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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Ritual da Deusa Brigit - Stregoneria

 

RITUAL LITÚRGICO DA MADRINHA BRIGIT



Aqui trazido por Sett Lupino, para os irmãos e irmãs da Arte Sem Nome.

Conforme Martyrology of Tallaght e, conforme a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida na Itália, pela Heresia de todos os sábios, deixe a voz da Tutora sair de seu logro santo e adentrar em vosso pavilhão de entusiasmo.

- Diante da face Dela, coloque o véu branco sobre a cabeça, queime incenso de rosas, olíbano e vertiver e acenda a vela branca de 7 dias e com seu bastão toque a runa Berkana dizendo:

 

Eu te conjuro, te desloco e te trago de Gael Dare para perto de mim,

Tu que é o poder, a força, o vigor e a virtude,

Oh Madrinha, nascida em Fochart, exaltada seja!

Por Dagda, Bres, Ruadán e por mim, Venha!

Naomh Bhríde! Deusa Brigit da Irlanda,

Aquela que Roma ainda chama de Santa Brígida no Campo de Fiori na Piazza Farnese e de Santa Brígida de Fiesole da Itália,

Aquela que é Santa de Vadstena Klosterkyrka na Suécia,

Aquela que é Senhora da sabedoria, musa da poesia, enfermeira que cura das doenças, parteira, a que fornece proteção contra o fogo, senhora da ferraria, tecelã, que sagra os poços e animais domésticos!

Levantadora dos mortos da colina de Tara!

Arguidora das fadas de Sliabh na Caillí!

Consoladora dos fenecidos de Loch Craobh!

Bruxa divina da montanha de Cailleach!

Aquela que afasta os maus espíritos!

Aquela que curou a cegueira de Dara!

Aquela que transformou água em cerveja e com ela curou os leprosos!

Santa Brígida de Fiesole!

Senhora que abre os olhos nos equinócios!

Senhora da aurora, que ilumina a tumba de Brú na Bóinne no solstício de inverno!

Musa inspiradora, companheira da Candelária e ama de leite de Cristo!

Mãe do Imbolc! Fertilizadora e fauna da agricultura!

Que sua boneca Brídeóg ganhe vida!

Oh, deusa que os poetas adoram!

Todos os dias são seus! Salve!

Aquela que está acima do Abade em seu cenóbio!

Lá Fhéile Bríde, Là Fhèill Brìghde, Laa'l Breeshey!

Visite-me todos os dias, eu te peço,

Para me banhar com sua benção,

E eu arrumarei a sua cama e deixarei comida e bebida!

Birgitta Birgersdotter, heliga Birgitta, Princesa de Nericia,

Irmã do arquidiácono André que estudou com o bispo Donatus de Fiesole,

Gloriosa e Santa, Brígida, recorro a ti com confiança,

Para obter o dom da fé mais ardente, sob o signo de sua Cruz de Junco e seu Crios Bríde!

Senhora da metade clara do ano, com seu poder,

Traga as pessoas da escuridão do inverno para a primavera,

Por sua intercessão, que a vida me conceda perfeito conhecimento,

dos benefícios e dos sofrimentos,

das alegrias e das dores,

do sacramento, matrimonio e purificação,

da pacificação fecunda, imbuindo tua virtude e graça em mim!

Eu que sou teu cultivador consagrado, Santa dos campos das flores,

das irmãs Brígidas do Palatium Magnum,

assim como atendes os filhos espirituais de Brígida da casa mãe de Vadstena,

Atenda a mim!

+++

 

(fazer as oferendas, + o pedido ou apenas agradecer a proteção dada).





segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

STREGHERIE OU STREGONERIE?

 


Muitos Stregones e Stregas ainda fazem confusão sobre os termos usados.

Este artigo se propõe sanar o problema dando informações que o público em geral desconhecem!

A Stregoneria é mais antiga que a Stregherie e ambas possuem “frames” e histórias de origem, muito diferentes. Isso precisa ser respeitado por toda e todo praticante sério de magia, da mesma forma como se deve respeitar todas as religiões.

A Stregherie foi reavivada pelo Raven Grimassi que também recebeu o primeiro grau Gardneriano da Linha Olwen de Wicca que havia sido propagada por iniciados da Monique Wilson e que não sabiam do bloqueio e cancelamento da transmissão dessa linha de Wicca, trazendo-a para a América do Norte e do Sul.

Para quem não sabe a Linha Olwen surge a partir da Monique Wilson e seu marido em uma época que não existia internet e, por essa razão, nem todos os iniciados de terceiro grau mantinham correspondência, por morarem em outros países nem sabiam que a linha havia passado por isso. Poucos sabiam que essa linhagem havia sido cancelada por motivos internos e, motivos decididos pelos Elderes Gardnerianos das linhas mais fortes e existentes, cujo motivo é conhecido dos iniciados somente.

Após o advento da internet entre 1996/97, o surgimento da comunicação mundial foi inevitável e todos os Wiccanos válidos começaram a se organizar para manter a tradição original viva, e muitos iniciados dessa linha cancelada tomaram ciência dos fatos e foram humildemente incentivados a buscarem refazer seus graus nas linhas fortes para se manterem válidos, desde que para continuarem a transmissão, precisa-se de uma linha válida para “parir” a boa egrégora, não a egrégora disfuncional. (Quando a Wicca chegou ao Brasil os autores propagaram uma Wicca eclética, não a tradicional e isso levou todas as Stregas acharem que Wicca, Bruxaria e Stregoneria eram a mesma coisa, pensavam que só tinha o nome diferente. Muitos foram perseguidos pelo MM de Pedra de Guaratiba, o que levou alguns ecléticos a buscarem a linhagem tradicional de Gardner para que acabasse a perseguição, não por amor à prática do Gardner. Esse não foi o meu motivo, especialmente por eu não ser eclético e eu realmente na época vi na Wicca Tradicional uma Arte Poética a ser praticada com o coração).

Grimassi se viu numa condição alarmante porque a linha Wilson havia sido cancelada. A iniciação dele não deixou de ser legítima só por causa do cancelamento da linha, que isso fique bastante claro, nenhuma iniciação pode ser invalidada, mas uma linha inteira pode, desde que seja para impedir que um transtorno seja transmitido.

Uma iniciação não pode ser retirada ou removida pelo ego humano, especialmente porque se trata do fator de experiência transformadora vivida pela pessoa e pelo recebimento do empowerment transmitidos, a Arte tem vida própria e tempo próprio e, mais cedo ou mais tarde o empowerment transmitido acionará seus próprios mecanismos de ação.

Contudo, como Raven Grimassi havia recebido iniciação em Brittic e no sistema Picto-Gaélic que são usadas em algumas Stregonerias igualmente, tendo sido elevado ao terceiro grau em 1983, ele não quis dar continuidade nas linhagens de wicca gardneriana, mas quis continuar a cooperar com a comunidade pagã, especialmente as da Itália, entretanto no sentido geral do paganismo, em suas pesquisas arqueo-históricas. Em 1997 ele lançou o livro Mistérios Wiccanos, o qual foi traduzido para a língua Portuguesa em 2000 pelo Claudio Crow Quintino e publicado pela Gaia alemdalenda. Lembro ainda que Brittic foi o nome que os Romanos chamaram a antiga Anglia, a stregoneria italiana foi para a Inglaterra e essa é a razão da Lupercália ter se tornado Candlemas.

Nesse interim, a tradição Ariciana e Aradiana já haviam sido fundadas há algum tempo, usando os sistemas internos que ele aprendeu com todas as iniciações dele. Mas por que ele fundou tradições de Stregherie e não de Wicca?

