terça-feira, 27 de agosto de 2013

A PENA DOS CASTIGOS, A PENA DO PAVÃO E A DOÇURA DAS PENAS





A história humana ultrapassou mais de dois milênios num debate desproporcional sobre as penas e castigos. Enquanto alguns livres pensadores encontravam a cura individual na abolição das penas, outros avançaram a favor delas e esse comportamento é oriundo da dualidade Bem X Mal. Mas devemos apontar a culpa? Se sim, devemos sequer apontar um culpado? O que fazer depois da culpa? Devemos condenar os culpados ou proteger os inocentes? O erro é maléfico e irreconciliável? Alguém aqui tem compromisso com o erro?

Jamais se pôs em questão duvidosa que, entre as punições a serem infligidas a quem violou as leis de uma tribo, clã, cidade ou povo, estivesse presente a pena e o castigo, desejáveis, pensados por um ser humano. Chegou a se cogitar sobre a rainha das penas, a de morte, inclusive.

Em Gênesis 4:15 temos a seguinte heresia cainita: “Aquele que se atrever a levantar-se contra Caim, receberá sobre si sete vezes a vingança”.
Mas a pena e o castigo delibera pela necessidade de vingança, e na vingança é notório que não há virtude alguma. Eu já vi bruxos enfeitiçando irmãos e outros bruxos para seus propósitos egoístas e posso bater no peito do orgulho para dizer que eu nunca precisei fazer isso, apesar de ter cogitado algumas vezes gosto mesmo é do bom entendimento parlamentar, afinal de contas, pra que serve a consciência se não for pra usá-la?

Nesse ínterim, além de termos de nos defender das penas e dos castigos, há que se defender das vinganças dos egoístas também. A segurança e a justiça às vezes mascaradas de vingança afetam o corpo coletivo bem diante do nariz, diante de um dos seus membros que se havia pensado ter-se corrompido.

Disputas entre covines, as magias de ataque sempre penetram no mais fraco ou mais indisciplinado dos membros e quando esse membro indisciplinado é um chefe a responsabilidade aumenta porque o poder que vem de cima pode massacrar os súditos em caso da magia afetar o “norte” mental desse governo. Então, o que dizer da direção de um Covine onde os representantes dessa direção são pegos por um ataque invisível de um certo poodle que foi subjulgado por hubris? Eu já vi Covens inteiros se destruírem por causa da arrogância de seus líderes em achar que são superiores e que nenhuma magia seria poderosa o bastante para dividir o Covine ao meio. Mas....magia pega! E pega até mesmo no mais sábio e poderoso dos bruxos. Resta limpar o lixo enviado, mas se de alguma forma houver alguma lição a ser aprendida com essa magia que foi enviada, cabe deixar a sinceridade falar e ser tão clara e cristalina como a água.

Tomemos o clássico dos clássicos para os bruxos platônicos, tomemos o primeiro grande livro sobre leis e justiça de nossa cultura ocidental, as Leis, os Nómol, de Platão.

Platão escreve sobre democracia sobre uma premissa filosófica. No livro IX, ele dedica algumas páginas a questão das leis de punição. Ele reconhece que a pena deveria tornar a pessoa melhor, mas aduz que, se a pessoa for fraca, moralmente fraca, ou delinquente incurável, a morte será para ele o menor dos males e estabelece uma gama de leis contra todos os tipos de delitos previstos na época, desde delitos contra divindades, os cultos, até aqueles contra os genitores e descendentes, e o voluntariado dos delitos. Ele acolhe a doutrina da reciprocidade, que versa sobre pagar o que se fez como pena natural. A doutrina da reciprocidade é pitagórica, bem mais antiga que Platão, e foi muito usada na idade média e conservada até dias atuais sobre a premissa da famosa expressão que diz: malum passionis deve corresponder ao malum actionis. Isso nunca foi alterado, e foi daí que surgiu a pena de morte em alguns dos países Europeus, copiado por outros.

Citei esse contexto para exemplificar ao longo desse artigo, que os Covines platônicos da era cristã, ou da era de hoje, se pautam em premissas das religiões não violentas e ajuízam exatamente a favor das punições e isso é contraditório por natureza.

Mas pera ai! Já não foi dito que quem pune não liberta? Onde fica o papo de curar? Não seria a punição uma forma de violência disfarçada de justiça?
Exatamente, contudo, há casos e casos que cai no merecimento de uma pena de morte, desde que se pense como um sacrifício para um bem maior.

Algumas bruxas são contra a pena de morte, mas de forma escondida algumas outras sempre dão um jeito de fazer um feitiço para matar ou acorrentar alguém, algumas inclusive desconhecem que existe uma fórmula antídoto para essa punição mágica, ou desconhece que há alguém além dela mesma que conhece.

Foi na era cristã que se originou o pensamento de que o grande objetivo do demônio era o de aprisionar a alma numa grande ilusão (esse pensamento foi desenvolvido oriundo do mundo antigo hindu onde maya é a ilusão exemplada aqui) num mundo de dor, de sofrimento e de pecado, e confundi-lo para que ele eventualmente morresse sem nunca tomar a consciência de que dentro de si há uma alma perfeita e eterna, que transcende as margens do tempo. Cada pessoa pode apenas libertar sua alma através de bons atos, que ajudem toda a humanidade a superar as fraquezas e imperfeições da carne, a partir do particular para o geral. Então o demônio se tornou o mal, a punição e a morte a ser combatida por outras punições. Se Lilith é o Divino Espírito Santo, ele está no TODO, não somente nas mulheres, e esse Divino Espírito Santo liberta, não prende nem pune. Seu poder ‘caótico’ se estabelece no terror de quem sente o temor. Isso significa que há pessoas nesse mundo que pune a si mesmo e é nessa premissa que a maldição da penitência começa.

A imposição da pena de morte não constituía se quer um problema, tanto que até mesmo as religiões não violentas, do noli resistere malo, com ênfase a religião que, mormente nos primeiros séculos, levantava o problema da objeção de consciência militar e à coação de portar armas, a mesma religião que tem por inspirador e avatar divino um censurado e condenado à morte, execrado com punição, jamais se pôs substantivamente à técnica da pena basilar.

Uma das heresias cristãs que é automaticamente contraditória com o conceito cristão se pauta em afirmar que Deus é perfeito; nada neste mundo é perfeito; portanto, nada nesse mundo foi feito por Deus.

Foi no século XVIII que essa questão ganhou amplitude, com o famoso livro de Beccaria (1764). Essa obra enfrentou a questão olhando-a nos olhos, e ofereceu argumentos pra se pensar e refletir, muito racionais, dando soluções que contrastava com uma tradição secular.

A finalidade da pena e do castigo, não tinha outra senão intimidar e impedir o acusado de causar novos danos, afinal a sociedade teme que o acusado cause estragos maiores, revelando assim a fraqueza da sociedade ou a falha no comprometimento e educação dos valores éticos e morais.

Beccaria postula o princípio intitulado “Doçura das Penas”, onde expõe que um dos maiores freios contra os delitos não é a crueldade das penas, mas a infalibilidade dessas, e conseguinte, a vigilância dos magistrados e a imparcialidade de um juízo que serve a virtude, para acompanhar uma regra ou lei doce. Não é necessário que as penas sejam cruéis para serem dissuasórias, bastando que sejam certas.

