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domingo, 19 de março de 2017

Curando Antigas Feridas


Queridos leitores,
Primeiramente quero agradecer o tempo que alguns de vocês disponibilizaram para nos escrever.
Tenho recebido muitas cartas me pedindo conselhos sobre como vivenciar um bom relacionamento com seu par. As cartas são muitas e muitas são as dúvidas, os problemas enfrentados e os vários condicionamentos, padrões repetitivos.
Entre os problemas abordados estão:
Sacerdotisas com "coração peludo";
Sacerdotes que não acolhem as dores reais de seus consulentes/pacientes;
Disputas pelo poder entre bruxos(as);
Pais de santo atacando bruxos;
Pessoas querendo ser mais que os outros, humilhando seus pares;
Mestres e mestras que ensinam seus neófitos, mas não permitem que os neófitos deixem de ser neófitos, e os "escravizam" com manipulações e outras doenças psicológicas.
Em fim, são tantos os problemas e cartas que eu ficaria o dia todo, quiçá o mês inteiro para responder tudo.
Como estou numa fase "ligth" e não quero escrever muito, vou deixar aqui a dica sobre as diversas questões sobre o tema que me foi perguntado, na fé de que, quem irá vos aconselhar serão vossas próprias consciências logo após assistir o vídeo abaixo.
Ocupar-se com isso é "curar-se", não desanimem, vocês já deram o primeiro passo.
Lembrando que, quem busca o triunfo é porque não o possui, por isso precisa buscá-lo.
No vídeo abaixo encontra-se as dicas que, inclusive podem e devem ser aplicadas tanto no contexto pessoal, em relacionamentos de diversos tipos, e também nos covens. 
Em todos os vícios de comportamento há a figura que te trata como "doente", há a figura do aparente superior e do aparente inferior e o meio de controle e libertação. Em todos os casos citados nas diversas cartas havia essas figuras, mas o que faltou de fato foi o desenvolvimento pessoal e a permissão desse desenvolvimento nos outros. O que mais me chamou atenção foi a figura de um lider religioso que ensina seu neófito até os altos graus, mas quando o neófito se torna mestre naquela arte, o lider o impede do "desmame" e o escraviza ou insiste em inferiorizar a pessoa para continuar a aparente lenda do eterno drama de controle sobre as pessoas, típico do triângulo dramático de Karpman.
Contudo, quando o paciente se cura, há que se observar que "poucas ou poucos" são aqueles que permitem o seu crescimento a partir dessa cura, o qual facilitaria a igualdade inter-pares.
E aqui fica um último aviso contra a vaidade:
UMA INICIAÇÃO LEGÍTIMA TEM QUE SERVIR PRIMEIRO PARA TI, PARA O TEU CAMINHO. De nada serve se dizer iniciado e ficar brigando na internet pela disputa de poder, para se auto afirmar ou para mostrar quem tem mais poder que o outro. De nada serve enfeitiçar um irmão de arte para se vingar por alguma razão. Primeiro que, sobre "guerras" de bruxos, os dois lados saem perdendo e, por último, A ARTE BRUXA se queima por causa dessas pessoas, quais não fazem outra coisa senão falar mal da arte bruxa sem perceber, faz cair em descredito a arte que já foi tão caçada pela inquisição. De igual forma, uma verdadeira transformação te liberta e liberta a todos ao seu redor, então todos devem revisitar os propósitos pelo qual buscaram a bruxaria, pois de nada serve você posar de bom moço ou boa moça e nos bastidores você "queimar" seus irmãos bruxos(as) nos mais variados feitiços de maldição.
Nem é preciso dizer que um mestre nunca ensina tudo que sabe!!! Por essa razão nem preciso falar da lei do retorno e como ela de fato é usada por um mestre.
Com relação aos pais de santo e mães de santo que insistem em atacar as bruxas eu só tenho uma coisa a dizer:
O reino de Oyó, o império onde nasceu Xango, foi fundado em 1.400 depois de Cristo. Logo, Xangô (Sangò/Sogbo/Vodum Badé etc..) nasceu bem depois dessa data. Aliás eu preciso lembrar aqui que os Celtas invadiram a Africa e transmitiram sua cultura aos Africanos, os quais trocaram informações e conhecimentos. Ver Anatólia e Gálatas. 
Em comparação com o respeito das forças que representam a Natureza, devo dizer e informar que a Deusa da Bruxaria e seu Culto não nasceu depois de Cristo, ao contrário, Ela possui 35 mil anos de egrégora documentados na história. Por essa mesma razão os pais de santo e mães de santo deveriam respeitar bem mais o Poder das Bruxas e não se opor a Ele, desde que as bruxas não são "menos perigosas" do que qualquer correligionário do candomblé. Se você é um iniciado(a) que anda "queimando" seus irmãos de arte sábia, eu sinto muito lhe dizer, mas sua iniciação não te vestiu ainda, ou melhor dizendo: Você não iniciou o caminho ainda, não está sendo melhor que ninguém, nem melhor que si mesmo, você continua no mesmo lugar de antes da sua iniciação e deve dar um passo para trás e revisitar seus propósitos, pois ninguém oferece ao mundo aquilo que não possui. Fazer o mal toda criança sabe fazer. Um(a) iniciado(a) faz a diferença sobre ele mesmo, e as ordálias são muitas e são eternas, cada uma em um nível mais hard que a outra. Se a pequenez humana tomou conta de ti, siga o exemplo da semente, do grão que vira tronco, que vira árvore, que dá folhas, flores e frutos, que alimenta o mundo com bondade, gentileza e graça.
Eu não quero com isso criar polêmica alguma e sim, conscientizar as pessoas sobre quem verdadeiramente respeita A Força da Natureza mais antiga e preza pela ancestralidade, pois ouvimos essas mães de santo falar tanto da ancestralidade, contudo não tem demonstrado respeito algum, apenas preconceito e disputa pelo poder feiticeiro.
Queridos pais de santo, vocês são tão "bruxos" quanto qualquer um de nós, e se houver nova inquisição vocês serão queimados igualmente. Então aos que dão conta de sacar isso, sejam bem vindos ao mundo da igualdade. Aos que ainda mantem a idéia do separativismo idiota eu digo, abram a mente. Que fique claro que não me refiro a todos, pois existem as exceções e muita gente humilde, honesta e que faz funcionar sua iniciação pra ti mesmo, como tem em qq lugar.
Em fim, bruxaria acima de tudo se ocupa com transformações, não com domínio. O domínio está nas mentes fracas que necessitam provar alguma coisa pra alguém, inclusive pra si mesmos. Nós bruxos nos ocupamos em nos transformar por dentro, oferecer mais, brotar e lapidar virtudes, fazer uma verdadeira alquimia, aprender com os erros e sermos melhores que nós mesmos todos os dias, para oferecer isso ao mundo que nos procura para pedir uma benção. 
Bom, não preciso de palavras para maiores esclarecimentos, o vídeo revela por si.
Bençãos a todos.
Sett


