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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tudo que me faz mal, deveria me fazer bem




Hoje me deparei com mais de três pessoas que disseram a mesma frase: “isso me faz mal”, e foi o bastante para eu entrar em reflexão.

Oras, tudo aquilo que me faz mal, só faz mal porque ainda não aprendi a transformar naquilo que me faz bem. É assim que cada um deveria pensar, chamando a responsabilidade para si mesmo.

O mesmo ocorre com algumas feministas (não todas) e também pessoas fracas de "espírito" que empurram a culpa nos outros, no caso, os homens, mas se esquecem de chamar a responsabilidade para si mesmos, afinal, os homens nascem das mulheres, e tanto o “gene” ruim quanto o bom são elas que colocam no mundo.

Não se pode dizer que um não-iniciado tenha consciência de suas escolhas e atos, pelo menos não todos.

Um sacerdote e uma sacerdotisa não devem ter outra coisa em seu coração, senão amor, sem exigências mundanas, vaidosas, regras etc. Apenas amor incondicional.

Me lembro de um caso onde uma sacerdotisa realizou um ritual de iniciação "meia-boca" para transmitir uma linhagem sem ensinar verdadeiramente o conteúdo daquilo que transmitia, as consequências foram trágicas. 
A desculpa dela foi: "achei que você já sabia tudo e que não precisava te ensinar", mas o fato é que nem ela mesma sabia o que estava fazendo, e no fundo, seus atos de desdém por aquilo que estava transmitindo (a linhagem) falavam por si, só ela não notava a arrogância própria.

Arrogância tem como etimologia: "chamar para si aquilo que não lhe pertence", também é o caso de médicos que nunca cursaram uma universidade e compraram diplomas, um dia as cagadas vem a tona. Nada pode ser oculto. Mas o que quero dizer com a história verídica da sacerdotisa acima narrada, é que ela "culpava" seus iniciados pelas consequências, sem enxergar a fonte dos problemas, ou pior, sem pedir desculpas à quem de direito e ainda queria posar de exemplo para todos sem corrigir a falha que tinha cometido. Eu não a culpo, ela também foi uma vítima da sociedade e de seus impulsos vaidosos e hoje talvez ela já tenha se redimido em seu coração.

A cultura da culpa e da culpabilidade tem se projetado em nossa cultura como um câncer, pois é sempre mais fácil tacar a culpa no outro. No entanto, somos todos culpados e vítimas ao mesmo tempo, dessa roda da vida que ora nos empurra para baixo, ora para cima, morrendo e renascendo. Não é a toa que as crianças adoram a gangorra. Assim são também com os interesses humanos, quando o ser humano brinca de ser Deus (ou deusa). Isso é muito sério.

Mas o que podemos fazer?

Bem, podemos fazer a nossa parte, não importando se você é mais negativo do que positivo. Posso ser uma pessoa mal humorada e acordar de mal humor todos os dias? Sim, posso, mas minhas escolhas definirão o resto do meu dia e eu posso transformar, é assim que você deve pensar. 

Eu sei, tem horas que desejamos estourar e mandar o outro tomar no C..., então, mande. Não guarde com você aquilo que não é seu, aquilo que "botaram" dentro de você. Não somos responsáveis por aquilo que nos faz perder a paciência, somos responsáveis pelo nosso limite e com o que podemos fazer para esticar esse limite. Mas concordo que tem gente que força as vezes.

Somos feitos para suportar até um certo limite de dores ou dissabores, o resto devemos por pra fora. O que nos cabe fazer é perdoar, o perdão não tem outra função a não ser perdoar. Ao ouvir alguém nos xingar ou nos ofender, chamemos a responsabilidade de nossos atos para nós mesmos, pensando: “até que ponto não percebi que eu estava levando o outro a se encher de mim?” 

Somos parte daquilo que colhemos. Mas sempre tem alguém que ao invés de fazer isso, resolve punir a pessoa que a xingou e, tudo por status ou para proporcionar bem estar consigo mesma. Afastamos de nós pessoas que nos amam, por burrice nossa, por vaidade ou porque temos mais títulos que a outra pessoa e por isso exige-se respeito a toa, sem antes respeitar a si própria. 

Não, o respeito deve ser mostrado primeiro conosco mesmo, desde que, quando desrespeitamos alguém, é nada mais que um reflexo daquilo que estamos fazendo já há algum tempo conosco mesmo. Pessoas são espelhos umas das outras.

Quer uma bobagem maior do que pensar que somos os escolhidos? Quanta estupidez humana, quão pequenos são os seres que pensam assim!! Outra estupidez é viver um mito. Seja o mito da deusa ou de Caim, ninguém pode viver um mito sem obter as consequências do mito. E mito não é real, é exemplo para se refletir, filosofar etc. Viva apenas a SUA realidade.

Então, que mundo deixaremos pros nossos descendentes? Quais lições ensinamos sem perceber? Não queremos ser como aqueles que nos punem. E se erramos, fazemos porque somos induzidos, aprendemos isso com essa sociedade doente.

O perdão é 98% do amor, não pode haver amor de verdade se não há o perdão sincero dentro do coração.


Carregar rancor, de igual forma, é 98% o meio mais rápido para se desenvolver um câncer. Células que transmudam e passam a comer seu corpo de dentro pra fora, ao invés de continuarem com a função original de funcionamento. A saúde é o bom funcionamento de tudo. Quando uma pessoa te pedir perdão, aceite de coração e traga essa pessoa de volta pro seu convívio. Ao afastar essa pessoa você estará "fugindo" do seu aprendizado, pois ambas possuem coisas para aprender uma com a outra. Até as crianças nos ensinam. Se não puder fazer isso, apenas permita que o fluxo bom de todas as coisas siga em frente sem você projetar mais energia negativa, desde que tudo o que você emana pro Universo, ele te devolverá um dia.

Então, olhe bem para dentro de você e veja o que está “comendo” o seu mundo de dentro para fora e transforme isso em seu favor. A equação está na alquimia.

