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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

CONVITE PARA A LUPERCÁLIA - PARTE 2

 

Muitas vezes o homem busca a orientação dos oráculos, através dos quais a divindade da terra fala ao seu povo. Os etruscos eram os Tirrenos, cuja palavra significa “o que vem da terra”. Como Tages surgiu na terra a partir de um buraco, o mundo subterrâneo veio justificar o que se via, as plantas brotarem. Assim iniciou-se a espiritualidade Etrusca e suas disciplinas. Os Etruscos não davam um passo sem consultar os oráculos. Assim como é em cima, também é abaixo. Esse verbete antigo já era conhecido, e o casamento entre céu e terra foi possível de interpretar, somando astrologia e geomancia, como demonstram as disciplinas etruscas.



A deusa da terra e seu séquito, que nutrem os vivos, também recebem os mortos. Eles continuam a viver na tumba como Fetchs (assentamentos igual de orixás) e são, se devidamente honrados, os gentis protetores de seus descendentes; mas, se enfurecidos, tornam-se demônios impiedosos, e deve ser “evitado” por cerimônias de libertação que contem os Flers (oferendas igual aos ebós dos ancestrais dos cochitas). Quanto mais ilustres os mortos se transformam em heróis locais com um processo que a igreja veio a chamar de beatificação, são homenageados por atos de culto semelhantes aos realizados para divindades ctônicas. Cópia desse sistema aliás, justifica o Vaticano ter erigido a Santa Sé em cima do cemitério etrusco da Deusa Vatica.

Precisa-se lembrar, inclusive, que o processo NATURAL de fertilidade em uma mulher, até a divisa da idade do Bronze era tido como mistérios femininos discutidos em reuniões femininas em baixo da luz da lua cheia. Posteriormente, o conhecimento humano da idade do Bronze evoluiu para a percepção de que a fertilidade que gerava vida na barriga da mulher só era compreendida na execução da cópula vestibular, ou seja, a introdução do pênis na vagina. 

Mesmo que houvesse sexo sendo feito entre casais do mesmo sexo, o que era natural conforme se explica no dicionário dos antigos filósofos, a ideia de compreensão de um mistério sagrado só podia ser desenhada pela interpretação da soma das polaridades e, isso se dava, até certo ponto, na união sexual do homem com a mulher. Isso era O NATURAL para a época, pois não se conhecia a pesquisa IN-VITRO e o bebe de proveta que é Artificial. Perceberam a diferença entre natural e artificial? Todos os mistérios antigos se pautam na interpretação do natural. Por isso a importância da Mulher e do Homem se intercalarem em alguns rituais e, inclusive para a prática da magia sexual. Isso não tem a ver com ser hétero ou ser gay. 

Tem a ver com a importância da polaridade que desenha o corpo físico e natural geração de vida, sem ser artificial. Daí a relevância das polaridades em operações mágicas e ritualísticas, pois esse é um dos escopos de tradicionalidade. Mais tarde com a introdução da ética no mundo ocidental, os ritos de magia sexual foram simbolizados pelos componentes equivalentes das polaridades e passaram a serem ritos simbólicos.

Essa adoração da deusa da terra e das divindades locais (genni loci), enquanto é uma espiritualidade temerosa, e se expressa em ritos mágicos de mistério, que mais tarde constaria nas escolas de mistérios, tem em si os elementos elevados de dependência da divindade, do senso de impureza e, da possibilidade de purificação e comunhão com o Deus.

Sir Arthur Evans destacou acerca desta espiritualidade ctônica que é caracteristicamente não helênica e sim própria da Itália autóctone, não tendo nada a ver com as tradições da religião ariana primitiva.

mapa da Gruta de Lupercal


Uma imagem igualmente detalhada das crenças religiosas do período pré-histórico Ariano é, infelizmente, impossível. Quando os arianos migraram de seu lar primitivo foram para terras que, na maioria dos casos, já estavam ocupadas. Uma modificação racial dos arianos deve, portanto, ter começado nos tempos mais remotos. Quanto à religião original dos arianos, que já eram mestiços quando apareceram no palco da história, podemos tirar apenas conclusões gerais baseadas na filologia e nas crenças religiosas comuns aos povos arianos mais antigos. A maioria das autoridades concorda que o céu, com suas variadas manifestações, era o objeto supremo de adoração entre todos os povos primitivos que falavam a língua indo-europeia. Nesse ponto fica claro a divisão da cultura matriarcal se mesclando com a nova que surgia, a patriarcal.

Para eles, o céu estava bem cedo encarnado em um deus que foi chamado de "o pai", como "pai Zeus", ou pai "Júpiter". A terra como mãe ficou pequena perto da adoração da esposa do deus-céu que existia. A importância da Terra-Mãe era pequena comparada à de sua esposa que habitava nos céus. Houve, portanto, uma ênfase exatamente oposta à da religião mediterrânea, em que a mãe-terra era suprema, e o deus-céu seu subordinado, isso poderia ser a base da intenção política que deu origem àquilo que conhecemos como desavença entre Gregos e Troianos, cuja água do copo transbordou recaindo na história de Helena. Com o tempo a deusa-terra foi perdendo espaço, tanto que depois que Copernico apresentou sua teoria heliocentrista, reforçada por Galileu Galilei, o que havia no espaço sideral se tornou tão gigantesco nas mentes humanas, que tornou impossível continuar a cultuar o chão que se habitava. A sacralidade e fertilidade da Terra chegou na nossa era com bastante descrédito.

Um fator curioso sobre Tróia é que Posseidon, originariamente era uma deidade dos terremotos,  maremotos e patrono dos cavalos. Seu nome significa dono do poder. O fato curioso é que a etimologia da palavra cavalo vem do clássico Latim Equus e Equa o mesmo radical da palavra aqua que gerou a palavra água. Cavalos marinhos eram ofertados à Posseidon, e o cavalo de Troia pode muito bem ter sido um maremoto completo como causa de um terremoto bem na hora em que os Gregos estavam à espreita na praia de Troia. Fica a dica para uma interpretação sem romance, pois o verdadeiro cavalo de Troia pode ter sido um Tsunami numa era onde essa palavra ainda não tinha sido inventada e como a cidade de Troia foi destruída e, a dos Gregos não foi destruída, registrou-se a vitória em nome dos Gregos. Como pouco se dá importância sobre os sobreviventes de Troia, os quais são bem registrados na história e nos anais da Eneida ter ido fundar a Nova Troia, sendo o filho de Eneias e Dido, com sangue Helenico e Afro, ter se somado aos etruscos na continuidade da história que gerou Roma. Estamos a falar de uma Roma que nada tinha a ver com o Papado, vocês sabem que o Papado foi um golpe de Estado.



A religião que é retratada nos Poemas Homéricos é preeminentemente racional, com apenas uma sugestão ocasional de misticismo. Em vez de uma divindade ctônica e uma série de vagas e inomináveis numina, os aqueus adoravam deuses antropomórficos que viviam em palácios no Monte Olimpo, e foram organizados em uma comunidade ordenada com Zeus, o deus do céu, em sua cabeça. Essas divindades eram altamente especializadas, cada uma tendo alguma província definida e função própria. A diferença entre a cultura grega e a helênica que habitou dentre os etruscos, é que a figura de um deus que se divide em 3 para reinar em 3 mundos diferentes é exclusivamente helênica. Jupiter era Jupiter no céu, no Mar ele foi chamado Netuno e, no submundo ele foi chamado Pluto. Essa visão está correta se basearmos o fato de que nas etruscas disciplinas Tinia é citado em 3 reinos/quadrantes da esfera astrológica de 16 casas, sendo o único quadrante que não é reinado por ele é o quadrante do ambiente natural, local onde vivem os seres humanos.  Os elementos céu, mar e submundo, significando exatamente na alquimia céltica druídica do norte da Itália, os elementos fogo, água e ar justificado pelo símbolo Awen, onde Fogo representa o Espírito, Água representa o Sentimento e Ar representa o pensamento (os dois últimos como os mundos de dentro) igualmente usado em astrologia. Só para constar, também há representações desse deus e sua repartição feito trindade no mundo celta que colidiu com a Itália.