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tudo que me faz mal, deveria me fazer bem




Hoje me deparei com mais de três pessoas que disseram a mesma frase: “isso me faz mal”, e foi o bastante para eu entrar em reflexão.

Oras, tudo aquilo que me faz mal, só faz mal porque ainda não aprendi a transformar naquilo que me faz bem. É assim que cada um deveria pensar, chamando a responsabilidade para si mesmo.

O mesmo ocorre com algumas feministas (não todas) e também pessoas fracas de "espírito" que empurram a culpa nos outros, no caso, os homens, mas se esquecem de chamar a responsabilidade para si mesmos, afinal, os homens nascem das mulheres, e tanto o “gene” ruim quanto o bom são elas que colocam no mundo.

Não se pode dizer que um não-iniciado tenha consciência de suas escolhas e atos, pelo menos não todos.

Um sacerdote e uma sacerdotisa não devem ter outra coisa em seu coração, senão amor, sem exigências mundanas, vaidosas, regras etc. Apenas amor incondicional.

Me lembro de um caso onde uma sacerdotisa realizou um ritual de iniciação "meia-boca" para transmitir uma linhagem sem ensinar verdadeiramente o conteúdo daquilo que transmitia, as consequências foram trágicas. 
A desculpa dela foi: "achei que você já sabia tudo e que não precisava te ensinar", mas o fato é que nem ela mesma sabia o que estava fazendo, e no fundo, seus atos de desdém por aquilo que estava transmitindo (a linhagem) falavam por si, só ela não notava a arrogância própria.

Arrogância tem como etimologia: "chamar para si aquilo que não lhe pertence", também é o caso de médicos que nunca cursaram uma universidade e compraram diplomas, um dia as cagadas vem a tona. Nada pode ser oculto. Mas o que quero dizer com a história verídica da sacerdotisa acima narrada, é que ela "culpava" seus iniciados pelas consequências, sem enxergar a fonte dos problemas, ou pior, sem pedir desculpas à quem de direito e ainda queria posar de exemplo para todos sem corrigir a falha que tinha cometido. Eu não a culpo, ela também foi uma vítima da sociedade e de seus impulsos vaidosos e hoje talvez ela já tenha se redimido em seu coração.

A cultura da culpa e da culpabilidade tem se projetado em nossa cultura como um câncer, pois é sempre mais fácil tacar a culpa no outro. No entanto, somos todos culpados e vítimas ao mesmo tempo, dessa roda da vida que ora nos empurra para baixo, ora para cima, morrendo e renascendo. Não é a toa que as crianças adoram a gangorra. Assim são também com os interesses humanos, quando o ser humano brinca de ser Deus (ou deusa). Isso é muito sério.

Mas o que podemos fazer?

Bem, podemos fazer a nossa parte, não importando se você é mais negativo do que positivo. Posso ser uma pessoa mal humorada e acordar de mal humor todos os dias? Sim, posso, mas minhas escolhas definirão o resto do meu dia e eu posso transformar, é assim que você deve pensar. 

Eu sei, tem horas que desejamos estourar e mandar o outro tomar no C..., então, mande. Não guarde com você aquilo que não é seu, aquilo que "botaram" dentro de você. Não somos responsáveis por aquilo que nos faz perder a paciência, somos responsáveis pelo nosso limite e com o que podemos fazer para esticar esse limite. Mas concordo que tem gente que força as vezes.

Somos feitos para suportar até um certo limite de dores ou dissabores, o resto devemos por pra fora. O que nos cabe fazer é perdoar, o perdão não tem outra função a não ser perdoar. Ao ouvir alguém nos xingar ou nos ofender, chamemos a responsabilidade de nossos atos para nós mesmos, pensando: “até que ponto não percebi que eu estava levando o outro a se encher de mim?” 

Somos parte daquilo que colhemos. Mas sempre tem alguém que ao invés de fazer isso, resolve punir a pessoa que a xingou e, tudo por status ou para proporcionar bem estar consigo mesma. Afastamos de nós pessoas que nos amam, por burrice nossa, por vaidade ou porque temos mais títulos que a outra pessoa e por isso exige-se respeito a toa, sem antes respeitar a si própria. 

Não, o respeito deve ser mostrado primeiro conosco mesmo, desde que, quando desrespeitamos alguém, é nada mais que um reflexo daquilo que estamos fazendo já há algum tempo conosco mesmo. Pessoas são espelhos umas das outras.

Quer uma bobagem maior do que pensar que somos os escolhidos? Quanta estupidez humana, quão pequenos são os seres que pensam assim!! Outra estupidez é viver um mito. Seja o mito da deusa ou de Caim, ninguém pode viver um mito sem obter as consequências do mito. E mito não é real, é exemplo para se refletir, filosofar etc. Viva apenas a SUA realidade.

Então, que mundo deixaremos pros nossos descendentes? Quais lições ensinamos sem perceber? Não queremos ser como aqueles que nos punem. E se erramos, fazemos porque somos induzidos, aprendemos isso com essa sociedade doente.

O perdão é 98% do amor, não pode haver amor de verdade se não há o perdão sincero dentro do coração.


