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terça-feira, 8 de maio de 2018

Lua Nova em Touro - Maio de 2018 – Lua – Algol - Urano





Tudo o que você sempre quis saber sobre isso e não tinha quem te contasse.

Tomamos como verdade que Urano é o grande encrenqueiro do Zodíaco devido suas arritmias e pulsos de bombeamento ejaculatório descomedido. Ele é tão fértil que se você relasse a mão na escova de dentes dele você engravidaria.

Estivemos acostumados com Urano em Áries nos últimos sete anos e meio alterando a cabeça de todos e agora a geração vai mudar de novo. Urano em Áries trouxe uma arritmia nos assuntos do elemento fogo marcial ligada a casa em que Urano está no seu mapa junto com a casa do ascendente que é ligada a Áries. Com a entrada de Urano em Touro, a arritmia uraniana vai mexer na estabilidade dos assuntos da casa dois.

São 84 anos que Urano demora a retornar em cada signo e provavelmente na última vez que ele esteve em Touro, bem, já não deve ter ninguém vivo para nos contar como foi, sobrando apenas as pesquisas de eventos relacionados a datas e o conhecimento herdado pelas tradições. Lembrando que signos são constelações zodiacais. As previsões podem ser baseadas no zodíaco ocidental que amarra signos com estações, diferente do mapa védico que leva em consideração a precessão das estrelas, podendo ser feitas também por este último que é considerado tradicional no oriente.

Aqui as dicas são validas principalmente para quem tem o Sol, Lua ou Ascendente em Touro, mas todos devem olhar no vosso mapa natal em que casa está a constelação/signo de Touro por que é nela que essa energia vai influir.

A casa 1 (casa do ascendente) nesse aspecto pode fazer você se esquecer das necessidades dos outros (aquilo que é estável para os outros precisa ser mais notado e levado em consideração), então quem tem o sol ou ascendente em Touro vai pensar mais em si mesmo e em seus valores pessoais bem como no acúmulo de bens e auto sustentabilidade, já quem tem a Lua em Touro vai perceber os valores alheios bem como os valores do passado, contudo, em geral os valores arbitrários, éticos, morais, financeiros e sentimentais serão o pano de fundo para todos e como isso vai se desenrolar vai depender de cada aspecto planetário em que um estará fazendo com o outro de acordo com cada mapa natal.

Urano em Touro traz energias revolucionárias, empurrando a Venus de todos para frente de forma arrítmica.




Lua Nova em Touro

A Lua Nova em Touro vai ocorrer dia 14 para 15 de Maio e vai remexer e renovar a verdade ariana, trazendo mudança do fogo para terra e sua real permanência para o que foi iniciado com a Lua em Áries. Se em Áries foi rezado e pedido para o espírito (fogo), em Touro o que foi pedido vai ganhar matéria (terra). Por causa de Urano a teimosia e persistência taurina vence a impulsividade ariana e mostra onde esteve o erro, revela o amor e a beleza acima de tudo, retira o egoísmo dos projetos arianos, dá uma nova cara para o projeto e impulsiona pra frente. O pedido primitivo ariano ganha beleza em touro, mas a Lua vai tocar nas intuições severas e no modo em que você sempre recebeu as intuições, também vai tocar nas questões do passado renovando ou dando outra cara para tal projeto ou demanda atribuída antes. Touro rege os cinco sentidos e a Lua feiticeira de Touro vai ganhar magia e transpirar na pele.

Não esqueça meus amigos, que há a magia herdada e a magia criada. O tipo herdado é aquele que era praticado pelos magos/bruxas do ciclo Lunar e as palavras de Aquel, Azora e Aleya se refere a isto dizendo: “pegue quatro pássaros”. A magia criada é aquela que era praticada pelos magos/bruxas do ciclo Saturniano e, também aquela que era praticada pelos magos/bruxas do ciclo Venusiano. Portanto é uma boa hora para criar e renovar.

Nessa data se podem fabricar talismãs da Mansão Lunar das Plêiades, também conhecida pelas Stregas como Morada da Lua Atorai, a 3ª Morada da Lua.

Você pode remediar a deteorização de uma sociedade, pode salvar uma viagem marítima, pode libertar prisioneiros presos por magia, pode castigar inimigos, pode obter sucesso numa operação alquímica de transformação pessoal, sucesso com o fogo e com a caça. Também pode assegurar o afeto entre casais casados, pois essa Mansão é auspiciosa.

Contudo, você terá que saber usar a Medusa em seu favor. Sim a estrela Algol vai estar em voga nessa data, uma vez que a Lua Nova em Touro vai fazer exato aspecto com Algol.

Como sabemos os talismãs das Moradas da Lua só devem ser construídos quando a Lua estiver livre de qualquer aspecto negativo ou maléfico no céu, então se você não souber usar a Medusa em seu favor, por favor, não tente fazer esse talismã, pois essa operação mágica pode causar a morte do mago/bruxo operador da magia. No mínimo a intenção usada para a criação do talismã terá efeito inverso do desejado. Falarei mais sobre Algol no final do artigo.

Também é um bom tempo para se conjurar Hildolfr – O Lobo de Batalha, Hnikar – O Derrubador, e Olgr – O Protetor durante a festa das águas das Stregas.

Também pode-se invocar Robigo para repelir a alforra e desenferrujar o ferro Ariano. Como se fora Similia Similibus Curantur – Os semelhantes curam-se com os semelhantes. Essa invocação também deve e pode ser utilizada sob os auspícios da constelação de Mera, que abrasa e seca a terra, mas para apazigua-la imola-se um cão em sacro-ofício.

Igualmente pode-se conjurar PAP – Pius Aeneas de Palanteu – um dos servos de Hécate que serve para indicar o caminho quando se está na encruzilhada da alma.

Sabemos que existem 3 datas de maior poder em relação a Lua. São elas:
Dois dias antes e dois dias depois da Lua nova ou cheia. E no dia da Lua (nova ou cheia).

Para magias que envolvem as Moradas da Lua observe se Mercúrio não está retrogrado, nem fazendo mal aspecto com algum planeta caso a intenção seja para magia benigna, pois Ele é o grande comunicador do zodíaco e quando ele está retrogrado nem a oração chega aonde deveria chegar. Nessa data ele não estará retrogrado.

Como ensina a Tradição Familiar Lupino em seu Livro dos Lobos, os sete dias após a Lua Nova são favoráveis para organização de atividades cotidianas, atividades intelectuais, pesquisas, aos trabalhos que exijam espírito de cooperação, às decisões relacionadas com compromissos sociais e amorosos, aos assuntos voltados para o bem comum.


Um pouco mais de Urano, Lua, Vênus e associações mitológicas e astrológicas

O Tempo usou a fertilidade do Céu para criar o Amor e a Beleza nas Águas da Terra. Essa foi a história narrada nos mitos de Urano e Gaia. Vamos falar um pouco de Urano. Ele chovia seu esperma sobre Ela para fecundá-la, mas ao mesmo tempo ele não gostava do que era criado e vivia empurrando vagina a dentro de volta a sua própria criação e Gaia ficava irritada. Nos mitos Gregos, Cronos (Saturno dos romanos e Satur dos Etruscos) usou sua foice a pedido de sua mãe Gaia para rasgar a bolsa escrotal de Urano, fazendo com que o seu esperma caísse sobre as águas, formando uma enorme espuma de onde a Beleza de Vênus nasceria. Vênus não é bem uma Titânida, Ela é a incriada, mas também foi criada graças a Saturno/Cronos o deus do Tempo. O Céu – Urano – é pai biológico Dela. Só o Tempo poderia dar beleza no amor e casamento entre o Céu e a Terra.