Os aqueus não tinham nenhum dos mistérios ligados aos deuses do Mediterrâneo, mas eram fortemente individuais e humanos, tendo o poder dos deuses, mas todas as paixões perversas dos mortais. Os homens os tratavam como seres humanos, às vezes repreendendo-os, ou mesmo zombando deles, como é feito na história contada por Demódoco sobre Ares e Afrodite.  Os deuses aqueus não eram, como os pelasgos, limitados em seu poder a algum lugar especial; eles eram os deuses da tribo e não do lugar. Em seus atos rituais, o povo de Homero não realizou cerimônias misteriosas ou orgiásticas, nem recorreu à magia para garantir o crescimento das colheitas ou o aumento de seus rebanhos; em vez disso, eles oraram aos deuses e ofereceram sacrifícios de maneira decorosa. A tradição druídica mostra que o costume celta de cultuar deuses locais permanece viva até hoje. A stregoneria do norte absorveu esse costume, enquanto que a stregoneria do sul veio a reaprender esse costume, conforme a relevância foi sendo percebida pelas castas de bruxas. Tal prática chegou para nós nos dias atuais como sendo uma só, como se no início não tivesse tido seus hiatos.

Com esses atos devidamente executados pelos aqueus, todo o dever do homem para com os deuses havia se cumprido. Ele não tinha na presença deles consciência do pecado ou da necessidade de purificação.  A palavra grega para pecado é ”hamartáno” e em hebraico é “hhatá”, em árabe “athm”, em todos os casos originalmente significa “errar um alvo”, especialmente nas sociedades regidas por teocracia. O pecado era o crime da época, pois se você não andasse conforme o regimento do livro Teocrático que governava tal povo, você estava em pecado e somente uma figura com poder temporal, como um sacerdote, poderia lhe absolver após sua expiação.

Em árabe a palavra Athm (singular) e Atham) plural para pecados, significam incriminar e é verbo feminino. Essa palavra está ligada à Hawba, que significa Hobá, lugar oculto e antiga cidade de Israel. Precisamos lembrar que a ideia de pecado é tão antiga, que já estava nas 42 Leis de Maat no antigo Egito cerca de 2 mil anos antes de Cristo. O pecado é pagão, foi copiado pelos cristãos posteriormente.

monte palatino


O fato é que cada povo conta sua versão dos fatos passados na história, devido a paralaxe filosófica e religiosa que cada povo tem. Um exemplo disso é o da tribo de Dan. Para o povo Judeu, a tribo de Dan é uma das doze tribos de Israel, enquanto que para os Cochitas africanos e o povo Fon, Dan é o nome verdadeiro de Oxumaré, o orixá serpente da sabedoria e transmutação. Quem diria que um orixá fez parte das 12 tribos de Israel? Mas quando as tradições são isoladas, chega até nós o que cada tradição ensina de acordo com a visão cultural-religiosa de raiz de seu povo e nação.

Voltando, Prestem atenção como o pecado e a purificação andam de mãos dadas um com o outro. Entre os aqueus, se tivesse cometido um assassinato, não era obrigado a expiar aos deuses, mas pagava uma multa ao parente mais próximo de sua vítima, aqui está a influência Greco-romana no nosso Sistema Jurídico de Direito atual. Quando ele assim fazia a reparação, ele não precisava ser purificado, como em tempos posteriores, pela aspersão de sangue, nem temer a perseguição de um fantasma vingativo.

Deu pra ter uma ideia sobre a diferença entre os costumes e tradições né. Mais de mil anos antes da era cristã, podemos imaginar as colinas do Tibre ocupadas por clãs dispersos de Ligurianos. De seus ancestrais remotos eles herdaram uma religião que era principalmente temerosa, e que procurava propiciar a forças invisíveis que pareciam à espreita para causar danos. Os primeiros rituais tiveram necessidade de serem criados devido à opressão que sentiam em relação ao mau humor divino, a fim de propiciar uma vida melhor e com mais prosperidade e, felicidade. A dor, a fome, a restrição e a opressão causavam tanto medo, a ponto dos sentimentos humanos permitir a criatividade de criar ritos, como ideias de apaziguamento divino e atração de boa sorte. Provavelmente as primeiras magias tiveram seu berço no sentimento votivo de gratidão e no sentimento de desamparo total, requerendo a proteção devida. A magia original não parece ter outro propósito senão esse apresentado, o resto que se conhece foi criado depois.

Para o povo da Itália, o lobo era um constante objeto de terror, e por isso muito cedo veio a tipificar esse poder destrutivo. Assim, as tribos que moravam perto do Palatino vieram ao Lupercal e tentaram propiciar a divindade-lobo que morava ali. Eles ofereceram uma cabra de seus rebanhos, então fugiram com toda a velocidade da cena do abate de um animal sagrado. Depois, tendo expiado seus pecados e culpa, eles voltaram para a caverna, para participar de forma sacramental da vítima, uma espécie de banquete como o boi no rolete regado a vinho e queijos dos maçons.

O medo humano acerca do lobo gerou o preconceito e até hoje assistimos o homem demonizar a figura do lobo, ouvimos até um grito dizendo: “cuidado com o lobo na pele de cordeiro”, ou então a história do lobo mal que come a vovozinha e a chapeuzinho. O lobo canino é o diabo que assusta e põe medo, mas que todo mundo quer fazer um carinho e ter em casa, mesmo sabendo que ele morde. Na era cristã Lupercus foi identificado com Reprobus, um cinocéfalo bem alto quase gigante que aprendeu as artes da magia com o diabo porque ele queria obter a forma humana. Ao encontrar Jesus depois de muito tempo ele ganhou a forma humana e passou a se chamar São Cristóvão que em inglês nas raízes latinas é Christopher, o qual quer dizer portador de Chrestos. A igreja oculta seu passado, mas isso se passou antes de Cristo. Reprobus é o único que pode andar entre as margens de dois mundos e é com ele que você consegue atravessar.



Em seu estágio inicial, a Lupercalia foi um rito apotropaico cuja finalidade era a proteção contra o mal. Quando o povo terramare se estabeleceu no Palatino, eles encontraram o culto na caverna do lobo estabelecido há muito tempo e profundamente venerado para ser erradicado ou desconsiderado. Portanto, eles o incorporaram à sua religião e tiveram seus próprios sacerdotes participando do ritual. No entanto, a parte atribuída aos recém-chegados era obscura. Os sacerdotes da Ligúria realizaram todos os ritos significativos e foram moldando os ritos conforme a necessidade do povo enquadrada naquilo que a fé podia regar.

No tempo dos romanos, observou-se que o sacrifício de cabras que eles ofereciam na Lupercalia carecia do vigor que possuía os cultos vizinhos de Juno Capitolina e Juno Lucina, nos quais os golpes do chicote de couro de cabra garantia aos adoradores a entrada do poder vivificante da deusa. Então eles passaram a reforçar o rito de Lupercus com esses atos de culto de Juno Lupia e, Juno ganhou vida na forma de Luperca/Lupa. Assim a Lupercalia tinha um novo propósito acrescentado ao antigo: agora servia para assegurar a fertilidade ao povo.

A Lupercália é tempo de arar a terra do nosso quintal, o azorrague dos “Lupinos” prepara o terreno, e eles são recompensados com fecundas e belas visões, ao realizarem sua cerimônia na santa Figueira.

Vêem a si mesmos como “Filhos da Luz”, e uivam para a Lua, interessados em impetrar o fundo da escuridão fria e abrasadora, e fecundá-la com luminosidade. Os lobos feiticeiros em pleno estado desfigurados percorrem, na forma lupina para tocar as almas. Bebem um valimento chamado ‘Claret’, que possui a faculdade de produzir a mudança da próxima obra na lavoura e assim tomam o voo da bruxa para congregar na Nogueira sagrada.

Observam o cerimonial para ajustar deformidades, seguindo a prescrição da expiação contra enganos. Perfeito significa para ser feito, executado. Significa que está inacabado e precisa de revisão para lapidar o ser. Respeito vem de Re + spectus significando olhar de novo. Com essa consciência se faz um bom trabalho de transformação e é assim que se muda em lobo. De animal para humano, de humano para divindade, o eterno ciclo da queda celeste e do ir contra o grão.