Carregar rancor, de igual forma, é 98% o meio mais rápido para se desenvolver um câncer. Células que transmudam e passam a comer seu corpo de dentro pra fora, ao invés de continuarem com a função original de funcionamento. A saúde é o bom funcionamento de tudo. Quando uma pessoa te pedir perdão, aceite de coração e traga essa pessoa de volta pro seu convívio. Ao afastar essa pessoa você estará "fugindo" do seu aprendizado, pois ambas possuem coisas para aprender uma com a outra. Até as crianças nos ensinam. Se não puder fazer isso, apenas permita que o fluxo bom de todas as coisas siga em frente sem você projetar mais energia negativa, desde que tudo o que você emana pro Universo, ele te devolverá um dia.

Então, olhe bem para dentro de você e veja o que está “comendo” o seu mundo de dentro para fora e transforme isso em seu favor. A equação está na alquimia.

Não force, se esforce para melhorar, pois tudo tem um limite, e até mesmo a corda rompe quando recebe uma pressão muito maior do que poderia suportar e as vezes essa pressão vem de fora, mas você permitiu isso. Tudo está dentro de você, não fora. Esse espaço que está dentro de mim é tão sagrado, que cabe até uma taturana peluda, mas essa taturana não pode queimar o que já é feito de fogo. O fogo é o elemento do Espírito. Quando somos hereges, tudo cabe em nós, todos os deuses, todas as pessoas, em pura harmonia e para sermos exemplo para alguém, devemos mostrar essa atitude porque nenhum(a) líder pode conduzir pessoas se não souber conduzir a si mesmo(a).

Lá fora o mundo já está doente, cabe a você trazer de dentro para fora, aquilo que você tem de melhor, pois ninguém dá o que não tem, mas também nada é impossível de ser transformado e perdoado.

Viva o amor, com amor, intensamente!

Pense nisso!

Tudo que me faz mal, me ensina, eu aprendo, eu transformo, e tudo me faz bem.





terça-feira, 9 de junho de 2015

A Cruz e o Sexo




Todo aquele alvoroço da crucificação de uma transexual que encenou o sofrimento na cruz na parada gay, não teria sentido se o povo fosse esclarecido. Então quer dizer que se for um homem a encenar o sofrimento na cruz pode, mas uma mulher fazendo isso não pode? A cultura e fé cristã sempre subjulgou e rebaixou as mulheres e pelo visto ainda continua subjulgando e rebaixando-as. 




A fé cristã diz que uma mulher não pode representar Cristo, mas a fé cristã não revela que a palavra Cristo veio de Chrestos e estava primeiramente estampada na porta dos templos pagãos, significando um discípulo posto a prova, um candidato a hierofante que foi esfregado com óleo para ser divinizado. Da mesma maneira a igreja nunca revelou que eles copiaram o batismo dos pagãos, pois o batismo foi originalmente pagão, senão vejamos:


“Esta prática, que assinala períodos milenários, parece ter nascido na Grécia Antiga, logo após a constituição de uma seita que cultuava a Deusa da Torpeza, a quem denominavam Cotito e a quem os atenienses rendiam os seus louvores. Esta seita, constituída de sacerdotes que tinham recebido o nome de baptas, porque se banhavam e purificavam com perfumes antes da celebração das cerimônias, deixou saliente nas páginas da História esse ato como símbolo da purificação do Espírito.” - “Cairbar Schutel”, em SCHUTEL C., O Batismo, Matão, SP: O Clarim, 1986.

E mais:

“Batizando as criaturas nas águas do Rio Jordão como símbolo da renovação espiritual de cada seguidor seu, João estava apenas lançando mão de um rito que remontava à Grécia antiga, pois o batismo é uma prática pagã que nos veio dos sacerdotes da deusa Cotito. Eles se banhavam antes de dedicar suas oferendas à referida deusa da mitologia dos gregos. Como tais sacerdotes se chamavam baptas, daí surgiu a etimologia da palavra batismo, banho em água, no ritualismo de muitas seitas cristãs e também orientais.” - “Celso Martins”. Em MARTINS, C., Nas Fronteiras da Ciência, São Paulo: DPL, 2001.

Esse é um importante texto de conscientização, que contem traços dos renomados intelectuais e de pesquisas sérias mais abaixo. Apenas aqui estão as mesmas pesquisas, só que com as minhas palavras.

Hoje, uma pessoa se intitula cristão, mas não é nem de longe. O cristianismo insípido pregava amor e acolhia todas as outras fé. Foi após a igreja tomar o cristianismo é que isso mudou. Tanto é prova cabal, que a oração do Pai Nosso, no original em Aramaico, começa com “Ó fonte da manifestação, conhecida como alento da vida, pai-mãe de todo o Cosmo”....



Em aramaico transliterado, aqui está a verdadeira oração para quem quiser conferir:

Abwun d’bwashmaya
Nethqadash shmakh
Teytey malkuthakh
Nehwey tzevyanach aykanna d’bwashmaya aph b’arha
Hawylan lachma d’sunqanan yaomana.
Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph khnan shbwoqan l’khayyabayn.
Wela tahlan l’nesyuna
Ela patzan min bisha.
Metol kilakhie malkutha wahayla wateshbukta
L’ahlam almin.
Ameyn.

Quando os linguistas comparam os textos bíblicos existentes em aramaico e em grego, verificam que o texto grego invariavelmente limita o significado mais profundo e abrangente da versão original em aramaico. Isso explica parte das dificuldades que os cristãos têm para entender os ensinamentos. O aramaico era a língua que Joshuá Chrestos usava para ensinar. Então não rebaixem a mulher nem se tornem oclusos da verdade e parem com o machismo.

Vamos compreender primeiro, que se uma mulher ficar a vida toda sem fazer sexo, ela não deixará de ser mulher. Se um homem ficar a vida toda sem fazer sexo ele não deixará de ser homem. Se um gay ficar sem fazer sexo a vida toda ele não deixará de ser gay.



Vamos compreender também o seguinte:

Um negro, índio ou japonês (entre outros) quando saem de casa, pode ser que seja discriminado na rua, mas quando ele volta pra casa encontra seus iguais. O gay não. O gay tem sido discriminado dentro de casa e fora dela. Então entenda a causa do preconceito que você adotou e se cure.