Não force, se esforce para melhorar, pois tudo tem um limite, e até mesmo a corda rompe quando recebe uma pressão muito maior do que poderia suportar e as vezes essa pressão vem de fora, mas você permitiu isso. Tudo está dentro de você, não fora. Esse espaço que está dentro de mim é tão sagrado, que cabe até uma taturana peluda, mas essa taturana não pode queimar o que já é feito de fogo. O fogo é o elemento do Espírito. Quando somos hereges, tudo cabe em nós, todos os deuses, todas as pessoas, em pura harmonia e para sermos exemplo para alguém, devemos mostrar essa atitude porque nenhum(a) líder pode conduzir pessoas se não souber conduzir a si mesmo(a).

Lá fora o mundo já está doente, cabe a você trazer de dentro para fora, aquilo que você tem de melhor, pois ninguém dá o que não tem, mas também nada é impossível de ser transformado e perdoado.

Viva o amor, com amor, intensamente!

Pense nisso!

Tudo que me faz mal, me ensina, eu aprendo, eu transformo, e tudo me faz bem.





quarta-feira, 6 de maio de 2015

Existe ou não existe Ex-Bruxo?





Mas afinal, existe ou não existe ex-bruxo?

Recentemente um fato tem ecoado nas redes de televisão de cunho evangélico e propagandas de internet, como sendo o Maior bruxo da história que se converteu para cristão evangélico.
Com isso as dúvidas cresceram e fomos chamados a esclarecer os fatos, para diminuir os egos evangélicos que estão se achando os donos de Deus.

Vamos analisar o ocorrido mais de perto?


MilleniuM um cara que se intitulava bruxo e por um tempo pode manter um templo conhecido como o templo de Brigit no Rio de Janeiro. Adquiriu vários seguidores, fez várias amizades, mas também adquiriu vários inimigos.
De repente ele aparece dando palestras nas igrejas evangélicas e o tumulto começou.
As perguntas eram tantas que não davam espaço para as respostas. Será que ele foi enfeitiçado pelos inimigos?
O que teria acontecido com ele? Desistiu do paganismo? Passou pela ordália mágica e não aguentou? A igreja o comprou com dólares? Quanto ganha um pastor de igreja? Seria vantajoso? Foi golpe político? Estaria ele se promovendo como evangélico devido a maioria do senado ser evangélicos e ele quer entrar pra política?
Todas as alternativas são verdadeiras, a única que não é verdadeira é aquela que afirma ele ser ex-bruxo.
Vamos ver como funciona isso?

Primeiramente: Non ecxiste ex-bruxo!
Você pode adotar a religião que for, você sempre será um bruxo no meio daquela religião, a menos que você nunca foi um bruxo legítimo.
Bruxos são hereges, isso significa que cabem todas as religiões (ou fé) dentro do coração do bruxo, e todas funcionam harmoniosamente.

Não há religião ou fé que remova ou que "cure" o dom de uma bruxa.



O dom é um presente dos deuses e, ele está verticalmente ligado ao espírito. 



Você pode reencarnar e viver novamente, que o dom irá junto Forever!



O dom não é uma doença.

O dom é a mão divina manifestada. 
Eu conheço bruxos cristãos, pagãos, mulçumanos, judeus, árabes, chineses, japoneses, budistas, italianos, hindus, umbandistas, kimbandistas, candomblecistas, voduístas, e de qualquer outra fé que não citei aqui, fé, religião e/ou cultura.

Vejam só:



Um bruxo nunca esteve desconectado de sua fonte espiritual, portanto nós não precisamos do "religare", apesar das muitas religiões reforçarem a fé individual ou coletiva. 



A verdadeira iniciação de um bruxo ninguém retira, nem a morte retira.
Principalmente porque não é um rito iniciático que te transforma num bruxo, e isso ta difícil das pessoas compreenderem.

Pergunte-se: Quem iniciou o primeiro bruxo?
Agora deixe seu bom daimon falar ao seu ouvido interno.



Uma iniciação marca o compasso de um grupo, marca a entrada como um rito de passagem e marca o tempo onde o bruxo passa fazer e ler as mesmas coisas que o grupo faz. Mas não só isso, uma iniciação é o início do caminho escolhido e ninguém trilhará por você, ou seja, a iniciação pode ser feita em conjunto, mas o pós-iniciação é solitário.

Uma vez iniciado, é para sempre! Ainda que você não esteja “na ativa”, ainda que você esteja exilado, de licença, afastado, ou banido do grupo. A iniciação lhe dá meios de prosseguir seu espírito, de lhe nortear nos degraus da escada que te leva pra lá de onde você caiu.

Eu não estou defendendo o MilleniuM, mas se ele for um bruxo de verdade, então ele nunca deixou de ser e nunca deixará, porque não é um ser humano quem irá retirar a marca bruxa de sua alma.
Você pode deixar de praticar e ficar escondido e nem ligar pra nada, ainda assim você é um bruxo.

Você pode para de fazer sexo, nem por isso deixa de ser homem ou mulher, esse é o pensamento. Você pode operar e mudar de sexo, ainda assim continuará sendo um espírito. Aquilo que nasce em sua formação e constituição espiritual, ninguém retira. Somos todos filhos dos deuses, eles são nossos pais, por isso a arte é hereditária por natureza, o que resto é invenção.



O Millenium não deixou de ser bruxo. Ou ele nunca teve uma iniciação legítima que desse suporte espiritual forever, ou ele se tornou um bruxo evangélico, um bruxo em meio evangélico.

Porém, se ele não sabe disso ainda, é porque nunca teve uma iniciação de verdade (a ficha não caiu) ou nunca foi bruxo de verdade e, sim foi um showman que queria seguidores.



Ninguém perde o dom bruxo só porque mudou de fé ou religião.