A fidúcia de que se será punido é mais significante do que a certeza da severidade da punição, e isso constitui lá dentro da mente do acusado um efeito devastador, para não dizer transformador. A intimidação da punição nasce não da intensidade dela, mas de sua extensão que priva sua liberdade, como foi o exemplo da prisão perpétua, um modo de punição privativa de liberdade, onde a pena de morte nesse caso seria libertação total.

Punições com morte não são nem útil nem necessária, além de diplomar a incapacidade do punidor em curar o acusado, dele mesmo e do resto do mundo. O sucesso e a capacidade esplêndida da maior virtude platônica está, em recuperar o bem, o ânimo, o valor e a equidade.

Sabemos que toda troca, toda compra, toda negociação é um tipo de contrato. Beccaria expõe novamente sobre os argumentos contratualistas quando deriva da teoria do Contrato Social. Esse contrato alude a origem convencional da sociedade, bem como a troca, ou a compra e venda feita por boca, sem papel assinado é um contrato legítimo e reconhecidamente mundial. Esses são os contratos verbais, muito usados em bruxaria, tanto em negócios bruxos inter-vivos, quanto na “compra” de um favor de um espírito. Mas o que quero dizer com isso é: ISSO TUDO É POLÍTICA!

Tudo que se refere a interesses são política e politicagem, seja em democracia, teocracia ou monarquia. A sociedade interessada, aqui também chamada de sociedade política, ou como preferirem “Covine”, “Irmandade” ou “Ordem Mágica”, deriva de um acordo dos indivíduos que renunciam a viver em estado de natureza solitária, e criam regras ou até mesmo leis, para se protegerem ou conviverem reciprocamente. Tais indivíduos colocam a disposição de seus semelhantes também o direito à vida e a liberdade como forma de cura, evolução e progresso virtuoso.

Toda forma de governo é uma organização onde os governantes se contratam a uma unidade política, no poder de regrar a unidade política. Esse contrato nasce com a aprovação da maioria, onde os membros da irmandade ou Covine aceitam ser liderados por tal pessoa. Não raro, algumas pessoas sempre chegam de mansinho e depois tomam uma postura radical, se esquecendo de que um rei ou rainha não comandam reinos sem povos.

A expulsão, exílio ou banimento, recai na vergonha da fraqueza do governante ao se diplomar no fracasso em transformar a punição em recuperação da virtude e essa conduta é assumida por todos os governantes que teve historicamente um interesse em controlar pessoas.

Isso é notado tanto nos Covines de Xadrez, quanto nos Covines do Chaturanga. No primeiro o governo está nas mãos da mulher, e no segundo o governo está nas mãos do homem. Esse último é a forma tradicional e mais antiga de administração de um Covine, desde que a monarquia se inspirou no jogo que é o pai do Xadrez.


O que importa saber é que até o século XVIII o sistema absolutista estava nas mãos do monarca, com poderes ilimitados para comandar a família real.
Ainda na monarquia da idade média, quando ainda se acreditava que a origem desse poder era divino, que provinha da vontade de Deus, mas que esse direito deixava de ser dado diretamente ao rei e sim confiado ao povo, que era ele que o conferia depois ao monarca. O que diferia nas várias monarquias é que divergia a natureza dessa transmissão. A entrega inalienável e sem volta do poder do rei foi a opção encontrada para o surgimento do absolutismo real e de modo diferente, a da “mera” delegação no rei, avocável, deram fundamento à doutrina do poder popular real por escolha nos seus órgãos próprios.

A monarquia tradicional é a monarquia absolutista, onde o rei obtem poder limitado pelas cortes e por outros órgãos de soberania a ele vinculados por contrato, linhagem, respeito mútuo, e a concessão de finalidade ao provimento.

Um exemplo clássico foi o da Inglaterra de Henrique VIII até a Revolução de 1688, a qual passou de monarquia absolutista para monarquia parlamentar. A Austria já foi absolutista. Do lado asiático o exemplo vem com o Império Otomano da Turquia. Nomeadamente existem monarquias absolutas no mundo árabe, embora por vezes mais atenuadas e com um pouco mais de distribuição do poder.

O fato é que seja na monarquia ou seja na democracia, a irreversibilidade dos erros dos magistrados sempre ficam sem punição. Séculos se passam e a punição ainda é algo que quem sofre é sempre o povo, nunca o governo.
Montesquieu já dizia: “embora as penalidades aplicadas no Japão fossem atrozes, o Japão era um país de criminosos.

Os seres humanos estão longe de compreender os desígnios divinos, e alguns bruxos e bruxas não parecem ser diferentes. Insistir em continuar ao lado ou a favor desses indivíduos que se acham “os escolhidos” ou “os mais privilegiados”, é insistir no suplício da paixão, e nada tem a ver com virtude e humildade.

Um autor inglês do século XVIII, citado por Foucault, escreve que a morte-suplício é a arte de conservar a vida no sofrimento, subdividindo-a em mil mortes e obtendo-se – antes que cesse a existência – as mais refinadas agonias.

É preciso contemplar que Deus é infinitamente grande, e é impossível um ser humano “pecar” contra ele. Não cabe punição onde tudo é nobre, pois se errar é humano, errar é divino, haja vista que é pelo erro que se chega ao perdão – o sentimento mais divino que existe junto ao amor e a consciência.

Sett Ben Qayin




quinta-feira, 27 de junho de 2013

Segredos da Arte da Transformação - parte 2



A Supremacia do Espírito sobre a Matéria

Seu sentido de segurança está sendo desafiado, e a tendência natural é tentar segurar-se em tudo que estiver ao seu alcance, a menos que o discípulo esteja se rendendo, resolvendo dar a entrega de si, o que equivale dizer lançar-se no abismo.

Esse abalo sísmico interno tem seu papel na existência da vida de um neófito. Se o discípulo aceitar que ele ocorra, o discípulo emergirá dos escombros mais forte e mais aberto às experiências iniciáticas. É necessário expandir a mente, esticar a tolerância para alcançar o todo. O verdadeiro iniciado é aquele neófito que se entregou e se rendeu, permitiu a supremacia do ego individual sobre o ego personalizado, a supremacia do Espírito sobre a matéria. Ele mergulhou do penhasco do seu “eu” e caiu no abismo de sua profundeza, ali ele voou e voltou para tornar-se neófito novamente, pois o início do caminho é um ciclo sem fim, como diz na música ‘Espíritos Ancestrais’ do filme Irmão Urso: “cultivar nossa fé, pra no fim da jornada, compreender, que ela vai começar”....(...).

Amor é entrega, confiança é rendição. Deve-se pensar grande, pois é essa grandeza que revela qual é o tamanho do seu Deus. Esse Deus é você, ele mora ai dentro do discípulo que um dia vai se tornar mestre e revelar-se um deus na terra. E é assim que as irmandades dos “iguais” se formam. É assim que nascem os Covens de Wicca, os Covines de Bruxaria Tradicional e os Congregas Stregonescos. Mudam-se os nomes dos trabalhos de transformação, mas o processo é sempre UM.

Quando esse Deus for imensamente grande, se torna impossível pecar contra ele. Alguns te chamarão de arrogante, mas não podem se esquecer que todos somos Uno, e a lição que se apresenta é sempre para dois gumes ou mais. Uma pessoa sozinha pode pensar sobre uma situação, mas não pode vivê-la. Para que uma pessoa possa viver uma lição ela sempre precisará de outra, e essa outra estará recebendo sua parte dessa lição. Ensinamos quando aprendemos e aprendemos quando ensinamos. A diferença aqui é o respeito em relação ao reconhecimento de quem está e quem não está juramentado dentro de um Coven, pois quem está juramentado, irá cumprir seu compromisso! Lembrando que depois de todo incêndio a terra toda é repovoada, após a tempestade o ar se torna limpo.