Por que uma mulher não pode subir na cruz? A cruz não é um símbolo cristão somente, ela é um símbolo de sofrimento e de escolhas, de reflexão.  Eu sei, o Papa está reclamando o símbolo como se fosse somente dos cristãos, mas não é. Dom Raymundo Damasceno chama pra si o símbolo cristão, mas nunca foi de verdade somente cristão. O Papa mentiu pra você. Pra começar, Jesus nunca foi branco de olhos azuis. Explicarei mais abaixo.



Então.... Por que é tão difícil ver uma mulher no topo da espiritualidade? Machismo não combina nos dias de hoje. Alguém ai já fez as contas das mulheres na bíblia? Notem o quanto a mulher foi sujeitada e rebaixada na época bíblica, pra que fazer isso de novo hoje? Será que ninguém aprendeu nada?

A resposta é uma só, o povo ainda é machista sexista, preconceituoso e usam bandeiras religiosas pra justificarem os meios de seu ativismo espiritual. O sexo ainda é tabu em nossa sociedade, uma pena.

Quer fazer o bem? Então aplaudam a mulher e sua criatividade, seja na cruz, ou na cozinha, seja na cama ou no trabalho, seja na rua ou numa igreja, seja num desenho ou dando a luz. Aliás, a mulher é quem dá a LUZ.

Uma pessoa machista, ainda que fervorosamente religiosa, pode se chamar de “um ser liberto”? A resposta é Não!

É nítida a abusão que essas pessoas guardam dentro de si e não assumem e também não faz nada para mudar em si mesmas.

Está na hora, aliás, passou da hora de mudar as consciências e passar a ver a mulher como sagrada. E isso não tem nada a ver com ser feminista, mas sim, sermos conscientes. Ninguém nasce de um homem. Os homens devem buscar o sagrado no Phallus, isso é uma tremenda transformação. Homem sem Phallus é um ser pérfido. O homem de Phallus vê a beleza que há na espiritualidade da mulher. É bem verdade que nem todas as mulheres estão prontas pra reconhecer em si a divindade, mas aos poucos elas irão.



Pare para pensar: Se você sentiu uma pontada de guerra, de violência, de rigidez interna, de inflexibilidade, então você não pode se chamar de religioso verdadeiramente. Desde que religiosidade foi criada para trazer paz, para libertação dos aprisionamentos internos. Religiosidade não pode te fazer sentir outra coisa a não ser paz e no entanto tem sido usada para causar o dano. Se você sentiu ira, você está no caminho errado, pois um Deus de paz e amor não pode oferecer ira dentro de si.

É por essas e outras razões que dissemos que religião é para quem tem medo do inferno, espiritualidade é para quem já esteve lá.

Já faz tempo que os correligionários das religiões estão usando as religiões para ditar o que pode e o que não pode, e deixando perder o verdadeiro sentido que uma religião teve no início. Desde que criaram o inferno cristão, o bem e o mal ocupou o mundo e caímos na armadilha da culpa, da inveja, da remoção e ninguém parou para refletir em como fazer o caminho reverso para lá de onde caímos. O paraíso divino está longe dessas pessoas. Digo que está longe, porque deveria estar dentro delas e não está.

O que é o símbolo da cruz, senão uma encruzilhada? Vejam, no inicio da era romana a cruz era símbolo de punição. Usavam a cruz para crucificar bandidos e ladrões e, pessoas que de algum modo infringiram as leis romanas. Nós hoje não somos contra a cruz, somos contra as punições. Tudo que pune, prende, não liberta, não cura e não ensina, só causa traumas e rancores além do sentimento de vingança.

Ao invés de olhar sob a ótica da ofensa, deveriam ter elogiado e visto a beleza que há numa mulher espiritualizada. Não houve ofensa de fato na manifestação da transexual, houve um chamado para acordar.



Não há virtude na punição. Não há o BEM na punição. Você deve aprender a ver o mundo com bons olhos ao invés de tecer criticas de opressão. A manifestação teve como causa primeva, a própria opressão da igreja. É por causa da igreja cristã que essas manifestações surgem. O gay na sociedade sempre existiu, mas principalmente o surgimento do gay no mundo é uma resposta ao machismo. Não haveria gays (como se entende hoje) se não houvesse machismo nas sociedades. Haveriam pessoas que possuem liberdade para se valer de seu sexo com quem adulto bem entender sem serem vistos como marginais sexuais. E eu não estou falando dos sexopatas.

Vamos nos elucidar mais um pouco sobre a cruz e compreender que ela não é cristã somente?
A Cruz é um dos símbolos cuja presença é atestada desde a mais alta Antiguidade.
No Egito, na China, em Cnossos, Creta, onde se encontrou uma cruz de mármore do século XV antes de Cristo.



A cruz é o terceiro dos quatro símbolos fundamentais, juntamente com o centro, o círculo e o quadrado. Ela estabelece a relação entre os três outros, pela intersecção de suas duas linhas retas, que coincide com o centro, ela abre o centro para o exterior. Inscreve-se no círculo que divide em quatro segmentos; engendra o quadrado e o triângulo, quando suas extremidades são ligadas por quatro linhas retas. A simbologia mais complexa deriva dessas singelas observações. Foram elas que deram origem à linguagem mais rica e mais universal.

Como o quadrado, a cruz simboliza a terra; mas exprime dela aspectos intermediários dinâmicos e sutis.

A simbólica do quatro está ligada em grande parte, à da cruz, principalmente ao fato de que ela designa em certo jogo de relações no interior do quatro e do quadrado. A cruz é o mais totalizante dos símbolos.

A cruz aponta para os quatro pontos cardeais, e é em primeiro lugar, a base de todos os símbolos de orientação, nos diversos níveis de existência do ser humano.



A orientação total do ser humano exige...um triplo acordo: a orientação do sujeito animal com relação à ele mesmo; a orientação espacial, com relação aos pontos cardeais terrestres; e, finalmente a orientação temporal com relação aos pontos cardeais celestes.

A orientação espacial se articula sobre o eixo Leste-Oeste, definido pelo nascer e pôr do Sol.
A orientação temporal se articula sobre o eixo de rotação da Terra, ao mesmo tempo Sul-Norte e, Embaixo, Em cima.