Universo na ótica esotérica da Stregoneria.
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Antes de responder essa pergunta preciso fazer um ‘parênteses’ aqui:

Sabina Magliocco é uma Strega que também foi iniciada na Wicca Gardneriana, ao contrário do que muitos pensam é bastante comum uma strega ser iniciada na wicca tradicional. Ela foi amiga do Grimassi e confirmou esse fato várias vezes em suas entrevistas. No início dos anos 2000, Raven Grimassi também era membro das listas do Yahoo, de ‘Wicca And Witchcraft’ e em diversos momentos ele explanou sobre esses fatos, quem esteve presente nessas listas vão se lembrar. Ele era bem acessível e batia papo com todo mundo, inclusive comigo e eu sei de toda essa história porque eu também fui “vítima’ da linha Olwen em 2007, da qual parei de usar tão logo fui informado e, apesar de ter buscado refazer os graus de forma humilde e honesta, encontrei muita resistência e obstáculos por parte de sacerdotes malvados de Portugal e, um outro do Rio de Janeiro que se dizia ser gardneriano e vivia perseguindo os ecléticos Diânicos. A despeito da minha situação já ter sido resolvida de forma Tradicional por parte de quem sabia resolver de forma madura, ainda me lembro da imaturidade dos nomes malvados e do pouco caso dos Portugueses e não me parece que estes seguiram corretamente o "não prejudicar ninguém".

Mas, voltando a pergunta: Por que Raven usou a palavra a stregheria ao invés de stregoneria? O primeiro motivo foi beber de fontes antigas, já que a Inglaterra guarda muito da antiga stregoneria sob o formato anglicano. Também precisa ficar claro que toda tradição de bruxaria, seja ela inglesa ou italiana começou com alguém (um humano), que reuniu costumes, liturgias, esoterismo e escola de mistério, folclore e feitiçaria. A Bruxaria não nasceu dessa forma, ela é um conjunto social construído ao longo de séculos de costumes mágicos-espirituais desde a antiguidade, é um patrimônio da humanidade, por isso a bruxaria não é uma religião em seu nascedouro, mas as tradições espirituais reunidas dão forma às religiões que “contém” bruxarias, sejam elas de etiologia pagã árabe, africana ou europeia. Todas as religiões que contém feitiçaria são formas diferentes de bruxaria. Isso não é diferente do Esin Orisà Ibile Isese Lagba da África, que é a antiga e tradicional Africana, diferente do candomblé (arte de rezar) de escravos da diáspora.

Raven quis remover o preconceito do sufixo “neria” que significa “preta/negra” dando impressão de magia negra no sentido de “magia malvada”. Esse preconceito foi promulgado pelas igrejas cristãs de forma politicamente e dolosamente pensada para embutir esse pensamento na humanidade desde a época em que a ICAR se promulgou como “religião verdadeira” e não aceitava mais nenhuma outra. No ocultismo, magia negra não é uma magia malvada exatamente e sim tem haver com o oculto, o escondido, no escuro, por isso o termo negro. Em 99% das religiões que contém bruxaria vão adotar os pilares Branco e Preto da Cabalah, ainda que não usem o termo Cabalah diretamente. Originalmente o pilar Preto representa o deus Krsna, o Senhor da Verdade Absoluta que é todo o espaço sideral negro e escuro. Quando Platão dizia que era possível atingir a verdade absoluta, ele se referia à Krishna/Krsna. Sua contraparte é Rhada, a deusa branca. Isso não tem a ver com bem e mal e sim com Cosmologia e potências dos senhores e senhoras dos espaços superiores primordiais.

Raven fez isso em uma época do pânico satânico nos EUA e, inclusive nessa época os wiccanos dos EUA precisaram adequar o pentagrama do 2º grau (o original é invertido nesse grau) passando a usar nas linhas de wicca dos EUA o pentagrama não invertido, uma vez que os satanistas em massa haviam se apropriado da estrela invertida. Essa conduta foi adequada para que as duas artes não se confundissem e isso é válido somente para as linhas de Wicca dos EUA. O mesmo problema se deu com a magia italiana e ninguém até então havia tomado uma conduta. O preconceito e a perseguição ainda eram mais fortes contra os satanistas e nenhum stregone ou wiccano queria ser confundido ou perseguido pela Lei. Precisamos entender que havia uma luta contra o preconceito para que houvesse aceitação das vertentes de bruxaria e, para tal, nenhuma deveria se mostrar "perigosa". A máscara do paganismo era mais bem aceita pela sociedade do que aquela que usava um anti-cristo.

Com a intenção de tirar o preconceito da palavra Stregoneria que tem sufixo "neria" (preto) na época isso se ligava a magia negra devido a gematria do nome Nero Cesar do qual se resume em 666. Soma-se ao fato de que a igreja era e ainda é contra ao sistema da Cabalah. Aquilo que um iniciado entende por "diabo" é a junção das energias que estão em Hod e Netzach em linha reta, o intercessor da primeira encruzilhada cabalística.

Raven cunhou a palavra Stregheria sem o sufixo “nero” e deu ainda um formato totalmente parecido ao da Wicca. Essa é a razão pela qual a Stregheria se parece tanto com a Wicca, as Stregheries são tradições de bruxaria italiana com frame wiccano. A própria linha de Livorno é derivada da tradição Aradiana. A senhora Itauana, conhecida como “a velha Zíngara” italiana trouxe a linhagem para o Brasil. A primeira iniciada dela no Brasil possui o nome conhecido somente pelos iniciados dessa linhagem, pois todos remontam a ela. O sistema Salomônico foi usado pelas stregas desde o século I a.C., com exceção da Goetia do Mathers, desde que para as Stregas os verdadeiros demônios são as estrelas nefastas, como é explicado e ensinado com riquezas de detalhes em meu livro. 

A Stregherie possui um “corpus” de ofício tradicional porque também traz em seu escopo a compreensão da escola de mistérios, cuja abrangência inclui a gramática da Arte e o entendimento da ordem cósmica como é transmitida nas escolas iniciáticas da Itália iniciadas por Arturo Reghini em Florença e reorganizado por Giuliano Kremmerz no formato da Schola Philosophica Hermetica Classica Italica Fratellanza Terapeutico-Magica di Myriam, escolas estas que, provém dos antigos mistérios e da velha stregoneria herética, mas sobre tudo com o paganismo da Toscana recebido em Florença pela iniciadora do Hans Breitmann, o Charles Leland, qual também já havia sido iniciado bem antes por uma empregada dos pais dele que era uma bruxa Holandesa, depois foi iniciado no Vodu e já na Inglaterra recebeu iniciação cigana de Matty Cooper.

Todas as teses de Margareth Murray foram baseadas em Leland e não existiria a Wicca que conhecemos hoje nem a Stregoneria, sem ele, pois grande parte do acervo litúrgico, incluindo o nome Aradia, vem da Stregoneria da Toscana e foram obras consultadas por Gardner e Doreen Valiente para compor algumas das partes litúrgicas da Wicca quando esta tomou a forma de religião para sobreviver as pesadas leis Inglesas. Preciso lembrar que a tradição dos Wica (com um 'C' só) já existia e é atestada desde 890 da nossa era nos anais da igreja, e para saber a história factual e verídica disso tudo basta o leitor adquirir minha obra “Fundamentos de Bruxaria Tradicional & Stregoneria” (2023) publicado pela Editora Manus Gloriae, pois possui um capítulo sobre a origem da Stregoneria que esbarra nesses assuntos. Não tem como abordar esses assuntos de forma separada, desde que a origem está no termo Vitka, depois Witka que passou para Witega, Witcha e, por fim Wicca. Isto é facilmente e historicamente rastreável, inclusive no Voluspá consta a palavra Vitka como sendo a origem dos bruxos (homens) e, o próprio Charles Leland e, posteriormente Mike Howard e, também Andrew Chumbley confirmaram as etimologias anunciadas largamente na Revista The Cauldron inglesa e também na versão em língua Portuguesa.