Em astrologia Urano vai entrar em Touro (cuja regência é de Vênus) dia 16 de Maio de 2018 (até abril de 2026) então mais uma vez vai envolver o Tempo, o Céu, a Terra e o nascimento de Vênus nos dias atuais trazendo arritmia nas áreas para inovação do trabalho e economia, revolucionando essas áreas, dando ruptura e reconstruindo. Touro conduz os 5 sentidos e é associado à casa dois. Touro estabiliza o lado conservador dos valores e hábitos alimentares. Aqui Urano vai reconstruir tudo aquilo que ele destruiu durante a ultima vez que ele passou por Touro, e tudo que ele construir aqui agora ele vai destruir na próxima vez, renovando assim o ciclo. Urano é geracional e visionário, influencia uma geração inteira por sete anos e meio.

As pessoas gostam de falar que Touro não gosta de mudanças. Isso não é verdade, desde que as verdadeiras mudanças ocorrem de forma uraniana a cada 84 anos, por isso num dá tempo de ninguém vivo ver as mudanças, mas ele muda sim. A mudança é lenta e a revolução econômica pode ocorrer lentamente com Urano em Touro.

Com isso devemos levar em consideração as casas astrológicas onde estão Urano, Saturno e Vênus no seu mapa, bem como os trânsitos astrológicos que vão enredar esse três Grandiosos. Nesse sentido, a Terra é representada por cada um de nós, ou seja, por você, eu e por todos que está lendo.

Urano entra em Touro em 16 de Maio de 2018 e no final do ano ele fica retrogrado voltando à Áries até 2019, devendo voltar ao movimento direto e ingressando em Touro definitivamente em 2019 ficando até 2026.

Urano é o deus do Céu, na Teogonia de Hesíodo. Símbolo de uma proliferação criadora sem medida e sem diferenciação, que destrói por sua própria abundância, tudo que engendra. Caracteriza a fase inicial de toda ação, com sua alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos. Simboliza dessa forma o ciclo dos desenvolvimentos. Deus celeste das religiões indo-mediterrâneas, um dos símbolos de fecundidade e um deus cósmico. O maior segredo dele é que ele é e sempre foi representado pelo TOURO. Pasmem! Urano em Touro (aplausos), agora a vaca vai ficar sagrada mesmo!

Ele que tem como símbolo maior o próprio touro, fará conjunção com a constelação de Touro regida pela filha dele. É um encontro entre pai e filha sem dúvida. Porém essa fecundidade é perigosa. Como bem observou P. Mazon no seu comentário à Teogonia de Hesíodo, a mutilação de Urano põe fim a uma fecundidade odiosa e estéril, introduzindo no mundo, com a aparição de Afrodite/Vênus (nascida da espuma ensanguentada do membro gerador uraniano), a ordem!

Nesse sentido Vênus assume o papel de Maat a deusa egípcia da Ordem Cósmica no signo de Libra, daí o papel da justiça.

A ordem, a constância das espécies e tornando assim impossível toda procriação desordenada e nociva.

Com base na mitologia Grega, André Virel caracterizou perfeitamente as três fases essenciais da evolução criadora. Urano, sem equivalente romano, situa-se na primeira fase: a efervescência caótica e indiferenciada, denominada cosmogênese. Cronos/Saturno interfere na segunda fase, a da esquizogênese: Ele corta, divide. É quem com um golpe da sua foice nos bagos do seu pai põe fim nas suas secreções indefinidas. Representa um tempo de suspensão. Ele é o regulador que bloqueia toda criação do universo, o ponto fixo da onda estacionária, a vida no seu lugar, sem avançar, sempre idêntica a si mesma.

Ele é o tempo simétrico, o tempo de identidade. O reino de Zeus/Júpiter caracteriza-se por um novo início, mas um início organizado e ordenado e, não mais anárquico e sem controle, que André Virel chama de autogênese.

Depois da descontinuidade da época precedente, cujas paradas, tempos, medidas, fixações permitiram uma primeira classificação, a continuidade da evolução recomeça. É o momento em que o homem toma claramente consciência de si mesmo, ao mesmo tempo em que toma consciência das relações de causalidade, da delimitação dos seres e das coisas que ele apreende nas suas analogias e suas diferenças.

A história mitológica dos deuses então esclarece a história dos homens. A mitologia é assim apresentada como uma psicologia projetada no mundo exterior, não apenas uma psicologia individual, como a entendida por Freud, mas também uma psicologia coletiva, como a concebe Jung.

Urano em touro vai lhe dar por sete anos e meio todas as oportunidades desenfreadas, cabe a você usar em seu favor o que lhe cai bem, o poder da escolha.

O Touro remete a ideia de irresistível força e arrebatamento. Evoca o macho impetuoso, assim como o terrível Minotauro, guardião do labirinto. É o terrível Rudra, que muge, do Rig Veda, cujo sêmen abundante fertiliza a Terra. Isso se aplica a todos os touros celestes, notadamente a Enlil babilônico. É o símbolo da força criadora. O touro também representou o deus El, cujo culto foi proscrito por Moisés. Subsistiu até o reino de Davi, com as estatuetas do touro sagrado, influenciadas pela cultura egípcia, aparecendo até na palheta do faraó Narmer, no museu do Cairo, sobre a insígnia de guerra de Mari, na Síria mesopotâmica; também foi encontrada nos planaltos da Anatólia central, a antiga Troia. Zeus toma forma de touro para seduzir Europa e com ela teve três filhos.

O Indra védico também vem na forma de touro. É o calor que anima todo ser vivo. Shiva também detém o emblema do touro significando a justiça e a força para dominar e transmutar essa energia em vista de sua utilização ióguica. É o Dharma, a ordem cósmica, a mesma da insondável Maat egípcia e posteriormente a do Xangô de Oyó juntamente com Oyá/Iansã personificada como Touro.

O touro representa a força ctoniana e faz ligação com o raio, a chuva, a tempestade, a atmosfera, furacão, trovão, e a Lua. Por isso está vinculado ao culto antigo da Grande Mãe do Neolítico. O fim do Paleolítico possui em suas pinturas, a regência de animais em Lascaux e Altamira, bem como nas grutas da Russia e do Cáucaso. Até Osíris foi representado como touro em seu aspecto lunar. Vênus tem seu domicílio noturno no signo de touro e nele a Lua está em exaltação. Em Troia e na Pérsia, a Lua era Gaocithara, conservador do sêmen do touro primordial que depositou o sêmen no astro da noite.

Nas narrativas de Razzia des Vaches de Cooley, um conto celta, um touro marrom e um touro branco lutam até a morte. Eles eram Ulster e Connaught. Ainda há um outro conto celta, irlandês chamado Ion Iaith, ou Lua do Herói, cujos segredos remete ao touro. Há um outro envolvendo Cuchulainn e Plinio narra a colheita e o uso do Agárico (Amanita Muscária) durante o ritual real que perdeu-se muitos dos seus mistérios públicos depois da conquista dos romanos, ficando reservados para classes puramente iniciáticas e tradições familiares. Mas até a bíblia fala dos gálatas. Esses gálatas tetrarcas eram reis celtas e remetem ao cavalo-touro, animais também de Posseidon.

Mas o Touro que é representado por Urano é um Auroque, o ancestral do touro que conhecemos hoje. O Auroque era enorme, surgiu na Ásia, e existiu no norte da África, no vale do rio Nilo, criado pelos egípcios. Emigrou para a Europa há 320 mil anos atrás, antes da imigração humana para os continentes. Tinha um metro e oitenta de cumprimento e três metros de altura. Seus chifres tinham mais de 75 centímetros de altura. A tentativa de domesticar esse gado foi em vão há 8 mil anos atrás e o ultimo morreu em 1627 na Polônia. As arenas da Itália usaram o Auroque para lutas e lá se extinguiram no início da nossa era.
Na Tv, Fred Flintstone usava um chapéu com chifres de Auroque para ir jogar boliche no clube dos Búfalos.

