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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Geomancia, Ifá e a origem das Bruxas

 



Bom dia pessoal hoje venho explicar e ensinar os significados das coisas, vamos explanar o por que as Iyamis ficaram tão temidas e discriminadas aqui no Brasil entre o povo de santo. Vamos ensinar um dos mistérios mais tradicionais que existe sobre bruxaria legítima e antiga, a qual se difundiu pelo mundo a fora.

Por isso peço Agô a todos com antecipação, pois vou revelar segredos explicados de fundamentos tradicionais que vocês não vão achar em apostilas nem em livros, desejo  Asé a todos porque meus sentimentos são de gratidão pela existência e, proclamo meu motumbá a todos porque respeito cabe em todos os lugares, pessoas e direções.

Você sabe o por que as bruxas são temidas, descriminadas e relegadas ao mal? A origem disso é o próprio povo do candomblé.

O culto tradicional africano se chama Esin Orisa Ibile, Isese Lagba, é o nome do culto que aqui no Brasil virou candomblé (arte de rezar) devido a diáspora.

No culto tradicional Esin Orisa Ibile, Isese Lagba fazemos a seguinte saudação:

Agboruboye Agbosise Agbòató!

Esses nomes também são usados para responder uma benção pedida.

Eu tenho visto muita gente de candomblé dizer que vai se purificar com pó, com osso, com incensos etc.. isso me causa uma certa estranheza, porque a raiz etimológica da palavra purificar remonta a raiz etimológica da palavra água.

Assim como as palavras batismo (molhar/banho), renascimento (depois de se banhar), ressurreição (ressurgir limpo), são todas palavras que tiveram origem nos remotos ritos de purificação dos povos antigos de todos os lugares do mundo.

Não se purifica nada sem a água e nenhum outro elemento tem poder de purificação.

As águas de Osùn são as águas (Amnióticas) do útero, que prepara a vida material para nascer e renascer. É o banho primordial antes da vida.

Então é errado dizer "vou purificar pelo fogo, pelo ar ou pela terra", porque isso denota o desconhecimento da matriz e da função de purificar de fato.

Os ritos de Acqua Februa (banhos de água quente) dos Etruscos foram aprendidos com os egípcios africanos do mundo antigo e estão ligados equinocialmente ao meio do verão, mais tradicionalmente ao mês de fevereiro. Os etruscos foram chamados de povos do Mar que invadiram o Egito, eles eram hábeis navegantes e os papiros mágicos estão cheios de segredos deles.

Todos os símbolos dos elementos tiveram origem na Geomancia, onde o elemento água é representado pelo símbolo triângulo com a ponta para baixo. Esse é o esquema formador dos símbolos dos Odú e são Méji (duplos) porque fazem referência ao seu duplo etérico (seu eu que está lá em cima).

A própria palavra "origem" é formada de Ori (consciência) + gem (genis/raiz).

Orisà significa fragmentos de consciência e eles são forças da natureza porque são divisões da grande sabedoria Criadora, a Serpente Mãe que chamamos Olodumare.

Sempre que tiverem necessidade de purificar algo, lave, dê um banho com ervas ligadas ao intento a ser alcançado.

A Geomancia nasceu na Arábia Saudita de acordo com Fatumbe e, na era de Salomão com a rainha de Sabá foi divulgado de acordo com os dados históricos. É um Oráculo da Terra-Mãe de uma era matriarcal, que posteriormente foi retomado pelos homens árabes, assim como Urim e Tumim é o nome dado a um processo de adivinhação utilizado pelos antigos israelitas para descobrir a vontade divina sobre determinado evento. É uma expressão proveniente do hebraico e significa “luzes” e “perfeições” e soa como sim ou não. Segundo a visão judaica, Urim e Tumim remontam ao Sumo Sacerdote de Israel da antiguidade. Esse oráculo também é derivado da geomancia.

Em sua origem geomantica o símbolo da água é um triângulo com a ponta para cima. Quando esse conhecimento chegou na África subsaariana, os africanos aperfeiçoaram o sistema mudando o símbolo do ar e da água, aonde um era com a ponta para cima mudou para ponta para baixo. Então na Geomancia o ar é o elemento com a ponta para baixo e água é com a ponta para cima.

No sistema de Ifá ficou ao contrário. A água passou ser representada com a ponta para baixo.

Os elementos fogo e terra se mantiveram iguais.

Os Gregos em contato com Egito e África criaram a palavra Profeta e isso está relacionado à Ifá que é um sistema, não uma divindade. A divindade é Orunmilá.