Por último, só existe uma fórmula pra retirar uma iniciação, e esta fica ao conhecimento dos legítimos bruxos, mas como eu disse acima, não é uma iniciação que fabrica um bruxo. Um bruxo nasce, um feiticeiro se forma, considerando a arte feiticeira como a arte da transformação.


Muitos bruxos se calam, muitos buscam a sabedoria, mas a bruxaria é uma sabedoria de tradição, de arte mágica, não se limita somente com a sabedoria da vida. Ser bruxo é conter em si a sabedoria de mover nuvens, de curar uma doença, de amaldiçoar um crápula como forma de lição e aprendizado, do qual a maldição perde o efeito quando se vira a página por ter compreendido a lição, ser bruxo é conseguir fazer congresso com os ancestrais e seus espíritos divinos ou infernais, ser bruxo é se reconhecer como filho dos Antigos.

É bem verdade que em muitos momentos o calar prevalece como sabedoria, mas em outros a sabedoria está justamente em abrir a boca, independente do julgamento alheio, afinal essa é uma arte oral.

Muitos se perguntam: Que sabedoria há numa religião que se mostra tapada e dogmática como a evangélica? Bem, quando se apoia numa fé, seja ela qual for, move-se montanhas e o fato de não se compreender isso, denota descaso para com a sua arte como um todo.

A maioria das pessoas se forçam a ser sábias da vida, para guiar suas vidas, como se isso fosse uma meta. Outras ganham um pouquinho de asas e já enfrentam com arrogância o seu criador. A arte é ambidestra! Um dia vai, outro vem! Uma mão ao céu, outra no submundo. Não há o por que criticá-lo como um evangélico, mas também não há que se falar em grande bruxo ou ex-bruxo.

Você pode mudar de religião, e ainda assim o gift bruxo estará lá.
Você pode sofrer um AVC, ou perder a memória e ainda assim o gift bruxo estará com vc.
Uma vez bruxo, eternamente bruxo!



Como disse Daniel Schulke em seu livro Viridarium Umbris:

"A Hereditariedade Espiritual do Anjo Brilhante, chamada por alguns de 'Sangue-Bruxo' e por outros de 'Filhos e Filhas da Luz', é a sensibilidade para a interação livre com o Mundo dos Espíritos, chamada de Bruxaria. A fonte oculta do Jardim do Prazer flui com o sangue das fadas e nutre seu Poder; quando se invoca os Guardiões do Éden da Meia-Noite, os carrilhões desta Santa Hereditariedade ecoam dentro da Bússola do Tempo, e a Luz é trazida à tona do Primeiro Momento de Iluminação".

Sett Ben Qayin

sexta-feira, 20 de março de 2015

Reflexões de uma Casta de Bruxas



Eu vou deixar aqui uns recortes da Revista The Cauldron (versão em língua portuguesa), com trechos de entrevistas dadas por Bruxos e Bruxas, sob a finalidade de revisitar a função ou desfunção de uma bandeira em bruxaria.

Eu não sou wiccan, mas conheço diversos "grooves" ligados ao tema, que deixam-se guiar por bandeiras de movimento "político" contra isso ou contra aquilo (do tipo feministas) e, por conta dessa bandeira, a bruxaria está sendo jogada fora porque para eles, ou você adere ao feminismo ou não pode ser bruxa.

Os temas são os mais diversos, desde feminismo até gardnerianismo....de qualquer forma essas coisas "castram" bruxos e os impedem de se reunirem ao largo da meia noite das bruxas. Isso é no mínimo Ridículo!

Bruxas e dogmas não combinam e sabemos que toda religião possui dogmas!

Bruxos ortodoxos tem se levantado para dar ordens à outros, isso é no mínimo Esdrúxulo!

Você deveria saber que a bruxaria é um caminho sem bandeiras. OU você deixa a bruxaria ser livre como é, ou você irá dar um movimento político do tipo "salvem as baleias" para a bruxaria e, isso é no mínimo LIMITAR a Arte e você cairá em descrédito.

Para se ter ideia de como nada disso pode guiar a bruxaria, é com o deus chifrudo (Witch father) que qualquer Bruxa faz o congresso, pois é ele A Morte (ou o senhor da Morte), assim como sua Consorte é a Vida (ou a senhora da Vida) e, como não há vida sem a morte.....


O Conceito monoteísta não cabe para todas as bruxas porque não existe certo ou errado em bruxaria, mas certamente existe dogma em qualquer religião e isso limita uma bruxa.


Veja bem, nada contra feministas, você pode ser feminista a vontade e até mesmo eu apoio muitas das iniciativas feministas. O que estou dizendo aqui é que a bruxaria não pode ser compreendida sob a ótica de um movimento, seja movimento feminista ou não. Bruxaria é bruxaria, simples assim. Bruxaria é arte sábia, não dá para limitá-la sob a pena de limitar a si mesma.

Para tanto, "castradoras" de homens não combinam com bruxaria e com nenhuma religião que contenha bruxaria, da mesma forma que religião e política não combinam. Assim pensou Janet Farrar ao afirmar seu entendimento para wiccanos sobre o prisma da igualdade.


De nada adianta uma bruxa "castrar" um homem e, depois correr aos pés do Homem deus, O Chifrudo e chorar as pitangas....


Mudanças são necessárias...mudanças...mudanças...saibamos esperar com paciência o momento de cada um...pois paciência anda em falta por ai, justamente porque a paciência é uma virtude que não nasceu com o ser humano, ela não foi dada por divindade alguma. A paciência é a virtude do ser humano, desde que é ele quem escolhe desenvolver e é nele que ela se desenvolve. Não adianta pedir para "deus" lhe dar paciência, pois no mínimo ele irá lançar você numa situação para que você desperte a virtude a partir da reflexão e da boa vontade.
Sabe aquele papo de manter o mesmo sorriso do primeiro dia....

Quem forçar, terá encontro com seus próprios chicotes...rs
(....e ainda dizem por ai que não há punição, que bruxas libertam...vivendo e vendo mestres levando chibatadas, quanta bobagem)...