É na ‘entrega’ que se pode concluir que Tudo está como deveria estar. Veja a destruição do seu ego personalizado com desprendimento e diga sim ao processo de honra da sua palavra dada em juramento. Isso revela seu caráter e isso mostra a marca da bruxa.

Quando perdemos alguém ou quando uma pessoa sai de nossas vidas, a gente se magoa, se fere, sente saudades e na maioria das vezes não aceita o que está acontecendo. Mas no fundo, tudo está como deveria estar. A aceitação é a base de toda transformação, é a base da magia.

A pessoa sai de sua vida e sem se dar conta ela vai viver uma nova jornada, que talvez irá prepará-la para o retorno, mais madura, mais sóbria, mais sábia. Essa é a razão pela qual notamos a diferença quando encontramos alguém que não víamos há muito tempo e nos surpreendemos com sua capacidade de transformação.



Quando finalmente podemos dominar o ego, compreendemos que de nada adianta se sentir ofendido. Não se alcança o poder da intenção ao se sentir ofendido. Aliás, sentir-se ofendido gera a mesma energia destrutiva que a princípio o feriu. O ego se sente ferido/ofendido, não o Espírito. Por isso o ego é considerado a maior fraqueza humana, o ego é a fraqueza que fabrica derrotados na busca das virtudes. Precisamos do ego personalizado para existir, não para ‘Ser’, pois para esse, precisamos do ego Espiritual e Divino, haja vista que é o ego individual (divino) que fabrica a ressurreição e ressurreição é a verdadeira iniciação.

Existem situações de aborrecimento em cada esquina, para quem procura aborrecimentos, por isso desapaixone-se já de todos os aborrecimentos. Desapaixonar significa livrar-se do sofrimento. Paixão vem do latim ‘Passio’ = dor/sofrimento. Paixão é sinal claro que o ego personalizado está no controle, uma vez que espírito não sente dor, ego individual não sofre, e essa equação é um milhão de vezes verdadeira. Quando o ego está no controle ele dita para você não ouvir as pessoas, ele te infla e nesse estado você se basta a si mesmo, é o ego dizendo que o mundo não deveria ser do jeito que é, e que tudo é uma injustiça. É o ego personalizado afirmando que você é mais privilegiado que o resto do mundo, se achando o mais importante e respeitável ser humano que existe. Seu senso de valor fica distorcido e ele só obedece regras e leis que estejam em acordo com o mundano.

O iniciado não se encaixa em regras e não precisa obedecer leis, ele o faz porque compreende conscientemente seu papel e sua devida importante dentro do Coven. Ele o faz porque ele “PODE” fazer, ele tem poder para oferecer isso humildemente e conscientemente.

Quando um iniciado ofende ou briga com outro iniciado, há necessidade de fazer uma higiene mental da parte de quem acusou e este, deve se perguntar se ele realmente tem poder para conseguir ofender quem jamais se sentiria ofendido. Não é estar por cima da situação, é estar fora dela, é nisso que reside o verdadeiro poder.

O ego adora nos dividir entre ganhadores e perdedores. Dominar o ego é a maior virtude de um anjo caído.

Quando o ego personalizado pensa que ganhou a batalha do ego individual e obteve vitória, ele ganhou o mundano, enquanto o ego individual (Espírito) se silencia como Deus que é, e permite o ego personalizado ter sua experiência, apesar do ego individual ter poder de destruir a vontade da carne, o ego individual compreende que a carne (ego personalizado +mundo + material) já está falhada, pois ela morre, o Espírito não.

O ego personalizado não compreende que não há perdedores num mundo onde tudo e todos compartilham da mesma fonte de energia e do mesmo ciclo eterno de renascimento chamado de dormir e acordar.

Aprenda a estar em paz, em amor e confiança, pois nisso reside a fortaleza de um deus na terra, e desista de ter razão sempre. Razão vem do latim ‘Ratio’ que significa sugestão dividida, não é certeza. Deixe cada um ter a experiência que quer ter, e nisso habita o respeito pelo livre arbítrio. Quem se respeita, sabe respeitar o outro e nunca se sentirá ofendido, porque ninguém nunca conseguirá lhe ofender, ainda que tente.

O ego é a raiz de todos os conflitos. Deixar de querer ter razão ou deixar de fazer exigências, ou ainda deixar de querer vencer sempre, é como dizer ao ego que ele não está mais no controle e que você em sua essência não é mais escravo do ego. O neófito precisa das regras de Coven para ser treinado, depois não mais.

É estar livre! É ser livre!



O querer, fazer, ousar e calar é um axioma bruxo, mas o calar não significa que você não deve contar os segredos da arte para ninguém, aliás, isso é regra de Coven e não proíbe de revelar os segredos da arte, apenas pede para fazer sigilo das coisas internas. O verdadeiro calar, é aquele que se faz frente ao ego se di mesmo, é o legítimo Brudvalem, é o silêncio de quem está satisfeito por saber tudo que sabe e não quer impor sua vontade à ninguém, pois tudo está como deveria! É o estado de Supremacia do Espírito sobre a matéria. Um iniciado não se interessa por política, porque a política é mundana. Um iniciado só irá se envolver na política governamental se for para salvar a liberdade de sua liberdade, sua crença e fé, sua arte e ofício. O iniciado está na cadeia dourada do ser como todo mundo está, e ele faz seu trabalho de formiguinha sem interesse em mudar todo mundo, pelo menos não antes de mudar a si próprio.

Exigências são feitas enquanto o neófito é um buscador. Não se deve exigir curso de línguas para se estar num Covine, pois essa exigência está para coisa mundana. Não se cobra dinheiro para aprender a ser livre, e a arte bruxa, a arte dos sábios é para todo mundo, mas nem todos são para a arte bruxa.

Impor metas a serem cumpridas, depois que se está iniciado, é diferente de combinar ou fazer acordo para se trabalhar junto.

Toda imposição é manipulação que não respeita livre arbítrio e força à uma escolha que leva à uma consequência. Imposição para um iniciado é se graduar na pequenez. Impor algo à um iniciado é tão esdrúxulo que revela o verdadeiro tamanho de quem impõe.

Se dê a oportunidade de se sentir bem e estar alinhado com a fonte de todas s coisas quando alguém quiser ter razão sobre você, se dê a oportunidade de se sentir bem dizendo a outra pessoa que ela está certa, agradeça-a por direcionar você à verdade. Isso é humildade e gratidão, dois sentimentos poderosos e transformadores que só ficam abaixo da escala poderosa do amor ilimitado divino.

Deus é livre de raiva, ressentimento e amargura. Se você é um deus na terra, certamente você sabe disso, pois é livre como Deus. O Espírito Criativo é amoroso, generoso e receptivo. Todos nós emanamos da mesma fonte do UNO.

Todos nós temos a missão de realizar a pretendida essência, de construir o bem pelo bem, e doar aquilo que se tem de melhor, no intuito de oferecer mais. Tudo o que precisamos para cumprir o nosso destino está ao nosso alcance. Concentre-se em seu crescimento espiritual, sem se esquecer que seu mestre já sabe o que isso significa, portanto, não tente mudar seu mestre, mude à si próprio e deixe ele te conduzir até o portal do abismo da mesma maneira em que ele foi conduzido pelo mestre dele, lá, se você atravessar o portal como ele te ensinou, irá cair, e se você cair irá voar, e se voar estará iniciado e isso vai significar que o seu caminho só começou agora, depois de iniciado, uma vez que início é a raiz e a chave da palavra iniciação.
Ao projetar sentimentos de superioridade, retorna à você ressentimentos de hostilidade. Se policie constantemente na humildade e na firmeza de caráter. Jamais haja com ganância, prepotência e soberba.

