As dualidades (bem/mal, vida/morte,
luz/escuridão) não são mais opostos irredutíveis, mas aspectos complementares
da mesma Unidade. O medo do desconhecido diminui, substituído por uma reverência
pelo mistério e um anseio pela gnose que reside nas profundezas da Alteridade.
É uma vida vivida com um senso profundo de propósito, interconexão e uma
consciência expandida, onde a magia não é algo que se faz, mas algo que se é. A
linhagem de Chumbley nos ensina a dançar na encruzilhada de todas as coisas,
unindo o terreno e o sideral, o Eu e o Outro, para nos tornarmos plenamente o
Um.
A
Bruxaria Sabática é uma linhagem muito específica e distinta, que se afasta do
que a maioria das pessoas associa à bruxaria moderna. Diferente de tradições
mais "cômodas", que buscam harmonia e equilíbrio com a natureza de
forma mais convencional, a Corrente Sabática abraça a transgressão e a
liminaridade. O "Sabbat" não é um evento físico no bosque, mas um
estado extático de consciência, um "lugar mágico" onde as barreiras
entre o mundano e o espiritual se dissolvem, permitindo o encontro direto com o
"Outro" – espíritos, divindades e potências atávicas a partir de um
ponto zero central na encruzilhada do Ser. É um caminho que serpenteia entre
extremos, explorando o tabu e o que está à margem, buscando a Gnose não pela
aceitação do status quo, mas pela sua quebra e ressignificação. Outra coisa que
precisa ficar claro é que a transgressão é realizada em nosso Ser, não na
sociedade como alguns acham. É mais para nós nos movermos internamente como um grão que luta
contra a casca para crescer, do que um movimento externo de aplicação
sócio-político. Na prática isso se liga diretamente a outro conceito que é o dos Cunningmen, portanto essa Arte permanece no Caminho do Meio, nem esquerda nem direita, apesar de fazermos uso das duas mãos por conveniência astuta. Nunca fomos seres de um caminho só. Fujam de quem age, fala e se comporta pregando o Caminho da Mão Esquerda como sendo somente a Arte do Chumbley, pois não é. Caminhamos entre Mundos e somos hereges. Isso significa que conhecemos todos os caminhos da Encruzilhada e não permanecemos num só. Quando o propósito é se tornar UM com o Todo Quintessencial, a preguiça espiritual não ocupa espaço nas pernas para caminhar e trilhar todos os caminhos. Quem estiver preso à uma única forma de recensão de caminho mágico ainda não entendeu a Bruxaria Tradicional.
Para
nós, Caim é a figura primordial do feiticeiro. Ele é o primeiro a quebrar a lei
divina, sem ele não haveria morte e reencarnação, ele foi o primeiro a
trabalhar a terra com suas próprias mãos, a fundar cidades – ele representa a
soberania individual e o desvio da norma estabelecida. Sua "paternidade
angelical" de Samael, o "Anjo-Serpente", nos conecta à Gnose
Ofidiana, a sabedoria da memória primordial e "proibida" da Serpente.
A Serpente, em seu simbolismo ancestral, representa transformação, morte e
renascimento, a vitalidade telúrica e a gnose que reside nas profundezas.
Buscar o "atavismo da Serpente" é invocar e encarnar esse poder
ancestral e primordial, como o Skin Walker que assume as qualidades de um
animal-guia. É alinhar os poderes dessa corrente primordial à própria carne do
feiticeiro, buscando uma transfiguração profunda da consciência e do corpo
através dessa sabedoria ofidiana e isso nos leva a despertar os poderes do
Dragão e a usá-lo de acordo com o propósito de seu despertar.