Na astrologia ocidental o Touro (21 de abril à 20 de maio) é o segundo signo do zodíaco, e situa-se entre o equinócio de primavera e o solstício de verão no hemisfério norte. É o símbolo da matéria prima, da substância inicial, o instinto de conservação, daí a teimosia e persistência. Assimilável ao elemento terra, a terra maternal, enquanto Áries representa a cinética do fogo original, encarnado por um animal seco e cabeçudo, hiperviril. O touro representa a estática de uma massa de vida caracterizada por uma criatura possante.Tem muito para se falar sobre a insígnia do Touro, mas preciso guardar para o âmbito dos iniciados.


Um pouco mais sobre Algol e a Lua Nova

Importa ressaltar que a Lua Nova em Touro fará conjunção com a estrela mais perversa e maligna do Céu Uraniano, A Estrela ALGOL e, por isso mesmo o ditado “cabeças vão rolar” pode fazer a vida imitar a lenda.

Seu nome em árabe é Ra´s Al Ghul, a cabeça do demônio. Ela é a representação da Medusa e por isso mesmo vale a pena (para quem não conhece) pesquisar sobre o mito da Górgona Medusa, pois Algol é o olho esquerdo dela.

Um dos segredos de Algol é Ceto ou Kraken do qual representa o Medo Coletivo. Usar a Medusa em seu favor requer cuidadas pesquisas e muita sabedoria em magia, pois ela é considerada de má sorte ou extremamente maléfica. Essa Lua Nova em Touro pode representar uma data onde bruxos maléficos irão disparar maldições uns sobre os outros. O que chamamos de Batalha dos Malandanti. Por isso mesmo requer muito cuidado e proteção.

Urano em astrologia traz uma certa arritmia em tudo por onde passa, e associado a Algol pode afetar as cabeças humanas. Algol está situada entre Cassiopéia e o grande pentágono do Cocheiro com a luminária Capella num dos vértices.

Em Grego Medusa significa protetora. Ela é a responsável por salvar as correntes da Andrômeda, ou melhor dizendo, Andrômeda de suas próprias correntes. Perseu a usou como arma e a deusa Atena colocou-a em seu escudo Aegis. Ela é a própria defesa de Atena contra quem quer que seja, pois transforma em pedra todos que olharem nos seus olhos.

Antigamente se usava o Gorgoneion para afugentar o mal. Na verdade Algol é a estrela demônio que afasta demônios. È a sacerdotisa de Atena/Minerva que protege a sabedoria (serpentes) petrificando quem tem medo da sabedoria. Gorgoneion foi uma máscara ritual mal compreendida, mas há quem afirme que o potencial da Medusa se iniciou quando ela perdeu a cabeça, pois seu corpo foi adicionado a ela posteriormente.

Do sangue vertido de sua cabeça nasceu Pégaso e Crisaor, mas teve outros que são pouco mencionados, como os corais do mar vermelho e as víboras venenosas que infestam o Saara.

Freud escreveu Medusenhaupt (a cabeça da Medusa) cuja obra os psicanalistas usam até hoje. Nessa obra Medusa é o próprio talismã da castração associada a negação da sexualidade maternal. A punição de Medusa é vista a partir do crime por ter sido estuprada dentro do templo de Atena, por Poseidon, no lugar de ter consentido voluntariamente como desenvolvimento dos conflitos não resolvidos da deusa com seu pai Zeus.

No século VI da era pagã Ateniense os cálices continham uma gravura da medusa no fundo da taça, dando o seguinte recado-significado: Se não encher novamente a taça irá ter medo de ser transformado em pedra (o cuzão da festa) e se continuar enchendo a taça e bebendo irá perder a cabeça (de tão bêbado). Parece que entrar no clima era a única opção.

Possam os Medos serem afugentados e a Ordem seja restabelecida!


Por Sett. 






sexta-feira, 13 de abril de 2018

Como Saber se você é um(a) Bruxo(a)?


    


Ao nascermos, Elphame nos abençoa com “dons” ou “talentos” psíquicos e devemos reconhecê-los, pois reconhecer esses “poderes”  pode ser o início da sua jornada espiritual como primeiro passo para o auto conhecimento.
Primeiramente digo que este não é o único método de reconhecimento, mas sim um dentre vários e, vos apresento aqui, pois esse artigo não tem a finalidade de ter a última palavra no assunto.

Você já se questionou se possui alguma habilidade psíquica ou talento psíquico?
A maioria das pessoas não se pergunta isso, mas com certeza quem faz essa pergunta a si mesmo já mostra uma raiz.

As experiências com Dejavú geralmente é a primeira a se mostrar, mas da mesma forma fácil como ela se revela, da mesma forma somos inclinados a ignorá-la, uma vez que ela se mostra muito cedo em tenra idade e ainda não temos o poder do raciocínio lógico para amparar a revelação, em ultima análise, de ter estado duas vezes na mesma situação só que em vidas diferentes. É evidente que o véu que separa os Mundos pode ser aberto por você. Você só precisa descobrir como fazer isso.

Em geral, somos tachados como má influência ou como aquele que foi tocado pelo diabo. Um dos primeiros “bullings” na infância começa com isso, pois as pessoas te enxergam como “a criança estranha”. Muitas vezes "a coisa estranha" acontece conosco mesmo, seja num sonho lúcido ou não, alguma atividade sexual que desperta em nós alguma coisa, pode ser um sonho onde você está transando com o diabo ou com um E.T. por exemplo e, ao crescer você vai deixando isso de lado e nem dá bola, ficando sem saber na vida adulta o que de fato te empoderou lá atrás quando seu ego ainda não tinha capacidade de julgamento.

Outro sinal, mas não tão claro é o fato de que entre você e sua relação com seus pais possa haver algum segredo, problema a ser decifrado, seja de ordem de paternidade ou maternidade, algo mal resolvido ou simplesmente você sente que há alguma coisa que ainda não te contaram, mas que você “fareja” no ar e ao longo da sua existência você acaba descobrindo sem muito esforço. Trata-se de uma das primeiras captações de sua empatia expandida, isso funciona igualmente quando lemos os padrões repetitivos ou não dos comportamentos alheios. Os traumas emocionais nos tornam o que somos hoje, eles impulsionam os dons. De igual forma, sofrer algum tipo de opressão nos lapida a alma ao passo que buscamos enfrentar e combater as opressões ganhamos força.

Todos os seres humanos possuem alguma habilidade mental, sendo que em alguns isso é naturalmente mais expandida ou desenvolvida do que em outros. Geralmente isso vem acompanhado de uma forte ligação com o universo espiritual. Certamente se você nunca se sentiu desconectado de sua fonte espiritual original, por exemplo, você nunca sentirá necessidade de ter uma religião, mas vai estudar elas de forma científica, pelo conteúdo teológico apenas. Religião é uma palavra que vem do latim religare, e se você não tem que se religare a nada é porque nunca esteve desconectado de sua divindade interna que verticalmente está presente em você o tempo todo e o detalhe é que você percebe isso o tempo todo, mas algumas pessoas percebem mais. Se o esoterismo antigo nos revela que devemos cumprir um ciclo de 108 reencarnações, talvez com a metade delas já passamos a ser sábios. Esse pensamento justifica o que diz no dicionário de Oxford acerca da Witchcraft, a Arte dos Sábios, afinal, tanto com gnoseologia quanto com epistemologia oque fica evidente são as várias formas de aprender o conhecimento e a sabedoria.

Porém, por mais habilidosos que algumas pessoas sejam não é todo mundo que consegue reconhecer os vestígios, marcas, cicatrizes ou sinais de poderes psíquicos. Nisso mora uma imensa vontade de buscar respostas, de se juntar com seus iguais, os seus pares espirituais que estão caídos ou que estão no éter, de aprender a usar isso direito..., é uma fome de sentido que parece não ter fim e no fundo você está dominando a si mesmo e nem percebeu.