O cruzamento desses dois eixos maiores realiza a cruz de orientação total, daí a encruzilhada do ser humano, as escolhas que partem disso.

A concordância, no ser humano, das duas orientações, animal e espacial, põe o ser humano em ressonância com o mundo terrestre imanente; a das três orientações, animal, espacial e temporal, com o mundo supratemporal transcendente pelo meio terrestre e através dele.

Não seria possível condensar melhor os significados múltiplos e ordenados da cruz, se ela fosse SOMENTE um símbolo dos cristãos.



Uma síntese semelhante se verifica em todas as áreas culturais e se expande nelas em inúmeras variações e ramificações.

Na China, o número da cruz é o 5. A simbólica chinesa nos ensina e não desconsiderar o centro da cruz, sendo a grande encruzilhada.

A cruz tem em consequência, uma função de síntese e de medida. Nela se junta o céu e a terra, o tempo e o espaço. É o cordão umbilical jamais cortado do Cosmo ligado ao centro original. A cruz é intermediária.

É a cruz que recorta, desenha, ordena e mede os espaços sagrados como os templos. É ela que desenha as praças da cidade que atravessa campos e cemitérios, e no ponto central se ergue um altar, uma pedra, um mastro e seu poder também é centrífugo, pois explicita o mistério do centro. É difusão, emanação e recapitulação. Ela é ascencional e eleva o ser do inferno ao céu como a lição da árvore cujas raízes profundas sobem ao alto.

A cruz é a ponte pela qual os homens se elevam, e os cristãos adotaram sua elevação como uma escada de salvação e a paixão (sofrimento) do Salvador e assim a segunda pessoa da trindade divina. Todos os deuses cósmicos são tríplices, a figura do Deus Cristão não seria diferente, explica Rene Guénon.
A cruz também é festa e esperança, celebrando a invenção e a exaltação, com cânticos “Ó Crux, spes única”.

A madeira da cruz veio de uma árvore plantada por Seth sobre o túmulo de Adão e espalha fragmentos depois da morte do Cristo pelo universo, multiplicando simbolicamente os milagres e a cruz reaparecerá nos braços do Cristo por ocasião do Juízo Final. Compreenda que quando você julga alguém, você enquanto imagem e semelhança divina está dando o juízo final à alguém, e é por essa razão que um cristão, assim como os pagãos pregam, não pode julgar ninguém, sob a pena que punir e ser punido por causa do seu julgamento.



A iconografia cristã se apoderou a cruz para exprimir o suplício do Messias e também a sua presença. Para quem não sabe, Satã era originalmente um cargo do acusador e sentenciador ao mesmo tempo na cultura acadiana e foi adotado pela igreja para representar o mal. A ideia criadora de um julgamento judiciário veio disso. A pessoa a ser julgada está numa encruzilhada, o juiz a sentencia ou absolve. O acusador é aquele que representa o ministério público, ou seja, o promotor de justiça.

Não se deve julgar ninguém, pois o mal está sendo promulgado em todas as sociedades desde a criação da ideia de justiça, de certo e errado. Não existe tal coisa de fato. A natureza é como é. O homem bota a mão e comete perversidades.

A própria cruz ensina isso, os diversos sentidos que ela fornece não tem nada de absoluto, não se excluem um do outro, um não é verdadeiro e o outro falso. Isso exprime a interpretação particular e a percepção vivida com o símbolo da cruz.

A cruz em Tao simboliza a serpente fixada em uma estaca, é a morte vencida pelo sacrifício. No antigo testamento ela se revestia de um sentido misterioso, porque a madeira do sacrifício que ele levava aos ombros tinha essa forma que Isaac foi poupado: um anjo deteve o braço de Abraão que ia imolar seu filho.
A cruz também é um símbolo evangélico desde que representa os quatro elementos e direções do mundo. Os quatro elementos que foram viciados pela natureza humana ao longo do tempo e as virtudes da alma humana. A cruz enterra em solo, significa a fé assentada em profundas fundações. O ramo superior da cruz significa a esperança que sobe aos céus. A invergadura da cruz é a caridade que se estende aos inimigos, e o comprimento da cruz é a perseverança.



Mas a cruz latina divide desigualmente o madeiro vertical segundo as dimensões do homem de pé, com os braços estendidos e só pode ser inscrita num retângulo. Uma é idealizada, a outra é realista. De um patíbulo, os gregos fizeram um ornamento. As igrejas gregas e latinas foram projetadas para formar um cruz no solo, as Gregas no Oriente, e as Latinas no Ocidente.

A cruz que presenteia a inscrição de Pilatos, é a cruz de Lorena, mas que provém da Grécia, onde é comum e, foi adotada pelo cristianismo para representar a hierarquia eclesiástica que correspondia a tiara Papal ao alto do chapéu cardinalício e a mitra episcopal. No século XV o Papa adotou a cruz com três braços transversais; a cruz dupla se fez privativa dos cardeais e a do arcebispo; a cruz simples era a do bispo.

A cruz também é diferente da paixão e a da ressureição. A primeira recorda o sofrimento e a morte, a segunda sua vitória sobre a morte, significando que a alma e o espírito nunca morrem e vence o corpo físico (a matéria).

Há muito mais para ser falado sobre a cruz, e quem quiser pode consultar o dicionário de símbolos de Chevalier, que irá explicar a cruz para a serpente, as letras de XP, o Rho atravessando o X, o alpha e o ômega, a domação de satanás, Dante e a cruz, a criação, o mundo e o polo do universo, os limites ecumênicos, a presença da cruz na natureza, como a cruz entrou em Gênesis, a cruz e Moisés, a teologia da redenção, a cruz celta, a cruz de malta, as cruzes insulares, a passagem do tempo, a correspondência quartenária, a cruz na Ásia, o cruzamento dos eixos direcionais, e verticais, a cruz e Purusha, a cruz e Prakriti, a cruz e Abu Ya’qub Sejestani, a cruz e o esoterismo, a cruz e os mulçumanos, a cruz Ansata, a cruz e a África dos Bantos do Kasai do Zaire, a cruz dos arquitetos e das sociedades secretas, a cruz dos Kua e tetraklis pitagórico, a cruz na tradição mística dos mexicanos, a cruz dos índios das Américas, a cruz nos códices e no Codex Ferjervary Mayer, os desenhos de todas as cruzes, em fim, uma riqueza espiritual sobre o simbolismo da Cruz.