O adágio, de fato, é a metodologia e investimento para vida nova. Ele deve ser acrisolado pela diligência. Tornamo-nos aquilo que pensamos, este é o mistério eterno.

O próximo mistério é o da purificação, para ser digno de tornar viva a sua origem divina. A raiz da palavra purificação é a mesma da palavra banho, a qual é a mesma raiz da palavra batismo (o qual também é outro rito pagão, não cristão, conforme atesta Cairbar Schutel em seu livro). Só existe purificação com a água. Corra de quem escreve livros sobre purificação pelo fogo. O outro mistério é o dos sacrifícios já tão bem explicados.



O mistério derradeiro está para admitir o arcano da extinção e suplantar a rota das causas e dos perecimentos, e com isso obtém-se poder sobre a arte de chamar uma nova existência para o filho de Saturno, senhor da Era Dourada.

Após receber estes ensinamentos do Rei Zagal, os quais estão associados à feitiçaria, tornam-se livres do temor e da morte, alcançando aquilo que só se pode obter a partir das trevas do antimônio, uma questão que Platão deixou bem claro.

Acessa-se o domínio fantasma que dificilmente tolera essa reserva. Em lugar disso, procura apoderar-se da realidade por trás dessas manifestações, influenciá-la e servir-se dela por meio do rito, da purificação, do sacrifício, da expiação.

Tenta abolir o caráter gasto e camuflado da realidade anterior da coletividade, se dispondo dela. Não contestando nem cultivando deformações em nossa crença, desde que não cobiçamos decifrar e manejar o código, mas em vez disso, aceitamos como nosso fluxo, e o sagramos enquanto vivenciamos.

Eis um ritual sacrificial e iniciatório em que todos os anos revigoraram sob o luar, o brilho da mais cara troca de pele e de pêlos, e isso implica alguns pontos a serem abordados para uma boa compreensão, a qual espero tê-la feito entendido ao leitor honesto, honroso e que clama por mais virtudes.

É nesse clima que acontece a 18ª. Lupercália do nosso Coven. Que todos os iniciados sejam bem vindos à Festa de todos os Lobos! A cerimônia de aprestos e congregação terá início as 16h na Figueira de Lupercal com os oficiantes do Canídea Covine de Ribeirão Preto/SP.

Possa o Luar te abençoar e amaldiçoar pela lei da verdade, exata medida e proporção!

Sett Lupino.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Como Saber se você é um(a) Bruxo(a)?


    


Ao nascermos, Elphame nos abençoa com “dons” ou “talentos” psíquicos e devemos reconhecê-los, pois reconhecer esses “poderes”  pode ser o início da sua jornada espiritual como primeiro passo para o auto conhecimento.
Primeiramente digo que este não é o único método de reconhecimento, mas sim um dentre vários e, vos apresento aqui, pois esse artigo não tem a finalidade de ter a última palavra no assunto.

Você já se questionou se possui alguma habilidade psíquica ou talento psíquico?
A maioria das pessoas não se pergunta isso, mas com certeza quem faz essa pergunta a si mesmo já mostra uma raiz.

As experiências com Dejavú geralmente é a primeira a se mostrar, mas da mesma forma fácil como ela se revela, da mesma forma somos inclinados a ignorá-la, uma vez que ela se mostra muito cedo em tenra idade e ainda não temos o poder do raciocínio lógico para amparar a revelação, em ultima análise, de ter estado duas vezes na mesma situação só que em vidas diferentes. É evidente que o véu que separa os Mundos pode ser aberto por você. Você só precisa descobrir como fazer isso.

Em geral, somos tachados como má influência ou como aquele que foi tocado pelo diabo. Um dos primeiros “bullings” na infância começa com isso, pois as pessoas te enxergam como “a criança estranha”. Muitas vezes "a coisa estranha" acontece conosco mesmo, seja num sonho lúcido ou não, alguma atividade sexual que desperta em nós alguma coisa, pode ser um sonho onde você está transando com o diabo ou com um E.T. por exemplo e, ao crescer você vai deixando isso de lado e nem dá bola, ficando sem saber na vida adulta o que de fato te empoderou lá atrás quando seu ego ainda não tinha capacidade de julgamento.

Outro sinal, mas não tão claro é o fato de que entre você e sua relação com seus pais possa haver algum segredo, problema a ser decifrado, seja de ordem de paternidade ou maternidade, algo mal resolvido ou simplesmente você sente que há alguma coisa que ainda não te contaram, mas que você “fareja” no ar e ao longo da sua existência você acaba descobrindo sem muito esforço. Trata-se de uma das primeiras captações de sua empatia expandida, isso funciona igualmente quando lemos os padrões repetitivos ou não dos comportamentos alheios. Os traumas emocionais nos tornam o que somos hoje, eles impulsionam os dons. De igual forma, sofrer algum tipo de opressão nos lapida a alma ao passo que buscamos enfrentar e combater as opressões ganhamos força.

Todos os seres humanos possuem alguma habilidade mental, sendo que em alguns isso é naturalmente mais expandida ou desenvolvida do que em outros. Geralmente isso vem acompanhado de uma forte ligação com o universo espiritual. Certamente se você nunca se sentiu desconectado de sua fonte espiritual original, por exemplo, você nunca sentirá necessidade de ter uma religião, mas vai estudar elas de forma científica, pelo conteúdo teológico apenas. Religião é uma palavra que vem do latim religare, e se você não tem que se religare a nada é porque nunca esteve desconectado de sua divindade interna que verticalmente está presente em você o tempo todo e o detalhe é que você percebe isso o tempo todo, mas algumas pessoas percebem mais. Se o esoterismo antigo nos revela que devemos cumprir um ciclo de 108 reencarnações, talvez com a metade delas já passamos a ser sábios. Esse pensamento justifica o que diz no dicionário de Oxford acerca da Witchcraft, a Arte dos Sábios, afinal, tanto com gnoseologia quanto com epistemologia oque fica evidente são as várias formas de aprender o conhecimento e a sabedoria.

Porém, por mais habilidosos que algumas pessoas sejam não é todo mundo que consegue reconhecer os vestígios, marcas, cicatrizes ou sinais de poderes psíquicos. Nisso mora uma imensa vontade de buscar respostas, de se juntar com seus iguais, os seus pares espirituais que estão caídos ou que estão no éter, de aprender a usar isso direito..., é uma fome de sentido que parece não ter fim e no fundo você está dominando a si mesmo e nem percebeu.

Devemos lembrar aqui que, uma iniciação vertical acontece na infância geralmente, sendo uma experiência direta com um “ser” do mundo espiritual a mando de Elphame. É muito comum ouvir as pessoas dizerem que na infância ou adolescência tiveram um ato sexual com o diabo. A palavra diabo geralmente é usada por desconhecimento por parte das pessoas. Então deixemos o diabo onde ele quer estar. A palavra diabo foi formada a partir de Voluntas Dia, ou seja, vontade da Deusa. Fica mais fácil de entender a influência do latim quando escrevemos diavolus. Dia em italiano é deusa jovem, e Dea é deusa que engravidou e virou mãe.

Outro sinal claro que habita dentro de você é a intimidade com amuletos da sorte e talismãs. De alguma forma você cresce sabendo que tais amuletos te respondem ou falam com você. Você olha para o objeto e sente a conexão, em alguns casos você bate o olho e até já sabe para que aquele objeto serve. Você capta o magnetismo dele e sente confiança. Ou seja, você cresce com uma crença natural em seres e energias que te respondem e que habitam dentro e fora de você e até mesmo habitam em objetos e, por último você simplesmente sabe que aquilo está ali para lhe amparar/ajudar/auxiliar/proteger.

Desde que a humanidade surgiu há a crença de que existem objetos com poderes, e isso revela a antiguidade da sua função psíquica a qual está impressa na sua alma.

As figas, as ferraduras, os crucifixos, moeda antiga ou gravura em plaquinha, o sal, o azeite e o olho grego são só alguns exemplos que atravessaram séculos de existência e provavelmente sua mãe possuía em casa, escondidos num saquinho especial ou expostos nas paredes.