Devemos lembrar aqui que, uma iniciação vertical acontece na infância geralmente, sendo uma experiência direta com um “ser” do mundo espiritual a mando de Elphame. É muito comum ouvir as pessoas dizerem que na infância ou adolescência tiveram um ato sexual com o diabo. A palavra diabo geralmente é usada por desconhecimento por parte das pessoas. Então deixemos o diabo onde ele quer estar. A palavra diabo foi formada a partir de Voluntas Dia, ou seja, vontade da Deusa. Fica mais fácil de entender a influência do latim quando escrevemos diavolus. Dia em italiano é deusa jovem, e Dea é deusa que engravidou e virou mãe.

Outro sinal claro que habita dentro de você é a intimidade com amuletos da sorte e talismãs. De alguma forma você cresce sabendo que tais amuletos te respondem ou falam com você. Você olha para o objeto e sente a conexão, em alguns casos você bate o olho e até já sabe para que aquele objeto serve. Você capta o magnetismo dele e sente confiança. Ou seja, você cresce com uma crença natural em seres e energias que te respondem e que habitam dentro e fora de você e até mesmo habitam em objetos e, por último você simplesmente sabe que aquilo está ali para lhe amparar/ajudar/auxiliar/proteger.

Desde que a humanidade surgiu há a crença de que existem objetos com poderes, e isso revela a antiguidade da sua função psíquica a qual está impressa na sua alma.

As figas, as ferraduras, os crucifixos, moeda antiga ou gravura em plaquinha, o sal, o azeite e o olho grego são só alguns exemplos que atravessaram séculos de existência e provavelmente sua mãe possuía em casa, escondidos num saquinho especial ou expostos nas paredes.

Outro sinal é quando ouvimos de alguém ou sentimos nós mesmos que: “o santo não bateu!” Isso é tiro e queda. A gente sente algo se retorcer no estomago ao olhar para alguém ou ter um leve contato com tal pessoa. Isso é um indício que em vidas passadas essa pessoa fez algo para você ou pode se repetir algo da qual você não vai gostar e essa pessoa está ligada aos fatos. Seu espírito guarda na essência todas as experiências de vida, todas as memórias anteriores, e seu espírito reconhece a sensação do perigo quando chega perto dele. Essa pessoa envolvida tem algo a lhe ensinar (de bom ou de ruim), inclusive o ensino disso já está lhe mostrando que você é igual àquela pessoa, pois ambas possuem projeções de "sombras".

Quando a primeira impressão é a que fica, isso é um sinal de poderes psíquicos, uma vez que seu radar identifica na hora. Saber identificar a irradiação boa ou ruim de alguém é um dom bruxo. O que fazer com isso é outra história, pois depende virtualmente do nível de compreensão e progresso na evolução espiritual de cada alma. Ouvir a intuição muitas vezes tem haver com isso. Sua consciência nunca nasce e morre, ela é eterna divina e sempre esteve lá. Nascer e morrer é coisa de humanos, por isso "a queda" da sua consciência é a reencarnação.

Os orbes são outro sinal. Orbes são bolhas translúcidas/opacas que aparecem em fotos ou vídeos. São canalizações de energia densa local habitada em alguém ou em algum objeto ou local. As pessoas na foto, cujos orbes estão sobre ela podem atrair espíritos para perto.

O terceiro olho. Esse mostra a intenção ou intuição ou premunição. Geralmente está ligado aos dons mediúnicos, sonhos (lúcidos ou não) oneiromancia, é a porta para o Outro Mundo, onde se faz presente a ponte para Elphame. É algo que não se explica pela razão, você simplesmente sabe que é verdade e aceita isso naturalmente lá no fundo do seu íntimo. As Visões é outro sinal dos dons psíquicos que só uma pessoa bruxa pode ter. Sonhar é muito bruxo.

O estranho velho amigo. Com frequência algumas pessoas te escolhem para lhe contar as coisas mais bizarras que acontecem na vida deles. Mas nem eles mesmos sabem o porquê escolheram você para contar isso. A confissão, a revelação, o pedido de socorro, a confiança ou mera admiração pelo ocorrido geralmente está embutido na escolha de te contar, isso porque talvez as almas se reconheçam como diferentes e iguais ao mesmo tempo, ou iguais e separados. Fato é que a informação que lhe será revelada TEM que ser revelada para você!

Atrair pessoas estranhas que conversam com você como se já te conhecesse há muito tempo é um dos dons bruxos. É uma familiaridade espiritual ou energética muito clara e que geralmente não se desfaz nem com o distanciamento entre as partes, nem com brigas ou desentendimentos. Evitar harmonizar esse contato só causa atraso naquilo que Elphame quer para você. 

O mesmo acontece com os animais que gostam de você logo de cara. Já reparou que por mais que você bata num animal que gosta de você ele sempre vai estar te rodeando e te “lambendo” de novo mostrando que não é a namoradinha magoada? Isso se dá porque animais não tem ego. Fica a dica! Quem faz o trabalho de ego com seriedade sempre estão juntos de novo e de novo, assim como em todas as reencarnações sempre vamos nos unir de novo e de novo. Tentar evitar isso só atrapalha a si mesmo.

Funciona da mesma forma quando o discípulo está pronto e o mestre aparece. Quando Elphame quer, Elphame escolhe o mestre para você e te leva ate ele. Nunca é você quem escolhe. Rejeitar o mestre que Elphame lhe disponibiliza é rejeitar seu próprio poder e rejeitar a própria Elphame e toda sua origem bruxa. Na infância Elphame te coloca em contato de crianças iguais a você em dons ou crianças que precisam dos seus dons, uma vez que essas crianças ou pessoas são essenciais para o desenvolvimento dos seus dons, da qual não se desenvolveriam sem tal situação com essas crianças/pessoas ao seu redor.

 Outro sinal é a percepção sensorial, a flor da pele ou como a chamamos = a psicometria. Você já entrou num lugar onde sentiu calafrios? Alguns lugares mais quentes ou mais frios. Isso acontece porque os espíritos são seres de pura energia e nosso campo energético sente quando há a presença de energias iguais ou não, irradiando no ambiente. Ou então ao tocar um objeto você simplesmente sabe a leitura da memória que o toque fez do objeto. Esse dom pode lhe revelar a história guardada na pessoa, no local ou no objeto, com maior ou menor grau de clareza dependendo do desenvolvimento desse dom. Apenas um toque ou um contato é o bastante para conhecer o passado ou a memória guardada ali.

O poder da cura. Você já aliviou alguém só com o contato da sua presença ou toque ou algumas palavras? Absolver pessoas em confissão não é só para padres. Absolver os pecados de alguém não é só para quem se confessa. A palavra pecado já estava nas leis pagãs de Maat. Ler a dor de alguém e conseguir aliviar essa dor só com a intenção disparada é um dom bruxo. O plexo solar tem muito haver com isso, mas é preciso aprimorar todos os dons para se ter resultados bastante favoráveis quando se precisar deles. Absorver as energias ruins e transformá-las em boas ou adequadas afim de promover uma cura é absolver os pecados ou o peso que alguém vem carregando.

Os amigos imaginários são uma das primeiras formas de contato com Elphame e isso se dá em tenra idade. Geralmente esses amigos imaginários se deslocam no tempo e acabam se tornando “guias” espirituais conforme o entendimento e maturidade vão progredindo junto com a idade. O “faz de conta” é uma lembrança de onde viemos. Nós bruxos sabemos que não somos daqui.



Telepatia é outro dom que o pensamento utiliza para ler a mente alheia. A intenção construída sob forma de pensamento racional é emanada para o campo áurico ou enviada para o Akasha. Quando você acessa o akasha ou o campo áurico dos pensamentos de alguém você recebe a informação ali guardada. É como quando alguém lhe manda uma mensagem de sms, da qual você só vai ler se acessar o sms. Precisa haver aqui uma mente receptiva e uma mente emissora. É comum isso acontecer quando você pensa demais numa determinada pessoa que você não vê há muito tempo e logo ela entra em contato ou aparece no seu caminho. Também é comum abrir as portas da telepatia através da leitura da expressão dos rostos, pois existe um padrão para certos comportamentos ou mensagens que só os bruxos reconhecem e decifram com facilidade.