Somar sempre, subtrair nunca! Porque conhecimento é o que você leva para lá depois do véu!






domingo, 15 de março de 2015

A Cracia da Fantasia


Setanta Hypnotherapy Clinic | Maya Illusion

Temos assistido alguns "seres humanos" (que de humanos não tem nada, afinal são de raças superiores) ditar as regras do que pode e do que não pode em nossas vidas. 


Companheiros tanto da Arte Bruxa quanto pastores, padres, sacerdotes e afins têm se projetado como superiores dentre os humanos, bruxos e bruxas. A essa imensa superioridade dada somente à alguns poucos escolhidos, devemos as nossas humildes desculpas, nós pobres mortais. Desculpas pela arrogância dessas pessoas, afinal, o mundo não merece tantos seres superiores no mesmo chão. Desculpe-nos ó mundo, por alguns de nós serem tão pobres de espírito e se proclamarem oriundos de raças superiores. Desculpas ó mundo, por existir tamanha ardilosidade que nos inferiorizam.


Oras oras oras..., então por que essas pessoas não conseguem voltar para o berço de suas raças superiores aonde seriam bem melhor aplicada suas vidas, ao invés de perderem tempo conosco tão simplórios e inferiores que somos? 

Por que insistem em ficar aqui nos perturbando com suas verdades religiosas?

A resposta é uma só: Eles precisam de palco, pois não sabem compartilhar uma vida com quem não estão no mesmo "quadrado", ou diria globo? Morrem de medo de um deus, morrem de medo da morte e são comedores de arroz e feijão como todo mundo, mas insistem em criar fantasias de seres espetaculares para fugir de suas realidades feias para ostentar seu domínio ou um falso império. Insistem em benzer as águas em cima dos televisores, enfeitiçam os seguidores com óleo ungido e sal grosso, fazem fogueiras santas para cumprir um antigo ritual de exorcismo sem se darem conta que a palavra exorcismo possui etimologia em juramento, não em banimento. Erguem cones de poder com uma gritaria santa dentro dos supermercados que viraram igrejas.

Alguns entram nas listas de discussões de bruxaria para se proclamarem donos da bruxaria, outros caçam diplomas de iniciações com a finalidade de mandar nos demais em solo pátrio, enquanto outros se convertem por dinheiro e status e por um apadrinhamento político.
Essas pessoas não fazem nada mais do que mostrar ao mundo, que sacerdotes e pastores são uma aberração e, nisso Osho tinha razão e por isso ele virou um fdp para quase todo mundo, mas os exércitos continuam sendo criados e templos pagãos erigidos para servir a cristandade que paga para entrar e reza para não sair.

O laço de dependência que essas pessoas criam umas com as outras é a grande doença da fé.

Vivemos numa era de doutrinações. Vemos por ai ministros, sacerdotes, pastores e mais alguns “pregando” o que pode e o que não pode nas mais variadas vertentes religiosas.

Esse “não pode” lhe impede de experimentar a sua totalidade. 
Vejam queridos irmãos de arte, lembrem-se que a verdade é uma descoberta plural, é algo que você pode chegar sozinho(a) sem o devir, sem a obrigação, imposição, cobrança, pressão etc. Não se cria um mestre para mandar em você, ele só serve para apresentar um ou vários aspectos do caminho.

Em tempos de doutrinação, nos cabe despertar mais uma vez rasgando as máscaras e os véus da dicotomia do bem e mal, justamente porque não há de fato tal coisa fora do plano da ética e das “cracias”. 

Lancemos luz em Theo e Demo para a cracia fechar seu centro. Isso inclui até a monarquia que é uma forma de governo (hereditário).


Igrejas em geral funcionam porque existe a demanda dos que precisam ser guiados. Esses últimos não sabem ainda se guiar, eles realmente necessitam de um guia, um padre, um pastor, um rabino, um sacerdote etc.


Os covens em geral funciona como uma corte de reis, nobres e súditos, mas sem liderança hereditária e, nele o trabalho é conjunto com aquele que “puxa” o arcano sete do covine montado no cavalo negro. 

O mestre da encruzilhada é o único mestre de uma bruxa e nenhum mortal pode ocupar esse cargo. Esse mestre não quer seguidores, ele quer que você se liberte de toda opressão interna e externa e isso recai sobre os mistérios da vida e da morte. O sacerdote que o representa é aquele que te liberta e permite que você continue livre, inclusive das garras dele, das doutrinas dele. Ele sabe que a verdade dele não é única. Ele sabe que a natureza não é singular, mas plural.


A vida na Terra parece acontecer de forma a sermos mandados por alguém, isso se verifica nas formas de governo. Esse alguém recebe poder de liderar dos que precisam de liderança. Por tanto, o líder não é nada se não houver para quem liderar. O líder só é útil enquanto serve os necessitados que entram no carro. Por essa razão há o mito do desgoverno e a cada sete anos o líder é sacrificado para dar lugar à um novo condutor do carro.

Mas vejam só, não há arcano sete se não for para guiar a si mesmo, pois o passageiro é alguém temporário. O passageiro uma hora desce do carro. O passageiro uma hora morre aqui na Terra e volta ao seu estado natural se fundido com a fonte de todas as coisas. O corpo vai para sete palmos abaixo da terra ou vira pó de cremação. O espírito vai para Aster, vai para o céu, para o Eter, para o inferno, para Summerland, ou fica aqui na terra assombrando outros de forma apegada aos bens materiais ou pessoas materialistas igual ao morto, ou vai para a puta que o pariu que você quiser! Em fim, sempre tem um lugar sagrado para ir.


Olhando para as coisas mundanas, vemos as cracias de vários modos.