O ego nunca está satisfeito, não importa o quanto já tenha conseguido. Estar iniciado é estar satisfeito consigo e com tudo ao seu redor.

Nunca julgue um livro pela capa! Nunca, pois isso indica que você não foi iniciada e está vendendo ou se prostituindo ao ego personalizado.

Nunca julgue ninguém pela aparência, pelas conquistas, posses ou pelo comportamento, nem por nenhum dos índices do ego. Ao cessar sua sede de ansiedade, as coisas virão sozinhas até você. A teia universal da cadeia dourada do ser é o segredo e é um dos segredos da tábua de esmeralda.

Para ter algo verdadeiramente seu, é preciso não necessitar desse algo.

A Fonte Criadora é feliz nela mesma, e nunca obstrui suas obras por causa de egoísmo. A verdadeira eudaimonia (felicidade) se resume no pouco suficiente para estar satisfeito e em união com a Fonte Criadora, que vive dentro e fora de você.

Amor, Perdão, Gratidão e Generosidade são os poderes de todos os verdadeiramente iniciados, o resto é ressonância!


Sett Ben Qayin


Segredos da Arte da Transformação - parte 1








O LANÇAMENTO NO ABISMO!


Desde que existe Espírito (Deus) e Homem (Barro), existem dois egos. O individual e o personalizado.

No caminho iniciático, o homem vai aprendendo a se reconhecer como um Deus aqui na terra, a imagem e semelhança divina que caiu aqui na terra para acender sua luz, como portador da luz que é. Alguns acendem, outros demoram muitas vidas para fazer essa trajetória, e isso está horizontalmente ligado aos valores e prioridades de cada um, bem como sua vocação.

Certamente não se pode ensinar virtudes pela vocação de um ateu, da mesma forma que um cego não pode trabalhar de guarda de trânsito.

Vamos abordar aqui vários assuntos que se tornarão um só, desde que nosso interesse é abordar mais uma entre tantas explicações sobre o caminho iniciático.

A coragem, a entrega e o lançamento no abismo estão interligadas. De nada vale a coragem se não for usada contra si mesmo. É preciso ter muita coragem para ser sincero consigo mesmo e reconhecer onde é que você precisa mudar. Tendo aceitado isso, a entrega fica por um fio. Desarmado e entregue, o neófito experimenta o amor perfeito e a confiança, por isso ele é empurrado ou lançado no abismo. É o mergulho nas suas profundezas. Sem confiança, sem coragem, sem amor e entrega ninguém dá esse passo por puro medo. Quem vive com medo vive pela metade e se você neófito quer ser um ser inteiro, integral, precisa primeiro, parar de querer encontrar sua metade fora de si mesmo. Se o que não encontrar dentro de si, não encontrará fora. Dentro de si estão seus piores inimigos a serem enfrentados, absorvidos e transformados.

A bruxaria moderna parece ter revelado ao mundo tudo que tinha para se revelar, as estantes estão cheias de livros com conteúdo muito informativo, outros livros nem tanto, mas o mais importante é, ainda que os métodos e sistemas usados na bruxaria moderna seja limitado, trouxe a revelação de uma das coisas “iguais” entre todas as bruxarias, além do fogo que é “O Amor e a Confiança Perfeitos”.

De nada adianta dizer que ama, se ainda possui vícios em seu caráter. Amor é algo livre de vícios, enquanto que, Confiança é entrega!

Entrega é tradição! Até mesmo no direito existe a tradição. Em matéria de contratos diz: A propriedade do bem, se conclui com a tradição. A entrega das chaves do imóvel é a tradição.

Em bruxaria, a ‘entrega das chaves’ é a investidura que o mestre faz no neófito, mas como não é um contrato leonino, o neófito também faz a entrega de si ao mestre. Não estamos falando de entrega do corpo sexual. Estamos falando de confiança perfeita, que só é perfeita se ausente de vícios e sem reserva de nenhuma natureza mental ou física.

É sobre essa pauta que se enrosca a serpente da Arte bruxa, e isso não vêm nos livros. Quando alguém tenta expor essa significação, a impressão que temos é que o autor ficou “cheio de dedos” ou “medos” de abordar claramente um tópico que nunca precisou que nós para ser mistério. Todo mundo quer jogar um manto negro em cima desse tópico e fazer mistério do mistério. Eliphas Levi, por exemplo, tem uma linguagem super rebuscada a respeito disso e poucas pessoas, inclusive iniciados, compreendem o que ele diz.

Desenvolver amor e confiança perfeitos, sob a premissa da “entrega” de si mesmo à quem está te treinando na Arte Bruxa, é tarefa para Mestres iniciados em bruxaria. Não estou a me referir em mestres graduados em universidades, e o perigo está em se tratar a arte bruxa de maneira eclética. Se você é um bruxo e quer fazer viver a tradicionalidade da Arte Bruxa, você deve enxergar o mundo sob as mesmas lentes da filosofia perene, não sob a sua lente pessoal.

Logicamente não é pecado se enveredar em uma arte eclética, ao contrário, respeitamos o livre arbítrio. Aqui apenas incentivamos a não deixar morrer a arte na sua forma tradicional.



É notório que todo conhecimento a respeito da sabedoria mágica veio do Oriente para o Ocidente e não o contrário. Por tanto, tudo o que é TRADICIONAL veio do ORIENTE e é visão de Mundo Oriental aplicada do geral para o particular. Isso significa que a filosofia perene é um conhecimento que contém sabedoria eterna. Não são frases de filósofos, não é ser dono da vida, mas sabedoria da arte bruxa para se tornar aquilo que você nasceu para se tornar e com isso, ser dono de seu destino enquanto aceita que tudo está como deveria estar.

Dois dos ditados mais encontrados em bruxaria são:

- “Quando o neófito está pronto, o mestre aparece!”

- “Todo neófito tem o mestre que merece!”

Desde que Coven é Coven, desde o primeiro Coven da face da terra, existem aquelas pessoas que pedem pra entrar no Coven usando a máscara da humildade e logo vão se revelando quem eles são verdadeiramente. Essas pessoas tanto se iludem que beira a soberba ao pensar que conseguem enganar um mestre. Essas pessoas se tonam “ingratas” (persona non grata) justamente por não reconhecer a oportunidade que o mestre lhes deu e a oportunidade que tiveram de ser realmente humildes quando tiveram a chance de ser.

Neófitos, em sua grande maioria fazem a mesma coisa que um pombo faz quando senta num tabuleiro de Xadrez, derruba as peças dos jogadores e só faz sujeira.

Hoje em dia ouvimos muitos ‘não-iniciados’ falarem sobre amor e confiança porque leram nos livros, repetem como papagaios sem saber o que isso significa de verdade, pois sem uma real vivencia dentro de um Coven/Covine tradicional o treinamento não pode ser feito. Digo isso porque ninguém dá o que não tem, e um ‘não-iniciado’ não pode instruir um investimento que não recebeu da forma correta.