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| A Forma Secreta - Arte de Aradjana Lupino |
O
êxtase e a transfiguração corporal são veículos essenciais para a Gnose
Sabática. Os "frenesis", a dança, a possessão espiritual em transe –
tudo isso visa dissolver as fronteiras do Zoa individual, permitindo uma fusão
mais direta com o Azoa e a Alteridade. Essa liberação extática gera
"quantidades quase ilimitadas de energia pré-conceitual", que pode
ser direcionada para o atavismo e a transmutação. Os ritos sexuais, quando
praticados com intenção mágica, não são meramente físicos; eles são uma
poderosa forma de evocar e alinhar as energias primordiais – os "Fogos
Serpentinos Negro e Vermelho", o Witchfather e Witchmother – à carne do
feiticeiro. Isso permite uma gnose mais visceral e encarnada, onde a união do
"Eu" e do "Outro" transcende a mente e permeia o ser em sua
totalidade, impulsionando a consciência individual de volta à Unidade da
Quintessência, o Azoth, através da experiência mais direta e intensa possível.
É
natural que esses conceitos causem estranheza, pois desafiam as normas
estabelecidas. Mas é crucial entender que, para nós, a transgressão não é sobre
o "mal" ou a anarquia gratuita. Ela é uma quebra consciente e mágica
de limites e tabus com um propósito gnóstico. Nosso objetivo é abrir portas de
percepção, acessar estados alterados de consciência e liberar energias contidas
para o crescimento. Isso pode significar desafiar dogmas religiosos, explorar
locais liminares como cemitérios ou encruzilhadas, e até mesmo o uso
ritualístico de certas substâncias ou da sexualidade de uma forma que
transcende o convencional, mas como eu disse o propósito é obter a gnose então
isso não tem a ver com sair por ai batendo de frente com autoridades como um
rebelde sem causa. Há um amadurecimento interno que nos cala após a compreensão
e, esse calar, inclusive, impede questionamentos pueris já que a resposta já
está dentro de você. Aqui nesse ponto, se você questiona é porque ainda não
atingiu a Gnose. Nosso objetivo não é mudar o mundo e suas estruturas e sim
mudar a nós mesmos para que se exteriorize a mudança no mundo. A ideia é
dissolver as fronteiras que nos aprisionam, expondo-nos ao "Outro",
ao Azoa, e assim, purificando e expandindo o Zoa para uma gnose mais profunda,
e uma vez acessada essa Gnose, desaparecem dúvidas, perguntas e o que havia
antes, há somente um silencio de integridade como satisfação espiritual por
estar e ser ligado com o todo.
O
atavismo é a prática de acessar e encarnar forças primordiais, características
ancestrais que estão latentes em nós. A técnica central é a assunção atávica,
onde o feiticeiro busca evocar e tornar-se uma força ou arquétipo, muitas vezes
animal ou pré-humano, como a Serpente. Não é um mimetismo, mas uma fusão
temporária do nosso Zoa com o Azoa atávico. Isso envolve trabalho com
ancestrais, totens animais, e o uso de transe, dança e estimulação sensorial
para que a consciência racional ceda lugar à consciência primordial e
instintiva. A importância é imensa: ao encarnar esses poderes arcaicos, nós nos
conectamos a uma sabedoria e força que transcendem o eu ordinário, reificando a
Corrente da Serpente na nossa carne e permitindo uma gnose corpórea, uma
experiência direta e visceral da Quintessência que molda a nossa Arte.
Essa
conexão é um testemunho da universalidade de certas correntes atávicas. O
Daniel Schulke afirmou que isso reflete a própria experiência dele ao encontrar
formas espirituais ofídicas nos lwá mange e bembe e dos cultos de Umbanda e
Macumba antes mesmo da iniciação formal dele, ele chegou a publicar isso na
revista Starfire volume II nº4. A presença de Simbi, segundo ele, o lwá
serpente associado às águas e à feitiçaria, manifestava-se regularmente para ele,
trazendo um êxtase sublime e ondulante onde a consciência cognitiva se tornava
cinestésica. Essa experiência foi batizada por ele como "Corcel do Grande
Cavaleiro". A Bruxaria Sabática se fortalece ao reconhecer e integrar
influências de genealogias espirituais habituais como o Vodu Petro, o Sufismo e
correntes Tântricas. E isso está longe de ser uma apropriação, e sim um
reconhecimento de que o poder ofidiano e a sabedoria serpentina se manifestam
em diversas culturas e sistemas, cada um com sua nomenclatura própria. Essas
trocas enriquecem o corpus Sabático, mostrando que o Arcano pode se manifestar
por meio de trajetórias distintas, mas todas unidas na Admoestação da Serpente:
"Toma, come e sê sábio".