Todas as Streghes e Stregas estudam essas escolas de mistérios dentro da Arte Italo-mundial e esse é o ponto central que une todas as artes da Strega moderna, esteja ela onde estiver no mundo, o resto são folclores locais de cada província cujas tradições provinciais estão subalternadas à uma Tradição maior chamada Kabbalah.

Quadro Esquemático - a Migração da Magia
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Kabbalah significa Tradição e é a mais antiga de todas as escolas vivas que sobreviveu até hoje para a compreensão da Ordem Cósmica. Existem diversos tipos de Cabalah no ocidente e, apesar de algumas estarem distorcidas em termos teológicos ocidentais, elas guardam correspondência histórica com uma fonte primeva que remonta à época anterior à Moises, o qual foi o iniciador de Orfeu e este, o iniciador dos mistérios Órficos do Ocidente. Sem a escola de mistérios, a bruxaria é só uma prática folclórica ou costume 'folk-magic' de um povo, muitas vezes sem a compreensão dos próprios mistérios do Espírito, ficando apenas um mito a ser vivido pelos membros, o que é errado do ponto de vista iniciático, já que não se deve viver um mito e sim a realidade.

A Stregherie é como uma Wicca Italiana no formato, só que a sua justaposição é o fato de Aradia ser a cidade Arwad citada na bíblia, uma cidade do norte da fenícia fundada pelos sacerdotes de Baal que comiam da mesa de Jezabel. Tais sacerdotes pertenciam ao culto chamado Sociedade das Estrelas (que já usava astrologia) o qual era teurgicamente formado por El + Aserá + 70 filhos e filhas divinos compondo os 72 nomes sagrados, dois dos quais são Baal-Hadad e sua irmã Inanna os quais aparecem em Hamshemphorash como a verdadeira Goetia antiga e, liturgicamente formado por 450 sacerdotes e sacerdotisas de Baal e 400 sacerdotisas de Aserá, mas não sem a compreensão dos mistérios do Bode do perdão, aquele que leva os pecados do mundo embora, o Azazel que comandou 200 sacerdotes junto com ele ao saírem de Edinu (Éden). Essa é a razão pela qual existe o ritual de Yom Kippur, o antecessor e avô da Lupercália.

Nesse culto, a principal ligação aos Astros eram a Lua e Vênus, e vem deles o mistério de Diana e Lucifero da stregoneria italiana. Aradia enquanto "Strega" é uma rememoração do antigo culto fenício. 1313 da nossa era como tendo sido o nascimento de Aradia é o mesmo número gematrico da época em que Elias se auto proclamou profeta 1313 a.C. e, começou a combater os sacerdotes de Baal, até que culminasse, por responsabilidade de Elias e seus capangas, o assassinato de Jezabel. Se existe uma rixa entre Israel e os Palestinos, essa rixa começou nessa época, pois os judeus egípcios invadiram Canãa que era uma cidade fenícia e não queriam se submeter as ordens da Rainha da Fenícia, Jezabel. Eles mataram quase todos os fenícios e os que sobraram se juntaram ao novo culto judeu para sobreviver. Os poucos que escaparam fugiram para Arwad (Aradia) e para a Grécia. O motivo pelo qual as Magaras (stregas do Sul) usam a Cabalah grega e a judaica é devido a essas serem as duas únicas línguas derivadas do antigo alfabeto fenício que contem Gematria. Isso as stregas do norte da Itália desconheciam e não utilizavam até o século XIX.

Ao longo do tempo, especialmente na idade média tardia o culto da stregoneria tomou fortes calções dos mistérios cristãos, desvinculados dos dogmas da igreja e da ortodoxia judaica, e como na Itália ninguém lia a bíblia pelo fato dela ser muito cara quando surgiu, a tradição oral tomou posse das lendas mesclando os mistérios para que a Arte sobrevivesse. É por essa razão que as pontes arcadas da Itália ficou conhecida na lenda como tendo sido construídas pelo diabo, quando na verdade foram construídas pelos Etruscos. O segredo Etrusco sobrevive sob a máscara da cristandade Toscana e isso tudo é só parte da Stregoneria italiana. Preciso lembrar ainda que o Sul da Itália foi colonizado pelos Gregos e até o surgimento do livro Aradia, o evangelho das bruxas, nenhuma Strega Calabrese sabia da existência do conto de Aradia como foi narrada por Leland, mas sabiam da Aradia enquanto cidade.

Inclusive a palavra para Bruxa no Sul da Itália não era Strega, e sim Magara e Fatucchera, e essa foi a razão pela qual nós Lupinos não nos reconhecíamos como Stregas até o advento da Internet em 1997, o qual nos permitiu notar de forma astuta que se tratava somente de uma diferença de dialetos de províncias diferentes. A palavra Strega foi cunhada quando a Itália foi unificada, dando origem a palavra Stregoneria, mas antes da unificação cada província possuía uma palavra para “bruxaria” em seu próprio dialeto itálico. Nós Lupinos somos Magara e nossa tradição vem de Catanzaro, trazida por nossa Nonna e nós também tínhamos preconceito com a palavra Stregoneria e Strega por entendermos que ela era magia negra. Foi a partir do real entendimento da Stregoneria é que vimos que se tratava da mesma coisa e que havia uma diferença idiossincrásica e dialetal. Ao vencermos o preconceito e elucidarmos a questão do dialeto, fomos reconhecidos como Stregas, já que esta ficou sendo a palavra após a unificação da Itália e do idioma italiano.

Lembro ainda que, a primeira vez que a palavra Bruxa foi usada na literatura foi com Homero em 900 a.C. e ele usou o termo original em grego “Magissa” para se referir a Kirke (Circe) como bruxa, da qual Magara é somente uma corruptela dada pela evolução da palavra no próprio dialeto do Sul da bota. a palavra Bruxa não vem da etimologia da borboleta como o povo da "maxia" quer fazer parecer, já que a mais antiga definição etimológica foi Homero quem deu.

A Magara é a bruxa que usa de benzimentos, exorcismos, faz partos e precisa saber de ervas medicinais e mágicas para curar os cortes e sangramentos dos partos entre outras doenças, ela era a médica antiga antes dos médicos existirem. Ela lança mão de magias e encantamentos para o bem da população e possui seus próprios rituais, muitos dos quais são oriundos do Testamento de Salomão, não das Clavículas de Salomão. Esses livros também foram encontrados nas casas das Stregas durante os julgamentos das bruxas na Itália. A Fatucchera é uma feiticeira que mexe no destino das pessoas e se utiliza de um ou mais Oráculos para sua arte. Hoje em dia, essas duas Artes, a da Magara e a da Fatucchera estão reunidas na Stregoneria, mas preciso lembrar ainda que cada província da Itália possui sua bruxaria (stregoneria) em forma de tradição espiritual herética ou pagã e as maldições são casos especiais e não são lançadas de forma irresponsável pelo ego humano, pois há uma consciência acerca do uso responsável delas. Para se lançar uma maldição não precisa ser uma iniciada, qualquer pessoa pode. Ser uma iniciada é um aumento de responsabilidade, até porque, uma iniciação é um privilégio, não um direito! Iniciados guiam pessoas e seus destinos!

