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terça-feira, 13 de setembro de 2022

Canídea Coven

 

 


O Canídea Covine é uma progressão do Alcatina Coven fundado em Ribeirão Preto no início dos anos 2000 por Píu di Viterbo Lupino. É um Coven Tradicional que trabalha com os poderes dos Lobos de forma herética através da magia da Stregoneria hereditária, bruxaria tradicional anglo céltica, Ítalo-helenistica, subluciferiana, afrolusitana dos Oshôs e por último, a Bagatas Rhomáh Lovari conforme as Linhagens que o compõe. Os bruxos e bruxas Lupinos são hereges deístas, libertários e ecofeministas e, são O BOM POVO de Elphame.

São Hereges no sentido que Oxford classifica, pois essa palavra tem origem na palavra grega, hairetikós, que significa escolher. O herege é aquele que sabe fazer escolhas e que faz escolhas. Nisso reside o caráter de respeito ao livre arbítrio.  O teor teológico e dealógico dos Lupinos amalgamam liturgias próprias, que faz uma excursão no tempo desde o paganismo até os tempos cristãos, cujo mistério enfatiza a magia prática e o folkmagick das linhagens que compõe o corpus hermeticum do Coven, os rituais e cerimoniais míticos e todos com fundamentos esotéricos clássicos sobre cosmogonia e criacionismo polarizados.

Os membros são inclinados à posição de todos esses estudos, rumando para mais erudição. Sob a máscara diabólica dos malandantes, o culto é centrado na deusa Lupa e no deus Lupercus enquanto deuses centro-locais da tradição, bem como na Cósmica Anadia e a Matrona Enódia, dessa forma celebram o vinho das encruzilhadas do destino. O empowerment é celebrado sob a alcunha dos poderes místicos e da efígie do casal E.D. e H.K., e seus mistérios comportam os trabalhos dos arcanos dos Gêmeos, dos poderes da Encruzilhada, os quais também incluem as 8 Mudanças Sazonais e os 13 Ritos das Águas da Lua, o Sába tradicional das Bruxas, A Passagem das Margens e, os poderes Alquímicos, Geomanticos e Astrológicos, da Transformação e da Telesmata.

Todos esses trabalhos juntos quebram paradigmas e reúnem com qualidade de Poder e Força necessários para formar uma convenção ética e moral cujo resultado é a forja do caráter virtuoso a qual prepara o iniciado para ser líder de sua própria vida e caminho/destino, tornando-o pontífice e arquiteto de si mesmo sem ter a necessidade de ser guiado pelo religare de matriz Abraâmica-monoteísta. Dessa forma, o iniciado PODE guiar a vida das pessoas e clientes com maestria e ajudar a romper com os grilhões da sociedade e seus dogmas religiosos.

Conjuro - Rhea Bless Lupino

O princípio de Congrega Italiano é seguido na forma de acolher-se por hereditariedade ou por vocação e proximidade de princípios e de amizade e caráter, consanguinidade, e/ou linhagem recebida; A idade mínima de 18 anos é exigida para trabalhos no covine e no ato de admissão e o comprometimento também. Para ser admitida a pessoa deve ser escolhida e convidada. Segue o Estatuto, a iniciação horizontal e vertical, os compêndios de saberes e diretrizes antigos e divinatórios, perenes das artes do céu (astrologia antiga), das artes da terra (herbalismo e geomantico) das artes do inferno (alma, espírito, ancestralidade, produtos do submundo mítico e psicológico ou plutônico/Ctônico, os duplos da bruxa e seus pares polares) bem como o pensamento e filosofia de vida e morte que estão por trás como pano de fundo que sustenta a raiz Platônica não dogmática, mas perene do renascimento; com teologia e dealogia próprias, liturgias próprias, conjurações, templo, oráculos, magias e feitiços que funcionam, fetchs e flers de fundação e assentamento, de manutenção da egrégora, poções, encantamentos, rituais, calendário sagrado, treinamento apropriado, adoção de descobertas, três juramentos, iniciação sob graus celestes e com certificação, livros de fundamentação, mitos próprios, folclores de fundamentação, familiar da bruxa, conjunto de divindades dos panteões que os compõe, espíritos e demônios amigos da família ou do coven seja por ancestralidade mítica ou mesmo sanguínea, ou também pactuada.  Comporta templo (doméstico e campestre) e respeita os cargos de ofício e de concessão, com congresso em igualdade e egresso na Arte. A Hierarquia natural está apenas na governança administrativa e o sistema usado é o de Corte Mista (Xadrez e Chaturanga).