Bancocracia, cleptocracia, consumocracia, corruptocracia, dedocracia, meritocracia, plutocracia, plebecracia, entre outras, nada disso cabe à uma bruxa. Uma bruxa não precisa de alguém lhe governando. Um líder é líder de si mesmo. Um mestre é mestre de si mesmo. Uma bruxa é bruxa de si mesma e esse mundo maluco de doutrinadores precisa acordar. 
Eu estou dizendo que as iniciações foram inventadas para servir o despertar e um lider ou mestre perde a função quando deixa de servir esse propósito e entra na esfera pessoal na forma de um ditador de valores e regras, de como você e eu devemos agir etc...

Olha como somos julgados? Se você andar ou agir no contrassenso da doutrina deles, então você não serve mais porque você se tornou uma vergonha.

Oras, eles deveriam ter vergonha deles mesmos! Não de você.

Nesse caso, a “des-doutrinação” nos cabe bem e não há nada a temer.

Uma bruxa num é uma herege a toa. Ela pode trabalhar harmoniosamente com a “minha” verdade e com a “sua” verdade o tempo todo, sem dramas, sem esbravecer com os vários acontecimentos em sua vida, respeitando assim a sua liberdade e a dos outros. Uma bruxa trabalha em harmonia com mais de duas verdades religiosas ou filosóficas, bem mais de duas...
Os doutores da verdade se irritam com a verdade alheia porque não querem competição, eles querem que você "abrace" a causa deles e a finalidade política será levada a cabo.

Ah, o que seria do mundo se não houvesse o fato do príncipe, de Maquiável?


Uma bruxa entra em “ação” primeiro consigo mesma, chamando para si a responsabilidade por aquilo que causou “comoções”. Seu único mestre se apresenta através das plantas consoladoras, as plantas de poder. Não é a toa que o único que pode consolar uma bruxa é o deus dela. É ai que entra em cena o grande sabá e sua função/propósito e nesse aspecto reside o exemplo dos xamãs que não brigam com ninguém por causa de causas espirituais. Eles entram num estado alterado de consciência para buscar a "cura" de si mesmo e dos outros.

Você já se perguntou quem criou o primeiro bruxo? Quem inventou a formação da primeira tradição? Quem criou regras para a bruxaria? Oras, bruxas criam! E tudo que se cria só é possível devido a um relampejo noturno do deus das encruzilhadas da vida e da morte, não importa se é tradicional ou moderno, o deus das bruxas não erra ao guiar a bruxa, ele vive e viverá para sempre, não sendo possível nada ser moderno, desde que tudo que existe só pode ser concebido porque já existe em outro plano.


A magia de uma bruxa atravessa oceanos e horários planetários. A velha na floresta, que não sabe ler nem escrever mas sabe conjurar as nuvens, essa era a bruxa tradicional. Bruxaria tradicional não tem nada a ver com astrologia tradicional. Magos estudam astrologia para reconstruir seus talismãs. Uma bruxa iletrada simplesmente abre a boca e a coisa acontece, ela põe seus peitos para fora e amaldiçoa toda uma terra que se tornará inóspita e infértil. Ela porá suas mãos num doente e ele se curará. Ela pegará um toucinho e esfregará no pé esquerdo do moribundo para afastar a morte. Ela invocará quem ela bem entender e essa força responderá para a bruxa, porque a bruxa comanda a voz dos ventos, os pássaros, as águas dos rios, ela é sabedora das ervas e da natureza. Uma bruxa não possui ciência estudada, ela possui dons que nascem com ela e se desenvolvem na sinceridade de sua observação. Os estudos apenas ajudam ou atrapalham (depende de cada caso). Usei o termo bruxa para representar tanto mulheres quanto homens da arte. Há tantos casos que a ciência da medicina não pode curar ninguém, mas o altar de uma bruxa pode.


Ela é parte do todo, não está fora nem dentro, mas sim participa da totalidade, ainda que de forma marginal (na margem da sociedade). Uma bruxa também é uma cidadã participativa e, do ponto de vista de todo cidadão, seu direito deve ser exercido, contudo, isso se dá sem paixão (sem passio) e se dá no plano dos que vivem sob alguma forma de governo administrador de seu país.

Das palavras de Georg Lichtenberg podemos aferir o que?

Ele afirmou o seguinte: “quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Isso é válido para todas as formas de comando onde há uma relação entre sujeitado e sujeitador.

Mas uma bruxa teria vergonha de que? Portanto não há o que respeitar nem há o que desrespeitar a não ser se você pensar sobre o prisma de uma cidadã comum, não como uma bruxa.

Aferimos que uma bruxa não possui líder fora dela mesma! Ainda que ela esteja vivendo dentro de um sistema governamental, o que por si revela que não precisa de mais um sistema e, é o suficiente para deixar de construir muros e círculos dos quais ficaria presa dentro deles.

No sabá das bruxas, elas voam por cima dos círculos e das muralhas, elas vão ao encontro dos seus.


Parece que a maioria das pessoas se unem para “cumprir” uma meta, seja dentro de um covine ou não e, com isso elas se afastam dos legítimos propósitos da bruxaria, que é a visitação da criação, o retorno à Elphame, o congresso com o Espírito das Phadas, a libertação das opressões, o encontro consigo no mergulho crédulo na madrugada esquecida. Isso sim é o propósito de se unir ao covine. Entre um vinho e outro, as risadas e as lágrimas, os sátiros nos cercam com palmas em torno da fogueira. 


Dinastia Tudor
Uma bruxa não afasta de si aquilo que ela não gosta porque ela sabe que não há inimigo fora dela mesma. Ela gosta de tudo e de todos porque tudo existe na natureza. Uma bruxa enfrenta, transforma e convive bem com todas as diferenças. Se ela afasta alguém de si, isso revela que há algo dentro dela ainda mal resolvido e ela não pode se chamar de uma bruxa bem resolvida. 
Por este e por outros motivos só existe UMA dama em alguns covines tradicionais, não sendo possível barganhar com covines estrangeiros para se ganhar o título de dama representativa.

Se ela possui uma verdade da qual batalha a todo custo por ela, certamente irá brigar o tempo todo com as pessoas e ainda irá manipular outras pessoas para “comprar” sua briga, instigando umas contras as outras. Tontos de quem se deixa ser manipulado por alguém mal resolvido e não percebe a estratégia que está por trás das aparências.