Grimoários
como o "Livro do Dragão de Essex" e o "Azoetia", bem como
Kiasmos e os demais, não devem ser conhecidos como meros livros de receitas mágicas; eles
são, na verdade, corpos gnósticos vivos, imbuídos da corrente da Arte. O
"Livro do Dragão", por exemplo, foi iniciado e concluído
simultaneamente à execução dos Ritos Draconianos por uma célula interna do
Cultus Sabbati, a Coluna do Caminho Tortuoso. Ele é um registro da Gnose
experiencial, um repositório da consciência iniciática. Esses textos servem
como veículos para a "Feitiçaria do Caminho Tortuoso" ao delinear os
modelos mágicos trans-históricos operantes na bruxaria, especialmente na
linhagem de Essex. Eles fornecem a estrutura e a linguagem simbólica para os
Iniciados acessarem e trabalharem com os mistérios da serpente, do tabu e da
transgressão, permitindo que a Quintessência Mágica se realize no momento da Gnose.
Eles documentam e ativam a corrente para aqueles que estão preparados.
O
"Graal da Serpente" e o "Vinum Sabbati" são preparações
rituais complexas que servem como catalisadores para a Gnose Ofidiana,
especialmente em suas aplicações venéficas. O conhecimento de venenos e toxinas
é um domínio do veneficus, o envenenador mágico, e não se trata de causar dano
físico, mas de alterar a percepção e dissolver as barreiras da consciência. O
Vinum Sabbati pode ser preparado de diversas formas: quando de natureza
vibratória lunar, sua composição pode envolver a "emissão sexual de Eva e
da Serpente", aludindo a uma fusão gnóstica primordial. Quando solar, pode
empregar a raiz de mandrágora, o "Homem-Dragão". Essas substâncias,
quando usadas ritualisticamente e com profundo conhecimento, abrem portais
internos, permitindo uma gnose direta e muitas vezes intensa. Elas representam
a dualidade do veneno – que pode ser destrutivo, mas também uma fonte potente
de "conhecer" e transfiguração, onde a mente racional é subvertida
para dar lugar a uma sabedoria mais ancestral e instintiva. É com essa Arte que
a Bruxa toma voo para o Sabbat.
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| Andrew D. Chumbley |
Como ensinou Andrew Chumbley:
Na pena que dança entre mundos, cada traço é o portal que liberta a magia ancestral do Verbo Vivo.
No eco do Silêncio, onde o nada dança com o tudo, o Ser espelha a Gnose e a Palavra se tece na vacuidade da verdade.
Quando a Palavra se torna o berço da Realidade, o 'Eu' se ergue, um novo deus, cuja sombra eclipsa a própria existência.
Na Gramática das Diferenças, a Magia se revela na anarquia do Infinito, onde a sabedoria transcende o humano e a subversão da lei é o portal para a alma reformada.
No turbilhão da dualidade, onde a Magia se manifesta sem véus morais, o Mago dança como um Diabo Santificado, revelando a sabedoria oculta na dúvida e na subversão do Ser.
No deserto da mente, onde o Silêncio fala e a Magia é a única verdade, o Adepto purifica o Ser, devorando deuses e desafiando a moralidade para forjar a Realidade do Desejo.
Na teia de Teseu, a obstinação forja o Caminho Único que, ao quebrar ídolos e transcender a própria Morte, conduz o Mago ao começo eterno de toda Magia.
No Simpósio da Nova Carne, o Grande Feiticeiro é um universo vivo de divindades e demônios, um Arcano que habita em cada um de nós, superando o humano.
Na dança ancestral do Sabbat, onde a Morte é um portal e o 'Eu Absoluto' manifesta seu êxtase, o Homem audacioso ascende para ocupar o trono vazio, abraçando a magia da Nova Carne.
No altar da Nova Carne, onde a Vontade molda o Vaso carnal e o prazer evoca Lilitu, a alquimia do Sabbat transforma a consciência em uma teia mágica de significado, conectando o vazio à percepção.