Conexão forte com outras pessoas. Quando a telepatia e a empatia trabalham juntas você pode construir uma coisa que chamamos de “termômetro de humor”, que, quando bem utilizado você vai bater o olho e vai saber quando alguém está bem ou não. Isso pode causar impactos reais e sensação de medo. Até a ciência comprovou que para isso existir é necessário estar emocionalmente e espiritualmente ligado a alguém.

Por um Triz. Existem situações em nossas vidas que o Universo envia sinais que diz que algo pode dar muito errado e quem recebe esses sinais são os bruxos ou pessoas sensitivas que ainda não se reconhecem como bruxos. Lembrando que até uma benzedeira é uma bruxa.

Dons artísticos ou a Aptidão para desenhar ou ainda o Talento para Artes. Criar uma cena ou uma personagem em sua mente e recriar a mesma cena exatamente igual no papel são dons bruxos. A sensibilidade para a arte revela também a antiguidade do dom que você carrega. Desde os primórdios da humanidade, existe uma divisória entre aqueles que podem esboçar alguns poucos objetos e outros que passam a vida inteira tentando conseguir proporções e ângulos sistemáticos, ou seja, o mundo é dividido entre aqueles que sabem desenhar e os que não sabem. O talento para arquitetura, design de interiores, HQs, retratistas, arte-finalista, ilustrador, animador, etc. As telesmatas astrológicas são muito bruxas. 

Mas quando o dom de desenhar é realmente um dom e quando ele não é? A resposta é simples. Ele é um dom quando você nasce sabendo desenhar sem nunca ter feito curso algum pra isso. Dom é “Gift” = um presente divino. E sim, todo dom merece ser estudado e aprimorado, desde que todos os dons são como músculos, se não usa, atrofiam e você vai ter que pesquisar sobre a diferença entre talento e habilidade, pois as bruxas possuem talentos psíquicos.
Tanto os desenhos quanto a invocação pelo estado alterado de consciência são dons bruxos, os quais postos em prática trazem manifestações e realidades desejadas. Desde tenra idade esses talentos são despontados e geralmente Elphame se mostra neles, alguns acabam virando perfeitos talismãs. 

É totalmente possível invocar seres ou energias através do desenho. Uma das comprovações existentes é a arte da telesmata do artista bruxo Austin Osman Spare. De igual forma, toda invocação (dentro para fora) ou evocação (fora para dentro) deve possuir o formato galanteador dos poetas, das representações em cena, do visionário que vislumbra um acontecimento antes de acontecer ou da projeção do desejo. O fato é que um desenho feito por um bruxo não é somente um desenho, ele possui vida própria.

Admirar as estrelas e saber identificar ocorrências de situações e divisões sazonais. A astrologia surgiu da procura no céu por presságios. Os imortais, também chamados de nakshatras em sânscrito ou manazil em árabe, nada mais são do que as mansões lunares que deram origem a astrologia. De tanto observar o céu foi possível construir uma ciência com muitas vertentes, a qual pode ser estudada hoje em dia e se tornar habilidosos astrólogos. Mas ainda existem pessoas no mundo que nunca estudou astrologia e pode olhar para o céu e prever episódios e eventos. Os planetas são deuses que controlam a vida na Terra e quem sabe interpretá-los, sabe se comunicar com os deuses, seja pela habilidade adquirida por estudos, ou por talento nato.
É por essas razões e dons que podemos afirmar sem medo de errar que bruxaria não é uma religião, mas sim, bruxos podem ou não adotar religiões que contenham feitiçaria ou não. Lembro ainda que não é uma iniciação horizontal que fará você se tornar um bruxo, a menos que você nunca tenha sido bruxo(a) em nenhuma das vidas anteriores. Primeiro a gente se reconhece como bruxo(a), depois a gente se junta aos nossos iguais.
Alguns Covens e irmandades mágicas utilizam de conhecimentos astrológicos para conhecer quem tem a semente bruxa. por exemplo, quem nasceu com Lilith em alguma das 4 casas angulares tem a marca bruxa. Todo um trabalho pode ser desenvolvido debaixo disso. Alguns Cangrés Rhomáh verificam quem nasceu com a pinta azul naturalmente detém a marca da bruxa.  

Precisa-se compreender que quando somos tocados por Elphame ou criados por Elphame os deuses e toda a nossa ancestralidade passa habitar em nós e quando despertamos essa consciência, muitas vezes acabamos falando algo para alguém, mas esse algo não veio de nós e sim de Elphame. Somos como “conduítes” de energia e os deuses falam através de nós. Quantas vezes abrimos a boca para falar algo ou chamar atenção de alguém e esse alguém (muitas vezes conduzido pelo ego) acaba brigando ou discordando sem se dar conta de que não é a pessoa quem está falando e sim Elphame falando através dela para dar o recado? É preciso estar atento e lembrar-se das lições. Quem abriu a boca sabe se o que saiu de lá veio dele(a) ou não. Quem ouviu precisa ter maestria na humildade de controlar o ego e se abrir para receber o recado de Elphame.

Elphame é multifacetada e subdivide a Arte Bruxa em tradições diversas. A Rainha de Elphame, Nicnevin foi também chamada de Anadia, Enódia, Satia, Benzosie, Zobiana, Abundia, Mardoll, Herodiana, Aset, Carline, Diana, Herodias, Hella e Hecate, a senhora das Fadas, da noite, da lua, das encruzilhadas, a guia de tochas incandescentes, a mãe das bruxas e bruxos, senhora dos encantamentos e feitiços de bruxaria. É preciso lembrar que “Fada” é um termo guarda-chuva para “os mortos” na linguagem bruxa. Ela foi conhecida por mais de 10 mil nomes ao todo, em todas as culturas, em todos os países, em todas as línguas, Ela sempre esteve presente e sempre estará, guiando, educando, ensinando, protegendo, realizando, criando, tornando possível, curando, ferindo, testando com ordálias, doando dons, soprando seu hálito feiticeiro, assustando, ajudando, aterrorizando, assombrando e amando. Ela é, foi e será, antes de Deus, durante e depois.

Com ela nós vivemos para sempre!

Possam os “bons vizinhos” e a boa deusa de Alison Pearson te levar para perto das bruxas seelie, as bruxas felizes!

Felizes por conhecer seus próprios dons.

Por Sett.