Uma bruxa bem resolvida é uma bruxa consciente do seu processo de sombras. De nada adianta fazer birra e chamar o superior para chorar dizendo que alguém está isso ou aquilo. Se perseguir a meta, estará se prendendo à isso. Metas te prende, não liberta.

Nessa limitação de si mesmo com essas metas a serem cumpridas, perdemos a nossa essência e nos afastamos de quem amamos verdadeiramente. A sombra mantém verdadeiras orgias com os conceitos de transferência e contratransferência.

Por exemplo, invejar alguém porque sua influência parece ser tão grande quanto a nossa. Não toleramos essa usurpação do nosso poder; e representamos o alguém como alguém que se comporta de modo vergonhoso, atroz, etc. E tentamos afastar nossos resignados de seus amigos e conhecidos. Defendemos o alguém a qualquer custo, seja marido, esposa ou qualquer um, como se ele não fosse capaz de se defender sozinho, ou quer seja porque existe uma meta de politicagem por de trás, do tipo "se ele cair eu caio junto porque não sou nada sem ele". O que Deus seria sem o Diabo? Percebe a relação que um não pode existir sem o outro?
A sombra do exegeta também o leva a desmerecer os amores anteriores dos resignados e, ao assim fazer, supervalorizar-se. Não é a toa que por convencionalismo muitas pessoas se unem como se casamento fosse e assim, mantem a aparência de um verdadeiro amor. Dessa maneira conseguem algum crédito dos cegos e eles fazem desses cegos, pessoas doentes e dependentes dos conselhos divinos deles.

Isso é muito importante de se compreender.

Sempre que o sofrimento de um resignado ameaça esmagar o crítico, sua sombra também lhe mostra um belo caminho para sair dessa dificuldade. O sofrimento neurótico não é um sofrimento real, assim diz algum dogma e, isso nos permite deixar de ver o fato de que o resignado está realmente sofrendo. 

Na realidade talvez não existam coisas como  sofrimento irreal ou inadequado, mas apenas problemas irreais ou inadequados. Isso faz muitos fracassados por ai, isso causa inimizades e guerras infundadas até mesmo entre bruxos.

Até mesmo o Self é mal empregado pelo analista que está mergulhado na sombra sem se dar conta.
Quantos comportamentos agressivos, imorais  ou intolerantes não são, com frequência, justificados por serem intrínsecos ao Self de um paciente?
Por exemplo: O adultério, deixa de ser encarado como um grave insulto e uma agressão ao cônjuge e, passa a ser uma libertação das normas coletivas em nome do Self. Comportamento injusto e desleal para com amigos, conhecidos, empregados e empregadores, rejeição da moralidade e dos códigos morais: o analista mergulhado na sombra ajuda e apoia tudo isso como sendo arrojados atos de libertação e redenção, de descoberta do Self. O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Alguns lideres, chefes e mestres acabam agindo da mesma forma e não percebe que estão se perdendo. Esses, não podem ser lideres da cura, pois não podem curar nem a si mesmos. Pelo menos ainda não.

Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Mas cada um tem sua loucura, não é mesmo?

Um(a) mestre(a) de coven precisa se perguntar diariamente o porque ele(a) se tornou mestre(a).
Qual é o propósito de alguém fundar um coven, senão pela linhagem e treinamento que recebeu, as autorizações de sua família mágica e pela necessidade que o próprio tempo lhe impõe? Chega uma hora que a vida lhe coloca nessa posição, os deuses lhe trás à isso, sem esforço algum.

Mas o que vejo por ai é o seguinte:

Bruxos conjurando os espíritos dos dias da semana e pedindo sucesso e vitória para Jupiter, Saturno e outros, enquanto desprezam o sucesso alheio. Oras, a palavra sucesso vem de suceder. Sempre há alguém que nos sucede, mas poucos vê isso e aceita numa boa. Um mestre legítimo sorri quando ele transmite seus conhecimentos, isso sim é suceder com vitória.

Verborréias de mestres causam um verdadeiro estupro em nossa essência e, por si só denota que tais mestres não estão nos respeitando em primeiríssimo lugar, mas eles sempre culparão você, dizendo que você não o respeitou. Veja que quando alguém põe a culpa em você é porque essa pessoa não pode e não deve te curar em nada, desde que nem ela mesma conseguiu isso consigo. Bom, ninguém dá o que não tem, vejam por si.
Ninguém é mestre 24 horas por dia. A situação faz um mestre e, isso é um momento. Um único momento onde você liberta uma pessoa e ela lhe será grata pelo resto da vida. Se você ensinou alguém a se libertar de suas própria opressões, se você curou alguém com uma única palavra de conforto ou com uma magia, se você ensinou alguém a pensar por si só, se você ensinou alguém a ser ela mesma, isso fez de você um(a) mestre(a) em algum momento. Muitas pessoas almejam liderar outras e se esquecem de permanecerem juntas na liberdade, pois isso requer certos sacrifícios do líder, os quais poucos estão dispostos a pagar. 

Infelizmente, sempre há um bonequinho “vodu” para as intenções de prender ou matar cada pessoa que os incomodam não é mesmo? Isso é poder de mestre(a)? 
Garrafas, frascos de vidro, terras de cemitério e outros pós e conjures preenchem o quadro de uma culpa sua, mas que é atribuída ao outro.
Ai é demais, esse comportamento revela a máxima ausência de destreza em se guiar outros na jornada que na verdade nunca precisou ser guiada, mas sim "apresentada". Essas pessoas querem guiar-nos a força, querem nos obrigar a seguir seus passos e calçar os mesmos sapatos, ainda que você tenha o pé maior do que o deles. Mais uma vez o tema da Cama de Procusto. É uma opressão mascarada de liberdade, precisamos ter olhos para ver e disciplina para lidar com isso.