Mas é claro que todo mundo sempre ensina alguma coisa uns aos outros, e seria muita prepotência e arrogância afirmar que ninguém lhe pode ensinar algo porque você já sabe demais. Eu não to falando de ensinar a viver, eu to falando de ensinar a arte bruxa como ela foi transmitida de forma tradicional. Até mesmo os iniciados que já vivenciaram diversas iniciações e treinamentos não pode dizer que nunca aprende com os neófitos, contudo, isso se dá em aprendizados de níveis diferentes ou estágios superiores. Em linguagem comum equivale dizer que: “Seu mestre aprende com você mas ele colhe pra si ensinamentos até da nuvem, o que dirá de um ser infanto”.

Uma pessoa que está sendo humilhada, ensina humildade, e quem está humilhando ensina prepotência. A prepotência é filha do poder, mas esse poder é falso, não é o poder que está dentro de cada um, ao impulsioná-lo para fora a prepotência ganha vida porque esse poder que citei é o poder do Ego humano. A prepotência tem resultados duvidosos em termos de liderança, haja vista que um mestre é sempre humilde e compartilha suas descobertas e conhecimentos ao invés de impor eles como faz a prepotência. Por sua vez, o neófito que está juramentado tem que reconhecer seu lugar nisso e saber receber o que está lhe sendo oferecido. Saber receber amor é mais difícil do que parece, pois tendemos a julgar demais os atos de seres comedores de arroz e feijão.



Há uma diferença entre avaliar e julgar. Quando se avalia não se dá sentença, mas quase sempre se dá sentença quando se julga alguém.

Ao comparar um velho do campo, que sempre foi muito pobre e vive numa casa de sapé, que usa chinelos no pé diariamente e não teve estudos; com um jovem erudito que recebeu da vida uma melhor sorte de esticar suas oportunidades de aprendizado, você irá notar que a visão de mundo entre o velho do campo e o erudito são bem diferentes uma da outra.

Penso que cabe a cada um discernir o seu compromisso e lugar no mundo. Podemos aprender com as crianças inclusive, mas não podemos aprender bruxaria com quem não sabe.

A bruxaria é uma arte e um ofício ilimitados que revela gradualmente seus mistérios em conformidade com quando se está pronto. A ficha cai, o relâmpago da meia noite lhe atinge bem na cabeça, e aos poucos você compreende que o que realmente é importante seria prestar atenção na “entrega”, em como você faz isso ou se permite.

Supremacia do Espírito sobre a Matéria, diz respeito ao Ego, mas eu num falo do Ego apresentado por Freud. Eu falo do Ego na forma em que foi e ainda é esotericamente para um Iniciado em Bruxaria, e nisso os valores não podem e não devem estar distorcidos. Não é hubris, pois hubris é desdém.

O Ego antes de Freud é o que se tem como material de forja, a ser trabalhado, lapidado como se faz com uma pedra bruta, até que vire uma joia preciosa, mas não se engane com a compreensão disso. A natureza demora dez mil anos para transformar um carvão em diamante, por isso temos de nos dar a oportunidade de crer que uma vida só é pouco para um trabalho de transformação tão extenso.



O Ego vem do latim ‘Eu’; é a consciência no homem de “Eu sou Eu”, ou seja, o sentimento da qualidade ou condição do “Eu sou”. No ocultismo se reconhece a existência de dois egos no homem, o mortal ou pessoal (matéria), e o superior, divino e impessoal. Ao primeiro denomina-se “Personalidade”, e ao segundo, “Individualidade”.

Chamemos de Ego personalizado (Material ou personalidade mundana); e Ego Individual (Espírito ou divindade interna).

A supremacia do Espírito sobre a Matéria começa quando sua consciência trava um duelo entre a entrega e aceitação, contra os valores do julgamento. O Espírito não julga, não sentencia e não pune. Quem julga, sentencia e pune é o ego personalizado (ou ego material, a personalidade mundana).

Quando um iniciado chama a atenção de um neófito e pede para ele não julgar, o iniciado está educando o neófito. Não é para o neófito julgar as atitudes do mestre, é para acatar, aceitar, se entregar. O mestre está tentando ensinar o neófito a domar seu ego.

Pegue essa regra pra sempre: “Para todo aquele que julga, lhe cabe dar uma sentença”. Toda sentença vem com uma dose cavalar de possibilidade de erro de julgamento, e consequentemente todo julgamento tem uma sentença que vem com punição.

O trabalho do iniciado é se libertar, se permitir ser liberto e se permitir ser iluminado. Mas quem vai acender essa luz é o mestre ou mestra do neófito, e esse trabalho, para o neófito, estará fadado ao fracasso se não houver entrega de si. Nisso reside à confiança e amor perfeitos, caso contrário o ego irá julgar, contrariar, questionar. O ego personalizado não quer morrer, ele teme a morte, ele é soberbo e ditador, ele quer existir para controlar e comandar. O ego é duro como Ferro, que, aliás, em alquimia o ferro é o material da forja a ser derretida pelo fogo do Espírito.

Se o neófito não permitir que o mestre lhe ensine essas lições, jamais o ego espiritual terá a supremacia sobre o ego material. Tudo é uma questão de valores e prioridades em ressonância com sua vocação. Quem tem vocação para ser mestre, se curvará à qualquer lição e se mostrará humilde. Ao longo do tempo, quanto mais se caminhar na arte bruxa, mais exemplo de humildade ele mostrará.

O iniciado apresenta egoidade, não egocentricidade. Egoidade – Deriva da palavra Ego e significa “individualidade”, nunca “personalidade”. É o contrário de ‘egoísmo’ que é o distintivo por excelência da personalidade.
As línguas latinas são todas derivadas do sânscrito, e para compreender melhor essa derivação penso ser necessário compreender primeiro, que não se pode pré-conceituar o que já tem conceito antigo dado por sábios, que podem muito bem ter sido ancestrais de muitos de nós.

O conceito oriental de EGO ESPIRITUAL é uma sabedoria que diz respeito ao Ego divino, que é alma espiritual ou Buddhi, em estreita união com o Manas ou princípio mental (Psiquê), sem o qual não é ego de modo algum, mas somente o veículo do Âtman.

Para que o iniciado obtenha sucesso em sua transformação ele precisa deixar de valorizar o Ego inferior ou pessoal, que é o homem físico em união com seu eu inferior, isto é, as paixões, os desejos, os instintos animais. É chamado de “falsa personalidade” e consiste no Manas inferior combinado com o Kâma-rûpa e que trabalha através do corpo físico e seu fantasma duplo. É o ego mortal ou pessoal, ou seja, o Kâma-Manas.

A filosofia hermética possuí um axioma “Ego sum quis sum – do Latim “eu sou o que sou”, e nisso reside o segredo da essência de quem é você enquanto divindade. Você não é Fábio, você está Fábio! Sua alma tem outro nome.
Quando se vence e domina o ego inferior, o Ego superior ou interno se revela em seu mais precioso brilho, é um olhar para dentro para pensar com o Espírito, é o contato com o Manas ou ‘quinto’ princípio, assim chamado independentemente do Buddhi. O princípio mental é o Ego espiritual apenas quando unificado com o Buddhi. É a individualidade permanente, o Ego (eu) que pode reencarnar. É o Ego divino, impessoal, individual e imortal.

Portanto, repito: a egoidade de um iniciado é o contrário de ‘egoísmo’ que é o distintivo por excelência da personalidade.

O egotismo é o trabalho de autoconhecimento. Não é a exposição do ego personalizado.

