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| Arquétipo da Witchmother |
Primeiramente vamos entender a natureza e origem etimológica do que Chumbley compreendia como Quintessência: O "Azoth"!
Azoth é um termo que deriva do árabe "az-zā'ūq" ou "al-za'buq" (azougue), que significa "mercúrio". Na tradição alquímica, o mercúrio era considerado um elemento essencial nas transformações, pois sem ele nada se liga e nada se comunica. A palavra também tem ligações com o hebraico, onde "Aleph" (início) e "Tav" (fim) simbolizam a totalidade.
No
significado alquímico Azoth representa um solvente universal e o agente
essencial de transformação, mas ele não é apenas uma substância química, e sim
um símbolo da transmutação de metais comuns em ouro, que por sua vez, é uma
metáfora para a purificação e a ascensão espiritual na realização fálica. É
considerado o "primeiro princípio" ou "a essência de todas as
coisas".
No
significado Espiritual e Filosófico encontramos em várias tradições místicas e
herméticas, o Azoth, que simboliza a iluminação espiritual e a transformação
interior. É visto como o espírito que anima toda a matéria, unificando os opostos e permitindo que
o alquimista alcance a "Grande Obra". Paracelso descreveu Azoth como
o agente essencial de transformação para atingir a pedra filosofal.
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| Kylichor |
O
Azoth na Obra de Andrew Chumbley se torna um conceito de Quintessência Mágica,
especialmente em sua obra "Azoëtia", que é considerado um texto
fundamental para a Tradição Sabbática. Ele acreditava que todas as formas de
magia surgem de uma única fonte, a Quintessência Mágica, e que a feitiçaria é o
conhecimento dos pontos universais de transmutação. O Azoth em seu trabalho é
visto como a "quintessência" que liga os quatro elementos clássicos
em um espírito singular e purificado. Na tradição hindu a quintessência é representada
pelo Akasha enquanto Ovo Cósmico, do qual flui os quatro elementos da criação e
possui em si todos os registros universais e suas consciências. Não é a toa que
no design do sigilo Azoëtico, podendo ser visto na página 6 de Azoëtia,
Chumbley usou um Kylichor dentro do círculo para compor seu sigilo mágico
circunferenciado pelo seu alfabeto.
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| Sigillum Azoëtia |
A
Quintessência (Azoth) é um conceito milenar que, embora tenha raízes na
alquimia prática, transcende o material para representar um processo universal
de transformação e busca pela totalidade e iluminação espiritual, tanto no
mundo quanto dentro de si.
A
Witchmother e o Witchfather entram no cenário da bruxaria tradicional e da
Craft Sabbática de Andrew Chumbley como as figuras arquetípicas primordiais e,
muitas vezes, as fontes divinas da Quintessência Mágica, senão vejamos:
-
Deuses/Demônios Patrocinadores ou Progenitores da Magia: Na tradição da Craft
Sabbática de Chumbley, a Witchmother e o Witchfather são vistos como as
entidades que originam e presidem sobre a magia. Eles são os "pais"
da tradição, os doadores da arte e do conhecimento. Eles representam a
dualidade fundamental do poder mágico – o feminino e o masculino – que se une
para gerar a força da Quintessência.
-
Encarnações da Quintessência: De certa forma, a Quintessência não é apenas uma
força abstrata, mas é personificada nessas figuras. A Witchmother e o
Witchfather são manifestações do poder transmutador do Azoth, sendo os
guardiões e os condutores dessa energia primal. O próprio livro "The
Azoëtia" de Chumbley, que trata da Quintessência Mágica, é considerado o
texto fundamental da Craft Sabbática, conectando diretamente esses conceitos.
-
Guia e Iniciação: Para o praticante, eles servem como guias e inspiradores. A
conexão com a Witchmother e o Witchfather é fundamental para a iniciação e o
aprofundamento na Craft Sabbática. Através da invocação e do alinhamento com
essas figuras arquetípicas, o praticante busca acessar e manifestar a
Quintessência Mágica em seu trabalho.
-
Natureza Arquetípica e Simbólica: Eles não são necessariamente deuses no
sentido convencional de panteões religiosos, mas sim protótipos exemplares e
poderosos que representam as polaridades e as forças criativas e destrutivas
inerentes à feitiçaria. Eles englobam a sabedoria ancestral, a fertilidade, a
morte, a transformação e a essência selvagem da magia.
Enquanto
a Quintessência é a "substância" ou a "energia" mágica, a
Witchmother e o Witchfather são as "fontes" ou antíteses dessas
"personificações" antes da geração Quintessencial, atuando como
pilares fundamentais da filosofia e prática mágica da ‘Sabbatic Craft’.