Outro sinal é quando ouvimos de alguém ou sentimos nós mesmos que: “o santo não bateu!” Isso é tiro e queda. A gente sente algo se retorcer no estomago ao olhar para alguém ou ter um leve contato com tal pessoa. Isso é um indício que em vidas passadas essa pessoa fez algo para você ou pode se repetir algo da qual você não vai gostar e essa pessoa está ligada aos fatos. Seu espírito guarda na essência todas as experiências de vida, todas as memórias anteriores, e seu espírito reconhece a sensação do perigo quando chega perto dele. Essa pessoa envolvida tem algo a lhe ensinar (de bom ou de ruim), inclusive o ensino disso já está lhe mostrando que você é igual àquela pessoa, pois ambas possuem projeções de "sombras".

Quando a primeira impressão é a que fica, isso é um sinal de poderes psíquicos, uma vez que seu radar identifica na hora. Saber identificar a irradiação boa ou ruim de alguém é um dom bruxo. O que fazer com isso é outra história, pois depende virtualmente do nível de compreensão e progresso na evolução espiritual de cada alma. Ouvir a intuição muitas vezes tem haver com isso. Sua consciência nunca nasce e morre, ela é eterna divina e sempre esteve lá. Nascer e morrer é coisa de humanos, por isso "a queda" da sua consciência é a reencarnação.

Os orbes são outro sinal. Orbes são bolhas translúcidas/opacas que aparecem em fotos ou vídeos. São canalizações de energia densa local habitada em alguém ou em algum objeto ou local. As pessoas na foto, cujos orbes estão sobre ela podem atrair espíritos para perto.

O terceiro olho. Esse mostra a intenção ou intuição ou premunição. Geralmente está ligado aos dons mediúnicos, sonhos (lúcidos ou não) oneiromancia, é a porta para o Outro Mundo, onde se faz presente a ponte para Elphame. É algo que não se explica pela razão, você simplesmente sabe que é verdade e aceita isso naturalmente lá no fundo do seu íntimo. As Visões é outro sinal dos dons psíquicos que só uma pessoa bruxa pode ter. Sonhar é muito bruxo.

O estranho velho amigo. Com frequência algumas pessoas te escolhem para lhe contar as coisas mais bizarras que acontecem na vida deles. Mas nem eles mesmos sabem o porquê escolheram você para contar isso. A confissão, a revelação, o pedido de socorro, a confiança ou mera admiração pelo ocorrido geralmente está embutido na escolha de te contar, isso porque talvez as almas se reconheçam como diferentes e iguais ao mesmo tempo, ou iguais e separados. Fato é que a informação que lhe será revelada TEM que ser revelada para você!

Atrair pessoas estranhas que conversam com você como se já te conhecesse há muito tempo é um dos dons bruxos. É uma familiaridade espiritual ou energética muito clara e que geralmente não se desfaz nem com o distanciamento entre as partes, nem com brigas ou desentendimentos. Evitar harmonizar esse contato só causa atraso naquilo que Elphame quer para você. 

O mesmo acontece com os animais que gostam de você logo de cara. Já reparou que por mais que você bata num animal que gosta de você ele sempre vai estar te rodeando e te “lambendo” de novo mostrando que não é a namoradinha magoada? Isso se dá porque animais não tem ego. Fica a dica! Quem faz o trabalho de ego com seriedade sempre estão juntos de novo e de novo, assim como em todas as reencarnações sempre vamos nos unir de novo e de novo. Tentar evitar isso só atrapalha a si mesmo.

Funciona da mesma forma quando o discípulo está pronto e o mestre aparece. Quando Elphame quer, Elphame escolhe o mestre para você e te leva ate ele. Nunca é você quem escolhe. Rejeitar o mestre que Elphame lhe disponibiliza é rejeitar seu próprio poder e rejeitar a própria Elphame e toda sua origem bruxa. Na infância Elphame te coloca em contato de crianças iguais a você em dons ou crianças que precisam dos seus dons, uma vez que essas crianças ou pessoas são essenciais para o desenvolvimento dos seus dons, da qual não se desenvolveriam sem tal situação com essas crianças/pessoas ao seu redor.

 Outro sinal é a percepção sensorial, a flor da pele ou como a chamamos = a psicometria. Você já entrou num lugar onde sentiu calafrios? Alguns lugares mais quentes ou mais frios. Isso acontece porque os espíritos são seres de pura energia e nosso campo energético sente quando há a presença de energias iguais ou não, irradiando no ambiente. Ou então ao tocar um objeto você simplesmente sabe a leitura da memória que o toque fez do objeto. Esse dom pode lhe revelar a história guardada na pessoa, no local ou no objeto, com maior ou menor grau de clareza dependendo do desenvolvimento desse dom. Apenas um toque ou um contato é o bastante para conhecer o passado ou a memória guardada ali.

O poder da cura. Você já aliviou alguém só com o contato da sua presença ou toque ou algumas palavras? Absolver pessoas em confissão não é só para padres. Absolver os pecados de alguém não é só para quem se confessa. A palavra pecado já estava nas leis pagãs de Maat. Ler a dor de alguém e conseguir aliviar essa dor só com a intenção disparada é um dom bruxo. O plexo solar tem muito haver com isso, mas é preciso aprimorar todos os dons para se ter resultados bastante favoráveis quando se precisar deles. Absorver as energias ruins e transformá-las em boas ou adequadas afim de promover uma cura é absolver os pecados ou o peso que alguém vem carregando.

Os amigos imaginários são uma das primeiras formas de contato com Elphame e isso se dá em tenra idade. Geralmente esses amigos imaginários se deslocam no tempo e acabam se tornando “guias” espirituais conforme o entendimento e maturidade vão progredindo junto com a idade. O “faz de conta” é uma lembrança de onde viemos. Nós bruxos sabemos que não somos daqui.



Telepatia é outro dom que o pensamento utiliza para ler a mente alheia. A intenção construída sob forma de pensamento racional é emanada para o campo áurico ou enviada para o Akasha. Quando você acessa o akasha ou o campo áurico dos pensamentos de alguém você recebe a informação ali guardada. É como quando alguém lhe manda uma mensagem de sms, da qual você só vai ler se acessar o sms. Precisa haver aqui uma mente receptiva e uma mente emissora. É comum isso acontecer quando você pensa demais numa determinada pessoa que você não vê há muito tempo e logo ela entra em contato ou aparece no seu caminho. Também é comum abrir as portas da telepatia através da leitura da expressão dos rostos, pois existe um padrão para certos comportamentos ou mensagens que só os bruxos reconhecem e decifram com facilidade.

Conexão forte com outras pessoas. Quando a telepatia e a empatia trabalham juntas você pode construir uma coisa que chamamos de “termômetro de humor”, que, quando bem utilizado você vai bater o olho e vai saber quando alguém está bem ou não. Isso pode causar impactos reais e sensação de medo. Até a ciência comprovou que para isso existir é necessário estar emocionalmente e espiritualmente ligado a alguém.

Por um Triz. Existem situações em nossas vidas que o Universo envia sinais que diz que algo pode dar muito errado e quem recebe esses sinais são os bruxos ou pessoas sensitivas que ainda não se reconhecem como bruxos. Lembrando que até uma benzedeira é uma bruxa.

Dons artísticos ou a Aptidão para desenhar ou ainda o Talento para Artes. Criar uma cena ou uma personagem em sua mente e recriar a mesma cena exatamente igual no papel são dons bruxos. A sensibilidade para a arte revela também a antiguidade do dom que você carrega. Desde os primórdios da humanidade, existe uma divisória entre aqueles que podem esboçar alguns poucos objetos e outros que passam a vida inteira tentando conseguir proporções e ângulos sistemáticos, ou seja, o mundo é dividido entre aqueles que sabem desenhar e os que não sabem. O talento para arquitetura, design de interiores, HQs, retratistas, arte-finalista, ilustrador, animador, etc. As telesmatas astrológicas são muito bruxas. 

Mas quando o dom de desenhar é realmente um dom e quando ele não é? A resposta é simples. Ele é um dom quando você nasce sabendo desenhar sem nunca ter feito curso algum pra isso. Dom é “Gift” = um presente divino. E sim, todo dom merece ser estudado e aprimorado, desde que todos os dons são como músculos, se não usa, atrofiam e você vai ter que pesquisar sobre a diferença entre talento e habilidade, pois as bruxas possuem talentos psíquicos.
Tanto os desenhos quanto a invocação pelo estado alterado de consciência são dons bruxos, os quais postos em prática trazem manifestações e realidades desejadas. Desde tenra idade esses talentos são despontados e geralmente Elphame se mostra neles, alguns acabam virando perfeitos talismãs. 