O que precisamos compreender é que a Cruz não é um símbolo exclusivo do masculino e não há ofensas se uma mulher se valer do símbolo da cruz, porque a cruz é Universal, é para todos.

O que todo cristão precisa saber sobre Cristo, é que Cristo vem do Grego Chrestos, forma gnóstica primitiva de Cristo. Foi usada no V século a.C. por Ésquilo, Heródoto e outros.

O Manteuma pythochresta, ou seja, os "oráculos proferidos por um deus pítico", através de uma pitonisa, são mencionados pelo primeiro autor citado (Choeph. 901).

Chrésterion não é somente "o lugar de um oráculo", mas também uma oferenda para ou pelo oráculo. Chréstés é aquele que explica oráculos, "um profeta e adivinho", e Chrésterios é aquele que serve à um oráculo ou deus.

O 1º escritor cristão, Justino mártir, em sua primeira Apologia, denomina Chrétianos os seus correligionários.

"Deve-se somente à ignorância o fato de os homens se intitularem cristãos ao invéz de Chréstianos", diz Lactâncio (liv. IV, cap. VII). Os termos Cristo e Cristãos, que originalmente eram escritos como Chrést e Chrétianos, foram copiados do Templo dos Pagãos.



Chréstos significava, em tal vocabulário, um discípulo posto à prova, um candidato a dignidade de Hierofante. Quando o aspirante alcançava, através da Iniciação, grandes provas e sofrimentos, e havia sido ungido (isto é, "friccionado com óleo", como o eram os Iniciados e também as imagens dos Deuses -idolos-, como um último toque da prática cerimonial), seu nome era transformado em Christos, o "purificado", na linguagem do mistério ou esotérica.

Na simbologia mística, realmente, Christés ou Christos, significava que já se havia percorrido o “caminho”, o Sendeiro, e alcançado a meta; quando os frutos de um árduo trabalho para unir a efêmera personalidade de barro com a Individualidade indestrutível transformavam-na após ultrapassar a compreensão dos 3 Egos, assim, no Ego Imortal.

“Ao fim do caminho está o Chréstés”, o Purificador, e, uma vez terminada a união, o Chréstos, o “homem de dor”, convertia-se em Christos.

Paulo, o iniciado, sabia disso e foi precisamente isso o que quer expressar quando diz, em má tradução: “Estou outra vez em dores de parto até que Cristo tenha-se formado em vós”. (Gálatas, IV, 19), cuja verdadeira interpretação é “...até que formeis o Christos dentro de vós mesmos”. Porém os profanos, que sabiam apenas que Chréstés estava de algum modo relacionado com o sacerdote e o profeta e nada mais sabiam sobre o significado oculto de Christos, insistiram, como Lactâncio e Justino, em ser chamados Chrestianos ao invés de Christãos. Toda pessoa boa pode, portanto, encontrar Cristo em seu “homem interno”, conforme o expressa São Paulo (Efésios, III, 16, 17), seja Judeu, muçulmano, hindu ou cristão.

Kenneth Mackenzie era de opinião que a palavra Chréstos era sinônimo de Soter, “nome destinado às divindades, grandes reis ou heróis”, e cujo significado é “Salvador”, e estava certo, pois, segundo acrescenta o citado autor, “tal termo foi aplicado de modo redundante a Jesus Cristo, cujo nome Jesus ou Joshua tem idêntico significado. A denominação de G-sus, na realidade, é antes um título honorífico do que um nome, pois o verdadeiro nome de Soter do Cristianismo é Emmanuel ou ‘Deus conosco’ (Mateus, I, 23)... Em todas as nações, as grandes divindades, que são representadas como expiatórias ou que se tenham sacrificado, foram designadas com o mesmo título”.  (R. M. Cyclop.) O Asklepios (ou Esculápio) dos gregos tinha o título de Soter.

Pois bem, tanto homem quanto mulheres e gays, utilizam-se da Cruz como símbolo Universal  que é e não há nada de errado em uma mulher encenar seu desespero feito crucificação. O que a nossa sociedade tem feito, aliás, é crucificar mulheres e gays o tempo todo, e isso ninguém percebeu.
Seu corpo pode possuir um único gênero, mas sua alma possui as duas polaridades (a feminina e a masculina), assim é iconizado pelo maior símbolo dos Sábios - O Caduceu de Hermes.



Sett Ben Qayin





domingo, 12 de abril de 2015

Ding Dong - A Bruxa está viva!




Alguém aprendeu a ser livre e agora quer estar preso de novo?

Não se preocupe. Papo de cabresto é sempre papo de alguém que quer te controlar. Esse é o mesmo papo chato dos evangélicos e de gente que faz proselitismo.

Mas...como disse Aradia...

...Liberte-se da opressão.

Você não tem o porquê de sentir vergonha em ser livre, porque ninguém pode te impedir de ser livre.

Sem apegos, (Ap-ego).... percebeu?

O problema é quando você nota que eles vivem mais dentro de você do que você mesmo. Então preste atenção.

Todo mundo que lhe trouxe sofrimento, também lhe trouxe algum momento de felicidade e aprendizados. Tudo nessa vida é aprendizado e, quem está acorrentado aos seus pés sempre pode lhe proporcionar momentos de dança.

Uma bruxa inteligente me disse uma vez que estamos acorrentados na terra, mas queremos asas para voar e é por isso que temos a vassoura como o nosso símbolo phálico de liberdade. O processo é o mesmo da libertação. O deus das bruxas liberta! A terra é a nossa nutrição, mas os sonhos é a nossa alma, é o vento indomável. Se você parar de sonhar com as asas, deixará de existir a liberdade e não há hierarquia para a liberdade. Religiões nutrem hierarquia, bruxaria não. 

E não é incomum ver bruxas por ai confundindo religiões com bruxaria.

But the way.....A liberdade anda em pé de igualdade.