O termo inglês Witchcraft só foi cunhado na época do Rei James, enquanto a palavra Wica é atestada bem antes e é mais antiga. O termo Witega passa para Itália e se torna Strega quase na mesma época em que o termo Wica foi usado na Inglaterra de forma pejorativa pelo Bispo de Verona para se referir aos que discordavam das novas Leis Agrárias promulgadas pela Igreja. A Wicca e a Stregoneria são Artes Primas!

Por isso o Raven Grimassi não viu problema algum em dar o frame da Wicca para as suas tradições de Stregherie, até porque, muito do que há na Wicca também veio do Leland e da Stregoneria Italiana.

Espero sinceramente ter ajudado na elucidação da origem dos termos e tapado a lacuna sobre aquilo que a maioria desconhecia.

Sett Lupino.

 

 

 


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

CONVITE PARA A LUPERCÁLIA - PARTE 2

 

Muitas vezes o homem busca a orientação dos oráculos, através dos quais a divindade da terra fala ao seu povo. Os etruscos eram os Tirrenos, cuja palavra significa “o que vem da terra”. Como Tages surgiu na terra a partir de um buraco, o mundo subterrâneo veio justificar o que se via, as plantas brotarem. Assim iniciou-se a espiritualidade Etrusca e suas disciplinas. Os Etruscos não davam um passo sem consultar os oráculos. Assim como é em cima, também é abaixo. Esse verbete antigo já era conhecido, e o casamento entre céu e terra foi possível de interpretar, somando astrologia e geomancia, como demonstram as disciplinas etruscas.



A deusa da terra e seu séquito, que nutrem os vivos, também recebem os mortos. Eles continuam a viver na tumba como Fetchs (assentamentos igual de orixás) e são, se devidamente honrados, os gentis protetores de seus descendentes; mas, se enfurecidos, tornam-se demônios impiedosos, e deve ser “evitado” por cerimônias de libertação que contem os Flers (oferendas igual aos ebós dos ancestrais dos cochitas). Quanto mais ilustres os mortos se transformam em heróis locais com um processo que a igreja veio a chamar de beatificação, são homenageados por atos de culto semelhantes aos realizados para divindades ctônicas. Cópia desse sistema aliás, justifica o Vaticano ter erigido a Santa Sé em cima do cemitério etrusco da Deusa Vatica.

Precisa-se lembrar, inclusive, que o processo NATURAL de fertilidade em uma mulher, até a divisa da idade do Bronze era tido como mistérios femininos discutidos em reuniões femininas em baixo da luz da lua cheia. Posteriormente, o conhecimento humano da idade do Bronze evoluiu para a percepção de que a fertilidade que gerava vida na barriga da mulher só era compreendida na execução da cópula vestibular, ou seja, a introdução do pênis na vagina. 

Mesmo que houvesse sexo sendo feito entre casais do mesmo sexo, o que era natural conforme se explica no dicionário dos antigos filósofos, a ideia de compreensão de um mistério sagrado só podia ser desenhada pela interpretação da soma das polaridades e, isso se dava, até certo ponto, na união sexual do homem com a mulher. Isso era O NATURAL para a época, pois não se conhecia a pesquisa IN-VITRO e o bebe de proveta que é Artificial. Perceberam a diferença entre natural e artificial? Todos os mistérios antigos se pautam na interpretação do natural. Por isso a importância da Mulher e do Homem se intercalarem em alguns rituais e, inclusive para a prática da magia sexual. Isso não tem a ver com ser hétero ou ser gay. 

Tem a ver com a importância da polaridade que desenha o corpo físico e natural geração de vida, sem ser artificial. Daí a relevância das polaridades em operações mágicas e ritualísticas, pois esse é um dos escopos de tradicionalidade. Mais tarde com a introdução da ética no mundo ocidental, os ritos de magia sexual foram simbolizados pelos componentes equivalentes das polaridades e passaram a serem ritos simbólicos.

Essa adoração da deusa da terra e das divindades locais (genni loci), enquanto é uma espiritualidade temerosa, e se expressa em ritos mágicos de mistério, que mais tarde constaria nas escolas de mistérios, tem em si os elementos elevados de dependência da divindade, do senso de impureza e, da possibilidade de purificação e comunhão com o Deus.

Sir Arthur Evans destacou acerca desta espiritualidade ctônica que é caracteristicamente não helênica e sim própria da Itália autóctone, não tendo nada a ver com as tradições da religião ariana primitiva.

mapa da Gruta de Lupercal


Uma imagem igualmente detalhada das crenças religiosas do período pré-histórico Ariano é, infelizmente, impossível. Quando os arianos migraram de seu lar primitivo foram para terras que, na maioria dos casos, já estavam ocupadas. Uma modificação racial dos arianos deve, portanto, ter começado nos tempos mais remotos. Quanto à religião original dos arianos, que já eram mestiços quando apareceram no palco da história, podemos tirar apenas conclusões gerais baseadas na filologia e nas crenças religiosas comuns aos povos arianos mais antigos. A maioria das autoridades concorda que o céu, com suas variadas manifestações, era o objeto supremo de adoração entre todos os povos primitivos que falavam a língua indo-europeia. Nesse ponto fica claro a divisão da cultura matriarcal se mesclando com a nova que surgia, a patriarcal.

Para eles, o céu estava bem cedo encarnado em um deus que foi chamado de "o pai", como "pai Zeus", ou pai "Júpiter". A terra como mãe ficou pequena perto da adoração da esposa do deus-céu que existia. A importância da Terra-Mãe era pequena comparada à de sua esposa que habitava nos céus. Houve, portanto, uma ênfase exatamente oposta à da religião mediterrânea, em que a mãe-terra era suprema, e o deus-céu seu subordinado, isso poderia ser a base da intenção política que deu origem àquilo que conhecemos como desavença entre Gregos e Troianos, cuja água do copo transbordou recaindo na história de Helena. Com o tempo a deusa-terra foi perdendo espaço, tanto que depois que Copernico apresentou sua teoria heliocentrista, reforçada por Galileu Galilei, o que havia no espaço sideral se tornou tão gigantesco nas mentes humanas, que tornou impossível continuar a cultuar o chão que se habitava. A sacralidade e fertilidade da Terra chegou na nossa era com bastante descrédito.

Um fator curioso sobre Tróia é que Posseidon, originariamente era uma deidade dos terremotos,  maremotos e patrono dos cavalos. Seu nome significa dono do poder. O fato curioso é que a etimologia da palavra cavalo vem do clássico Latim Equus e Equa o mesmo radical da palavra aqua que gerou a palavra água. Cavalos marinhos eram ofertados à Posseidon, e o cavalo de Troia pode muito bem ter sido um maremoto completo como causa de um terremoto bem na hora em que os Gregos estavam à espreita na praia de Troia. Fica a dica para uma interpretação sem romance, pois o verdadeiro cavalo de Troia pode ter sido um Tsunami numa era onde essa palavra ainda não tinha sido inventada e como a cidade de Troia foi destruída e, a dos Gregos não foi destruída, registrou-se a vitória em nome dos Gregos. Como pouco se dá importância sobre os sobreviventes de Troia, os quais são bem registrados na história e nos anais da Eneida ter ido fundar a Nova Troia, sendo o filho de Eneias e Dido, com sangue Helenico e Afro, ter se somado aos etruscos na continuidade da história que gerou Roma. Estamos a falar de uma Roma que nada tinha a ver com o Papado, vocês sabem que o Papado foi um golpe de Estado.