domingo, 19 de março de 2017

Curando Antigas Feridas


Queridos leitores,
Primeiramente quero agradecer o tempo que alguns de vocês disponibilizaram para nos escrever.
Tenho recebido muitas cartas me pedindo conselhos sobre como vivenciar um bom relacionamento com seu par. As cartas são muitas e muitas são as dúvidas, os problemas enfrentados e os vários condicionamentos, padrões repetitivos.
Entre os problemas abordados estão:
Sacerdotisas com "coração peludo";
Sacerdotes que não acolhem as dores reais de seus consulentes/pacientes;
Disputas pelo poder entre bruxos(as);
Pais de santo atacando bruxos;
Pessoas querendo ser mais que os outros, humilhando seus pares;
Mestres e mestras que ensinam seus neófitos, mas não permitem que os neófitos deixem de ser neófitos, e os "escravizam" com manipulações e outras doenças psicológicas.
Em fim, são tantos os problemas e cartas que eu ficaria o dia todo, quiçá o mês inteiro para responder tudo.
Como estou numa fase "ligth" e não quero escrever muito, vou deixar aqui a dica sobre as diversas questões sobre o tema que me foi perguntado, na fé de que, quem irá vos aconselhar serão vossas próprias consciências logo após assistir o vídeo abaixo.
Ocupar-se com isso é "curar-se", não desanimem, vocês já deram o primeiro passo.
Lembrando que, quem busca o triunfo é porque não o possui, por isso precisa buscá-lo.
No vídeo abaixo encontra-se as dicas que, inclusive podem e devem ser aplicadas tanto no contexto pessoal, em relacionamentos de diversos tipos, e também nos covens. 
Em todos os vícios de comportamento há a figura que te trata como "doente", há a figura do aparente superior e do aparente inferior e o meio de controle e libertação. Em todos os casos citados nas diversas cartas havia essas figuras, mas o que faltou de fato foi o desenvolvimento pessoal e a permissão desse desenvolvimento nos outros. O que mais me chamou atenção foi a figura de um lider religioso que ensina seu neófito até os altos graus, mas quando o neófito se torna mestre naquela arte, o lider o impede do "desmame" e o escraviza ou insiste em inferiorizar a pessoa para continuar a aparente lenda do eterno drama de controle sobre as pessoas, típico do triângulo dramático de Karpman.
Contudo, quando o paciente se cura, há que se observar que "poucas ou poucos" são aqueles que permitem o seu crescimento a partir dessa cura, o qual facilitaria a igualdade inter-pares.
E aqui fica um último aviso contra a vaidade:
UMA INICIAÇÃO LEGÍTIMA TEM QUE SERVIR PRIMEIRO PARA TI, PARA O TEU CAMINHO. De nada serve se dizer iniciado e ficar brigando na internet pela disputa de poder, para se auto afirmar ou para mostrar quem tem mais poder que o outro. De nada serve enfeitiçar um irmão de arte para se vingar por alguma razão. Primeiro que, sobre "guerras" de bruxos, os dois lados saem perdendo e, por último, A ARTE BRUXA se queima por causa dessas pessoas, quais não fazem outra coisa senão falar mal da arte bruxa sem perceber, faz cair em descredito a arte que já foi tão caçada pela inquisição. De igual forma, uma verdadeira transformação te liberta e liberta a todos ao seu redor, então todos devem revisitar os propósitos pelo qual buscaram a bruxaria, pois de nada serve você posar de bom moço ou boa moça e nos bastidores você "queimar" seus irmãos bruxos(as) nos mais variados feitiços de maldição.
Nem é preciso dizer que um mestre nunca ensina tudo que sabe!!! Por essa razão nem preciso falar da lei do retorno e como ela de fato é usada por um mestre.
Com relação aos pais de santo e mães de santo que insistem em atacar as bruxas eu só tenho uma coisa a dizer:
O reino de Oyó, o império onde nasceu Xango, foi fundado em 1.400 depois de Cristo. Logo, Xangô (Sangò/Sogbo/Vodum Badé etc..) nasceu bem depois dessa data. Aliás eu preciso lembrar aqui que os Celtas invadiram a Africa e transmitiram sua cultura aos Africanos, os quais trocaram informações e conhecimentos. Ver Anatólia e Gálatas. 
Em comparação com o respeito das forças que representam a Natureza, devo dizer e informar que a Deusa da Bruxaria e seu Culto não nasceu depois de Cristo, ao contrário, Ela possui 35 mil anos de egrégora documentados na história. Por essa mesma razão os pais de santo e mães de santo deveriam respeitar bem mais o Poder das Bruxas e não se opor a Ele, desde que as bruxas não são "menos perigosas" do que qualquer correligionário do candomblé. Se você é um iniciado(a) que anda "queimando" seus irmãos de arte sábia, eu sinto muito lhe dizer, mas sua iniciação não te vestiu ainda, ou melhor dizendo: Você não iniciou o caminho ainda, não está sendo melhor que ninguém, nem melhor que si mesmo, você continua no mesmo lugar de antes da sua iniciação e deve dar um passo para trás e revisitar seus propósitos, pois ninguém oferece ao mundo aquilo que não possui. Fazer o mal toda criança sabe fazer. Um(a) iniciado(a) faz a diferença sobre ele mesmo, e as ordálias são muitas e são eternas, cada uma em um nível mais hard que a outra. Se a pequenez humana tomou conta de ti, siga o exemplo da semente, do grão que vira tronco, que vira árvore, que dá folhas, flores e frutos, que alimenta o mundo com bondade, gentileza e graça.
Eu não quero com isso criar polêmica alguma e sim, conscientizar as pessoas sobre quem verdadeiramente respeita A Força da Natureza mais antiga e preza pela ancestralidade, pois ouvimos essas mães de santo falar tanto da ancestralidade, contudo não tem demonstrado respeito algum, apenas preconceito e disputa pelo poder feiticeiro.
Queridos pais de santo, vocês são tão "bruxos" quanto qualquer um de nós, e se houver nova inquisição vocês serão queimados igualmente. Então aos que dão conta de sacar isso, sejam bem vindos ao mundo da igualdade. Aos que ainda mantem a idéia do separativismo idiota eu digo, abram a mente. Que fique claro que não me refiro a todos, pois existem as exceções e muita gente humilde, honesta e que faz funcionar sua iniciação pra ti mesmo, como tem em qq lugar.
Em fim, bruxaria acima de tudo se ocupa com transformações, não com domínio. O domínio está nas mentes fracas que necessitam provar alguma coisa pra alguém, inclusive pra si mesmos. Nós bruxos nos ocupamos em nos transformar por dentro, oferecer mais, brotar e lapidar virtudes, fazer uma verdadeira alquimia, aprender com os erros e sermos melhores que nós mesmos todos os dias, para oferecer isso ao mundo que nos procura para pedir uma benção. 
Bom, não preciso de palavras para maiores esclarecimentos, o vídeo revela por si.
Bençãos a todos.
Sett


Virtudes - Manifesto da Humildade



Spirito Benedetto - Famiglia Lupino


quarta-feira, 8 de julho de 2015

A Marca de Caim - Um estudo sobre o exílio



artefato da coleção do autor
Todos os exilados vivem o mito de Caim. Viver o mito de Caim é uma grande forma de se manter agradecido pelas próprias conquistas. Em outras palavras, é um amadurecimento infindável.

Se Deus respeita ou não essa epopeia de Caim, foi Ele quem deu causa, ou não haveria nada para agradecer, portanto Deus é culpado. Todos os demais, veneram e respeitam aqueles que vivem o mito de Caim, pois é uma grande honra. Digo isso porque algumas pessoas interpretam o exílio como um castigo ou punição a ser aplicados, estão enganados.

Quaisquer que sejam as interpretações históricas da bíblia sobre o assunto, em Gênesis 4, 1-24, todas estão sob um paradigma conveniente para ilusão, com alguma ressalva, senão vejamos:

O drama descrito no capítulo supracitado, não exclui a existência dos acontecimentos, porém significa dar-lhe uma dimensão que ultrapassa sua contingência e, mesmo que os acontecimentos não tenham acontecido exatamente como a bíblia menciona, não podemos deixar de notar os signos apresentados e a grande lição que a história exerce sob os filhos de Caim, haja vista que em Le jour de Cain (Paris, 1967), Luc Estang viu na narrativa algo a mais além das entrelinhas e nos faz pensar.

De acordo com o próprio Gênesis, Caim foi o primeiro homem nascido do homem e da mulher, e foi o primeiro lavrador, o primeiro agricultor, e primeiro sacrificador, cuja oferenda não foi aceita por Deus, foi o primeiro assassino, o primeiro revelador da morte pois jamais teria sido visto antes do seu fratricídio, o rosto de um homem morto, e por tanto, foi o primeiro feiticeiro e construtor. Como homem do campo, Caim foi um verdadeiro pagão no sentido literal.