O Egotismo – em linguagem comum este nome é dado ao costume de dar demasiada importância a tudo o que se refere à própria pessoa e algumas vezes o egotismo é confundido com o egoísmo. Na linguagem filosófica oriental, tal termo equivale a Ahankâra, derivada do termo Aham (eu), e significa: consciência do eu ou ser pessoal. É o princípio em virtude do qual adquirimos o sentimento da própria personalidade, a noção ilusória de que o não-Eu (corpo, matéria etc.) é o Eu (Espírito), isto é, que somos, trabalhamos, gozamos, sofremos etc., sendo todas essas ações referidas ao Eu, que é inativo, imutável e mero espectador de todos os atos da vida. Tal princípio, produto direto do Buddhi, apresenta-se sob três formas, que são respectivamente: Vaikrita-, Taijasa- e Bhûtâdi-Ahankâra, segundo nele predominem as qualidades sattva, rajas ou tamas igualmente citados no Bhagavad-Gîtâ e filosofia Sânkhya.

Há uma lenda sobre o mestre e o discípulo que diz que o discípulo estava todo eufórico e cheio de questionamentos internos que não se calavam. Então ele veio questionar seu mestre a fim de sanar suas dúvidas, mas ele, o discípulo, nem sabia como se dirigir ao fazer a pergunta e sem perceber ele investiu ego personalizado diretamente sobre seu mestre ao indagá-lo. O mestre que outrora sempre foi meigo e amável, pula, grita e lhe dá um golpe firme, atira-o porta afora, e em seguida salta sobre ele. O discípulo desconhecia esse método de genialidade criativa que leva muitas pessoas à iluminação. Ele jogou o discípulo pela janela que tinha uma queda de dois andares, ele fez o discípulo voltar ao ponto da encruzilhada de onde ele veio, ele retornou ao ponto de partida. O discípulo só havia ido lhe perguntar sobre suas dúvidas cruéis, o mestre não só lançou-o como saltou em seguida e caiu por cima dele, sentou-se no seu peito e perguntou: “Entendeu?”.

A humildade em se esforçar para compreender qualquer lição que seu mestre esteja lhe doando, lições para fazer você ser um sábio. O conhecimento é para a matéria, aquilo que a sabedoria é para o Espírito.



O discípulo tem a escolha entre o conhecimento e a sabedoria. Muitas vezes não está claro o que seu mestre está a lhe ensinar. O discípulo irá julgá-lo, irá desejar que o mestre aprendesse alguma lição com o neófito para que o neófito se sinta importante, mas ele se esquece de quem é o mestre ali e quem tem um compromisso jurado com o mestre é o neófito.

Em nível iniciático, esse exemplo vem ao encontro da sabedoria da lâmina 16 do tarô. Veja, eu disse “ao encontro”, não “de encontro”.

O relâmpago da meia noite poderá cair em sua cabeça e atingir seu Espírito para que o discípulo possa se tornar um mestre. Antes de subir é preciso ter caído. Quando se cai, se chega ao fundo de onde não tem mais pra onde descer, só resta subir. Essa nova subida é diferente de todas as subidas que o discípulo já teve, agora ele está mais consciente, mais sábio, mais entregue.
A insegurança faz inúmeros derrotados, todos inseguros sucumbem ao lampejo da escuridão se não estiver preparado para se energizar com o relâmpago. Quem prepara o neófito é o mestre, não o contrário.

O relâmpago irá atingir sua torre e lhe derrubar até que o discípulo esteja pronto para se tornar um “fio-conduíte” ou um para-raios por onde a energia poderosa entra e se locomove sem te destruir. Enquanto a energia poderosa estiver entrando e te destruindo, você não está iniciado.


A transformação bruxa é sofrida porque é desejada, Foi invocada! Não é sofrida porque foi imposta ao bruxo sem ele saber, mas sim foi invocada por ele próprio. Quando o neófito está pronto o mestre aparece, e todo neófito tem o mestre que merece!

Sett Ben Qayin



terça-feira, 4 de junho de 2013

Tradições Italianas: Sagra di San Giovanni




Pedra principal da entrada da Gruta de San Giovanni - Giuggianello/Itália


Hoje eu começo o dia trazendo o primeiro artigo de uma série chamada Tradições Italianas, que mostrará algumas tradições italianas e seus costumes, lendas e crenças. Espero que o leitor possa se deleitar e abrir a mente para as antigas tradições que sobreviveram de formas variadas e nem por isso deixaram de ser tradições bruxas, mas sim, fazem a glória de um tempo atravessar o próprio tempo.


SAGRA DI SAN GIOVANNI


A festa de San Giovanni é talvez a mais antiga na província de Lecce. A festa evoca um culto medieval ligado a ritos pagãos do mundo antigo e mesmo toda investidura do processo de cristianização não foi capaz de acabar com a tradição antiga na Itália. Na verdade o processo de cristianização absorveu os cultos e fê-lo sobreviver sobre as máscaras da cristandade. Hoje o culto foi absorvido e consta na liturgia cristã, porém, traços do antigo culto ainda podem ser percebidos.



A noite da véspera de San Giovanni, em Giuggianello, é uma noite de vigilia muito especial. É uma noite repleta de magia, mitsérios, profecias e feitiços, é uma noite habitada por bruxas, duendes e demonios. É uma noite perturbadora e subversiva em que, de acordo com a crença popular, todos os tipos de milagres aconteceram à quem fazia os ritos antigos. Tradicionalmente, a noite em questão, se trata do dia 24 de junho para o dia 25.



Esta noite é muito especial do ponto de vista astronômico, pois marca o clímax da jornada do sol todos os dias, depois de subir cada vez mais alto no céu, ele pára e em seguida, refaz seus passos no caminho celeste e começa a descer gradualmente.



Esta é a época do solstício de verão, um evento excepcional para os povos antigos, que foram capazes de explicar racionalmente as grandes mudanças cíclicas da natureza reconhecendo-as diante de seu próprio desamparo e fragilidade, assim, considerou-as geradas por forças misteriosas sacrais disseminada pela própria Mãe Natureza.



Entrada da Gruta

A noite do solstício de verão foi, portanto, considerada uma mágica noite por excelência, que tinha em si o poder de decidir o destino de todo o ano civil. Os povos antigos, nesta data, recorriam a uma série de rituais e adivinhação.


Com o advento do cristianismo, esses rituais mágicos foram incorporados à esfera cristã, substituindo o ritual do sol, pela figura de San Giovanni Batista.



Em Giuggianello acredita-se que nesta noite os fenômenos mágicos provocam benefícios, assim, o orvalho assumiu poderes especiais e tornou-se capaz de aumentar drasticamente as propriedades curativas das ervas. As pessoas rolam nos prados úmidos de orvalho para regenerar o corpo, enquanto as meninas que estão a procura de um bom marido correm banhar seu sexo com o orvalho, uma vez que ao orvalho também é atribuída a propriedade de trazer boa sorte no amor.



A noite de San Giovanni, na realidade, foi considerada especialmente auspiciosa para prever noivados e casamentos. Há várias maneiras de advinhar se a mnina seria desposada dentro de um ano e qual seria o cargo do noivo, para reconhecê-lo. Giuggianello mantem um antigo signo da santa veneração que permanece como gruta de San Giovanni onde todos celebram os rituais, fazem poemas e cantam, dançam em torno da fogueira para agradecer a nova colheita do mês.