A religião que é retratada nos Poemas Homéricos é preeminentemente racional, com apenas uma sugestão ocasional de misticismo. Em vez de uma divindade ctônica e uma série de vagas e inomináveis numina, os aqueus adoravam deuses antropomórficos que viviam em palácios no Monte Olimpo, e foram organizados em uma comunidade ordenada com Zeus, o deus do céu, em sua cabeça. Essas divindades eram altamente especializadas, cada uma tendo alguma província definida e função própria. A diferença entre a cultura grega e a helênica que habitou dentre os etruscos, é que a figura de um deus que se divide em 3 para reinar em 3 mundos diferentes é exclusivamente helênica. Jupiter era Jupiter no céu, no Mar ele foi chamado Netuno e, no submundo ele foi chamado Pluto. Essa visão está correta se basearmos o fato de que nas etruscas disciplinas Tinia é citado em 3 reinos/quadrantes da esfera astrológica de 16 casas, sendo o único quadrante que não é reinado por ele é o quadrante do ambiente natural, local onde vivem os seres humanos.  Os elementos céu, mar e submundo, significando exatamente na alquimia céltica druídica do norte da Itália, os elementos fogo, água e ar justificado pelo símbolo Awen, onde Fogo representa o Espírito, Água representa o Sentimento e Ar representa o pensamento (os dois últimos como os mundos de dentro) igualmente usado em astrologia. Só para constar, também há representações desse deus e sua repartição feito trindade no mundo celta que colidiu com a Itália.

Os aqueus não tinham nenhum dos mistérios ligados aos deuses do Mediterrâneo, mas eram fortemente individuais e humanos, tendo o poder dos deuses, mas todas as paixões perversas dos mortais. Os homens os tratavam como seres humanos, às vezes repreendendo-os, ou mesmo zombando deles, como é feito na história contada por Demódoco sobre Ares e Afrodite.  Os deuses aqueus não eram, como os pelasgos, limitados em seu poder a algum lugar especial; eles eram os deuses da tribo e não do lugar. Em seus atos rituais, o povo de Homero não realizou cerimônias misteriosas ou orgiásticas, nem recorreu à magia para garantir o crescimento das colheitas ou o aumento de seus rebanhos; em vez disso, eles oraram aos deuses e ofereceram sacrifícios de maneira decorosa. A tradição druídica mostra que o costume celta de cultuar deuses locais permanece viva até hoje. A stregoneria do norte absorveu esse costume, enquanto que a stregoneria do sul veio a reaprender esse costume, conforme a relevância foi sendo percebida pelas castas de bruxas. Tal prática chegou para nós nos dias atuais como sendo uma só, como se no início não tivesse tido seus hiatos.

Com esses atos devidamente executados pelos aqueus, todo o dever do homem para com os deuses havia se cumprido. Ele não tinha na presença deles consciência do pecado ou da necessidade de purificação.  A palavra grega para pecado é ”hamartáno” e em hebraico é “hhatá”, em árabe “athm”, em todos os casos originalmente significa “errar um alvo”, especialmente nas sociedades regidas por teocracia. O pecado era o crime da época, pois se você não andasse conforme o regimento do livro Teocrático que governava tal povo, você estava em pecado e somente uma figura com poder temporal, como um sacerdote, poderia lhe absolver após sua expiação.

Em árabe a palavra Athm (singular) e Atham) plural para pecados, significam incriminar e é verbo feminino. Essa palavra está ligada à Hawba, que significa Hobá, lugar oculto e antiga cidade de Israel. Precisamos lembrar que a ideia de pecado é tão antiga, que já estava nas 42 Leis de Maat no antigo Egito cerca de 2 mil anos antes de Cristo. O pecado é pagão, foi copiado pelos cristãos posteriormente.

monte palatino


O fato é que cada povo conta sua versão dos fatos passados na história, devido a paralaxe filosófica e religiosa que cada povo tem. Um exemplo disso é o da tribo de Dan. Para o povo Judeu, a tribo de Dan é uma das doze tribos de Israel, enquanto que para os Cochitas africanos e o povo Fon, Dan é o nome verdadeiro de Oxumaré, o orixá serpente da sabedoria e transmutação. Quem diria que um orixá fez parte das 12 tribos de Israel? Mas quando as tradições são isoladas, chega até nós o que cada tradição ensina de acordo com a visão cultural-religiosa de raiz de seu povo e nação.

Voltando, Prestem atenção como o pecado e a purificação andam de mãos dadas um com o outro. Entre os aqueus, se tivesse cometido um assassinato, não era obrigado a expiar aos deuses, mas pagava uma multa ao parente mais próximo de sua vítima, aqui está a influência Greco-romana no nosso Sistema Jurídico de Direito atual. Quando ele assim fazia a reparação, ele não precisava ser purificado, como em tempos posteriores, pela aspersão de sangue, nem temer a perseguição de um fantasma vingativo.

Deu pra ter uma ideia sobre a diferença entre os costumes e tradições né. Mais de mil anos antes da era cristã, podemos imaginar as colinas do Tibre ocupadas por clãs dispersos de Ligurianos. De seus ancestrais remotos eles herdaram uma religião que era principalmente temerosa, e que procurava propiciar a forças invisíveis que pareciam à espreita para causar danos. Os primeiros rituais tiveram necessidade de serem criados devido à opressão que sentiam em relação ao mau humor divino, a fim de propiciar uma vida melhor e com mais prosperidade e, felicidade. A dor, a fome, a restrição e a opressão causavam tanto medo, a ponto dos sentimentos humanos permitir a criatividade de criar ritos, como ideias de apaziguamento divino e atração de boa sorte. Provavelmente as primeiras magias tiveram seu berço no sentimento votivo de gratidão e no sentimento de desamparo total, requerendo a proteção devida. A magia original não parece ter outro propósito senão esse apresentado, o resto que se conhece foi criado depois.

Para o povo da Itália, o lobo era um constante objeto de terror, e por isso muito cedo veio a tipificar esse poder destrutivo. Assim, as tribos que moravam perto do Palatino vieram ao Lupercal e tentaram propiciar a divindade-lobo que morava ali. Eles ofereceram uma cabra de seus rebanhos, então fugiram com toda a velocidade da cena do abate de um animal sagrado. Depois, tendo expiado seus pecados e culpa, eles voltaram para a caverna, para participar de forma sacramental da vítima, uma espécie de banquete como o boi no rolete regado a vinho e queijos dos maçons.

O medo humano acerca do lobo gerou o preconceito e até hoje assistimos o homem demonizar a figura do lobo, ouvimos até um grito dizendo: “cuidado com o lobo na pele de cordeiro”, ou então a história do lobo mal que come a vovozinha e a chapeuzinho. O lobo canino é o diabo que assusta e põe medo, mas que todo mundo quer fazer um carinho e ter em casa, mesmo sabendo que ele morde. Na era cristã Lupercus foi identificado com Reprobus, um cinocéfalo bem alto quase gigante que aprendeu as artes da magia com o diabo porque ele queria obter a forma humana. Ao encontrar Jesus depois de muito tempo ele ganhou a forma humana e passou a se chamar São Cristóvão que em inglês nas raízes latinas é Christopher, o qual quer dizer portador de Chrestos. A igreja oculta seu passado, mas isso se passou antes de Cristo. Reprobus é o único que pode andar entre as margens de dois mundos e é com ele que você consegue atravessar.