Curiosidades: A Lupino mais famosa conhecida é a atriz Ida Lupino que dirigiu o Thriller La Strega em 1962 e, não poderia deixar de mencionar a memória de Andreana Lupino que nasceu em Santa Maria Maggiore em Benevento no ano de 1800. A elas, o nosso mais adorado respeito!



Os Covines Lupinos lutam com respeito contra a opressão e a soberba humana, tanto com magia quanto no apoio dos movimentos do Feminismo Liberal e do Ecofeminismo que estão debaixo das asas ideológicas de Mary Wollstonecraft. A opressão e a soberba são encontradas tanto na política quanto na sociedade em geral, seja no meio bruxo ou em meio cristão ou de qualquer outra religiosidade. Infelizmente existem no mundo todo, pessoas de todas as naturezas e religiões que julgam demais, interpretam errado alguns fatos vividos devido a sua paralaxe emocionalmente destorcida e tratam mal (com húbris, arrogância, prepotência e vaidade) os quais são premissas de desigualdade. As pessoas que não significam nada pra essas pessoas de comportamento opressor são as maiores vítimas de maus tratos e desigualdade. A luta contra a opressão ensina que o comportamento deve sempre ser expiado e mudado, desde que aquilo que nos une é maior que aquilo que nos separa.

Por Sett Lupino.


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quinta-feira, 25 de agosto de 2022

COVENS, IRMANDADES E ORDENS MÁGICAS - QUAL A DIFERENÇA ENTRE ELES?

 



Muitos se perguntam qual é a diferença entre um Coven, uma Irmandade de bruxos e uma Ordem Mágica. Para clarear as dúvidas venho hoje trazer uma breve luz sobre esse tema, lembrando que não existe verdade absoluta, por isso as verdades aqui afirmadas podem ser mudadas ou complementadas em breve. No desígnio das Artes Lupinas há um ditado  que diz: Todas as verdades são fracionadas, fragmentadas, individuais, passageiras e não absolutas!

As distinções são poucas, mas elas existem e na prática faz muita diferença.

Os Covens são praticamente formados por Bruxos(as) detentores da totalidade de uma linhagem bruxa. Os Covens mais tradicionais são chamados de Covine. Os Covens italianos ou de orientação/linhagem italiana são chamados de Congrega.

Uma diferença importante a ser esclarecida é que em um Covine Hereditário participam membros consanguíneos da família e membros adotados por iniciação os quais passam ser parentes espirituais e, detentores da sabedoria da linhagem familiar e, ao contrário do que se pensa nem todos da família sanguínea assumem seu posto nem participam, aqui o livre arbítrio é respeitado. 

Nesse desígnio, todos os seres invisíveis são tratados como parentes igualmente, sejam eles Deuses, Anjos, Demônios ou espíritos diversos. Ou seja, o bruxo é um deus reencarnado o qual pede favores à um deus parente que não está reencarnado. Ambos estão interagindo em mundos distintos, pois enquanto um está no mundo etérico o outro está no mundo físico. Ambos são parentes e por isso se ajudam, não necessariamente com a "paga" feita por obrigação e sim, com gratidão. 

O duplo etérico da bruxa é uma verdade que diz que um segundo “eu” seu está no plano etérico e antes de reencarnar você faz seus pactos com sua irmandade no mundo dos espíritos. Daí a necessidade dos sete tipos de Flers para ocasiões diversas e específicas que se subdividem a partir dos sete tipos, bem como a manutenção da egrégora. Um Stregone é um bruxo que não dá um passo antes de consultar os oráculos para saber da vontade dos deuses e, essa é uma premissa etrusca. O mesmo é com as Stregas. Isso fundamenta, inclusive, a superioridade do Espírito sobre a Matéria.

Todos são tratados de igual para igual e nem sempre há necessidade de “paga” ou como chamamos, Flers. há uma diferença entre dar para receber e dar por gratidão. Geralmente a Paga está dada na manutenção da egrégora e ainda assim, após receber um favor, damos por gratidão e reconhecimento, não por pagar um favor como obrigação litúrgica.

Para quem não sabe, os Flers da Stregoneria também são a mesma coisa que Ebós da tradição Coxita (as vezes grafado Cochitas). Os Oshôs (bruxos africanos da irmandade de IYamí) também se utilizam do sistema geomântico oracular, para eles é denominado Ifá, enquanto que para as stregas é denominado Tuppù Isà Îli (a Tábua dos Deuses), mas o sistema é praticamente igual, pois ambos nasceram da Geomancia das velhas Mães da Arábia Saudita, caminhou até as terras africanas da Fenícia mediterrânea e, de lá, se subdividiu sendo uma subida no mapa, para Itália e uma descida para a região do Niger e Nigéria. A Geomancia é o verdadeiro oráculo da Deusa desde eras matriarcais.