É totalmente possível invocar seres ou energias através do desenho. Uma das comprovações existentes é a arte da telesmata do artista bruxo Austin Osman Spare. De igual forma, toda invocação (dentro para fora) ou evocação (fora para dentro) deve possuir o formato galanteador dos poetas, das representações em cena, do visionário que vislumbra um acontecimento antes de acontecer ou da projeção do desejo. O fato é que um desenho feito por um bruxo não é somente um desenho, ele possui vida própria.

Admirar as estrelas e saber identificar ocorrências de situações e divisões sazonais. A astrologia surgiu da procura no céu por presságios. Os imortais, também chamados de nakshatras em sânscrito ou manazil em árabe, nada mais são do que as mansões lunares que deram origem a astrologia. De tanto observar o céu foi possível construir uma ciência com muitas vertentes, a qual pode ser estudada hoje em dia e se tornar habilidosos astrólogos. Mas ainda existem pessoas no mundo que nunca estudou astrologia e pode olhar para o céu e prever episódios e eventos. Os planetas são deuses que controlam a vida na Terra e quem sabe interpretá-los, sabe se comunicar com os deuses, seja pela habilidade adquirida por estudos, ou por talento nato.
É por essas razões e dons que podemos afirmar sem medo de errar que bruxaria não é uma religião, mas sim, bruxos podem ou não adotar religiões que contenham feitiçaria ou não. Lembro ainda que não é uma iniciação horizontal que fará você se tornar um bruxo, a menos que você nunca tenha sido bruxo(a) em nenhuma das vidas anteriores. Primeiro a gente se reconhece como bruxo(a), depois a gente se junta aos nossos iguais.
Alguns Covens e irmandades mágicas utilizam de conhecimentos astrológicos para conhecer quem tem a semente bruxa. por exemplo, quem nasceu com Lilith em alguma das 4 casas angulares tem a marca bruxa. Todo um trabalho pode ser desenvolvido debaixo disso. Alguns Cangrés Rhomáh verificam quem nasceu com a pinta azul naturalmente detém a marca da bruxa.  

Precisa-se compreender que quando somos tocados por Elphame ou criados por Elphame os deuses e toda a nossa ancestralidade passa habitar em nós e quando despertamos essa consciência, muitas vezes acabamos falando algo para alguém, mas esse algo não veio de nós e sim de Elphame. Somos como “conduítes” de energia e os deuses falam através de nós. Quantas vezes abrimos a boca para falar algo ou chamar atenção de alguém e esse alguém (muitas vezes conduzido pelo ego) acaba brigando ou discordando sem se dar conta de que não é a pessoa quem está falando e sim Elphame falando através dela para dar o recado? É preciso estar atento e lembrar-se das lições. Quem abriu a boca sabe se o que saiu de lá veio dele(a) ou não. Quem ouviu precisa ter maestria na humildade de controlar o ego e se abrir para receber o recado de Elphame.

Elphame é multifacetada e subdivide a Arte Bruxa em tradições diversas. A Rainha de Elphame, Nicnevin foi também chamada de Anadia, Enódia, Satia, Benzosie, Zobiana, Abundia, Mardoll, Herodiana, Aset, Carline, Diana, Herodias, Hella e Hecate, a senhora das Fadas, da noite, da lua, das encruzilhadas, a guia de tochas incandescentes, a mãe das bruxas e bruxos, senhora dos encantamentos e feitiços de bruxaria. É preciso lembrar que “Fada” é um termo guarda-chuva para “os mortos” na linguagem bruxa. Ela foi conhecida por mais de 10 mil nomes ao todo, em todas as culturas, em todos os países, em todas as línguas, Ela sempre esteve presente e sempre estará, guiando, educando, ensinando, protegendo, realizando, criando, tornando possível, curando, ferindo, testando com ordálias, doando dons, soprando seu hálito feiticeiro, assustando, ajudando, aterrorizando, assombrando e amando. Ela é, foi e será, antes de Deus, durante e depois.

Com ela nós vivemos para sempre!

Possam os “bons vizinhos” e a boa deusa de Alison Pearson te levar para perto das bruxas seelie, as bruxas felizes!

Felizes por conhecer seus próprios dons.

Por Sett.








sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Transmutação e o Renascimento de um Iniciado



Muitos dos bruxos e irmãos iniciados saberão refletir no que irei escrever, mas principalmente esse escrito é para quem busca iniciação em bruxaria ou em alguma irmandade, fé, ordem mágica ou religião de mistérios.

Se você tem cérebro, então saberá usá-lo.

Uma transmutação é uma profunda mudança ou ainda, uma modificação do estado original. A partir de acumulações ou desacumulações e ocorre de dentro para fora. É uma metamorfose espiritual, uma transformação interna. Bem, os dicionários estão cheios de sinônimos e definições.

Todo bruxo ou bruxa passa por transformações, desde que toma contato com a filosofia bruxa, seus ensinamentos, ethos, modo, conduta de vida, e eu preciso lembrar aqui que a palavra bruxa significa tanto no feminino como no masculino “bruxo” a mesma coisa, senão vejamos:

BRUXO, BRUXA, SÁBIO, SÁBIA, CONJURADOR – CUNNING MAN, CUNNING WOMAN, WISE MAN, WISE WOMAN, WITCH, WIZARD, WICCA, STREGA, CONJUROR

De acordo com os dicionários brasileiros, uma Bruxa ou Bruxo é uma pessoa que faz“feitiçaria”. Esta palavra viria do espanhol BrujoBruja e faria referência a um tipo específico de mariposa. Mas…, de acordo com The Concise Dictionary of English Etymology, de Walter W. Skeat, Witch = do Inglês Witch – Pré-Shakespeare, wicche, ambos masculino e feminino; a wizarda witch; Anglo-saxão: wicce. Aqui wicce é feminino de wicca; e wiccaé uma corrupção da palavra witega, que significa profeta, vidente, também mago, feiticeiro. Ainda na forma Anglo-saxã, wítan = ver, aliado com witan, saber. Similarmente com o termo da Islândia vitki, mago, sagaz, que vem de vita, saber. Os termos Cunning man/womanWise man/woman são termos mais usados na Bruxaria Tradicional do que na Wicca, e significam genericamente “sábios”. Strega é o termo designado para bruxas na língua italiana, e sua origem vem de strix e strie, referências à pássaros de hábitos noturnos. Wizard, termo medieval francês, significa “sábio” (wise man).

Sendo assim, concordamos aqui que a palavra bruxo ou bruxa, significa sábio/sábia.

Isso não quer dizer que somos um compêndio de todos os filósofos e todas as sabedorias do mundo. Apenas significa que sabemos “mover as nuvens do céu”, sabemos a arte dos antigos, as vezes uma única tradição, as vezes mais de uma, como eternos alunos, sabemos que nada sabemos e estamos em eterna transformação, estudos e aprendizado. 

Nos apoiamos nas verdades eternas, alguns se apoiam nas filosofias perenes, ou em seus autores, outros mais tradicionais se apoiam nos ensinamentos transmitidos de forma oral em um determinado aprendizado numa tradição de mistérios ou tradição iniciática.

Após 21 anos que se passaram desde a minha primeira iniciação, a qual foi somada a outras que vieram depois e só acrescentaram e contribuíram para melhorar o meu eu, pude comparar as grandes mudanças reais que sofri ao longo dessa jornada que parece não ter fim.

Nossos deuses sabem o que ocorre conosco, sabem nos posicionar no mundo, nos leva a caminhos tortuosos e por caminhos retos, nos dão a chance de aprender sempre mais, nos colocando ordálias para serem aprendidas e transformadas, nos testam o tempo todo, mas também nos trazem paz, harmonia e satisfação na vida.

Após algumas jornadas espirituais, decidi dar um tempo para mim em reflexão do que valeu a pena e do que não valeu, e cheguei na conclusão de que tudo valeu a pena.