Uma iniciação não foi criada para ser guiada, mas para dar a oportunidade de sua "ficha cair" e aprender a nascer de novo - o tempo todo - como uma phoenix. Isso é para ser aplicado no mundo do dia-dia, no mundo ordinário fora do covine. O covine é um lugar para você se reabastecer e comungar com seus iguais, mas sempre há um fdp para falar que ele é diferente ou para apontar você como um ser diferente. Na verdade é o ego falando mais alto. É o ego que não quer cair do pedestal.
Quando essas regras requer que sejam aplicadas com irmãos de coven, então o problema foi evidenciado e quem está na cabeça do coven deve chamar a responsabilidade para si mesmo em primeiro lugar. Se falhar nesse ato, o coven se dissolve, a irmandade se dissolve e não adianta justificar que alguns caem suavemente e outros não. Quando se fundou um coven você já se achava sábio, ainda que não pôde prever o futuro e não previu sua própria desventura por falhar em observar sua sombra. Essas pessoas criam argumentos diversos para justificar o porque dos porquês de suas metas. Persistem nessas metas de maneira obcecada, a ponto de tomar por desprezível um irmão. Eles querem fazer o caminho deles se tornar um brilho somente para os poucos escolhidos, coisa tão pobre de espírito que temos de pedir desculpas pela arrogância dessa gente que se acha bruxa. Ah, desculpa, era segredo iniciático! Oras bolas!

Ser honesto com o coven todo é ser humilde, tão claro e cristalino quanto a água. Tudo que andar na contra mão dessas diretrizes seria no mínimo uma arrogância e uma prepotência. Logo, se não chamar para si a responsabilidade esse suposto carro chefe cairá no próprio descrédito, uma vez que ele mesmo desdenhou dessa regra e não deu crédito à verdadeira essência da honestidade em si.

Essas pessoas ficam “loucas” para se livrarem dos vícios mundanos como se isso fosse um vírus. Oras, não são os vícios mundanos que nos tornam humanos? Não são os cigarros e as bebidas que seguram o “guia” em terra? Vírus tem cura?

Você já se perguntou por que depois de uma iniciação a sua fé é testada, ao ponto de você se ver numa ordália onde você é levado a acreditar que sua fé não existe mais?

Oras, um deus não faz culto para outro deus! Simples assim.

Ao adquirir a consciência de um deus na terra, devemos nos diminuir e sair da soberba e da arrogância, pois só os humanos fazem cultos à um deus e essa é a fórmula para se barganhar com um deus e “comprar” os favores divinos com uma boa oferenda a fim de se obter uma melhoria de vida. O acreditem ou não, há quem barganha para comprar os favores de um deus, com a finalidade de destruir um irmão de arte ao invés de torcer pela felicidade e sucesso dele. Contudo isso não nos preocupa porque quem tem cú, não precisa de patuá.

Adolf Guggenbühl-Craig em seu artigo intitulado "Charlatães, impostores e falsos profetas" diz que cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação. Ele diz: “Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego. Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.”

Poder e dever são coisas distintas, então usarei a palavra “podemos” ao invés de “devemos”.
Por essa razão caros leitores, podemos enxergar a nossas próprias crenças falsas, as falsas crenças que adquirimos como “manias” e acabamos sendo fiel à elas.

Harrison Dark Horse
Vamos rasgar os véus de Maya, vamos descer desses cavalos negros e vamos nos auxiliar uns aos outros de modo altruísta e desinteressado e vamos hesitar sim em adoecer pessoas saudáveis, ou seja, deixemos de ser enganados e de enganar os outros. Os charlatães ganham dinheiro e prestígio muito mais que verdadeiramente ajudam os outros. Esses charlatães não ligam para sua atividade espiritual de fato, eles traíram a si mesmos e traíram seus próprios votos juramentados e, agem de acordo com seus propósitos egoístas levando uma centena de pessoas a acreditarem que eles são os donos da verdade, publicam uma série de livros para obter fama, pura vaidade, e eles adoecem a si mesmos conjuntamente, tendo em vista que isso anda na contra mão de um trabalho sério de libertação de sua própria opressão interna e de seus "barros". Alguns usam o nome de Cain, mas agem como Abel. Usam o nome de Remo, mas agem como Rômulo.

O reverso dessa nobre imagem do "homem de Deus" é o hipócrita, o homem que prega, não por ter fé, mas porque quer influenciar os outros e exercer poder sobre eles. A congregação ou covine de qualquer pastor ou bruxo exerce grande pressão sobre ele para que aja com hipocrisia.

A companheira inevitável da fé é a dúvida. Se permita ter dúvidas sobre mim e sobre você, bem como sobre qualquer um.

O grande problema é que ninguém quer ter dúvidas acerca do seu líder espiritual, padre ou seu pastor; cada pessoa já tem suas próprias dúvidas, e estas lhe bastam. Um fraudulento não admite que ninguém tenha dúvidas dele, não admite que ninguém o questione ou que lhe ponha em cheque, pois se isso acontecer ele lhe manda para a fogueira. 
O fraudulento age como um psicopata, inteligente, ele sempre irá criar um texto, artigo ou argumento para justificar o porque de seus atos e decisões, que pesam sobre a vida de alguém e, assim irá doutrinar os cegos que ainda precisam ser guiados.

Como perguntou a si mesmo...alguém consciente: Por que o meu veneno é melhor do que o seu? Existe isso de ser melhor ou pior? Se a verdade divina é individual, fragmentada, passageira, transferível e mutável, ela é então universal, e se é para ser universal não há que se falar em “raças”, mas sim em etnias, pois estamos todos no mesmo planeta, incapazes de irmos para outro. Isso nos iguala.

Sett Ben Qayin







sábado, 7 de março de 2015

O GRANDE VAZIO

 
Quem tem medo do Nada? 
De repente tudo esta se esvaziando para você?
Isso pode ser aterrorizador e te desorientar por um instante, mas calma, um mestre só pode ser mestre se ele for mestre de si mesmo, se conhecendo.