Na stregoneria existem guerras de bruxos X deuses? sim! muitas vezes há um contracenso dentro do próprio bruxo, ele quer o favor de alguma deusa e esta não lhe presta o favor. Disso decorre a ameaça, onde Charles Leland ensinou ameaçar Diana ao fazer pão dizendo: "eu não asso pão, eu asso o corpo e o espírito de Diana".  Mas com maior maturidade você aprende que nunca se ameaça um deus ou deusa. O nosso respeito pelos deuses vem do amor que sentimos por eles, não da revolta. Por isso é importante lembrar sempre que ao se reconhecer como um deus na Terra, requer que seja feito (e muito bem feito) o trabalho de ego, de sombras e de virtudes, para não se tornar um psicopata que se acha no direito de ameaçar os deuses e fazer o que bem entender. O poder vem para nós na medida de nossa capacidade de suportar as responsabilidades que isso traz.



Segundo Piérre Riffard e sua exposição arqueológica do quadro dissidente do culto à deusa “Terra-Mãe” há 35 mil anos, a qual está ligada, por ser Iyá Ilê, Iyá Onilê, Iyá Ayê, Iyá Mofurokê, Iyá Alódudu, dentre outras Ajés, todas Mães Ancestrais, igualmente para stregoneria com as deusas Ati Nortia, Ati Senia, Ati Cel, Ati Phersipnei, Ati Horta, Ati Losna e Ati Lasa, todas mães ancestrais, cada uma com seu reino e domínio. Esse culto, aliás, quando subiu para a Europa, ganhou o nome de Bruxaria (witchcraeft em inglês arcaico e Stregoneria em italiano). O dicionário de Oxford define Witchcraft (witch + Craft) como sendo A Arte dos Sábios, uma arte que contem muitos mistérios. Em todos os casos essa Arte se divide e se trata como tradições espirituais que contem culto, mas não é tratada como religião.

Em um Coven de bruxaria cuja linhagem não é familiar ou consanguínea e, também em Covens que contém feitiçaria e a trata como religião, o tratamento com o mundo invisível se dá por respeito e conhecimento, mas o tratamento não é de igual para igual, há necessidade de dar uma ‘paga’ pelos serviços prestados de um deus, deusa, demônio ou espíritos diversos.  Essa “paga” é uma oferenda. A divindade é invocada ou conjurada com respeito, admiração e honra, tudo isso em nome do juramento que guarda correspondência com o sangue mítico das fadas. Todo favor exige uma troca, essa troca é paga por uma oferta tradicional, afinal de contas, ninguém come aquilo que não gosta e ninguém trabalha de graça.

Já em uma irmandade de bruxaria o processo é bem parecido e adota-se base dos dois tipos acima descritos, porém em uma ordem mágica o tratamento com os seres mágicos é um tanto subalternado e hierarquizado. A ideia de tratamento dentro das ordens mágicas é que o mago subalterne o espírito para trabalhar para ele, seja com ameaças, encantos e rezas, o mago acaba por conseguir que a divindade ou espírito trabalhe para ele a força, diferente das bruxas que apenas interagem com o espírito e por isso ambos se ajudam.



Sim, há outras diferenças e abaixo você leitor(a) poderá considerá-las e observá-las como se segue:

COVENS

1 - Princípios de Congregação, Covines, guildas e células em Bruxaria

- hereditariedade por vocação, consanguinidade, e/ou linhagem recebida; Nos Covines Hereditários não se leva em conta a idade e sim a vocação e o comprometimento. Nos demais Covens é necessário possuir 18 anos ou mais para serem admitidos. Os Covines Tradicionais fazem o convite de admissão do escolhido. Nos Covens religiosos é preciso pedir 3 vezes para entrar.