Em seu estágio inicial, a Lupercalia foi um rito apotropaico cuja finalidade era a proteção contra o mal. Quando o povo terramare se estabeleceu no Palatino, eles encontraram o culto na caverna do lobo estabelecido há muito tempo e profundamente venerado para ser erradicado ou desconsiderado. Portanto, eles o incorporaram à sua religião e tiveram seus próprios sacerdotes participando do ritual. No entanto, a parte atribuída aos recém-chegados era obscura. Os sacerdotes da Ligúria realizaram todos os ritos significativos e foram moldando os ritos conforme a necessidade do povo enquadrada naquilo que a fé podia regar.

No tempo dos romanos, observou-se que o sacrifício de cabras que eles ofereciam na Lupercalia carecia do vigor que possuía os cultos vizinhos de Juno Capitolina e Juno Lucina, nos quais os golpes do chicote de couro de cabra garantia aos adoradores a entrada do poder vivificante da deusa. Então eles passaram a reforçar o rito de Lupercus com esses atos de culto de Juno Lupia e, Juno ganhou vida na forma de Luperca/Lupa. Assim a Lupercalia tinha um novo propósito acrescentado ao antigo: agora servia para assegurar a fertilidade ao povo.

A Lupercália é tempo de arar a terra do nosso quintal, o azorrague dos “Lupinos” prepara o terreno, e eles são recompensados com fecundas e belas visões, ao realizarem sua cerimônia na santa Figueira.

Vêem a si mesmos como “Filhos da Luz”, e uivam para a Lua, interessados em impetrar o fundo da escuridão fria e abrasadora, e fecundá-la com luminosidade. Os lobos feiticeiros em pleno estado desfigurados percorrem, na forma lupina para tocar as almas. Bebem um valimento chamado ‘Claret’, que possui a faculdade de produzir a mudança da próxima obra na lavoura e assim tomam o voo da bruxa para congregar na Nogueira sagrada.

Observam o cerimonial para ajustar deformidades, seguindo a prescrição da expiação contra enganos. Perfeito significa para ser feito, executado. Significa que está inacabado e precisa de revisão para lapidar o ser. Respeito vem de Re + spectus significando olhar de novo. Com essa consciência se faz um bom trabalho de transformação e é assim que se muda em lobo. De animal para humano, de humano para divindade, o eterno ciclo da queda celeste e do ir contra o grão.

O adágio, de fato, é a metodologia e investimento para vida nova. Ele deve ser acrisolado pela diligência. Tornamo-nos aquilo que pensamos, este é o mistério eterno.

O próximo mistério é o da purificação, para ser digno de tornar viva a sua origem divina. A raiz da palavra purificação é a mesma da palavra banho, a qual é a mesma raiz da palavra batismo (o qual também é outro rito pagão, não cristão, conforme atesta Cairbar Schutel em seu livro). Só existe purificação com a água. Corra de quem escreve livros sobre purificação pelo fogo. O outro mistério é o dos sacrifícios já tão bem explicados.



O mistério derradeiro está para admitir o arcano da extinção e suplantar a rota das causas e dos perecimentos, e com isso obtém-se poder sobre a arte de chamar uma nova existência para o filho de Saturno, senhor da Era Dourada.

Após receber estes ensinamentos do Rei Zagal, os quais estão associados à feitiçaria, tornam-se livres do temor e da morte, alcançando aquilo que só se pode obter a partir das trevas do antimônio, uma questão que Platão deixou bem claro.

Acessa-se o domínio fantasma que dificilmente tolera essa reserva. Em lugar disso, procura apoderar-se da realidade por trás dessas manifestações, influenciá-la e servir-se dela por meio do rito, da purificação, do sacrifício, da expiação.

Tenta abolir o caráter gasto e camuflado da realidade anterior da coletividade, se dispondo dela. Não contestando nem cultivando deformações em nossa crença, desde que não cobiçamos decifrar e manejar o código, mas em vez disso, aceitamos como nosso fluxo, e o sagramos enquanto vivenciamos.

Eis um ritual sacrificial e iniciatório em que todos os anos revigoraram sob o luar, o brilho da mais cara troca de pele e de pêlos, e isso implica alguns pontos a serem abordados para uma boa compreensão, a qual espero tê-la feito entendido ao leitor honesto, honroso e que clama por mais virtudes.

É nesse clima que acontece a 18ª. Lupercália do nosso Coven. Que todos os iniciados sejam bem vindos à Festa de todos os Lobos! A cerimônia de aprestos e congregação terá início as 16h na Figueira de Lupercal com os oficiantes do Canídea Covine de Ribeirão Preto/SP.

Possa o Luar te abençoar e amaldiçoar pela lei da verdade, exata medida e proporção!

Sett Lupino.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

A Bruxa de Ripabianca



Era um tempo onde a Inquisição foi estabelecida quando, no décimo segundo século e início do século XIII, a Igreja, sentindo-se inadequada para a supressão da heresia, especialmente dos cátaros e valdenses, os meios ordinários e a autoridade dos bispos, nomeados como delegados usaram um mandato para investigar e julgar os hereges, cometendo assim, os crimes mais hediondos da história, e por isso até hoje a igreja cristã é considerada como a igreja assassina.




Amarração em rodas, corte da língua, corte das mãos, cremação de vivos, amputação de partes do corpo, dedos, decapitação, pinças incandescentes, pregos debaixo da unha, câmeras ou sarcófagos com estacas internas, piras funerárias para vivos, cordas, forca, ferro quente, ser jogado no rio para boiar como prova de que não era bruxa, prisão, fome, varas, açoitamento, instrumentos de torturas variados, ridicularização, difamação, estrangulamento, foram só algumas das maneiras pelas quais o Santo Ofício de Deus fazia sua justiça.

Foi dito que Matteuccia ia para o congresso em Benevento durante seis meses por ano. Esses seriam março, abril, maio, agosto, setembro e dezembro e permanecia lá por três dias da semana, sendo sábado, domingo e segunda feira.
Matteuccia teve vários epítetos que serão mencionados ao longo desse artigo. Ela foi a primeira bruxa italiana condenada pela inquisição em 20 de março de 1428, pelo capitão Lorenzo de Surdis após um julgamento esquisito. Ela foi amarrada com as mãos atrás das costas na Piazza di Todi e foi queimada viva. Em documentação, ela foi a primeira Strega a ser citada como uma bruxa que voava.

Matteuccia de Francis, residia em Ripabianca em Deruta. Foi acusada por trinta encargos, atribuíveis, de acordo com o tribunal secular que julgou, com um denominador comum: a feitiçaria. O processo de Todi, que aconteceu em 1428, introduziu o protótipo de uma das bruxas reais mais poderosas que já existiu.
Ela foi presa e levada a julgamento porque a fama de bruxa era punida pelo tribunal da inquisição, por "reputação pública", dizia-se uma mulher de má conduta e reputação, encantadora de multidões, feiticeira, bruxa (aqui o termo é usado pela primeira vez em um processo). Matteuccia foi bruxa por excelência.

Foi definida como incantatrix porque curava usando numerosas carminas acompanhadas por gestos “estranhos”. Foi também chamada de fatuchiaria maliaria e, portanto, sabia remover maldições e encantos. Ela foi uma herbarum dominante e uma operadora de milagres, que sabia tratar doenças do corpo, da cabeça e de outros membros na presença do paciente ou de um objeto que pertencia a ele.