A verdadeira liberdade se vive quando não se está apoiado em nada nem a ninguém, nem mesmo em qualquer sentido de direção.

Uma das coisas mais belas que aprendi foi tentar não controlar o destino, mas sim compreendê-lo e mudá-lo no que for possível. Digo isso porque nosso livre arbítrio deve ser exercido, apesar de limitado.

A ideia de Deus ou Deuses é a que eles querem que sejamos nós mesmos e, eles existem através de nós e do todo. Mas espere ai, eles não querem nos controlar, eles querem que exerçamos nossa parcela de livre arbítrio.
No entanto, alguns círculos da Arte não valorizam se você é ou não é do sangue, eles valorizam o “faça o que fazemos”, impondo dogmaticamente e doutrinariamente sua vontade vai se perdendo ou deixando de existir, para dar lugar à domesticação. Se você contrariar isso, você tá fora e ai, o desprezo lhe cai bem (infelizmente).

Os escolhidos, os esnobes da arte, ou a ideia de separativismo, egoísta e sem propósito, andam na contra mão da “iluminação” dessa gente que se apresenta como deus que controla seu destino ou opina drasticamente no resultado do que pode ou não na Arte. A liberdade não mora nisso, mas a cama de Procusto mora. Quem não conhece o mito da cama de Procusto pode procurar na internet.

Então veja: O nada é o estado de todas as possibilidades, uma vez que tudo é impermanente, são todos os potenciais.

Escolher o que você vai fazer com o nada é uma imensa responsabilidade, por isso algumas pessoas preferem ficar no silêncio e em reflexão até que a inspiração lhe advenha através de sua Musa.

No mergulho entre a expiração e a inspiração está guardado o tesouro de cada momento, pois alguma coisa sagrada está para advir.

A escuridão dentro de você pode lhe fazer insignificante. Mas todo mundo pode superar esse insignificantismo, desde que é a partir das trevas que se pode ver a luz.

Dois exercícios bons para transformar essa situação são:

Pegue um balde cheio de água e mergulhe seu braço lá dentro. Agora puxe para fora e olhe o buraco que sobrou. Esse buraco é o tamanho da sua importância.
Mas não há nenhum buraco ali. Esse é o tamanho de cada pessoa, é a importância de cada pessoa.

Por isso lembre-se: todos são iguais e ninguém possui mais nem menos importância que você. Basta que você pare de se dar demasiada importância acima dos outros e se nivele ao que cabe a cada semente.

O segundo exercício é:

Veja aquela pessoa intocável, que lhe parece imensa, veja-a sentada no vaso sanitário, pelada. Ali mesmo, diante de sua necessidade cada pessoa é e passa pelas mesmas situações que você. Ninguém é intocável, ninguém é imenso e nenhuma verdade é melhor ou pior que a outra. Note os cálculos diversos usados na Arte. Existem tantos cálculos, tantas equações. Uma equação exibe o ano de Marte, outra exibe o ano de Vênus e assim por diante. Não interessa qual é a melhor nem qual é a mais tradicional. Se você não é capaz de respeitar a Arte alheia, não pode respeitar nem mesmo a sua.

Você quebra a intocabilidade dessas pessoas quando você as vê como um comedor de arroz e feijão e essas pessoas são trazidas para o mesmo tamanho que qualquer outra possui. Para ser uma bruxa não importa observar o que uma bruxa faz, mas sim importa ser a bruxa.

A palavra bruxa em inglês é Witch, que significa sábia. Eu já fiquei admirado em ver uma bruxa chamando atenção de outra só porque essa outra se via como uma sábia. Na verdade a primeira tentava reduzir a segunda sem compreendê-la. Então sem a compreensão, como pode ser a primeira, uma sábia?  Mesmo assim, a segunda não diminuiu a primeira, não julgou-a.

Uma bruxa (a sábia) é sábia de sua Arte, de uma tradição, não é sábia da vida, mas da morte, haja vista que a morte é uma das verdades perenes e é a dona do mistério do Deus Chifrudo das bruxas. Acho até engraçado algumas bruxas desprezarem os homens, mas quando a água bate na bunda corre nos pés do Deus de chifres para pedir ajuda. Oras, ninguém chega na Deusa senão passar pelo deus antes. Ela é a vida, Ele é a Morte.

allium nigrum
Cabe a cada um ver as cores reais, sem o verniz, sem as tintas da sociedade, sem o semblante, sem o espelho do falcão que se quebra com o allium nigrum.
Quando foi a última vez que você se viu sorrindo de verdade?
O que realmente pode retirar sua alegria de viver?

Enquanto algumas pessoas nos tentam transformar em animais para que se possa domesticá-los, alguns animais se transformam no divino e se libertam das teias e das cadeias. Esse é um dos mistérios dos Lobos. Bruxas que se mudam em lobos compreendem isso.

Livre-se das teias que te amarram, livre-se dos ‘nós’ antes de tudo, pois ‘nós’ é uma palavra de junção, mas ninguém pode se juntar antes de ser um indivíduo inteiro e, quem se aparta da sua presença é como um bambu rachado, não está inteiro.

Um dos ditados da Stregoneria é: “somar sempre, subtrair nunca”.

O arco-íris nos ensina que essa soma é plural.

O arco-íris é uma junção de cores que andam na mesma faixa e, ainda assim, não existe um só arco-íris e mais, nenhum é igual ao outro, mas todos nascem dos céus e tocam a terra.

Portanto, aquilo que cada um encontra no fim do arco-íris é o nada do grande vazio, e ali, residem todas as possibilidades, todas as potencialidades, porque criar é natural de qualquer bruxa ou bruxo e não se deve ter vergonha de ser bruxo (sábio) ou bruxa (sábia).

Desligue as cadeias da opressão e mergulhe no grande vazio das potencialidades, pois nesse mundo de “demiurgos” tudo o que se cria ou se constrói é reflexo do divino.

Sett Ben Qayin