Do grego "prophetes", esta palavra, etimologicamente, é constituída pelas raízes pha ou phê, que significam falar, e pelo prefixo pro, antes. E foi assim que surgiu tudo sobre o oráculo Geomancia, cujas casas femininas possuem quatro mães que são referencias às quatro matri-arcas do pós dilúvio, sendo elas a esposa de Noé, e as três esposas de seus filhos, tornando o escudo geomantico a própria arca de Noé. Com torrões de terra lançados ao chão podia contar os pontos que eram gravados ou tefados da direita para esquerda em quatro linhas horizontais. A Geomancia é tão antiga que ela antecede a criação da astrologia, sendo essa última um espelho do que está embaixo e vice versa.

Todos os povos antigos narram a importância da supremacia do espírito sobre a matéria e é sob essas premissas que se consultavam um oráculo, para saber a vontade dos deuses afim de que se possa consertar as coisas aqui na terra e produzir um alinhamento entre essas energias, ficando assim em paz, o que por si só gera felicidade. É o que os adeptos da frequência Hertz chamam de ponto zero quântico.

A geomancia fala de um ego aqui na terra e outro no céu. São os duplos etéricos, por isso são na língua Yorubá, Méji.  

Os 16 Olo Odus, ou Olodus, tem uma divisão interessante.

Do 1 ao 11 os itans narram histórias puramente Africanas de berço, das terras Yorubás, sem influência de outros povos. É puro de origem.

De 12 a 16 os itans narram histórias mescladas com a invasão islâmica na África, onde até mesmo os sacerdotes mulçumanos vão se consultar com os profetas de Ifá.

Já vou contar pra vocês uma história sobre a origem das bruxas Africanas (As Ajés) contidas num Itan de um dos Odus de Ifá, e desmistificar o porquê elas ficaram tão temidas aqui no Brasil e no mundo, bem como vou contar a imensa importância Delas no plano esotérico e para o entendimento de todas as feiticeiras que louvam as divindades africanas ou não africanas.

O Odú é o 12 na ordem de Ifá, de nome Òtúrupòn Méji.

Dentre vários itans desse Odú, um deles é esse que fala da origem da bruxa e do ser humano. Possui um entendimento esotérico para iniciados que é oral, mas causou confusão quando essa história foi copiada pelas apostilas iniciaticas de pessoas que buscaram iniciação na África e voltaram para seu país de origem, esquecendo-se da explicação oral sobre esse Itan.

Sendo assim, a parte escrita ficou sujeita a interpretações diversas enquanto a parte oral foi esquecida ou desconhecida da maioria no ocidente.

O Itan em si escrito, diz:

 

- A Feiticeira e o Ser Humano -

 

 - O Pààká, mascarado com um caroço nas costas,

Pegou quarenta cauris do chão."

Foi divinado Ifá para a Feiticeira. Foi divinado Ifá também para o Ser Humano.

Ambos foram alertados para fazer sacrifício,

A Feiticeira falou que sempre que ela viesse a Terra,

Ela destruiria a obra dos Seres Humanos

O Ser Humano também disse que sempre que viesse a Terra,

Faria tudo que lhe desse prazer.

Foi solicitado a ele também que fizesse sacrifício,

Mas, ele recusou-se a fazê-lo.

Quando os dois chegaram a Terra,

Se o Ser Humano produzisse uma criança,

A Feiticeira matava a mesma.

Todas as coisas pertencentes ao Ser Humano

Eram estragadas pela Feiticeira.

Então, o Ser Humano voltou para o seu sacerdote de Ifá,

E fez o sacrifício que ele havia negligenciado.

Foi dito que ele fizesse Egungun.

Ele então, vestiu-se de mascarado,

E começou a cantar usando a linguagem indireta contra a Feiticeira.

Ele disse que foi exatamente como seus sacerdotes disseram.

O Pààká mascarado, com um caroço nas costas

Pegou no chão quarenta cauris.

Foi divinado Ifá para a Feiticeira,

E também divinado para Ser Humano;

Quando ambos estavam vindo do céu para a Terra.

Esta é uma Feiticeira,

Apesar da forma de Ser Humano.

A Feiticeira não deixa o Ser Humano descansar. -

Agora vamos para a explicação de Tradição oral que não consta nas apostilas:

A feiticeira é um ser consciente que ao vir para a Terra se lembraria de quem é e de onde veio em algum momento de sua vida terrena, não tendo sobre ela os efeitos do ego material e sim somente do ego espiritual (seu duplo), portanto para corrigir alguma situação o símbolo geomantico formador do elemento que fica nas duas linhas terrestres deve ficar igual aos de formação celestes, pois nada acontece com você aqui na terra se não acontecer primeiro com o seu duplo etérico lá em cima no éter. Assim sendo, se o que está acontecendo com o seu duplo etérico é algo horrível, a correção e alinhamento será tomada, formando os Omo-odus. Dessa forma um corrige o outro e ambos se alinham, pois na ordem de chegada dos elementos, primeiro foi criado o fogo, depois o ar, depois a água a qual fica em cima da terra. É nessa ordem que as coisas são criadas de acordo com os princípios da geomancia. Dessa forma se um Odú é feito de Água sobre Fogo, lembra uma serpente com duas cabeças fazendo referência ao fragmento de consciência chamado Dan-Oxumare e sua história é contada nos Itans mencionando seus poderes positivos e negativos, gerando assim os sacrifícios a serem feitos para alinhar ou corrigir o intento necessário.