Veja só, o único animal que sente angústia é o ser humano, todos os outros estão plenamente satisfeitos com o que são. Isso é o processo do pensar, é a maldição dos animais inteligentes.

Quando um ser humano está descontente, ele sente vergonha do outro e se afasta para ser livre da vergonha, mas no fundo ele não está livre da vergonha pelo afastamento do outro, pois a vergonha mora dentro dele, é um processo de sombra Junguiana.

Eu gosto muito dessa história que vou narrar.

Uma vez um homem, um grande homem, lutava pela liberdade, estava viajando pelas montanhas. Ele passou a noite num caravançará e ficou encantado ao ver ali um papagaio numa gaiola de ouro e que continuamente repetia:

“liberdade! Liberdade!”

E o lugar era de um jeito que, sempre que o papagaio repetia a palavra “liberdade!”, ela ecoava pelos vales, nas montanhas.

Então o homem pensou: Já vi papagaios gostar de ser livre, mas nunca vi um papagaio que passasse o dia todo, de manhã até a noite, na hora de dormir, gritando por liberdade. O homem teve uma ideia. No meio da noite, ele se levantou e abriu a porta da gaiola. O dono do pássaro dormia profundamente, então, o homem cochichou para o bicho, “saia agora”.

Mas ele se surpreendeu ao ver o papagaio grudado ao poleiro, então ele continuou a falar com o papagaio “pode sair! A porta está aberta e seu dono está dormindo! O céu é todo seu!”.

E o papagaio continuava grudado no poleiro. Então o homem disse: “qual é o seu problema? Você é louco”?

Ele tentava tirar o bicho da gaiola e o bicho o bicava enquanto gritava “liberdade! Liberdade”!

Coven dos Papagaios
Os ecos se espalhavam pelo vale noturno e o homem teimava em arrancar o papagaio da gaiola, o bicho feria sua mão bravamente e o homem só se satisfez quando conseguiu lançar o papagaio para o céu, e foi dormir.

Na manhã seguinte, quando o homem acordou ouviu o papagaio gritar “liberdade! Liberdade”! Ele achou que talvez o papagaio estivesse empoleirado num galho de árvore, mas quando foi olhar viu que o bicho estava dentro da gaiola com a porta aberta.

A moral dessa história é muito simples. Você pode gostar de liberdade, mas a gaiola sempre lhe proporcionará certa proteção e segurança. Na gaiola, o papagaio não precisava se preocupar com comida, nem com os predadores, nem com coisa alguma. A gaiola é aconchegante, é feita de ouro. Nenhum outro papagaio tinha uma gaiola tão valiosa.

E assim é com o seu poder, com o seu controle das coisas, com sua família, com suas riquezas, o seu prestígio, essas são as suas gaiolas.

A liberdade é perigosa, porque ela não dá garantias, não dá proteção nem segurança.

Liberdade significa andar no desafio abrindo o próprio caminho e a todo instante haverá um novo desafio, às vezes fica quente demais, às vezes fica frio demais.
A liberdade significa uma enorme responsabilidade, você está por sua conta e risco.

Uma vez disse Rabindranath:

“A libertação é tudo o que desejo, mas tenho vergonha de esperar por ela, Tenho certeza de que há em ti um tesouro inestimável e que és o meu melhor amigo, mas não tenho a coragem de varrer a quinquilharia do meu quarto”, e ele está certo. Você não deve esperar pela liberdade, você deve promovê-la agora!

Porque não é uma questão de esperar, é uma questão de assumir o risco, desapegando-se de sentimentos fúteis e coisas fúteis. Para viver em liberdade, você pode aprender a se contentar e se contemplar primeiro na solidão, sozinho. Você deve se sentir bem consigo mesmo, sozinho. Quem não consegue viver sozinho, também não consegue viver com alguém.

Você pode estar certo que no mundo da liberdade existe um tesouro inestimável, mas essa certeza também é uma projeção do seu desejo, da sua expectativa. Então, você gostaria de estar certo. Você quer trocar um valor por outro do mesmo naipe.

Mas com a liberdade não se barganha, você tem de dar o salto rumo ao desconhecido, porque toda certeza também é uma gaiola.

A palavra razão vem do latim ratio e significa sugestão, cálculo, suposição. A razão nunca foi certeza e estar certo não tem nada a ver com estar com a razão. Você pode guiar sua vida sem norteá-la com a ideia do certo e do errado, isso não existe de fato, não existe o certo/errado. Existe o que tem de ser feito.
É por isso que há tanta confusão entre amor e ódio no mundo. O amor e o ódio são a mesma energia, mas você teme o ódio porque nunca ninguém lhe ensinou sobre ele. É por isso que o ódio é uma energia poderosa e assustadora, enquanto que o amor caiu na banalidade da boca do povo. Já percebeu que todo mundo hoje em dia afirma que ama você? Mas será que ama mesmo? Essa lição está fora do Coven do Papagaio.

Para aprender sobre liberdade, você deve aprender sobre o ódio, desde que sem conhecê-lo, você também não poderá conhecer o verdadeiro amor.

Assim, comece sua liberdade se tocando com as mãos e dizendo “eu me amo”, e se valorize. Depois se desapegue de tudo que não te serve mais, roupas, objetos, pessoas que já cumpriram seu papel na sua vida, etc, e dê um novo passo para frente. Se nada é igual, também nada é Uno, você não tem de se manter grudado em alguém ou numa única ideia, pessoa, filosofia, etc. 

O mundo é plural e é essa pluralidade que nos une. Se há o Uno tenha certeza que a união se encontra na pluralidade das coisas e ali há espaço suficiente para que você permita que o outro também siga o caminho dele como bem entender.

Lembre-se: O homem que a dor não educou será sempre uma criança. É por isso que a bigorna dura mais que o martelo.

Fizeram o que fizeram com você?

Não se preocupe. No final das contas isso é entre eles é o deus deles, a regra-gaiola.

Nunca foi entre você e eles, muito menos entre você e o deus que habita neles.
E assim, há os que cultuam o cabresto, e há os indomáveis.

Ninguém uiva por você!