Após a recusa de sua oferenda, ele partiu a procura de uma terra fértil para desbravar os mistérios da fertilidade e das plantações, assim, ele também foi o primeiro errante, o primeiro cigano, e se tornou o primeiro construtor de cidade. Sua importância é total em algumas vertentes de bruxaria tradicional, contudo, as lições apresentadas na história bíblica de Caim haviam sido registradas no mundo pagão, como no caso latino de Remo e Rômulo, bem como Karna e Arjuna no episódio Hindu, e entre Thórólfr ou Ásgerr e Egil nórdicos, e ainda, no antigo testamento, dizem alguns pesquisadores, alegam a ver alguma analogia com Esaú e Jacó. Essas histórias sobre fratricídios são temas de grande discussão no direito penal estudados na faculdade, e são de conhecimento de qualquer advogado.

Assim, as diferenças entre os pastores e lavradores continuam até hoje sob o disfarce cristão X pagão, portanto esse tema de disparidades de vontades e crenças sempre foi regido por códigos religiosos que ditavam a “ética divina” e é bem antigo.

O prélio entre pastores e lavradores também foi tema de aprendizados esotéricos. Se voltarmos no tempo a história mítica revela disputas e fatos entre irmãos e fratricídios muito comuns, como no mito histórico entre os egípcios Seth e Osíris, ou antes disso entre Tamuz e Enkidu sumerianos, os quais os hebreus herdaram os ensinamentos e alguns costumes culturais e religiosos, razão pela qual pode ter surgido o mito de Caim e Abel, totalmente baseado nos mitos Sumerianos.

Ainda temos de considerar que, a bíblia pode ter omitido, mas o primeiro livro de Adão e Eva nos revela que Abel, depois da sua morte reencarnou como o terceiro filho do casal cujo nome era Seti (também grafado como Seth e/ou Sett).

Mas Caim foi marcado por Deus durante o desentendimento que gerou o seu exílio. Deus colocou uma marca em Caim, a fim de que ele não fosse morto por quem o encontrasse.

Nesse contexto, Caim foi também o primeiro homem a se retirar da presença de Jeová e partir, numa infinita caminhada em direção ao Sol levante.

A aventura é de uma grandeza inigualável, sendo a aventura do homem entregue a si mesmo, aquele que não espera as coisas caírem do céu. Isso simboliza que Caim faz suas escolhas, tornando-se deus de si mesmo, assumindo todos os riscos da existência e todas as consequências de seus atos. Caim é o símbolo da responsabilidade humana e é o símbolo nato dos feiticeiros de memória judaico-cristã.

Da mesma maneira que o significado do nome Abel é Vaidade (Barro), o nome Caim significa Posse (dono de si, ter posse sobre si mesmo, escolha-livre arbítrio, aquele que não aceita dogmas).

No simbolismo animal Abel é a ovelha e Caim é o bode, mais uma vez o masculino e feminino interagem. Sua mãe o chamou de Caim porque ele foi a sua primeira aquisição. Alguns mitos dizem que Samael copulou com Eva e nasceu Caim. Samael teria incorporado ou se passado por Adão a fim de possui-la. Outros mitos dizem o contrário, sendo Eva possuída por Lilith e esta teria copulado com Adão, ficando por cima dele e mostrando a supremacia da mulher sobre o homem. De qualquer forma O Espírito pode muito bem possuir tanto homens quanto mulheres e, seria uma arrogância alegar que Lilith só “entra” nas mulheres ou que só as mulheres são vaso Dela. Eva foi criada da costela de Adão e de qualquer forma ambos dependem um do outro e não há razão para discutirmos quem é superior e quem não, pois em igual modo Ambos tiveram sua criação pelas mãos Divinas, não importando qual material foi usado por Deus na criação, pois o importante aqui é a linhagem espiritual de Caim, a linhagem que se fez sangue, que se fez carne e que transcendeu a própria carne.

Uma breve explicação vem informar que Lilith é o verdadeiro Espírito Santo, e essa informação foi omitida pela igreja por muitos séculos. Isso equivale dizer que Caim é descendente legítimo do Espírito Santo, enquanto Abel foi feito somente da carne do homem e da mulher e por isso ele é o Barro, já que não possui espírito. [o pronome possessivo não é puramente ilustrativo].

Deus criou Adão do barro, ele era uma espécie de zumbi até conhecer a maçã. Só depois de comer a maçã é que ele teve seu corpo habitado por um espírito, já que a partir desse ponto é que ele pode morrer, antes disso ele era uma espécie de lama. Percebe-se aqui o tema esotérico revelado.

Adão teria dado a mordida na maçã que Eva lhe ofereceu e em seguida ele fez amor com ela. Parece que Eva não comeu a maçã, pelo menos não antes de Caim nascer e esse é um tema confuso. Eva foi comer a maçã depois que Abel morreu e foi assim que seu terceiro filho se tornou Seth. Assim sendo, Seth é a reencarnação de Abel, é o livramento do barro para a chegada do homem de espírito.  

“Tu me tiveste segundo o desejo e com a assistência divina”, diz Caim à sua mãe. [...] ...Muito cedo compreendi que ele em nada me ajudaria, e que eu não poderia contar senão com minha própria vontade. A maçã é a vontade. A maçã que a serpente seduziu Eva para dá-la de comer à Adão. O tema da maçã já era conhecido em Avalon pelos pagãos. Uma curiosidade conhecida por todo pagão é que o verdadeiro nome da Maçã é Malus sieversii, havendo diversas variedades de Malus. O mundo latino mudou de Malus para Mala porque a palavra Malus era da mesma ordem etimológica para se referir ao mau e a maçã em tempo igual. Tanto o fato se confundiu em alguns textos antigos, pelo qual a maçã e a romã foram igualmente confundidas pelos autores.

Outra curiosidade esotérica é que todos os médiuns (que sofre possessão por transe) são considerados filhos de Caim, porque Caim significa posse-possessão), sendo assim todos os médiuns são feiticeiros e bruxos, independente de tradição transmitida via horizontal (de pessoa para pessoa). Alguns autores afirmam que a marca que Deus colocou em Caim é o próprio dom mediúnico.

Independente do tema de Caim ter cunho judaico, a mítica é a mesma só que teve nascedouro mais antigo, o assunto é sempre o mesmo desde a velha Suméria. Não foi à toa que o tema da descida da Deusa “Inanna” ao mundo subterrâneo sobreviveu até os dias de hoje, e vale lembrar que esse tema também foi promulgado e usado por Gerald Gardner durante a construção de sua religião que contém bruxaria. Como podem ver, os mitos Sumerianos estiveram bem vivos entre todas as épocas e foram usados para os mais diversos propósitos religiosos.

artefato da coleção do autor
Se você parar para analisar, vai ver que o tema de agricultura e fertilidade está sempre presente, assim como o tema de nascimento, morte e renascimento (ou reencarnação) estão igualmente. Para toda religião, culto, seita ou tradição espiritual há um crédito maior de poder no mundo espiritual, ou seja, o tema do poder divino. É por isso que não cabe acreditar que tudo acaba quando morremos, uma vez que se acredita (dar-se crédito) que existe um Deus que mora num mundo espiritual de onde viemos e pra onde voltaremos. Aqui o tema se liga ao eterno ciclo morte-renascimento, sendo que, em algumas irmandades bruxas, ensina-se que em vida devemos aprender a sermos mais virtuosos e nos livrar dos vícios, do barro, a fim de subirmos as escadas pra lá de onde caímos, o céu, o paraíso, a montanha dos vitoriosos, o castelo da dama Fortuna, em fim, chame-o como quiser. O tema da queda de Lúcifer (O anjo Portador da Luz) refere-se ao tema da reencarnação, onde nosso espírito teria caiu do Céu e reencarnou (tomou carne-forma física-matéria) aqui na Terra.

Mas Caim não pode morrer, diz os textos sagrados, isso equivale dizer que ele não pode sofrer a verdadeira morte, aquela que “acaba” com tudo pra sempre e por isso é condenado à voltar a vida (reencarnação). Sendo assim tomamos a morte como uma mera passagem de ida e volta, não menos importante na trama divina.

Caim é do espírito eterno e as longas viagens desse espírito é um subir e descer e subir novamente entre o céu e a terra.