Quando se fala de Méji estamos a falar do duplo etéreo de nossos pares espirituais, sendo que um é você aqui na Terra e o outro é você lá no éter e de certa forma isso é um trabalho de ego. Nada acontece com você aqui embaixo se não acontecer primeiro com seu duplo lá em cima. Por isso a Ori é de tamanha importância. Sem a Consciência de quem se é nada flui.

A Tábua de Esmeralda já falava sobre isso quando diz: “o que está acima é igual ao que está abaixo”. Tudo isso veio da geomancia que é o primeiro Oráculo da Mãe-Terra que existiu. De acordo com Pierre Riffard o culto da Terra-Mãe foi iniciado há 35 mil anos (dados arqueológicos), mas como tudo na vida mudou após o dilúvio, a era Matriarcal mudou para Patriarcal, sobrando resquícios do antigo Oráculo geomantico através das subdivisões dele, pois não só existe Ifá no mundo, mas sim existem coleções de oráculos iguais a ifá no mundo todo, porém, alguns sem o aperfeiçoamento africano, quanto outros preencheram essas lacunas com seus próprios contos aborígenes de seus terras natais.

Os Odus vêm com o propósito de corrigir e alinhar as coisas entre as partes para que a vida flua, por isso são portais de energia celeste e terrestre, pois eles vem do Céu para a Terra, mas como a geomancia foi criada antes da astrologia, é possível que o sistema de ifá tenha sido criado depois da consciência de descobrimento da astrologia árabe. Se essa última possui 7 mil anos, ifá não tem mais que isso, contudo não deixa de ser muito antigo.

No Itan a feiticeira destrói tudo que o ser humano constrói porque ela sabe que não somos daqui e construir coisas aqui é algo passageiro e, portanto não faz sentido construir algo banal feito com ego, e sim devemos lembrar quem somos e de onde viemos reverenciando os nossos Ancestrais.

É por isso que, quando o ser humano veste a roupa de egungun a feiticeira se alegra e para de perseguir o ser humano. Ela vê que ele está reconhecendo a ancestralidade e por isso está no caminho certo. A ancestralidade parece ser o ponto de partida para se estar no caminho correto em todas as religiões tradicionais do passado.

Ela não teme egungun como muitos querem fazer parecer esse mistério, mas sim ela o adora por ser a representação física da ancestralidade vinda do Orun ou da estadia nele. Perceba que espírito e consciência são duas coisas diferentes. Primeiro é criado o espírito e só depois é colocado nele uma consciência, A Ori. Corrigindo alguns babalawós, Ori é uma palavra feminina, por tanto o artigo “o” é inválido, devendo ser pronunciada A Ori.

Aqui no Brasil essa explicação ficou totalmente desconhecida porque os babalaxés, iyálaxés, babalawôs, babalorixás e ialorixás se atentaram somente no que ficou escrito no Itan das apostilas que foram reproduzidas em diversas escalas nacionais, sem levar em conta a consultoria oral de cunho iniciático. Daí passaram a temer tudo que se diz sobre bruxas/feiticeiras e começaram a orientar as pessoas a pararem com Bruxarias, o que em si não faz sentido algum, desde que o próprio culto de Ìyámí é bruxaria pura que se mantém original até hoje. Soma-se ao medo imposto pela igreja cristã e pronto, as iyamís e as Ajés tornaram-se fonte do mal e do medo, mas vejam que isso se deu por puro desconhecimento da oralidade esotérica africana e preconceito cristão.

Iyamís significa minhas mães e é uma referência ao elemento ar e aos pássaros que voam no ar, especialmente os que são carniceiros. A sociedade de Iyámí na África são três em Egbé-Orun (grupos celestiais) (Funfun, Pupá e Dudú) sendo especificamente a branca, a vermelha e a preta, responsáveis pela Justiça, manutenção e Ordem no mundo criado. É devido à elas e a esse culto que a Deusa tem três cores, pois esse antigo culto chegou á Europa antes da época dos romanos, pois foi da cultura Minóica que partiu para o cume do mapa e lá tomou formas adequadas à reverencia local de sua cultura. Não é a toa que o Berço da Humanidade é a Africa.

