sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Quem São a WITCHMOTHER e o WITCHFATHER?

 

Arquétipo da Witchmother

Primeiramente vamos entender a natureza e origem etimológica do que Chumbley compreendia como Quintessência: O "Azoth"!

Azoth é um termo que deriva do árabe "az-zā'ūq" ou "al-za'buq" (azougue), que significa "mercúrio". Na tradição alquímica, o mercúrio era considerado um elemento essencial nas transformações, pois sem ele nada se liga e nada se comunica. A palavra também tem ligações com o hebraico, onde "Aleph" (início) e "Tav" (fim) simbolizam a totalidade.

No significado alquímico Azoth representa um solvente universal e o agente essencial de transformação, mas ele não é apenas uma substância química, e sim um símbolo da transmutação de metais comuns em ouro, que por sua vez, é uma metáfora para a purificação e a ascensão espiritual na realização fálica. É considerado o "primeiro princípio" ou "a essência de todas as coisas".

No significado Espiritual e Filosófico encontramos em várias tradições místicas e herméticas, o Azoth, que simboliza a iluminação espiritual e a transformação interior. É visto como o espírito que anima toda a matéria, unificando os opostos e permitindo que o alquimista alcance a "Grande Obra". Paracelso descreveu Azoth como o agente essencial de transformação para atingir a pedra filosofal.

Kylichor


O Azoth na Obra de Andrew Chumbley se torna um conceito de Quintessência Mágica, especialmente em sua obra "Azoëtia", que é considerado um texto fundamental para a Tradição Sabbática. Ele acreditava que todas as formas de magia surgem de uma única fonte, a Quintessência Mágica, e que a feitiçaria é o conhecimento dos pontos universais de transmutação. O Azoth em seu trabalho é visto como a "quintessência" que liga os quatro elementos clássicos em um espírito singular e purificado. Na tradição hindu a quintessência é representada pelo Akasha enquanto Ovo Cósmico, do qual flui os quatro elementos da criação e possui em si todos os registros universais e suas consciências. Não é a toa que no design do sigilo Azoëtico, podendo ser visto na página 6 de Azoëtia, Chumbley usou um Kylichor dentro do círculo para compor seu sigilo mágico circunferenciado pelo seu alfabeto.

Sigillum Azoëtia


A Quintessência (Azoth) é um conceito milenar que, embora tenha raízes na alquimia prática, transcende o material para representar um processo universal de transformação e busca pela totalidade e iluminação espiritual, tanto no mundo quanto dentro de si.

A Witchmother e o Witchfather entram no cenário da bruxaria tradicional e da Craft Sabbática de Andrew Chumbley como as figuras arquetípicas primordiais e, muitas vezes, as fontes divinas da Quintessência Mágica, senão vejamos:

- Deuses/Demônios Patrocinadores ou Progenitores da Magia: Na tradição da Craft Sabbática de Chumbley, a Witchmother e o Witchfather são vistos como as entidades que originam e presidem sobre a magia. Eles são os "pais" da tradição, os doadores da arte e do conhecimento. Eles representam a dualidade fundamental do poder mágico – o feminino e o masculino – que se une para gerar a força da Quintessência.

- Encarnações da Quintessência: De certa forma, a Quintessência não é apenas uma força abstrata, mas é personificada nessas figuras. A Witchmother e o Witchfather são manifestações do poder transmutador do Azoth, sendo os guardiões e os condutores dessa energia primal. O próprio livro "The Azoëtia" de Chumbley, que trata da Quintessência Mágica, é considerado o texto fundamental da Craft Sabbática, conectando diretamente esses conceitos.

- Guia e Iniciação: Para o praticante, eles servem como guias e inspiradores. A conexão com a Witchmother e o Witchfather é fundamental para a iniciação e o aprofundamento na Craft Sabbática. Através da invocação e do alinhamento com essas figuras arquetípicas, o praticante busca acessar e manifestar a Quintessência Mágica em seu trabalho.

- Natureza Arquetípica e Simbólica: Eles não são necessariamente deuses no sentido convencional de panteões religiosos, mas sim protótipos exemplares e poderosos que representam as polaridades e as forças criativas e destrutivas inerentes à feitiçaria. Eles englobam a sabedoria ancestral, a fertilidade, a morte, a transformação e a essência selvagem da magia.

Enquanto a Quintessência é a "substância" ou a "energia" mágica, a Witchmother e o Witchfather são as "fontes" ou antíteses dessas "personificações" antes da geração Quintessencial, atuando como pilares fundamentais da filosofia e prática mágica da ‘Sabbatic Craft’.