- Estatuto;

- iniciação horizontal e vertical;

- arte tradicional, bruxaria tradicional – compêndios de saberes e diretrizes antigos e divinatórios, perenes das artes do céu (astrologia antiga), das artes da terra (herbalismo e geomantico) das artes do inferno (alma, espírito, ancestralidade, produtos do submundo mítico e psicológico ou plutônico/Ctônico) bem como o pensamento e filosofia de vida e morte que estão por trás como pano de fundo que sustenta a raiz não dogmática; teologia própria e Liturgias próprias, conjurações, templo, oráculos, magias e feitiços que funcionam, fetchs e flers de fundação e assentamento, poções, encantamentos, rituais, calendário sagrado, treinamento apropriado, adoção de descobertas, juramentos, livros de fundamentação, mitos próprios, folclores de fundamentação, familiar da bruxa, conjunto de divindades, espíritos e demônios amigos da família ou do coven seja por ancestralidade mítica ou sanguínea, ou pactuados.  

- espaço físico, lar ou templo (doméstico ou campestre);

- escolha, cargos de ofício e concessão;

- congresso;

- Família com cargos;

- Igualdade;

- doação e cooperativismo;

- donos da casa – os mais velhos. Os demais são herdeiros. Hierarquia natural apenas na governança administrativa – sistema de casta ou monárquico (Xadrez para covens modernos, e Chaturanga para Covines tradicionais).

- Certificação para adeptos.

IRMANDADES

2 – Hierarquia natural de governança – sistema base de casta ou monárquico;

 - irmandade; irmãos de Arte sempre com mais de 18 anos;

- consanguíneos ou espirituais;

- iniciações horizontal e vertical ou formal e espiritual = linhagem = hive off = continuidade e transmissão.

- Os Cargos de Ofício são:

Dama/Alta Sacerdotisa/Magistra/Mãe; são poucas as Damas que dão a cara pra bater ou que põem a cara no sol. Tradicionalmente elas não aparecem na mídia para resguardarem o poder da irmandade, pois são elas que dão manutenção a egrégora e guardam todos os segredos. Ela é mantida em segredo ou sigilo, pois ela é o coração da irmandade. Se um inimigo atingir ela gravemente a irmandade se perde, pois ela não pode ser substituída a não ser pela esposa do Magister, caso essa queira e no caso dela fazer parte da irmandade. Ela oficializa todos os ritos junto com os demais. Ela é a polaridade Yin.

Magister/Alto Sacerdote/Pai; ele quem geralmente dá a cara a tapa. Ele aparece, divulga, ensina, é um professor da arte, ele participa dos convites e age como representante legal da instituição. Ele pode ser substituído, por isso se for atacado magicamente de forma severa, ele se recolhe para que a irmandade cuide dele até ficar bom novamente. Ele é o cérebro da irmandade. Ele oficializa todos os ritos junto com os demais. Ele é a polaridade Yang. Você pode compreender as polaridades com mais exatidão ao estudar o Taoísmo, que é uma, senão a mais antiga das Artes tradicionais do oriente.

Escriba – irmão ou irmã; responsáveis por toda bibliografia e registro da irmandade. Também é ele quem faz o chamado para as reuniões semanais ou mensais.

Anciã – todas as mais velhas, detentoras do desfecho da última palavra dada. Participa de todos os Conselhos da Irmandade e é ela quem é a Juíza e bate o martelo.

Chanceler – irmão ou irmã; responsáveis por quem é admitido ou não. Participa de todas as reuniões e guarda os selos das atas registrando a chancela dos documentos da irmandade. Faz revisão de livros a serem publicados por algum membro da irmandade e atua como um consulado da irmandade ou Covine.

Mestre e Educador – irmão ou irmã – instrutor responsável pelo ensino, treinamento e transmissão da tradição, arte, ofício e segredos mágicos da irmandade;

Guardiões do Círculo – irmão ou irmã; responsáveis pelos segredos e atuação dos elementos e subsídios rudimentares dos ritos e da irmandade, bem como por sua guarda mágica. São como os cavaleiros no Xadrez.

Portador da Saca - irmão ou irmã; responsável pelo financeiro administrativo e pelos gastos da irmandade, seja com viagens, rituais ou com necessidades imprevistas de algum membro.

Mantenedores da Egrégora - irmão ou irmã; A Dama e seu séquito.

Coviners – todos são coviners;

Tutores – tios/tias, madrinhas e padrinhos que assumem a predisposição de pagar pelos erros de seus tutelados, bem como os ajudam a tirar dúvidas e apoiam o ensino da tradição de um Covine ou irmandade;

Tutorados e Tutelados – sobrinhos e sobrinhas, que se submetem aos Tutores e ao aprendizado antes da iniciação – o mesmo que Dedicados;

Colaboradores – não remunerados, são convidados de outras irmandades ou Covines que vem conhecer, participar ou ajudar em uma data específica;

Aprendizes – todos são inclinados a se verem como humildes aprendizes eternamente;

Aspirantes a Vocação – são os seekers, admiradores da arte que são convidados para se tornarem membros;

O Escolhido – aquele que foi escolhido, aceito e reconhecido como parente, portador da marca/semente. Geralmente é alguém de fora que guarda tanta amizade com os membros do Covine ou da Irmandade, que acaba sendo convidado.