Elas participaram da criação do mundo e por isso receberam de Olodumare o poder de reinar sobre tudo. Todos os feitiços e magias passam pelo crivo delas. Se essas senhoras não admitir um feitiço feito, seja por merecimento ou não, o feitiço não passa e não acontece. É um culto tão perigoso quanto o culto de Obatalá, pois ao mexer com essas energias sem o devido conhecimento, ao invés de você atrair as bênçãos das grandes Senhoras ancestrais, você acaba atraindo o ódio e a fúria delas sobre si mesmo. Para conhecer como se lida com esse culto tem que ser iniciado no culto tradicional de Osùn em Ọṣun-Oṣogbo na África e pactuado com Iyámí Osòrongá. Há diversos tipos de pactos nesse culto e todos, inclusive o propósito da iniciação deve ser regido por um Odú em consulta de Ifá pelas Ajés nos Ibos de caurís, no jogo de Obi ou por indicação real de um Babalawó, mas com aprovação delas. Em outras palavras você tem que ser escolhido!

Conhecer o Esoterismo oral que está por trás dos escritos é fundamental para se construir o caráter. Sem Ori não tem caráter. Sem ancestralidade reconhecida não tem Ori. Assim o culto de quem tem útero foi o primordial porque todo mundo nasce de uma mãe. Os homens nesse culto são os Osò (bruxos) coadjuvantes das Ajés da criação, mas toda honra é delas, as mulheres sagradas, temidas, são perigosas porque possuem o poder da criação dado por Olodumare e elas participaram da criação do mundo. É o primeiro culto feminista que existiu ainda que o termo feminista não tenha sido usado na época porque ainda não tinha sido criado o termo.

Então entenda que:

Ori é a Consciência, não a cabeça, mas ambos estão ligados metafisicamente.

Orisá é fragmento de Consciência.

Iyámí é Minha Mãe Ancestral.

Iyámí Osòrongá é Minha Mãe Pássaro ancestral.

Esù é o único que pode ir até elas e voltar, fazendo a comunicação entre esses mundos e negociando os acontecimentos.

 

Um grande beijo e abraço a todos, espero que com esse artigo eu tenha cooperado com o conhecimento de vocês e que isso sirva para quebrar preconceitos, conscientizando cada coisa em seu lugar, de forma que desmistifique o medo infundado e fortifique o respeito a ser doado para com essas Senhoras.

Que Exu e as Ìyámís abençoe todas as Oris que fazem Oriki e Adurá, a todos vocês.

Ire-o!

Esse artigo foi escrito por Osóològbóni Omofá Lati Oyá Osungbemi

Ti o tele ihuwai-Iwá ti, Kabiyesi Oba Adekunle Aderenmu, que estuda, pratica e presta homenagem ao Esin Orisa Ibile, Isese Lagba.

 

 

 


terça-feira, 2 de julho de 2019

Os Velhos Deuses Nunca Morreram.





Muitas pessoas acham que estão, mas os Poderes invisíveis que mais interessaram ao ser humano em sua história inicial foram os poderes da fertilidade e do contato com o mundo espiritual; da vida e da morte. 

Estes são os poderes elementares que se tornaram as divindades das bruxas, e sua adoração é tão antiga quanto a própria civilização.  O significado de witchcraft deve ser encontrado nos níveis mais profundos da mente humana, o inconsciente coletivo, e nos primeiros desenvolvimentos da sociedade humana, uma vez que é a profundidade das raízes que preservaram a árvore e esta afirmação, eu penso que é mais  ou menos verdade de todos os povos/culturas, assim também em meios tradicional da Arte dos Sábios.

Mas as duas grandes realidades com as quais todos os povos antigos se defrontavam eram essencialmente as imutáveis ​​e intermináveis ​​de Vida e Morte, e estes eram, junto com aquela terceira coisa elusiva, o poder mágico que os Deuses mantinham em Suas mãos.

Consequentemente, onde quer que os homens tenham formulado para si figuras da Divindade, estes sempre foram os arquétipos: a Dama da Vida, o Senhor da Morte e os que Moram no Além, e entre eles a teia de magia que foi tecida há muito poucas bruxas de verdade, e assim se mantêm muito para si mesmas. Nunca estivemos desconectados de nossa fonte divina original, para tanto nunca se precisou do religare para se tornar bruxa, até porque, o sacerdócio vacante da bruxaria é e sempre foi vacante, marginal, noturno e secreto desde tempos imemoriáveis.