Sett Ben Qayin


sábado, 7 de março de 2015

O GRANDE VAZIO

 
Quem tem medo do Nada? 
De repente tudo esta se esvaziando para você?
Isso pode ser aterrorizador e te desorientar por um instante, mas calma, um mestre só pode ser mestre se ele for mestre de si mesmo, se conhecendo.

A verdadeira liberdade se vive quando não se está apoiado em nada nem a ninguém, nem mesmo em qualquer sentido de direção.

Uma das coisas mais belas que aprendi foi tentar não controlar o destino, mas sim compreendê-lo e mudá-lo no que for possível. Digo isso porque nosso livre arbítrio deve ser exercido, apesar de limitado.

A ideia de Deus ou Deuses é a que eles querem que sejamos nós mesmos e, eles existem através de nós e do todo. Mas espere ai, eles não querem nos controlar, eles querem que exerçamos nossa parcela de livre arbítrio.
No entanto, alguns círculos da Arte não valorizam se você é ou não é do sangue, eles valorizam o “faça o que fazemos”, impondo dogmaticamente e doutrinariamente sua vontade vai se perdendo ou deixando de existir, para dar lugar à domesticação. Se você contrariar isso, você tá fora e ai, o desprezo lhe cai bem (infelizmente).

Os escolhidos, os esnobes da arte, ou a ideia de separativismo, egoísta e sem propósito, andam na contra mão da “iluminação” dessa gente que se apresenta como deus que controla seu destino ou opina drasticamente no resultado do que pode ou não na Arte. A liberdade não mora nisso, mas a cama de Procusto mora. Quem não conhece o mito da cama de Procusto pode procurar na internet.

Então veja: O nada é o estado de todas as possibilidades, uma vez que tudo é impermanente, são todos os potenciais.

Escolher o que você vai fazer com o nada é uma imensa responsabilidade, por isso algumas pessoas preferem ficar no silêncio e em reflexão até que a inspiração lhe advenha através de sua Musa.

No mergulho entre a expiração e a inspiração está guardado o tesouro de cada momento, pois alguma coisa sagrada está para advir.

A escuridão dentro de você pode lhe fazer insignificante. Mas todo mundo pode superar esse insignificantismo, desde que é a partir das trevas que se pode ver a luz.

Dois exercícios bons para transformar essa situação são:

Pegue um balde cheio de água e mergulhe seu braço lá dentro. Agora puxe para fora e olhe o buraco que sobrou. Esse buraco é o tamanho da sua importância.
Mas não há nenhum buraco ali. Esse é o tamanho de cada pessoa, é a importância de cada pessoa.

Por isso lembre-se: todos são iguais e ninguém possui mais nem menos importância que você. Basta que você pare de se dar demasiada importância acima dos outros e se nivele ao que cabe a cada semente.

O segundo exercício é:

Veja aquela pessoa intocável, que lhe parece imensa, veja-a sentada no vaso sanitário, pelada. Ali mesmo, diante de sua necessidade cada pessoa é e passa pelas mesmas situações que você. Ninguém é intocável, ninguém é imenso e nenhuma verdade é melhor ou pior que a outra. Note os cálculos diversos usados na Arte. Existem tantos cálculos, tantas equações. Uma equação exibe o ano de Marte, outra exibe o ano de Vênus e assim por diante. Não interessa qual é a melhor nem qual é a mais tradicional. Se você não é capaz de respeitar a Arte alheia, não pode respeitar nem mesmo a sua.

Você quebra a intocabilidade dessas pessoas quando você as vê como um comedor de arroz e feijão e essas pessoas são trazidas para o mesmo tamanho que qualquer outra possui. Para ser uma bruxa não importa observar o que uma bruxa faz, mas sim importa ser a bruxa.

A palavra bruxa em inglês é Witch, que significa sábia. Eu já fiquei admirado em ver uma bruxa chamando atenção de outra só porque essa outra se via como uma sábia. Na verdade a primeira tentava reduzir a segunda sem compreendê-la. Então sem a compreensão, como pode ser a primeira, uma sábia?  Mesmo assim, a segunda não diminuiu a primeira, não julgou-a.

Uma bruxa (a sábia) é sábia de sua Arte, de uma tradição, não é sábia da vida, mas da morte, haja vista que a morte é uma das verdades perenes e é a dona do mistério do Deus Chifrudo das bruxas. Acho até engraçado algumas bruxas desprezarem os homens, mas quando a água bate na bunda corre nos pés do Deus de chifres para pedir ajuda. Oras, ninguém chega na Deusa senão passar pelo deus antes. Ela é a vida, Ele é a Morte.

allium nigrum
Cabe a cada um ver as cores reais, sem o verniz, sem as tintas da sociedade, sem o semblante, sem o espelho do falcão que se quebra com o allium nigrum.
Quando foi a última vez que você se viu sorrindo de verdade?
O que realmente pode retirar sua alegria de viver?

Enquanto algumas pessoas nos tentam transformar em animais para que se possa domesticá-los, alguns animais se transformam no divino e se libertam das teias e das cadeias. Esse é um dos mistérios dos Lobos. Bruxas que se mudam em lobos compreendem isso.

Livre-se das teias que te amarram, livre-se dos ‘nós’ antes de tudo, pois ‘nós’ é uma palavra de junção, mas ninguém pode se juntar antes de ser um indivíduo inteiro e, quem se aparta da sua presença é como um bambu rachado, não está inteiro.

Um dos ditados da Stregoneria é: “somar sempre, subtrair nunca”.

O arco-íris nos ensina que essa soma é plural.

O arco-íris é uma junção de cores que andam na mesma faixa e, ainda assim, não existe um só arco-íris e mais, nenhum é igual ao outro, mas todos nascem dos céus e tocam a terra.

Portanto, aquilo que cada um encontra no fim do arco-íris é o nada do grande vazio, e ali, residem todas as possibilidades, todas as potencialidades, porque criar é natural de qualquer bruxa ou bruxo e não se deve ter vergonha de ser bruxo (sábio) ou bruxa (sábia).

Desligue as cadeias da opressão e mergulhe no grande vazio das potencialidades, pois nesse mundo de “demiurgos” tudo o que se cria ou se constrói é reflexo do divino.

Sett Ben Qayin