Em Luc Estang, 88, Caim diz a sua mãe: “Sabeis que eu tive de conquistar por mim mesmo tudo o que vós me atribuís: o ardor e a rudeza, a força e a obstinação”.

O que Caim desejou foi acrescentar à terra de Deus, o fruto do trabalho do homem, a fim de ser verdadeiramente o senhor de seus atos, ele diz: “sonhei em reconciliar a terra com Deus”. Mas parece que até hoje Deus virou as costas e não está nem ai pra ele.

Caim seguiu desejando construir uma cidade que seria uma manifestação ainda melhor dos feitos humanos do que a terra cultivada. “Eu via a cidade como uma outra lavoura, como uma outra semeadura, como uma nova messe”. Dessa forma o trabalho dos bruxos não acaba nunca, sempre há uma nova semeadura, ciclo sem fim, ou pelo menos não até conciliar a terra com Deus, e Ele aceitar a reconciliação.

É como um despertar da terra fora de si mesma, Caim faz o trabalho do despertar de sua elevação vertical à imagem do homem, pelo homem, que assim estabelecia sua própria soberania. Suas muralhas teriam circunscrito o espaço onde ele nada esperava de Deus. Em verdade, Deus não tinha poder na cidade de Caim, ou pelo menos não exercia influência ali.

A cidade, prolegômeno, em princípio, de quase todo futuro ateísmo, digo quase pois se não houvesse o politeísmo, outros deuses, outras religiões, outras culturas, etc, seria total o ateísmo.

É interessante saber que o gnosticismo possui uma mítica sobre como Deus se tornou Deus. Saclas seria seu nome enquanto “O Demiurgo” e ele era filho de Sophia. Tendo nascido defeituoso, foi lançado para longe dos deuses do Primórdio, no espaço onde se viu sozinho, sem seu par perfeito, resolveu criar o que conhecemos como ordem natural da vida, mas nem todos os seres humanos possuem espíritos da etnia de Saclas. Alguns possuem etnia espiritual da família de Lilith, os quais remontam o tema dos Guardiões, os Nephilins, os quadrantes da terra e sua família de deuses mais antigos, como no caso de Caim e seus descendentes.

Dessa maneira o ciclo vida e morte foi dado aos humanos de todas as descendências espirituais, sendo forçados a conviverem juntos num único planeta, evoluindo ou não, progredindo ou não, foram forçados a subir e descer num ciclo sem fim até atingir um nível onde não seria mais preciso reencarnar, em outras palavras, o tema da queda perderia importância.

Talvez esse seja o único ponto onde não usamos o livre arbítrio, uma vez que, desde nossa criação, nos foi imposto esse ciclo, esse vai e vem. Ao fundir-se com um deus, você se torna um deus novo com seu par perfeito. O tema não é novo, cada estrela no universo é um Sol e cada Sol possui sua própria galáxia.

No mundo ordinário, não nos foi permitido transitar “ainda” entre uma galáxia e outra, porque a NASA ainda não descobriu um método para isso. Se um dia isso for possível, saberemos se há realmente vidas como as que conhecemos, em outros lugares do espaço, mas por ora, limitemos à nossa Terra-Mãe, à nossa Lua e ao nosso Pai Sol.

Voltando ao tema de Caim, Deus não aceitava de bom grado os sacrifícios do lavrador e desse sonhador de cidades. E Caim não podia aceitar ser o mal-amado de Deus. Estava pronto para qualquer renúncia, se ele, de início, aceitasse. Por pouco amável que fosse, era dessa maneira que importava à Caim em ser amado. Mas Deus não recompensava seu escarniçado trabalho.

O que Caim deplorava, não era o fato de Abel ter tantas vantagens, mas sim o fato de Caim não ter nenhuma!

Então Caim se revoltou por todos nós, por todos aqueles que não aceitam o mistério da predestinação. Esse papo de que nascemos predestinados, as crenças limitadoras e falsas que temos sobre nós mesmos, a predestinação que divide os homens em rejeitados e eleitos, todos aqueles que não compreendem o desprezo de Deus pelas grandezas terrenas e sua predileção pelos humildes.

De tal modo, Caim orgulhoso de si, afirmou seu próprio valor, seu esforço, sua autoestima e renunciou a Deus, e é a partir daqui que começa o seu exílio.

Caim partiu na condição de errante junto com os seus pares, como quem parte em busca de um futuro a ser indefinidamente construído. Diz Caim: “Partiremos para o deserto dos homens, e que os homens, inumeravelmente, povoarão. Nós nos guiaremos pela aurora sempre renovada... E será por não nos determos em parte alguma que estaremos sempre em toda parte. Nossa vida errante nos permitirá medir a terra e, ao mesmo tempo, nós a edificaremos”.

artefato da coleção do autor
Caim parte, em busca do devenir do homem fora da presença de Jeová. Entretanto, foi-lhe preciso matar o irmão (o aspecto do barro em si mesmo) e precipitar a hora da morte. A fim de liberar-se, chegou ao extremo do crime. A verdadeira morte vem a ser aquela em que se é obrigado a dormir sem jamais poder despertar. Ele impôs brutalmente, diante dos olhos da primeira das mães-do-barro: Temor antigo, castigo misterioso, ó morte! Eis-te pois revelada! Tens o rosto de todos nós, sob a máscara de Abel, e por tua causa nós não nos diferenciamos dos animais.

No sentir de Adão e Eva, a morte é o último fruto da árvore da sabedoria; diante dos despojos de Abel, Adão exclamou: Aqui, neste instante, nós esgotamos o sabor ao fruto da sabedoria; mais do que nunca ele é amargo. Entretanto, ele diz a Eva: Fomos nós que transmitimos o gérmen da morte ao corpo de Abel. Eva então replica no auge de sua revolta: Ah! É como se ele tivesse aberto em mim uma brecha: meus filhos jamais terminarão de matar-se uns aos outros. Todavia, Temec, procurando justificar seu marido Caim, diz: Que triunfe a vida, ainda que o preço seja a morte.

É verdade que a morte inelutavelmente haveria de sobrevir, porquanto era o castigo do pecado original.

O erro de Caim, foi na realidade, ter-se adiantado aos desígnios de Jeová. Ele acrescentou novo mal ao mal cujo castigo é a morte. Caim foi o iniciador da morte e ele mesmo não poderia morrer.

Desde então, sobre a fronte de Caim, e de todo homem, todos poderão ler: Perigo de morte! Embora devam notar nessa advertência, o signo protetor que designa a criatura divina, não um estigma infamante, eis a marca dos bruxos.

O signo que me reprova me protege, diz Caim. Na verdade, o Deus concede-me a graça de que meu crime intimide os vingadores, porque o crime deles contra mim terá de ser expiado sete vezes!

Desde então o corpo passou ao pó e o espírito passou aos céus. O homem passou então a não afrontar nada mais de Deus a não ser a sua ausência. Resta-lhe, porém, sua própria presença de homem a afrontar, como relembrou Temec, a impiedosa esposa: Tua própria presença, Caim! Doravante, na sucessão dos homens: Caim presente em cada um deles. No espelho de sua consciência, todo homem refletirá os traços de um Caim.

Como disse Adão: Meu filho Caim é essa segunda parte de mim mesmo, que não acabava mais de se projetar. Vós, que o seguis, sabei-o: sois o enxame de minhas ilusões.

Nesse sentido, encontramos forçosamente uma comparação na tradição grega, pensado para ter equivalência grega do desejo de Caim em Prometeu, que desejou conquistar para a humanidade um poder divino; liberá-la de uma dependência total, atribuindo-lhe o fogo, princípio de todas as mutações futuras, quer seja o fogo do espírito, quer seja o fogo da matéria. Tal como Prometeu, Caim é o símbolo do homem que reivindica sua parte na obra da criação.

Por Seth Ben Qayin