Antigamente eram e geralmente ainda são descendentes de famílias de bruxas e herdaram uma tradição que foi preservada por gerações, seja com meia dúzia de textos antigos ou com um livro do tipo grimório da família, mas uma coisa é certa, nunca essa arte foi inventada sob premissas políticas para sobreviver a era da fogueira, A Arte sempre sobreviveu por si mesma e nas mãos certas de quem tinha de estar. A invenção de um religare nos anos 50 que contem a arte bruxa parece infantil ou no mínimo politicamente intencional, ou ainda, por puro desconhecimento de que haviam bruxas de verdade antes disso, os exemplos não falham, vide as bruxas bascas e as italianas.

A pergunta é: Por que um herdeiro de uma tradição familiar/hereditária de bruxaria não tomou a arte hereditária como bastante e precisou criar uma religião em cima dela dando-lhe outro nome? Afinal, todos os grandes bruxos alegam que foram iniciados em artes hereditárias. Por que não mantê-las como lhes foram entregues? Se há fraude em torno do que eles alegam, provavelmente nunca saberemos, mas eu como bruxo hereditário legítimo me pergunto pra que eu iria dar outro nome para a Arte Familiar da qual me foi confiada com tanto amor e reconhecimento das capacidades e habilidades mágicas? Não faz sentido que o pai da bruxaria moderna seja chamado de pai, quando ele mesmo nega a mãe que teve!

Mas voltando a hereditariedade, Esta é, de fato, a maneira tradicional pela qual a bruxaria foi disseminada e preservada, e nunca foi proibido iniciar alguns poucos de fora, desde que em tempo, o vínculo seja sincero e transcenda a carne.

Os filhos de famílias bruxas foram ensinados por seus pais e iniciados em tenra idade, mas os de fora, por questões de lei sempre foram maiores de idade. Eles são as pessoas que se chamam de as "pessoas sábias", que praticam os antigos ritos e que, juntamente com muita superstição e conhecimento de ervas, preservaram um ensino oculto e processos de trabalho que eles mesmos pensam ser magia ou sentem como feitiçaria, geralmente trabalham para bons propósitos e ajudam àqueles que são capazes.

Eles eram e ainda são o Bom Povo, os sacerdotes e sacerdotisas da Velha Deusa, não da antiga religare.  Witchcraft não é uma religião antes dos anos 50, então hoje em dia há os descendentes dessa antiga Arte e também há os descendentes da Religião compartilhando a mesma Terra.

A bruxa moderna sofreu muito por causa da doença da "mídia-mania" ou "delirium interferens", que pode ser definida como um desejo mórbido de levar a vida de outras pessoas para eles; para que as pessoas não ousem iniciar seus filhos como costumavam fazer nos bons e velhos tempos (e até mesmo ousasse fazer nos velhos tempos ruins, o "tempo de queimar"), por medo de encontrar algum bispo pago "pelas autoridades" ou  um representante do "Sunday Hysterical" à sua porta.

No entanto, apesar de tudo, sobreviveu; porque existe, mesmo no Estado de Bem-Estar, um espírito de romance, um amor pelo tempero da vida e uma antipatia por respeitabilidade presunçosa.

A bruxaria é um preceito que envolve magia e espiritualidades e tem como aparelho a feitiçaria. Se Witch + Craft significa Arte dos Sábios, Sorcery/Feitiçaria vem significar Arte da Transformação, e um não pode viver sem o outro pq ambos encontram suas raízes desenvolvidas na origem etimológica da palavra magia que é a Arte de Manipular Energias para Moldá-las conforme a vontade/desejo e necessidade. É por isso que Antigas Religiões, tal como a Africana, se utiliza desse meios mágicos dentro de seu escopo e prescrição religiosa, desde que a Magia era a Ciencia daquela época que resolvia coisas que ninguém sabia explicar, e ainda hoje é assim. Pense nisso como nos primórdios da humanidade e sua sobrevivência até os dias atuais que, de fato foi transmitido via oral e pelo convívio, conjunto a um sistema de crenças (limitantes ou não), as que admitiram Dogmas no corpo do sistema se tornaram religião, e as que não admitem dogma continuam sendo apenas Tradições Espirituais e espiritualistas.



Isto em si é indicação de grande maturidade, porque intimamente inter-relaciona a fundação de crenças mágicas, das quais witchcraft é uma forma, é que os Poderes invisíveis existem, e que ao executar o tipo certo de ritual as Potências podem ser contatadas, interagidas e/ou até mesmo forçadas ou persuadidas a ajudar de alguma forma as pessoas, que acreditavam nisso na Idade da Pedra, e eles conscientizaram ou não, hoje é bem conhecido que a maioria das superstições é de fato um ritual quebrado.