Hoje, com uma paz interior, um profundo e abundante sentimento de contentação e alegria interna, sorvendo a matriz diariamente e trazendo o entendimento do imperfeito e terno mundo esotérico, dos meus erros e dos erros de meus mestres, os quais foram perfeições em sua época, um mundo que traz mais perguntas que respostas e me molda todos os dias, declinando meu ego, curvando a mim mesmo diante dessa enormidade de saberes cuja simplicidade se agiganta diante de mim.

Meus desafios cresceram para aumentar minha paciência, os dissabores cresceram para me fazer aprender os melhores sabores que devo manter em minha dieta esotérica, e as dificuldades não acabaram, elas são agora um outro nível, dificuldades nível 5, são outras charadas ou enigmas que estão para ser resolvidas e assim, meus valores mudam juntamente com a minha visão de mundo. Sabemos que nem tudo o que lemos nos livros se aplica hoje em dia em nossa vida, sendo assim, não adianta citar autores, porque o próprio autor da minha vida sou eu mesmo.


Eu fui me lapidando, vagarosamente, com alguns desafios que aceitei, e outros que não aceitei conscientemente, desde que não é impondo desafios a mim que um ser humano vai ganhar meu respeito, ensinar não é impor desafios, ensinar é transmitir o conhecimento, o resto vira desafio por si mesmo.

Hoje, eu olho mais para dentro de mim, com mais atenção e clareza, para perceber minhas sombras e meus brilhos. O mundo não é mais tão nebuloso como antes, e meu sentimento de amor próprio só aumenta a cada dia e por isso posso doar esse amor.

Eu não fiquei melhor que alguém, eu fiquei melhor do que meu eu era antes. Esse sempre foi o mais terrível de todos os desafios, não concorrer ou se equiparar com os outros e sim comigo mesmo. É por isso que os desafios não se impõe a ninguém, já que ninguém pode viver o mesmo desafio igualzinho. Não existe nada mais estúpido que criar uma irmandade para impor os mesmos desafios a todos, pois beira a loucura, senão a prisão de uma caixinha onde se exclui todo o resto do mundo.

Não é o diploma ou a quantidade de iniciações que vale para impor respeito, já que, se esse monte de iniciações não serviu para te melhorar enquanto pessoa e ser humano, então só serão um amontoado de certificados que não servem nem para limpar a bunda. Então aqui nesse ponto vejo a real diferença entre o significado de exotérico e esotérico na vida de alguém e o que esse alguém pode me transmitir de verdade quando eu humildemente pude deitar minha cabeça para contemplar a tal sabedoria que me seria transmitida.

Hoje meus dias ficaram mais coloridos, pois pude abraçar mais cores que antes, tudo foi magicamente ficando menos complicado, mais simples. Meus valores passaram por uma peneira para receber todas as gotículas que cairam da peneira sem misturar umas com as outras, elas caíram inteiras como são, se aglutinaram sem se misturar, somaram um conjunto maior sem perderem suas essências.

Fui vagarosamente desapegando do supérfluo e valorizando mais a vida simples, mudei até de nome civil, de amor, de residência própria, de carro e até de emprego. Essa mudança me trouxe melhorias que pôde se manifestar no mundo ordinário, são mudanças reais que se comprovam, não essas balelas para encher livros.

Metafisicamente são manifestações de mudanças e bilocação de estados filosóficos e alquímicos que os próprios deuses conduziram com minha permissão.

Digo “manifestações”, porque não há real incorporação, mas sim é de dentro para fora, por isso os deuses se manifestam para nos conduzir. Quando há um deus ou deuses fortes, a vontade dos outros não predomina sobre a nossa vida.
Essas mudanças me trouxeram um real comando sobre os meus instintos primitivos, sobre meu ego, de tal forma que a vaidade dos outros não me comove mais. Presto mais atenção em mim e no recado que meus deuses e orixás querem de mim ou para mim.

O ar que respeito passou ficar mais doce e perfumado devido a pureza que se encontra, a água que desce pela minha garganta dissolve realmente a sede, e ela nem precisa estar gelada, a comida passou a ter mais sabor independente se tenho ou não o que quero na geladeira. Meus sentidos, os sonhos, os desejos e até mesmo as ambições, me desapeguei de tudo ao fundir-me com o todo. Isso significa que não quero controlar, mas interagir e esse fluxo de energia sobe e desce e torna a subir novamente compondo a canção mais linda, a música da minha vida.

Eu sinto que estou vivendo melhor. A qualidade de vida não está em parar de fumar, mas sim dentro da gente. Quando se está bem por dentro, não há nada exterior que possa remover esse estado, porque tudo está dentro de nós e de lá deve vir, de lá deve se manifestar. Esse é o propósito da criação e do sagrado que me rodeia, é permeado pela fonte que habita em mim.

O respeito para comigo mesmo, me faz ser respeitado pelos outros. O carinho das crianças, o olhar dos mais velhos, os idosos e familiares, os animais e o todo sagrado que me cerca.

Não é a toa que os verdadeiros iniciados afirmam que temos a sensação de viver uma outra realidade. Isso é real.

Quando faço minhas orações, para deusa, para os deuses, para os voduns, para meus ancestrais, para os tutelares e patronos da transmissão do sangue real, sinto, vejo, ouço e recebo, a sensação é absoluta de integração e interação, é um gozo espiritual nunca antes experimentado, ou se experimentei foi em níveis menores. Não pode haver um livro com a minha vida escrita nele, meu destino está sendo criado por mim, com as palavras e gestos sublimes de poder, honra e honestidade, não há vergonha em ser honesto, sincero e humilde.

Meu porão foi limpo e a cada vez que abro as portas do porão, tenho orgulho de deixar que vejam como está lindo, limpo e leve.


Não há o porquê de ser um sacerdote se não existir isso no coração dele. É um amor que me faria dar beijos até na mais profunda escrófula para que ela se curasse.

Somos passageiros aqui na Terra, não há o porque de exigir alguma coisa de alguém, desde que o que vamos levar conosco é sempre algo leve, que não pesa durante o voo, é algo que não nos faz cair. Quando um ori está feliz, todos os outros ficam felizes.

Eu sei que há novos desafios pro meu amanhã, e eles podem ser abraçados e previstos por mim, porque não há nada melhor do que deixar o medo do amanhã se dissolver junto com a sujeira do porão.

Aqui eu deixo exposto o meu sincero pedido de perdão a quem considerar que um dia eu causei algum tipo de prejuízo consciente, e junto disso deixo uma afirmação, que diz que seu dia de amanhã sempre será melhor, sempre.

Transformar a si mesmo é a prioridade, todo o resto pode esperar.

Com gratidão, admiração, respeito, amor e humildade a todos e a tudo,

Sett 

clique no link abaixo para saber o segredo do trabalho de ego:

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A Marca de Caim - Um estudo sobre o exílio



artefato da coleção do autor
Todos os exilados vivem o mito de Caim. Viver o mito de Caim é uma grande forma de se manter agradecido pelas próprias conquistas. Em outras palavras, é um amadurecimento infindável.

Se Deus respeita ou não essa epopeia de Caim, foi Ele quem deu causa, ou não haveria nada para agradecer, portanto Deus é culpado. Todos os demais, veneram e respeitam aqueles que vivem o mito de Caim, pois é uma grande honra. Digo isso porque algumas pessoas interpretam o exílio como um castigo ou punição a ser aplicados, estão enganados.

Quaisquer que sejam as interpretações históricas da bíblia sobre o assunto, em Gênesis 4, 1-24, todas estão sob um paradigma conveniente para ilusão, com alguma ressalva, senão vejamos:

O drama descrito no capítulo supracitado, não exclui a existência dos acontecimentos, porém significa dar-lhe uma dimensão que ultrapassa sua contingência e, mesmo que os acontecimentos não tenham acontecido exatamente como a bíblia menciona, não podemos deixar de notar os signos apresentados e a grande lição que a história exerce sob os filhos de Caim, haja vista que em Le jour de Cain (Paris, 1967), Luc Estang viu na narrativa algo a mais além das entrelinhas e nos faz pensar.