Pela alquimia da obsessão e do desejo, o feiticeiro forja um novo Alfabeto na Carne, onde os sonhos moldam a realidade e o 'Eu' se ergue como o Segundo Éden, reificando o inconcebível.
Das profundezas da Escuridão, a Autoimanência irrompe, erguendo a semente germinal do sonho para a costa da carne, onde a Memória desperta e a Visão se encarna no Grande Sabbat das Eras.
No Cemitério do Significado, onde o Espírito da Magia sussurra verdades além do som, o Mago ri com o Eremita, forjando um caminho singular através do tempo e da memória, onde só as Visões verdadeiras permanecem.
Na Arena do Poder, a inação é o abismo do Eu-não-Eu, onde o silêncio revela sua força, a humildade guia a busca e a transcendência da batalha das crenças coroa o verdadeiro rei.
Através do paradoxo do Sigilo, que oscila entre a plenitude e o vazio, e na alquimia dos venenos, que purificam e corrompem, o ser se lança num abismo de transgressão, onde a Larva infesta o Fruto e a Serpente reina no Éden.
Nas Máximas da Cripta, o necromante da Palavra desperta os Mortos, desenterrando a Eternidade em um amor fiel ao Acaso, onde a recapitulação do Eu revela uma alegria solene que desafia a morte e abraça o abismo.
Na forja da Eternidade, a alma, transmutada de chumbo a ouro, revela que o tempo não passa, mas habita em nós, e que a verdadeira busca não é pela divindade, mas pela manifestação do Espírito eternamente autoconhecível.
No espelho do Epigramma, a Magia se revela em mil disfarces, transmutando o Impossível em Necessidade através da Crença, e o Homem, como o Verdadeiro Feiticeiro, abraça a Guerra como Gnose, purificando o mundo ao esmagar seus próprios demônios e perseguir o Desejo Original da Auto-Sexualidade.
No vácuo da morte, a psique violenta encontra a Liberdade Imaculada da Autopresença, redefinindo a Virtude e empoderando o Eu para uma magia que desafia a moralidade, erguendo a Abóbada do Céu com Palavras que Deus não ousaria conceber.
No único agora, onde o Athame se afia no coração, a Magia Viva transcende a Criação e Destruição, e o feiticeiro, com astúcia e transgressão, desmascara a farsa do significado ao encarar o Silêncio, proclamando a Vontade de presença que é a essência de tudo.
No Silêncio que é a Palavra, a Magia se manifesta pela transgressão da Forma Mundana, e o Eu, nascido da Mente, Máquina e Carne, se lança à Iconoclastia para abraçar uma Visão Maior, revelando a Verdade de sua eterna Alteridade.
No Quietus, a Vontade do Silêncio transcende a morte, tocando o Inominável e imergindo a pena no sangue de um universo sacrificado, onde o Escriba dá sua vida ao Livro, e o Livro, em chamas, proclama: 'Para onde fores, lá irei eu!' — a apoteose da criação e destruição.
O próprio 'Khiazmos', é um Oráculo do Silêncio e grimório filosófico da Arte Sabática, onde cada aforismo serve como uma fórmula mágica contemplativa e ativa, integrando as doutrinas do Eu-Congressivo e da Corrente do Opositor, e cujas estelas artísticas são emanações gráficas de estados de transe, um farol eterno da bruxaria do Caminho Tortuoso do qual veneno e antídoto estão uno dentro de ti.
Assim fecho minhas palavras finais, e espero ter ajudado o buscador a compreender essa Arte e que, ainda que não saibas escrever e/ou interpretar o alfabeto de Alogos, a simplicidade de qualquer fala ou anotação está também no Azoth e o seu desprezo pelos seus pares é puramente o apartar-se da União com o todo, pois nesse caminho não há metades pares, mas sim o Todo Quintessencial juramentado pela Arte dos Sábios. Não há razão nem raciocínio aqui, só há o Mistério e toda palavra é pobre para significar um Mistério.
Por Sett Lupino


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