Agora, em tempos primitivos, a magia e a religião eram tão ineficazes quanto a religião não é cristã. A bruxaria não é, em geral, magia negra, porque as bruxas nem mesmo acreditam no diabo, quanto mais o invocam.
Aliás, o termo “magia negra”, nunca teve a ver com diabo, e sim se referia a magia africana, dos negros. Com o tempo se tornou convencional chamar tudo que lhes causavam repulsa, de magia negra, ligando-a ao mal. Mas é errado usar esses termos.

O Antigo Deus das Bruxas não é o Satã do Cristianismo, e nenhum argumento teológico o tornará verdadeiro, mesmo tendo a Sabrina e seu seriado tentado provocar uma revolução no cenário. E sobre Lúcifer, bem Ele nunca foi uma entidade, e sim é nossa própria Consciencia, as Stregas sabem bem disso.

O Deus das Bruxas é, de fato, a divindade mais antiga conhecida pelo homem, e é constituinte da representação mais antiga de uma divindade que existe, ainda, e foi encontrado, ou seja, a pintura da Idade da Pedra no recesso mais profundo da Caverne des Trois Freres em Ariege.

Ele é o velho deus fálico da fertilidade que surgiu da manhã do mundo, e que já era de antiguidade imensurável antes do Egito e Babilônia, muito antes da era cristã. Nem ele pereceu nem esteve morto. Secretamente através dos séculos, ficou escondido cada vez mais fundo enquanto o tempo passava em sua adoração e aquela da Deusa da Lua nua, sua noiva, o Rapaz de Mistério e Magia e as alegrias proibidas, continuaram às vezes entre os grandes da terra, às vezes em casas humildes, ou em solitárias charnecas e nas profundezas de madeiras escurecidas, nas noites de verão, quando a lua estava no alto. 

Eu tenho que, claro, o Ofício dos bruxos modernos não é o único grupo que procura contatar os Deuses. Existem outros grupos ocultistas, espiritualistas e até religiosos que usam uma técnica similar, e seus objetivos são os mesmos, a saber, trazer através do poder Divino para ajudar, guiar e elevar a humanidade neste ponto de virada perigoso e excitante na história humana. Uma evolução só tem propósito de existir se tiver uma dose generosa de progresso, já que evolução sem progresso é andar pra trás porque fica estagnado e deixado para trás.

Mas, até onde eu sei alguns grupos geralmente trabalham com os deuses e deusas egípcios e gregos, e não posso pensar que esses contatos sejam tão poderosos aqui quanto seriam em seu solo nativo, desde que o genni locci é imprescindível para qualquer atuação no chão antes de qualquer chamado;  enquanto as divindades da Arte de algumas bruxas modernas são os Antigos da Bretanha, parte da própria terra. (é dito que um país não existe apenas no plano físico, e o homem não vive só de pão.) Nem é a veneração pelos antigos lugares sagrados como o sentimento de Stonehenge e Glastonbury. Aqueles que são sensíveis à atmosfera saberão que esses lugares possuem vida própria e, pelo que nos foi dito pelos videntes, estes também existem não apenas no plano material.  Eles estão focando pontos para a influência e o poder dos lugares do Plano Interior, onde o Véu é mais fino do que em qualquer outro lugar, e a "superstição de que é perigoso remover ou ferir as Pedras Antigas se baseia em fatos".

Ao lidar com as raças/etnias nativas, um antropólogo registra-se o folclore, as histórias e os ritos religiosos nos quais eles baseiam suas crenças e ações. Então, por que não fazer o mesmo com bruxas?  Devo primeiro explicar por que afirmo falar de coisas que geralmente não são conhecidas.  Eu estive interessado em assuntos mágicos e afins por toda a minha vida, e fiz uma coleção de instrumentos mágicos e encantos. Esses estudos me levaram a sociedades espiritualistas e outras, até pelo fato da minha família ser quem é, e conheci algumas pessoas que afirmavam ter me conhecido em uma vida passada. Elas também estavam interessadas no fato de que uma ancestral minha, havia sido queimada como uma bruxa. 

Eles continuavam dizendo que haviam se encontrado em todos os lugares onde estivemos, e eu nunca poderia tê-los encontrado antes nesta vida; mas eles alegaram ter me conhecido em vidas anteriores embora eu acredite em reencarnação, tenha vivido no Ocidente, não me lembro claramente das minhas vidas passadas a não ser pela Ayahuasca ajudar;  No entanto, essas pessoas me disseram o suficiente para me fazer pensar.  Então alguns desses novos (ou velhos) amigos disseram: "Você nos pertenceu no passado Você é do sangue. Volte para onde você pertence" muitas pessoas fizeram eu perceber que tinha tropeçado em algo interessante: mas eu estava iniciado antes da palavra "bruxaria moderna" que eles usavam vir a tona, e isso me atingiu como um raio, e eu sabia onde eu estava, e que a Velha Espiritualidade ainda existia, mesmo mascarada por outros nomes. Bem, se a Deusa pode possuir mais de 10 mil nomes, o que dirá a Arte que Ela doou pra nós durante todo esse tempo? Parece que a reencarnação também se aplica a nomes, espiritualidades e religiões.  