De acordo com o próprio Gênesis, Caim foi o primeiro homem nascido do homem e da mulher, e foi o primeiro lavrador, o primeiro agricultor, e primeiro sacrificador, cuja oferenda não foi aceita por Deus, foi o primeiro assassino, o primeiro revelador da morte pois jamais teria sido visto antes do seu fratricídio, o rosto de um homem morto, e por tanto, foi o primeiro feiticeiro e construtor. Como homem do campo, Caim foi um verdadeiro pagão no sentido literal.

Após a recusa de sua oferenda, ele partiu a procura de uma terra fértil para desbravar os mistérios da fertilidade e das plantações, assim, ele também foi o primeiro errante, o primeiro cigano, e se tornou o primeiro construtor de cidade. Sua importância é total em algumas vertentes de bruxaria tradicional, contudo, as lições apresentadas na história bíblica de Caim haviam sido registradas no mundo pagão, como no caso latino de Remo e Rômulo, bem como Karna e Arjuna no episódio Hindu, e entre Thórólfr ou Ásgerr e Egil nórdicos, e ainda, no antigo testamento, dizem alguns pesquisadores, alegam a ver alguma analogia com Esaú e Jacó. Essas histórias sobre fratricídios são temas de grande discussão no direito penal estudados na faculdade, e são de conhecimento de qualquer advogado.

Assim, as diferenças entre os pastores e lavradores continuam até hoje sob o disfarce cristão X pagão, portanto esse tema de disparidades de vontades e crenças sempre foi regido por códigos religiosos que ditavam a “ética divina” e é bem antigo.

O prélio entre pastores e lavradores também foi tema de aprendizados esotéricos. Se voltarmos no tempo a história mítica revela disputas e fatos entre irmãos e fratricídios muito comuns, como no mito histórico entre os egípcios Seth e Osíris, ou antes disso entre Tamuz e Enkidu sumerianos, os quais os hebreus herdaram os ensinamentos e alguns costumes culturais e religiosos, razão pela qual pode ter surgido o mito de Caim e Abel, totalmente baseado nos mitos Sumerianos.

Ainda temos de considerar que, a bíblia pode ter omitido, mas o primeiro livro de Adão e Eva nos revela que Abel, depois da sua morte reencarnou como o terceiro filho do casal cujo nome era Seti (também grafado como Seth e/ou Sett).

Mas Caim foi marcado por Deus durante o desentendimento que gerou o seu exílio. Deus colocou uma marca em Caim, a fim de que ele não fosse morto por quem o encontrasse.

Nesse contexto, Caim foi também o primeiro homem a se retirar da presença de Jeová e partir, numa infinita caminhada em direção ao Sol levante.

A aventura é de uma grandeza inigualável, sendo a aventura do homem entregue a si mesmo, aquele que não espera as coisas caírem do céu. Isso simboliza que Caim faz suas escolhas, tornando-se deus de si mesmo, assumindo todos os riscos da existência e todas as consequências de seus atos. Caim é o símbolo da responsabilidade humana e é o símbolo nato dos feiticeiros de memória judaico-cristã.

Da mesma maneira que o significado do nome Abel é Vaidade (Barro), o nome Caim significa Posse (dono de si, ter posse sobre si mesmo, escolha-livre arbítrio, aquele que não aceita dogmas).

No simbolismo animal Abel é a ovelha e Caim é o bode, mais uma vez o masculino e feminino interagem. Sua mãe o chamou de Caim porque ele foi a sua primeira aquisição. Alguns mitos dizem que Samael copulou com Eva e nasceu Caim. Samael teria incorporado ou se passado por Adão a fim de possui-la. Outros mitos dizem o contrário, sendo Eva possuída por Lilith e esta teria copulado com Adão, ficando por cima dele e mostrando a supremacia da mulher sobre o homem. De qualquer forma O Espírito pode muito bem possuir tanto homens quanto mulheres e, seria uma arrogância alegar que Lilith só “entra” nas mulheres ou que só as mulheres são vaso Dela. Eva foi criada da costela de Adão e de qualquer forma ambos dependem um do outro e não há razão para discutirmos quem é superior e quem não, pois em igual modo Ambos tiveram sua criação pelas mãos Divinas, não importando qual material foi usado por Deus na criação, pois o importante aqui é a linhagem espiritual de Caim, a linhagem que se fez sangue, que se fez carne e que transcendeu a própria carne.

Uma breve explicação vem informar que Lilith é o verdadeiro Espírito Santo, e essa informação foi omitida pela igreja por muitos séculos. Isso equivale dizer que Caim é descendente legítimo do Espírito Santo, enquanto Abel foi feito somente da carne do homem e da mulher e por isso ele é o Barro, já que não possui espírito. [o pronome possessivo não é puramente ilustrativo].

Deus criou Adão do barro, ele era uma espécie de zumbi até conhecer a maçã. Só depois de comer a maçã é que ele teve seu corpo habitado por um espírito, já que a partir desse ponto é que ele pode morrer, antes disso ele era uma espécie de lama. Percebe-se aqui o tema esotérico revelado.

Adão teria dado a mordida na maçã que Eva lhe ofereceu e em seguida ele fez amor com ela. Parece que Eva não comeu a maçã, pelo menos não antes de Caim nascer e esse é um tema confuso. Eva foi comer a maçã depois que Abel morreu e foi assim que seu terceiro filho se tornou Seth. Assim sendo, Seth é a reencarnação de Abel, é o livramento do barro para a chegada do homem de espírito.  

“Tu me tiveste segundo o desejo e com a assistência divina”, diz Caim à sua mãe. [...] ...Muito cedo compreendi que ele em nada me ajudaria, e que eu não poderia contar senão com minha própria vontade. A maçã é a vontade. A maçã que a serpente seduziu Eva para dá-la de comer à Adão. O tema da maçã já era conhecido em Avalon pelos pagãos. Uma curiosidade conhecida por todo pagão é que o verdadeiro nome da Maçã é Malus sieversii, havendo diversas variedades de Malus. O mundo latino mudou de Malus para Mala porque a palavra Malus era da mesma ordem etimológica para se referir ao mau e a maçã em tempo igual. Tanto o fato se confundiu em alguns textos antigos, pelo qual a maçã e a romã foram igualmente confundidas pelos autores.

Outra curiosidade esotérica é que todos os médiuns (que sofre possessão por transe) são considerados filhos de Caim, porque Caim significa posse-possessão), sendo assim todos os médiuns são feiticeiros e bruxos, independente de tradição transmitida via horizontal (de pessoa para pessoa). Alguns autores afirmam que a marca que Deus colocou em Caim é o próprio dom mediúnico.

Independente do tema de Caim ter cunho judaico, a mítica é a mesma só que teve nascedouro mais antigo, o assunto é sempre o mesmo desde a velha Suméria. Não foi à toa que o tema da descida da Deusa “Inanna” ao mundo subterrâneo sobreviveu até os dias de hoje, e vale lembrar que esse tema também foi promulgado e usado por Gerald Gardner durante a construção de sua religião que contém bruxaria. Como podem ver, os mitos Sumerianos estiveram bem vivos entre todas as épocas e foram usados para os mais diversos propósitos religiosos.

artefato da coleção do autor
Se você parar para analisar, vai ver que o tema de agricultura e fertilidade está sempre presente, assim como o tema de nascimento, morte e renascimento (ou reencarnação) estão igualmente. Para toda religião, culto, seita ou tradição espiritual há um crédito maior de poder no mundo espiritual, ou seja, o tema do poder divino. É por isso que não cabe acreditar que tudo acaba quando morremos, uma vez que se acredita (dar-se crédito) que existe um Deus que mora num mundo espiritual de onde viemos e pra onde voltaremos. Aqui o tema se liga ao eterno ciclo morte-renascimento, sendo que, em algumas irmandades bruxas, ensina-se que em vida devemos aprender a sermos mais virtuosos e nos livrar dos vícios, do barro, a fim de subirmos as escadas pra lá de onde caímos, o céu, o paraíso, a montanha dos vitoriosos, o castelo da dama Fortuna, em fim, chame-o como quiser. O tema da queda de Lúcifer (O anjo Portador da Luz) refere-se ao tema da reencarnação, onde nosso espírito teria caiu do Céu e reencarnou (tomou carne-forma física-matéria) aqui na Terra.