- Certificação – todas as iniciações possuem certificado chancelado.

Em resumo, a irmandade é algo que fica entre um Coven e uma Ordem Mágica, sem ser nenhum dos dois por possuir metodologia de junção própria, mas não possui registro formal no sistema jurídico.

SISTEMA DE ORDEM

3 – ordens mágicas

- Estatuto ou regimento interno com registro de pessoa jurídica;

- sistema de magia escolhido;

- titulo de magos e magas;

- espaço físico = salão, loja ou igreja;

- matrícula = associados, superioridade (21 anos ou mais), mensalidade, títulos e graduações;

- cargos administrativos = corpo docente; corpo discente; funcionários remunerados;

- Hierarquia de governo imposta por eleição, contrato ou propriedade – sistema democrático comercial, pois possui registro de empresa de ensino;

- Fraters & Soters – são os mais velhos iniciados que ainda permanecem na Ordem;

- ordem mágica graduada – possui sistema de graus de iniciações diversas;

- professores e alunos com formatura (ritual formal);

- Certificação – todas as iniciações possuem certificado chancelado.

Outras diferenças se deitam no solo da filosofia utilizada. Por exemplo, enquanto que em Platão, o pano de fundo filosófico orienta a bruxa a considerar suas próprias sombras, o olhar para dentro de sua caverna interior, o que por si só nos leva a uma boa reflexão terapêutica de nossa psique. Também está presente a filosofia salvífica a qual possibilita abrir margens para uma evolução espiritual com progresso.

Em Nietzsche as pessoas são inclinadas a serem um pouco mais agressivas com a ideia de “faça com ele antes que ele faça com você” e a reflexão terapêutica está ausente, não há presença de culpabilidade ou remissão e, a filosofia salvífica é inexistente, o que por si só impede que haja uma evolução espiritual com progresso. Também se diferem quanto ao fator “propósito”. O propósito em Luciferianita não é contrariar nem subverter a Igreja Cristã como se faz em Satanismo, mas sim enxergar os potenciais espirituais Latentes em cada pessoa e trabalhar neles a ponto de desenvolver sua Santidade/Divindade a qual se expressa com Poderes no UM (de união). Diferente do UNO da igreja que se propõe ser a ÚNICA voz para todos com o UM Deus para todos.

A diferença disso é que Platão dá o pano de fundo do Luciferianita e também as religiões que contem bruxaria são todas inspiradas em Platão bem como a soma de pensadores naturalistas sem esquecer do estoicismo helenístico (stoá media & stoá Nova) de cunho mais religioso, enquanto que Nietzsche fundamenta o Satanismo. Vale lembrar que Lúcifer (portador da Luz) não é simplesmente uma entidade para os bruxos, mas sim uma Consciência de Luz. 

Hoje em dia, os movimentos políticos têm atrapalhado a condução que forma os pensamentos bruxos. Evitem deixar isso acontecer caros leitores, pois nós somos feministas, mas nós não arrastamos a bruxaria para dentro do feminismo e sim o feminismo se encaixa na bruxaria completamente, pensem nisso!

Esperamos que todos acendam a luz e, que possamos contribuir com a formação tradicional do pensamento bruxo da velha escola que anda tão escasso nessa modernidade.

Por Sett Lupino.

 


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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por que algumas Bruxas Abandonam seus Covens?


A resposta dessa pergunta é a mesma que envolve relacionamentos.
É a mesma que responde o por quê que seus relacionamentos não dão certo.
Relacionar também é uma arte, senão vejamos:
Sempre que você inicia um novo relacionamento ou um novo compromisso você tende a fazer de tudo para que dê certo ou tudo para cumprir as premissas.
E quando você lembra dos outros relacionamentos que você já teve? a dúvida logo lhe indaga, será que não vai acontecer do mesmo jeito?
Pois bem, há bruxas que já até desistiram de se relacionar, ou pior, desistiram dos Covens e preferem seguir sozinhas, ou como se ouve muito por ai, bruxas solitárias...
Ah, se você soubesse o poder que essa palavra tem para te tornar solitária em tudo!