Tudo isso estaria perdido senão fosse a recuperação da cripta bizantina de San Giovanni pelo Centro de Cultura e Pesquisa Social de Giuggianello, e assim toda essa maravilha e memória, ligadas às lendas antigas sobre a devoção popular e a força da tradição estão vivas para perpetuar a história da Itália.


Altar dentro da Gruta

A cripta está localizada a dois quilômetros ao sul da cidade de Monte San Giovanni (120 m de altitude), cercado por oliveiras e vegetação mediterrânea ao longo da estrada de terra que faz o principal percurso Giuggianello-Palmariggi.


Na Idade Média, a gruta foi usada para celebrações e cultos greco-religiosos, e posteriormente passou às funções de celebrar o rito latino que ainda hoje é feito em veneração ao San Giovanni (São João Batista), aquele que batiza. Ao longo dos anos, no entanto, a dedicação tendeu a dispersar, mas um evento miraculoso reviveu os momentos mais intensos. O fazendeiro da fazenda vizinha "Armino" tinha uma filha com problemas de saúde e ela ajudava a família enquanto reunia e trazia as ovelhas para perto da cripta, e um dia San Giovanni apareceu à ela e prometeu a cura. A cura aconteceu e o pai em sinal de gratidão, relatou a glória. Hoje em dia, os pastores vem se reunir com a população no dia 24 de junho para a festa de San Giovanni, celebram a missa, e os agricultores no final do culto oferecem vinho e queijo aos fiéis como sinal de devoção.

Sett Ben Qayin 



quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Identidade da Terra



Ao longo dos meus mais de 40 anos, fui iniciado em muitas vertentes do Espírito. Chamei este Espírito de Espírito Divino, Espírito Santo, Espírito do Lobo, Anima Mundi, Alpha et Omega, Uno, Uni, Três em Um, O Nada que gerou o Tudo Espiritual,  inclusive A Manifestação e Dela Ele pôde criar o Tudo Material.
É bem verdade que raramente eu falo dessas passagens iniciáticas, pois achava isso irrelevante até tempos atrás, soa como “jogar pérola aos porcos”, principalmente quando insisto em fazer isso na intenção de compartilhar um pouco de mim com alguém que amo, e essa pessoa por não saber ou não poder receber o meu compartilhamento e o meu amor (ou o pouco do que sei doar de mim até agora), cai na malha de Maia e passa a me ver sob as lentes de uma ideologia que contém hubris (desdém) e prepotência, ai sim a pérola aos porcos fica bem mais visível, mas continuo o meu trabalho, afinal, todos os mortais (incluindo eu) sempre podem aprender com as crianças.
Ontem foi dia 7 de Maio, e o número 7 sempre esteve presente na minha vida, marcando momentos importantes, momentos de reflexão, de higiene mental, momentos de sabedoria espiritual, momentos de amor incondicional e estados de espírito com ampliação da consciência, em fim, desde pequeno  o número ou nome 7 esteve em mim e comigo, e ontem chegou um documento deveras importante para a minha identidade e eu transbordei gratidão mais uma vez.
Estava eu naquele momento de glória quando chegou uma amiga dizendo que não sabia mais o que fazer, que precisava de ajuda, que estava cheia de dívidas financeiras, e que não aguentava mais seus netos que não prestavam pra outra coisa senão dar trabalho. Ela dizia que não compreendia como ela poderia aprender algo com aqueles pirralhos e que já tinha passado por tantas experiências e iniciações, tinha acumulado tantos títulos e que ninguém mais poderia ensinar algo à ela.
Eu pensei: Contraditório senão trágico!
Olhei para ela com amor mas não menos severo e lhe disse que já que ela se dirigiu a palavra à mim com perguntas, eu estava lhe devendo uma resposta, mas pedi que ela com toda sua sabedoria lhe permitisse ouvir o que eu tinha para falar, pois várias vezes falamos e falamos mas não somos nós (ego personalizado) quem está falando, mas sim o Espírito, e lhe disse que muitos de nós podemos sim aprender com crianças, criaturinhas mágicas que não tem metade dos nossos conhecimentos e que nos dão grandes lições, mas pra isso precisamos estar com os olhos do Espírito aberto.
Ela não compreendeu e eu logo passei para o risco da pérola, e continuei meu trabalho, perguntando se ela gostaria de um exemplo de como podemos aprender com as crianças.
Ela acenou com a cabeça fazendo sinal de concordância curiosa, e eu respondi:
Veja, antes de ser Pai eu não sabia ser Pai, foi minha criança, meu filho quem me ensinou a ser Pai.
Então ela sorriu e começou a desabar (ou desabafar) e eu lhe mostrei uma oração que criei há algum tempo, chamada Oração da abundância do Universo.
Mas algo dentro dela estava impaciente e eu notava que o “Namastê” dela não estava me cumprimentando como eu o cumprimentava. Ela tinha uma forte inclinação para hubris e eu falei lhe contei a lenda dos seres híbridos e o que os híbridos precisavam fazer para se livrar do julgamento. Mais uma vez ela não compreendeu, porém mostrou certo interesse em aprender.
Eu ali não queria ser mestre dela, apenas estava fazendo meu trabalho espiritual e ela sorriu mostrando um ar de compreensão e felicidade. Uma senhora bem mais velha do que eu, já iniciada em diversos caminhos espirituais e mágicos, inclusive na Umbanda Canjerê, estava humildemente ouvindo um homem de 40 anos e aprendendo com ele, mas de fato não era comigo que ela aprendia, pois eu tenho consciência de que os deuses dela haviam me tomado para levar os recados que precisavam chegar até ela, e de alguma forma eu não teria conseguido levar o recado divino à ela, a menos que ela deixasse o hubris de lado.
Quando estamos com um problema ou algum problema, quando sentimos um mal estar ou um incomodo no peito, geralmente chamamos à isso de empatia e portanto seria reflexo de alguém que está perto de você. Antes de acusar esse alguém próximo dizendo que essa pessoa está com um “nó” com você, é preciso fazer uma higiene mental, depois uma higiene nos chakras e se centrar para avaliar a situação e a circunstância. Veja, avaliar é diferente de julgar. A avaliação não dá sentença e concomitantemente não dá punição. Se até um juiz, que estudou muito consegue errar, imagina uma pessoa que nunca fez faculdade de direito querendo criar regras e leis ou simplesmente julgar outra pessoa? O Julgamento mora no ego. Domar o ego é uma expressão “alquímica” que significa domar o ego personalizado e equivale dizer que estamos permitindo a supremacia do Espírito sobre a matéria. Há dois egos sendo eles:
1 - O Ego Individual (Espírito)
2 - O Ego Personalizado (Matéria)
Para quem julga, lhe cabe dar uma sentença. Se você está trilhando um caminho espiritual, certamente não lhe cabe julgar, desde que ao fazer a lição de casa você privilegiará a supremacia do Espírito sobre a Matéria, e certamente conhecerá o que significa dizer “Matei meu ego” = Matei Abel.
Rene Guenon fala a respeito do Homem Perfeito, que é o Homem de Espírito.