Mas Caim não pode morrer, diz os textos sagrados, isso equivale dizer que ele não pode sofrer a verdadeira morte, aquela que “acaba” com tudo pra sempre e por isso é condenado à voltar a vida (reencarnação). Sendo assim tomamos a morte como uma mera passagem de ida e volta, não menos importante na trama divina.

Caim é do espírito eterno e as longas viagens desse espírito é um subir e descer e subir novamente entre o céu e a terra.

Em Luc Estang, 88, Caim diz a sua mãe: “Sabeis que eu tive de conquistar por mim mesmo tudo o que vós me atribuís: o ardor e a rudeza, a força e a obstinação”.

O que Caim desejou foi acrescentar à terra de Deus, o fruto do trabalho do homem, a fim de ser verdadeiramente o senhor de seus atos, ele diz: “sonhei em reconciliar a terra com Deus”. Mas parece que até hoje Deus virou as costas e não está nem ai pra ele.

Caim seguiu desejando construir uma cidade que seria uma manifestação ainda melhor dos feitos humanos do que a terra cultivada. “Eu via a cidade como uma outra lavoura, como uma outra semeadura, como uma nova messe”. Dessa forma o trabalho dos bruxos não acaba nunca, sempre há uma nova semeadura, ciclo sem fim, ou pelo menos não até conciliar a terra com Deus, e Ele aceitar a reconciliação.

É como um despertar da terra fora de si mesma, Caim faz o trabalho do despertar de sua elevação vertical à imagem do homem, pelo homem, que assim estabelecia sua própria soberania. Suas muralhas teriam circunscrito o espaço onde ele nada esperava de Deus. Em verdade, Deus não tinha poder na cidade de Caim, ou pelo menos não exercia influência ali.

A cidade, prolegômeno, em princípio, de quase todo futuro ateísmo, digo quase pois se não houvesse o politeísmo, outros deuses, outras religiões, outras culturas, etc, seria total o ateísmo.

É interessante saber que o gnosticismo possui uma mítica sobre como Deus se tornou Deus. Saclas seria seu nome enquanto “O Demiurgo” e ele era filho de Sophia. Tendo nascido defeituoso, foi lançado para longe dos deuses do Primórdio, no espaço onde se viu sozinho, sem seu par perfeito, resolveu criar o que conhecemos como ordem natural da vida, mas nem todos os seres humanos possuem espíritos da etnia de Saclas. Alguns possuem etnia espiritual da família de Lilith, os quais remontam o tema dos Guardiões, os Nephilins, os quadrantes da terra e sua família de deuses mais antigos, como no caso de Caim e seus descendentes.

Dessa maneira o ciclo vida e morte foi dado aos humanos de todas as descendências espirituais, sendo forçados a conviverem juntos num único planeta, evoluindo ou não, progredindo ou não, foram forçados a subir e descer num ciclo sem fim até atingir um nível onde não seria mais preciso reencarnar, em outras palavras, o tema da queda perderia importância.

Talvez esse seja o único ponto onde não usamos o livre arbítrio, uma vez que, desde nossa criação, nos foi imposto esse ciclo, esse vai e vem. Ao fundir-se com um deus, você se torna um deus novo com seu par perfeito. O tema não é novo, cada estrela no universo é um Sol e cada Sol possui sua própria galáxia.

No mundo ordinário, não nos foi permitido transitar “ainda” entre uma galáxia e outra, porque a NASA ainda não descobriu um método para isso. Se um dia isso for possível, saberemos se há realmente vidas como as que conhecemos, em outros lugares do espaço, mas por ora, limitemos à nossa Terra-Mãe, à nossa Lua e ao nosso Pai Sol.

Voltando ao tema de Caim, Deus não aceitava de bom grado os sacrifícios do lavrador e desse sonhador de cidades. E Caim não podia aceitar ser o mal-amado de Deus. Estava pronto para qualquer renúncia, se ele, de início, aceitasse. Por pouco amável que fosse, era dessa maneira que importava à Caim em ser amado. Mas Deus não recompensava seu escarniçado trabalho.

O que Caim deplorava, não era o fato de Abel ter tantas vantagens, mas sim o fato de Caim não ter nenhuma!

Então Caim se revoltou por todos nós, por todos aqueles que não aceitam o mistério da predestinação. Esse papo de que nascemos predestinados, as crenças limitadoras e falsas que temos sobre nós mesmos, a predestinação que divide os homens em rejeitados e eleitos, todos aqueles que não compreendem o desprezo de Deus pelas grandezas terrenas e sua predileção pelos humildes.

De tal modo, Caim orgulhoso de si, afirmou seu próprio valor, seu esforço, sua autoestima e renunciou a Deus, e é a partir daqui que começa o seu exílio.

Caim partiu na condição de errante junto com os seus pares, como quem parte em busca de um futuro a ser indefinidamente construído. Diz Caim: “Partiremos para o deserto dos homens, e que os homens, inumeravelmente, povoarão. Nós nos guiaremos pela aurora sempre renovada... E será por não nos determos em parte alguma que estaremos sempre em toda parte. Nossa vida errante nos permitirá medir a terra e, ao mesmo tempo, nós a edificaremos”.

artefato da coleção do autor
Caim parte, em busca do devenir do homem fora da presença de Jeová. Entretanto, foi-lhe preciso matar o irmão (o aspecto do barro em si mesmo) e precipitar a hora da morte. A fim de liberar-se, chegou ao extremo do crime. A verdadeira morte vem a ser aquela em que se é obrigado a dormir sem jamais poder despertar. Ele impôs brutalmente, diante dos olhos da primeira das mães-do-barro: Temor antigo, castigo misterioso, ó morte! Eis-te pois revelada! Tens o rosto de todos nós, sob a máscara de Abel, e por tua causa nós não nos diferenciamos dos animais.

No sentir de Adão e Eva, a morte é o último fruto da árvore da sabedoria; diante dos despojos de Abel, Adão exclamou: Aqui, neste instante, nós esgotamos o sabor ao fruto da sabedoria; mais do que nunca ele é amargo. Entretanto, ele diz a Eva: Fomos nós que transmitimos o gérmen da morte ao corpo de Abel. Eva então replica no auge de sua revolta: Ah! É como se ele tivesse aberto em mim uma brecha: meus filhos jamais terminarão de matar-se uns aos outros. Todavia, Temec, procurando justificar seu marido Caim, diz: Que triunfe a vida, ainda que o preço seja a morte.

É verdade que a morte inelutavelmente haveria de sobrevir, porquanto era o castigo do pecado original.

O erro de Caim, foi na realidade, ter-se adiantado aos desígnios de Jeová. Ele acrescentou novo mal ao mal cujo castigo é a morte. Caim foi o iniciador da morte e ele mesmo não poderia morrer.

Desde então, sobre a fronte de Caim, e de todo homem, todos poderão ler: Perigo de morte! Embora devam notar nessa advertência, o signo protetor que designa a criatura divina, não um estigma infamante, eis a marca dos bruxos.

O signo que me reprova me protege, diz Caim. Na verdade, o Deus concede-me a graça de que meu crime intimide os vingadores, porque o crime deles contra mim terá de ser expiado sete vezes!

Desde então o corpo passou ao pó e o espírito passou aos céus. O homem passou então a não afrontar nada mais de Deus a não ser a sua ausência. Resta-lhe, porém, sua própria presença de homem a afrontar, como relembrou Temec, a impiedosa esposa: Tua própria presença, Caim! Doravante, na sucessão dos homens: Caim presente em cada um deles. No espelho de sua consciência, todo homem refletirá os traços de um Caim.

Como disse Adão: Meu filho Caim é essa segunda parte de mim mesmo, que não acabava mais de se projetar. Vós, que o seguis, sabei-o: sois o enxame de minhas ilusões.

Nesse sentido, encontramos forçosamente uma comparação na tradição grega, pensado para ter equivalência grega do desejo de Caim em Prometeu, que desejou conquistar para a humanidade um poder divino; liberá-la de uma dependência total, atribuindo-lhe o fogo, princípio de todas as mutações futuras, quer seja o fogo do espírito, quer seja o fogo da matéria. Tal como Prometeu, Caim é o símbolo do homem que reivindica sua parte na obra da criação.

Por Seth Ben Qayin