Ao
mergulhar nas profundezas da Tradição Sabbática e tecer a urdidura do Azoth com
os fios da Witchmother e do Witchfather, o processo vai exigir uma linguagem
que ecoa o sussurro dos ventos ancestrais e o brilho das estrelas ocultas e, no
coração do Mistério, onde o tempo se dobra e o espaço se desfaz, jaz a
Quintessência, o Azoth da Alquimia Sombria e da Arte Sabbática. Não é
substância, e sim a essência de toda transmutação; não é espírito, mas o
espírito latente em toda matéria. É o Primeiro e o Último, o Alfa e o Ômega da
Obra, a Centelha Cósmica que anima a dança da Criação e da Destruição.
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| Arquétipo do Witchfather |
Mas
de onde flui tal Corrente? De quais fontes se nutre este Azoth primordial que
Andrew Chumbley tão habilmente desvendou em seus grimoires velados?
É
aqui que o véu se ergue, revelando os semblantes nos papeis da Witchmother e do
Witchfather.
Na
atuação mágica eles não são meras divindades distantes, eles são os
Progenitores Estelares da Arte, os Guardiões do Limiar e os Arautos da Chama
Negra. No útero estrelado da Witchmother repousa a sabedoria abissal, a
intuição selvagem e a fecundidade caótica que geram a própria possibilidade da
magia. Ela é a Lua Oculta, a Terra Primordial, o Espelho da Sombra onde a
verdade se reflete em fragmentos lunares, e portanto, a deusa Negra das bruxas
e a demônia incompreendida pelos mortais.
Ao seu lado, e nela, reside o Witchfather, o Senhor dos Camuflados Caminhos, o Caçador de Almas, o Semeador da Vontade. Ele é o Sol Negro, o Despertar do Fogo Interior, a Lâmina que corta o véu entre os mundos e forja o destino. Em sua mão empunha-se o Cetro da Direção, a Varinha que canaliza a Força, a Semente da Transformação que germina na escuridão.
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| Witch Stang - da coleção do autor |
Juntos
no Stang, a Witchmother e o Witchfather são as duas faces da mesma moeda
Azótica. A Quintessência, o Azoth, é o seu próprio fôlego, o sangue que pulsa
em suas veias de éter e escuridão, a luz e a sombra que se entrelaçam para
formar a teia da existência. Eles são a polaridade sagrada que infunde a Vida e
a Morte com propósito, o princípio dual que o feiticeiro busca harmonizar
dentro de si.
Buscar
a Quintessência se torna, portanto, buscar a união com esses Progenitores arquetípicos.
Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da
alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na
forja do ser, despertando o Azoth interior. É através deles que o feiticeiro
compreende que a magia simplesmente é inerente
a si, e que a mudança torna possível o eterno retorno ao berço estelar
de onde toda Arte genuinamente emana.
Assim,
o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma senda de conhecimento
íntimo, de renovação constante ou troca de pele e de aliança com as forças
primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do
feiticeiro dentro da encruzilhada tríplice, mas quando ele olha para cima, em
sentido fálico, o ponto focal da encruzilhada se torna quadripartido e é ai que
entra o Mistério diamantino de Qayin, pois se revela o Canto da Quintessência,
os Progenitores Estelares e a Constância do Dragão.
Lá
no alto, como testemunha imutável da eternidade e da origem imemorial dessa
Arte, brilha Al Thuban. Por eras incontáveis, Al Thuban foi o "prego que
nunca esfria", o ponto fixo inabalável em torno do qual o cosmos parecia
girar para nossos ancestrais, o centro silencioso da abóbada celeste.
Representa a Antiguidade Mágica primordial, a fonte que precede o tempo
conhecido, a Essência Imutável que fundamenta toda a transmutação.
Assim,
buscar compreender a Quintessência é, portanto, buscar a união com esses
Progenitores arquetípicos, e ao fazê-lo, ancorar-se na constância de Al Thuban.
Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da
alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na
forja do ser, despertando o Azoth interior, e onde a própria alma se alinha com
a estrela que nunca se moveu, lembrando a si mesma da origem inabalável de todo
o poder. Eles 4 formam a encruzilhada mágica da bruxa.
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| Constelação do Dragão |
É
através deles, e sob a égide silenciosa da antiga estrela polar, que o
feiticeiro compreende que a magia não é feita, mas é, e que a transformação é o
eterno retorno ao berço estelar de onde toda Arte verdadeiramente flui. Assim, a
Arte Sem Nome revela que o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma
senda de conhecimento íntimo, de renovação constante e de aliança com as forças
primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do
feiticeiro, cujo coração pulsa em uníssono com o prego que nunca esfria.







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