A supremacia do Espírito está no desapego (desap-EGO) de tudo o que é material, quando nos desapaixonamos das posses e das possessões é que nos tornamos donos de nós. Não há um só encosto ruim  ou propriedade para te fazer sofrer possessão ou ter domínio de ti, pois quem te possui é o Espírito e você está Uno com Ele. Neste momento e de agora em diante você é Ele, e ele é Você. Isso é ensinado nas escolas orientais, as primeiras e tradicionais em magia. Eu pude aprender isso no seio da minha família e mais tarde revisitei essa escola na iniciação do Dharma Sutra; do Vinho da Alma e do Xamanismo.
Se você é Jéssica, então Jéssica vai querer realizar as coisas que Jéssica quer. Mas ao atravessar Maia, o Espírito diz: Você não é Jéssica, você ESTÁ Jéssica, sua alma tem outro nome.
Nessa altura você deve estar se perguntando: Será que entendi a triplicidade do Espírito e o porque há deuses(as) tríplices e há o UNO que é três em um?
Sim, eu digo, você está certo! Nesse momento você se fundiu com o Todo e você é Três em UM. Nesse estado há o ego individual e a fusão com o Espírito formando um terceiro que você só descobre quando encontrar o nome de sua alma. Eis a identidade da Terra.
Esses dois egos que falei acima, são mais explicados na lenda dos dois lobos que lutavam dentro do coração de uma anciã, ela dizia ao seu neto que um dos lobos era arredio, cruel, amargo, egoísta, e o outro era doce, afável, brincalhão e incondicionalmente amoroso. O menino virou para sua avó e perguntou qual dos dois lobos venceria a luta e a velha respondeu: “Aquele que eu alimentar”.
Portanto, as escolhas são fundamentais com relação ao ego, uma vez que é notório que são os satanistas quem privilegia o ego personal e fazem de tudo para ver seus gostos e vontades satisfeitos. São incapazes de ver que ao apontar o dedo indicador para um defeito de alguém sem ter sido chamado a isso, há outros três dedos apontados para si. Stregas, Stregones são Luciferianos, são portadores da Luz de Deus (ou do Espírito), não são satanistas.
A identidade da Terra é possível quando se dá a supremacia do Espírito sobre tudo o que é material, uma vez que o domínio da minha terra se estica até onde minha pele alcança, e por trás dessa pele que troca de pelo, há tantas outras peles que trocam de pelo! Há que se cavar fundo nas mudanças de pele que trocam de pelo, e quando chegamos no fundo desse poço, lá no escuro do santo caldeirão negro, podemos ver do que somos feitos, e como todo fundo do poço, não há mais para onde descer, só nos resta subir! Isso é Iluminação.
Robert Cochrane disse uma vez:
"Seres Humanos são os metais alquímicos - e nós mudamos de escória para ouro lentamente. Este é o trabalho que Deus faz sobre a pessoa. O ouro aumenta de acordo com a forma como ele é valorizado, é o ouro do espírito, às vezes entorpecido pela loucura, outras vezes estará brilhando. Ele só é comprado pela nossa busca individual pelo Graal, o Santo Caldeirão."
É da premissa da Supremacia do Espírito sobre a Matéria, que os Lupinos mantém viva a Lei da Exata Medida e Proporção.
Por fim, minha amiga agradeceu e eu procurei não me sentir grandioso, mas com retidão voltei ao meu lugar até que o Espírito Lupino possa através de mim, brotar no coração de mais uma loba ou lobo, pois só um Lupino faz outro Lupino, da mesma forma que Ele usa outras pessoas para me dar os recados que preciso ouvir.
Nenhuma iniciação e nenhum título pode fazer por você a tarefa de casa. Saber receber e saber doar, conseguir receber e conseguir doar é um dom e uma virtude de quem faz a tarefa de casa, pois no final das contas o ego personalizado só estará domado se nós o alimentarmos para ser um veículo do Espírito (ego individual). Sou muito grato ao Espírito, por isso quero compartilhar com vocês leitores e amigos, a mesma oração que ajudou a minha amiga. Hoje ela percebe de onde vêm à ajuda e o auxílio e consegue receber essa abundância com gratidão. O Universo é abundante e envia suas sementes em forma de crianças que crescem e fazem crescer. Sempre é possível aprender com aquela pessoa que achamos incapaz de nos ensinar algo. Ao acharmos alguém incapaz de nos ensinar algo estaremos fazendo uso da prepotência que é um dos filhos do Poder. O prepotente vem do Latim ‘praepotens’ e significa ‘muito poderoso’, de ‘prae’ = à frente de’ + ‘potens’. É aquele que coloca o seu poder adiante e que o faz sobressair. Nesse sentido o poder valorizado pelo prepotente, é aquele que julga e que dá ao mesmo tempo, a sentença. Equivale dizer que está fazendo uso do ego personalizado descabidamente, pois para os métodos de comando atuais, ser prepotente é mandar com base no cargo ou no título e não no convencimento dos demais. Tem resultado duvidoso em termos de liderança. É o caso de dois senhores evangélicos que estão aparecendo na mídia ultimamente enquanto usa o nome de Deus para justificar suas falácias e impor, através da manipulação da prepotência, um Deus que não é Deus de fato.
Na verdade não é esse alguém que é incapaz de lhe ensinar algo, é você com todos os seus títulos que não pode aprender ainda, pois ainda veste os óculos de Maia e para você o fogo verde de Túbalo ainda tem a cor verde, mas só por fora, não por dentro. Estar em equilíbrio com o fogo verde é poder ver que a cor dele é madura por dentro e por fora, num tom amarelo da madureza.
Recebam com carinho essa oração que torno pública agora, pois o Universo sempre foi e sempre será abundante. Você é merecedor(a) das abundancias, sejam elas oriundas de outros seres humanos ou do infinito plano que circunda nosso Universo.
Que cada um de vocês recebam as bênçãos de que precisam para se ajeitarem na vida e ocupar o verdadeiro lugar no Mundo, encontrando a identidade da Terra, mesmo depois da morte.

ORAÇÃO A GRANDE ABUNDANCIA DO UNIVERSO
Ó Grande Abundancia do Universo! Útero fértil de todas as possibilidades!
Eu sou a semente que vinga e que fecunda com essa oração!
Eu carreguei a criança de Lussi nos ombros e a transportei de uma margem à outra.
Com seus meios de enviar as soluções e por via abundante que fornece tudo que é!
Envie o dinheiro e as riquezas para eu pagar todas as dívidas e contas que tive até agora.
E mesmo depois que eu quitar essas dívidas, continue enviando os recursos financeiros para manutenção da minha vida e daqueles que são do meu sangue, pois eu abro agora um canal que nunca mais fechará.
Forneça os remédios para curar a relação doentia que tive até hoje com os humanos que controlam o sistema financeiro. Para encerrar de uma vez por todas essa relação subordinada de dependência, sujeição e humilhação que eu me coloquei com os senhores do dinheiro, coloque-me no mais alto patamar das riquezas mundanas e nobreza, cura meu status e minha vida em todos os setores que ela se faz presente.  
Eu me abro para receber as abundancias do Universo!
Meus problemas não existem mais!
Os problemas não são mais meus!
Minhas dívidas não existem mais!
As dívidas não são mais minhas!
Tudo o que me perturbou até hoje, se dissolve agora!
Eu sou um ser de luz, eu sou um ser resolvido, eu sou um ser solucionado, lapidado, evoluído, e em constante progresso!
Ó abundancia do Universo, toque-me em cada partícula! Toque-me em cada essência, em cada raiz e em cada existência tanto no físico que me comporta quanto na alma que me representa. Faz-me um espírito de supremacia sobre a matéria, envolva-me com os antídotos de todos os venenos, e assim estarei protegido. Envolve-me embuindo-me com as soluções e fórmulas de todas as equações e todos os resultados, e que eu permaneça como arte final desse compêndio de recursos que resolvem as esfinges.
Que assim seja e que assim se faça!

Sett Ben Qayin