Ela também ajudava as mulheres que queriam interromper uma gravidez, e as que queriam ficar grávidas lhe procuravam pedindo sua benção. No entanto a sua especialidade eram os "problemas de relacionamento". Com remédios mágicos ela ensinava as mulheres como seriam amadas por seus clientes e maridos que negligenciavam o casamento e que eram agressivos e ajudava vencê-los com cabelos enrolados em farinha e pendurados na porta ou na cama.
Na época de seu julgamento Matteuccia estava muito famosa e poderosa. Seus clientes vinham de longe para obterem resultados satisfatórios com a magia de Matteuccia. Não só os agricultores e as pessoas das classes mais baixas, mas também pessoas de um certo nível, incluindo um homem empregado pelo famoso líder Braccio da Montone recebeu os favores da bruxa.

Com suas fórmulas, seus sinais e ritos, pomadas e filtros a mulher "encantava" todos em Umbria, especialmente em Todi, Orvieto e Perugia. Até então suas atividades "mágicas" estavam sem as conotações do mal que seriam atribuídas no processo de Todi.

Submetida a tortura, ela confessou ter se transformado em um gato e um cavalo com ajuda de um demônio que aparecia na forma de um bode ou lobo, e confessou que voava magicamente para as reuniões em Benevento. Ela confessou também que usava sangue "Sugato" de crianças em Montefalco, Todi, Orvieto e Perugia. Em fim, qualquer picada de pernilongo que um bebe tivesse, ela era a culpada. A reputação da fama e imagem da bruxa se deu muito devido a uma mariposa, que se dizia sugar sangue de crianças.

Para inspirar esta razão, afigura-se pela primeira vez em um processo, um pregador, San Bernardino de Siena, citado em documentos judiciais, e que dois anos antes tinha realizado uma série de sermões em Todi, Spoleto e Montefalco. Em toda a probabilidade, dada a sua aversão documentada para com "encantamentos", o pregador também tinha atraído sua atenção para a poderosa senhora. Além de introduzir o termo "bruxa" em San Bernardino, em um sermão de 1427, falou pela primeira vez de Benevento como uma cidade que teria lugar "reuniões noturnas de seres stregonici”.

A lenda da árvore de noz (Nogueira) como o mal, em vez disso, tem origens antigas explicáveis a uma falsa etimologia, a derivação do nome do "dano", do verbo latino, dano. A história de Benevento nos conta que antigamente a cidade se chamava malevento devido as confluências e tempestades que devastavam a cidade, até que um padre benzeu a cidade e trocou o nome para Benevento, na intenção de fazer cessar os maus ventos, só se esqueceu de mencionar que isso foi um feitiço de reversão, inclusive, feito pelo padre.

Por que as bruxas que se alimentam de crianças, retirados da literatura clássica (lamias nos Ars poética Horace, Striges no Fasti de Ovídio) e a do voo para o botão de Benevento, combinado com o testemunho das artes mágicas demonizados de cura, seria de agora em diante uma mistura explosiva nos julgamentos de feitiçaria, onde, na Europa e no novo continente "milhares e milhares de mulheres inocentes perderiam a vida, porque eles são forçados por tortura a confessar (ou concordar com o que lhes era imputado) para que os sofrimentos da tortura acabassem. Tais torturas eram sugeridas pelos inquisidores, eles criaram a bruxaria como foi vista pelo mundo, ou pelo menos criaram o medo da bruxaria, por puro golpe político de controle das massas. Uma igreja poderosa na fé cristã não poderia lutar com mulheres com quem os papas transavam e tinham filhos, porque eles cresciam e em seguida requeriam o trono do pai, então toda mulher que mostrasse algum poder seria punida. O ódio da cura xamânica, fomentada por sermões, seria habilmente manobras para desviar o descontentamento popular mesclados anteriormente em formas de hostilidade contra o poder da Igreja e das autoridades governamentais, e assim o inferno foi recriado pela era das fogueiras sob a ótica cristã e da bandeira cristã. Os cristãos de hoje fingem desconhecer esse golpe e reclamam para si o poder de Deus, como se verdade absoluta fosse, incutindo todas as demais fé, como se mentiras fossem, levando a humanidade crer numa batalha onde só a igreja de Cristo deve ganhar. Isso é ignorância humana.

Mas em fim, voltando...

Matteuccia di Francesco foi na verdade uma freira e bruxa italiana, conhecida como a “Bruxa de Ripabianca”. O julgamento contra Matteuccia foi um dos primeiros a terem sido documentados na Úmbria, onde um Tribunal da Bruxaria pronunciou a sentença de morte.

Os juízes decretaram que Matteuccia estava sendo influenciada pelo próprio diabo, e por este motivo vinha repetidamente praticando atos de sacrílegos e feitiços contra os habitantes de Ripabianca. Os acusadores afirmaram que o comportamento da bruxa vinha sendo praticado por muitos anos, até que foi definitivamente capturada e condenada pela corte de Lorenzo de Surdis, segundo ordens diretas do Papa.




Abaixo segue um trecho da acusação formal apresentada pela Igreja Católica contra Matteuccia di Francesco, que a condenava à ser queimada na fogueira sob a acusação de bruxaria:

“Esta é a punição corporal e a sentença corporal ratificada pelo Magnífico e Poderoso Senhor Lorenzo di Surdis, honrado Mantenedor da Paz para a Santa Igreja Romana e o Santo Padre, no nome de Jesus Cristo e de nosso Pai Sagrado pela Divina Providência, o Papa Martinho V. Nós acusamos Matteuccia di Francesco, universalmente reconhecida como uma mulher de hábitos maléficos e de prostituição, feiticeira e bruxa, contra quem formalmente oferecemos acusação.”

Mattiuccia teria confessado ter vendido poções medicinais e ter voado através das árvores na forma de uma mosca e nas costas de um demônio depois de ter aplicado sobre seu corpo um unguento preparado com o sangue de uma criança recém-nascida. Ela foi julgada culpada de bruxaria e sentenciada à ser queimada na fogueira.

Faz-se mister clarear essas coisas como voar na forma de moscas, desde que o cogumelo “amanita muscaria”, o cogumelo das moscas, foi usado desde a antiguidade para dar viagens astrais, encontros com os ancestrais, visões além do Entre-Mundos, Congresso com o mestre Chifrudo da encruzilhada, tanto na forma de unguento quanto na forma de bebida sabática e seus relatos são historicamente garantidos pelos bruxos franceses chamados Lobos Garous.
O professor de Paleografia da Universidade de Verona, Henry Menestò, diz o seguinte em sua pesquisa:

"O processo de feitiçaria contra Matteuccia é um dos mais antigos na Itália, e é um documento importante da abertura da caça às bruxas, um dos maiores massacres da sociedade europeia moderna. A mulher foi deixada sozinha na frente dos juízes sob o peso de uma enorme quantidade de encargos para embaraçar comparando todas as bruxas da Umbria, e não só, do século XV”.

Matteuccia foi levada a julgamento por Roma em 1428, acusada de ser uma prostituta, ter cometido profanação com outras mulheres e pela venda de poções do amor desde 1426. Ela confessou sob tortura, ter vendido remédios medicinais e de ter levado a uma árvore em forma de uma mosca na parte de trás de um demônio manchada com um unguento feito de sangue de recém-nascidos (vermelho como amanita). Ela foi julgada culpada de bruxaria e condenada a ser queimada na fogueira. Como se pode ver, os homens mais inteligentes daquela época, eram na verdade grandes ignorantes e não podemos confiar nessas autoridades, mas os fatos históricos estão ai para quem quiser comparar.

Seu caso foi um dos primeiros julgamentos de bruxas na Europa e, talvez, o primeiro caso em que uma bruxa é mencionada voando no ar.