E então eu me encontrei no Círculo, e lá tomei o habitual juramento em sigilo, o que me impediu de revelar certas coisas. Desta forma, fiz a descoberta de que o culto das bruxas, que as pessoas pensavam ter sido perseguidas pela existência, ainda vive.  Descobri também o que fez tantos de nossos ancestrais ousarem ser presos, torturados e mortos em vez de desistirem da adoração dos Deuses Antigos e do amor dos velhos costumes.

Também descobri o mais importante entre as descobertas, que as verdadeiras bruxas nunca foram para as fogueiras e seu legado nos foi transmitido até chegar nos dias atuais, e aqui estamos!

Cléber Lupino Haddad



sábado, 1 de abril de 2017

Bruxas Cultas e Bruxas Leigas - o Culto e a Religião na Bruxaria





Algumas afirmações sobre o que é a bruxaria, da parte de alguns autores, soa audaciosa, já que, em algum momento, esses mesmos autores se esquecem de ampliar tanto o termo quanto há em fatos reais. Nem todas as Guildas da Arte Bruxa trabalham com o mesmo "frame" e, isso é importante para não desconsiderar, haja vista que não existe verdade absoluta quando se trata de bruxaria.

Primeiro porque a magia não é uma ciência exata. Feitiços e magias são construídos com estudos, praticas, por erro e acerto. É por tal motivo que se escolhe "guardar" o que funciona e "reestruturar" o que não funciona para que possa funcionar.
Mas por que não se descarta e sim, se reestrutura?
Simples, é porque em magia tudo se aproveita, tudo pode ser transformado, até a morte se transforma na reencarnação e nós sabemos que o fim é só o começo.
Logo, é errado afirmar que existe um só modo de trabalhar com bruxaria.

A filosofia dá aporte para o significado do termo "verdade". Mas os beatos só enxergam a verdade na fé e negam outros prismas da verdade. Isso não significa que não exista outras verdades sobre bruxaria e se faz mister que mestres considerem todas. Considerar (com + siderar) significa "estar com o céu".

Em Grego "verdade" é Aletheia. 
Em Latim é Veritas. 
Em Hebráico é Hemunah. 

Mas essas três formas de dizer a verdade soam diferentes em termos gramaticais e filosóficos e a mente humana não distingue o que é mito e o que é realidade, a menos que se faça uso da razão de causa e pela causa, com estudos, inclusive, da linguística para se compreender e interpretar um texto de um livro.

As possíveis verdades da feitiçaria se relacionam com a concepção grega de verdade, já que Aletheia refere-se ao que as coisas são, ignorando o que é falso. Há relação também com a terminologia latina, já que veritas, é narração, a verdade nas palavras, na linguagem. Isso se traduz muito na hora de pronunciar um encantamento, já que temos a obrigação de manter nossas palavras em boa ordem, sob o risco da magia não creditar em você, uma vez que nem você dá créditos pelo que sai de sua boca.
A regra é: mantenha as palavras em boa ordem, sob o risco de não ter força nas palavras e com isso não obter exito no empenho de um encantamento.

A confiança, tradução do termo Hebraico, Hemunah, tem ligação direta com o divino , ao que é prometido e está certo de que será cumprido. É a verdade por via de fé cega, por tanto, dogmática.

Dogmas prendem, não libertam. Dogmas limitam nossas concepções de mundo, pois são controlados pela fé, não pela razão. 
Apesar das bruxas adorarem um bom mito, ninguém vive de mito e o que funciona em nossas vidas nem sempre alcançamos por via da fé e, sim, por via de ritos repetidos (alimentação da egrégora).
É por essa razão que se colhe aquilo que se planta.

As pesquisas arqueológicas revelam que vários são os tipos de bruxarias desde que o mundo é mundo, e todas com culto, porém sem ser religião. Fazer culto é participar de uma tradição espiritual, é diferente de participar de mistérios, que é diferente de se compreender um ou mais de um mistério, que é diferente de seguir dogmas religiosos por obrigação sacerdotal de pregar tal verdade Hemunah, e por tanto, segue um constante diálogo entre si e a história com fatos, não sendo possível se fixar num único tipo, um único conceito.

Ao exemplo da bruxaria africana das Iyamis: Homens podem fazer culto para as Iyamis, mas não podem participar de seus mistérios, já que não possuem útero. Nesse mesmo sentido está a força do Phallus, encontrada tanto no homem quanto na mulher.