Ao mergulhar nas profundezas da Tradição Sabbática e tecer a urdidura do Azoth com os fios da Witchmother e do Witchfather, o processo vai exigir uma linguagem que ecoa o sussurro dos ventos ancestrais e o brilho das estrelas ocultas e, no coração do Mistério, onde o tempo se dobra e o espaço se desfaz, jaz a Quintessência, o Azoth da Alquimia Sombria e da Arte Sabbática. Não é substância, e sim a essência de toda transmutação; não é espírito, mas o espírito latente em toda matéria. É o Primeiro e o Último, o Alfa e o Ômega da Obra, a Centelha Cósmica que anima a dança da Criação e da Destruição.

Arquétipo do Witchfather


Mas de onde flui tal Corrente? De quais fontes se nutre este Azoth primordial que Andrew Chumbley tão habilmente desvendou em seus grimoires velados?

É aqui que o véu se ergue, revelando os semblantes nos papeis da Witchmother e do Witchfather.

Na atuação mágica eles não são meras divindades distantes, eles são os Progenitores Estelares da Arte, os Guardiões do Limiar e os Arautos da Chama Negra. No útero estrelado da Witchmother repousa a sabedoria abissal, a intuição selvagem e a fecundidade caótica que geram a própria possibilidade da magia. Ela é a Lua Oculta, a Terra Primordial, o Espelho da Sombra onde a verdade se reflete em fragmentos lunares, e portanto, a deusa Negra das bruxas e a demônia incompreendida pelos mortais.

Ao seu lado, e nela, reside o Witchfather, o Senhor dos Camuflados Caminhos, o Caçador de Almas, o Semeador da Vontade. Ele é o Sol Negro, o Despertar do Fogo Interior, a Lâmina que corta o véu entre os mundos e forja o destino. Em sua mão empunha-se o Cetro da Direção, a Varinha que canaliza a Força, a Semente da Transformação que germina na escuridão.

Witch Stang - da coleção do autor


Juntos no Stang, a Witchmother e o Witchfather são as duas faces da mesma moeda Azótica. A Quintessência, o Azoth, é o seu próprio fôlego, o sangue que pulsa em suas veias de éter e escuridão, a luz e a sombra que se entrelaçam para formar a teia da existência. Eles são a polaridade sagrada que infunde a Vida e a Morte com propósito, o princípio dual que o feiticeiro busca harmonizar dentro de si.

Buscar a Quintessência se torna, portanto, buscar a união com esses Progenitores arquetípicos. Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na forja do ser, despertando o Azoth interior. É através deles que o feiticeiro compreende que a magia simplesmente é inerente  a si, e que a mudança torna possível o eterno retorno ao berço estelar de onde toda Arte genuinamente emana.

Assim, o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma senda de conhecimento íntimo, de renovação constante ou troca de pele e de aliança com as forças primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do feiticeiro dentro da encruzilhada tríplice, mas quando ele olha para cima, em sentido fálico, o ponto focal da encruzilhada se torna quadripartido e é ai que entra o Mistério diamantino de Qayin, pois se revela o Canto da Quintessência, os Progenitores Estelares e a Constância do Dragão.

Lá no alto, como testemunha imutável da eternidade e da origem imemorial dessa Arte, brilha Al Thuban. Por eras incontáveis, Al Thuban foi o "prego que nunca esfria", o ponto fixo inabalável em torno do qual o cosmos parecia girar para nossos ancestrais, o centro silencioso da abóbada celeste. Representa a Antiguidade Mágica primordial, a fonte que precede o tempo conhecido, a Essência Imutável que fundamenta toda a transmutação.



Assim, buscar compreender a Quintessência é, portanto, buscar a união com esses Progenitores arquetípicos, e ao fazê-lo, ancorar-se na constância de Al Thuban. Não é uma busca por uma fórmula exterior, mas um mergulho nas profundezas da alma, onde o sangue da Witchmother e a semente do Witchfather se misturam na forja do ser, despertando o Azoth interior, e onde a própria alma se alinha com a estrela que nunca se moveu, lembrando a si mesma da origem inabalável de todo o poder. Eles 4 formam a encruzilhada mágica da bruxa.

Constelação do Dragão


É através deles, e sob a égide silenciosa da antiga estrela polar, que o feiticeiro compreende que a magia não é feita, mas é, e que a transformação é o eterno retorno ao berço estelar de onde toda Arte verdadeiramente flui. Assim, a Arte Sem Nome revela que o caminho do Azoth é o caminho dos Progenitores: uma senda de conhecimento íntimo, de renovação constante e de aliança com as forças primais que tecem o grande tapeceiro do universo, refletido no microcosmo do feiticeiro, cujo coração pulsa em uníssono com o prego que nunca esfria.

Sett Lupino

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