Em 20 de março também marca o aniversário da inusitada festa da queima na fogueira de Fiddleheads, em Todi, onde a bruxa condenada a ser queimada viva pelo tribunal secular da sua cidade deu origem a uma revolta sem fim. O ano era 1428, quando os habitantes de Todi - no dia antes do equinócio da primavera - foram agitados pelos gritos angustiantes de uma mulher, mãos e pés atados em uma pira em que o capitão da cidade meteu-lhe fogo e a incendiou.

Se Matteuccia imaginasse que hoje, tempos longínquos da sua execução cruel, celebramos o Dia Internacional da Mulher, ela permaneceria perplexa com a ironia que emerge da proximidade dessas duas datas.

Se soubesse que na década de 90 a cidade de Todi foi chamada de "a cidade mais habitável do mundo", certamente ela teria algo a opor-se a este respeito. E por outro lado, mesmo para nós, é difícil acreditar que a bela e tranquila cidade de Todi foi um dia o palco da cena mais macabra e com atrocidades reais.

ATA DO PROCESSO - As atas do processo Matteuccia Di Francesco veio até nós. Hoje os autos são mantidos na Biblioteca de Todi e descrevem com detalhe as razões pela qual a mulher foi condenada, e a sentença realizada.

Páginas e mais páginas, editadas para colocar no registro pelo notário no comando (na época), listam todas as acusações pendentes sobre a cabeça da mulher. Lemos como Matteuccia recebia visitas de pessoas de todos os lugares da Úmbria, para pedir sua ajuda sobre problemas de desgosto ou de saúde. Parece que a bruxa tinha a solução certa para todos com seus benzimentos e encantos mágicos. Prescrevia pomadas (unguentos) à base de plantas desconhecidas pelo povo, receitas gourmet exclusivas e fórmulas mágicas que os ouvidos das pessoas simples não estão acostumados a ouvir sem temer as rimas inocentes, aparentemente, poderia remediar todos os tipos de trabalho, emocional ou físico.

Matteuccia tinha-se tornado completamente um volume de negócios, clientes satisfeitos que voltavam a ela para mais informações, favores e requisitos. Os remédios descritos na primeira parte do processo parecem completamente inofensivo, além de curiosos.

Para uma mulher que foi espancada diariamente e traída por seu marido, Matteuccia aconselhava a conservar a água que ele usou para lavar seus pés, e, em seguida, dar-lhe de beber ao infiel juntamente com um prato de andorinhas temperadas com açúcar.

Um jovem amante bom para se casar, condenado a ficar em uma encruzilhada com uma vela acesa, a dobrar-se recitando um encantamento enquanto sua amada se casava com o litigante. Assim, o noivo nunca poderia se juntar à sua esposa, cujo amor um pelo outro seria, pelo menos, desafiado.

"Em nome de Deus, amém. Esta foi a convicção e o corpo físico da sentença dada e ratificada, condenada e tornada pública por motivo torpe dado por Lorenzo Surdis Roman, Magnificent e poderoso Senhor, honorável capitão e Curador da paz da cidade de Todi e seu distrito para a Santa Igreja Romana e para o Santo Padre em Cristo nosso Senhor e Sr. Martino por divina providência Papal.

Estas são as palavras do processo, 20 de março de 1428 de abertura, condenou Matteuccia Francesco di Ripabianca para ser queimada viva na fogueira por acusações de bruxaria. O julgamento contra a "bruxa" de Ripabianca é um dos primeiros documentado em Umbria para o qual o "Tribunal do mal" pronunciou a sentença da pena capital. Matteuccia foi julgada em Todi porque, naquela época, a vila de Ripabianca pertencia, como um castelo sujeito ao município de Todi.

A mulher, de acordo com os juízes do tribunal, inspirada pelo diabo, fez repetidamente atos de sacrilégios e feitiços sobre as pessoas. Os delitos anteriores tinham sido feito, de acordo com os promotores, a partir de 1426 até o momento da prisão da mulher e sua convicção pelo tribunal presidido por Lorenzo de Surdis, capitão e guarda da paz na cidade de Todi para a nomeação da Santa Igreja Romana.

Por ter ajudado um senhor a conseguir que fosse pago por quem devia à ele, foi instruído a assombrar o devedor com fantasmas de um osso pagão, enterrado sem batismo, levado à uma encruzilhada e recitar nove pai nosso e nove ave Maria acrescentando esse final: “"Osso pagano a quello ti tolsi e qua ti reco”.
Ela usava a erva Vinca (grama da vitória) para encantar corações e fazer aquiescer os enamorados.


bruxas de Benevento
Matteuccia não apenas preparava poções e pomadas, mas também prescrevia e recitava orações sobre a água mágica para todos aqueles que queria recuperar seu amor. Muitos amantes foram até ela para obter uma grama "encantada" como para alimentar seus entes queridos.

“Unguento, unguento, mandame a la noce di Benivento supra acqua et supra ad vento et supra omne maletempo” Esta é a fórmula que a bruxa Matteuccia Ripabianca utilizava para o voo e custou-lhe a sentença de morte.

Hoje, os remédios de Matteuccia certamente não seriam julgados tão perigosos. Para além das considerações óbvias de que beber a água em que o nosso cônjuge fez o banho de pé, ou colocar-se no meio de uma interseção completa com uma vela acesa, nenhuma ação seria aconselhável. Em ambos os casos, por razões de segurança pessoal. Mas, naquele tempo, isso tudo foi levado muito a sério, e considerado uma prova de cumplicidade com o mal, mesmo que as intenções de Matteuccia não parecessem tão desprezíveis. Na segunda parte do processo, no entanto, eles descrevem os ritos de uma forma mais macabra. Matteuccia iria convencer um homem empregado pelo Braccio da Montone, Senhor de Perugia, a adquirir a carne de um homem afogado, para extrair um óleo que aliviou a dor de um paciente, nada diferente da história da anestesia, tão macabra quanto, porém o que muda é a intenção do golpe político da igreja.
Além disso, teria sido capaz de se transformar em um gato, e pairar no ar na parte traseira de uma cabra para chegar ao famoso Walnut de Benevento, coisa que nenhum padre conseguia fazer, e aqui na Nogueira, foi este o local pela primeira vez referido como o lugar preferido por bruxas para os seus encontros com o diabo.

Entre outras coisas, nos autos do processo são mostrados em sua totalidade que também incluem a fórmula mágica para alçar voo, de óbvio interesse para aqueles que - motivado por ambição não conformista - tinha de alguma forma planejado. As taxas são ainda mais graves quando Matteuccia - que tem a duvidosa honra de ser a primeira mulher chamada bruxa - é acusada de crimes horríveis e se alimentar de sangue de crianças. O sono da razão produz monstros como podem ver com processos de juízes tolos.

No entanto, por todas estas transgressões e para os outros, chamou a atenção a decisão do tribunal como vozes das pessoas, e acreditava-se ser mais do que suficiente para implicar em um julgamento por bruxaria, à pobre Matteuccia foi dada a oportunidade para se defender, e para escolher um advogado para ajudá-la, mas pobre, Matteuccia não foi capaz de contratar nenhum. 

O prazo para apresentação de defesa - a burocracia se alastrou até então - Matteuccia é então condenada, e a sentença realizada. Amarrada e montada em um jumento, é conduzida para o local da execução, e então queimada viva. Além disso - parece justificar o notário no final dos minutos - tinha confessado espontaneamente para ser culpada de todos os crimes atribuídos, inclusive o de voar para o sabá. 

E nisso ela não mentiu, Matteuccia disse a verdade, bruxas voam para o Sabá, só não compreende quem é de fora.


Sett Ben Qayin