Para mitos, recorda os dicionários tradicionais três definições da qual a segunda é narrativa de significação simbólica, transmitida de geração em geração dentro de um determinado grupo e considerada verdadeira por ele. Esse é o uso da tradição (tradição significa entrega das chaves).
Por tanto, uma tradição se vale de símbolos próprios para existir e, o passar das décadas gera a egrégora através da repetição de seus ritos próprios.

Os sonhos se traduzem por símbolos, e sonhar é muito bruxo.
A vida se traduz por símbolos, a magia se traduz por símbolos. 
Para tudo precisa haver símbolos, pois a linguagem primeiro existiu por via simbólica, e assim funciona os poemas, os encantamentos e as narrações dos mistérios, já que mistério é algo que não se pode por em palavras, é necessário a linguagem dos símbolos para externar uma narração, como por exemplo da descida da deusa Inanna ao submundo.

Um exemplo claro do entorpecimento da compreensão da linguagem é a palavra Bárbaro. Quase todo mundo foi levado a acreditar por séculos que, bárbaro seria um briguento, lutador, guerreiro. E estão errados. Bárbaro vem de barbarói, o qual se traduz por: "aquele que não fala a mesma língua".
Agora você tem em mente a torre de Babel. rsrs

Outro uso errado da palavra é o termo paixão. Quase todo mundo usa esse termo para simbolizar que amam alguém quando dizem: "estou apaixonado por você".
Estão errados.
O termo paixão vem do latim "passio" que significa dor/sofrimento. Por isso criaram o filme Paixão de Cristo, o qual significa sofrimento dele.

É correto desapaixonar-se de tudo ao invés de viver iludido e é sobre isso que chamo atenção para o uso da linguagem na bruxaria e ao próprio termo bruxaria e seu significado nas mais variadas línguas do mundo.

Quando um sacerdote vem em público afirmar que bruxaria é religião, ele está em "passio", está apaixonado, ou seja, ele está com dor, está sofrendo por sua religião. Logo, ele não está bem e deveria desapaixonar-se dos dogmas religiosos de sua fé.

Nesse sentido, a wicca está mais para Hemunah do que para Aletheia e é aqui que ela começa se limitar. 
Não confundam tradição espiritual com religião. Gardner foi iniciado numa tradição espiritual chamada wica (com um "c" só), e como não havia religião para o culto, ele resolveu criar uma, a chamada "wicca" (com dois "c's"), já esgotadamente explicado por Charles Clark. É correto afirmar que a wicca possui só 67 anos, uma vez que antes dessa data não havia religião de bruxaria, mas tão somente os tradicionais cultos espirituais de tradições diversas.

Bruxaria é arte dos sábios e ofício de culto das mais variadas tradições espirituais existentes no mundo e a feitiçaria vem junto no pacote, já que uma não pode viver sem a outra.

A bruxaria é tradicional quando ela é praticada fora de uma religião.
A bruxaria é uma tradição espiritual (com mais de um mistério) quando se faz culto fora da religião, e por isso ela é tradicional.
A bruxaria não é tradicional quando ela é wicca porque ela é praticada dentro da religião (com dogmas). Sim, a wicca possui dogmas como qualquer outra religião.

De igual forma, o xamanismo não é religião e por isso é também bruxaria, pois é uma das várias tradições espirituais.

Existem várias religiões que contém bruxaria, a wicca é só uma delas. 
Mas...a Bruxaria é e sempre será um culto sem religião, é e sempre será expressões de tradições espirituais ligadas à magia e pela magia.
E é por isso que a Bruxaria é herética. Herege significa aquele que sabe escolher. Aquele que faz escolhas. Se você escolher uma religião que contém bruxaria, ainda assim você esta sendo herege. Todo mundo que faz escolha é um herege.

Gente, desde que inventaram a primeira religião no mundo, vemos que as religiões só causam guerras ou quase sempre promove algum tipo de discórdia.
Isso se dá por que os beatos são movidos pelo "passio". 
Em 99% dos casos, isso é tratado com um trabalho de sombra e, se não resolver deve ser tratado em divã de algum psicanalista, porque "passio" faz mal e beira loucura.

Já passou da hora de acordar e parar com isso. Líderes religiosos tentam dominar o mundo há séculos, e todos caem em descrédito, desde que a vida é uma gangorra da qual só as crianças gostam. 
Feliz é aquele que não se apresenta com síndrome de Peter Pan.

Os contos de fadas são gostosos de assistir, mas sempre serão contos de fadas. Na prática, a bruxaria é outra coisa.

A Bruxaria é Laica e devemos lutar para mantê-la Laica.
A Bruxaria é um patrimônio da humanidade e não tem dono.




Abençoados e amaldiçoados sejam! Pois não existe luz sem sombra.

Sett