FAZENDO A GRAÇA DESCER

Agradecer é a escada da felicidade, não o contrário.

Uma das coisas que ferram os relacionamentos é a famosa frase padrão: "E viveram felizes para sempre".
O medo desse padrão não se cumprir é as vezes tão alto que você acaba reclamando em pensamento para si mesmo.
Acontece que quando você reclama você está clamando mais de uma vez para que o universo lhe dê mais daquilo que você está sentindo, então, você faz acontecer o fim, ou "até que a morte nos separe" antecipadamente.

Todo relacionamento, seja amoroso ou familiar, tem um fim e a morte é necessária para que haja o reencarne ou nova situação, seja morte física ou o fim de uma situação.
Mas nem sempre esse fim coincide com a nossa morte física.

É preciso ter em mente que os relacionamentos são construídos sob bases do não idealismo. Isso porque quando queremos impor nossos ideais de relacionamento ao outro, estaremos forçando-o a viver o nosso ideal e impedindo o outro de ser ele mesmo e, você começa se relacionar com o outro que tem um ideal diferente e os ideais não batem.

Quando esse tema é transportado para os Covens, a coisa funciona igualmente.
o novato não faz direito os trabalhos de ego e amplia seus ideais, almeja ou ambiciona ideais que nada tem a ver com bruxaria e pensam que já sabem tudo, passam a impor aos mestres ou iniciadores os seus ideais de como a bruxaria deveria ser ou de como o mestre deveria ser e quando a ficha cai, a decepção aparece e junto com ela a pessoa sai do coven, muitas vezes magoada e praguejando.

Você fica o tempo todo envolvido com a pessoa, mas na mente você só está idealizando aquilo que você quer do outro e de repente tudo cai por terra e o susto aparece: "nossa, você era assim?"

O ideal é uma imagem de como as coisas ou pessoas deveriam ser, com um buraco no rosto onde você enquadra o rosto de alguém nesse ideal.
Quando os véus de maia se abrem e os ideais são mostrados, você se dá conta que não tinha que ter aplicado os ideais ali.

Vejam: Os ideais são maravilhosos, mas só para quem o possui. Os ideais nunca devem ser aplicados no outro.

Você deve idealizar como você quer ser, desde que já saiba quem você é, para poder se transformar naquilo que você quer ser. Agora quando você idealiza como o outro quer ser ou deveria ser, é uma baita invasão, ou colonização do outro.

Muitas pessoas fazem de tudo para que o outro venha a ser aquilo que você quer.
Quantas mães fazem isso? Quantos pais fazem isso? Quantos casos reais você já viu na vida?
O ideal projetado é do que estamos falando, e ele pode ser melhor mostrado no filme Cisne Negro.

Galera, projetar o ideal no outro é no mínimo maldoso e desrespeitoso, desde que isso significa uma forma de controle sobre o outro e uma ilusão sobre si mesmo e no mínimo revela falta de amor, por isso seus relacionamentos não dão certo.

Nos Covens também acontece isso, principalmente entre aprendizes que não realizam e não poem em prática os treinamentos de forma correta. Eles idealizam o mestre para depois o julgarem e sair munidos de decepção na sacola da curiosidade.
Sabemos quem entrou para um coven de bruxaria pelos motivos errados quando a pessoa revela em seus atos que só entrou para saber o que as bruxas fazem ali, por pura curiosidade. Sem o verdadeiro chamado e aptidão, sem a constância, sem comprometimento e por muitas vezes até quebram votos e juramentos tornando-se persona non grata.



Amor perfeito não é amar o seu ideal.
Amor perfeito é entrega, sem competição e sem afrontamento.
Bruxos de verdade querem a mesma coisa um para o outro, ainda que Elphame tome posse do seu mestre para lhe dar um recado nada agradável em determinado momento.

Lapidar uma pedra bruta significa sacrifício, doação, paciência, mas acima de tudo, significa que o outro está entregue a isso. Os covens te mostram como você vai se auto lapidar, mas ninguém ali dentro irá idealizar como você deveria ser e sim, é você quem vai mostrar quem você é, porque as máscaras caem e, não é vergonha alguma isso dentro dos covens, isso é necessário pro auto conhecimento, ninguém nasceu polido. Nascemos com dons transformadores, não transformados.

Entre o ideal e a realidade, entre os itens da sua lista de ideais e a grossa realidade existe o trabalho de ego e se sua tabela não mudar, é claro que seus relacionamentos irão fracassar.

Ame o outro como ele é, não como você gostaria. Relacionamentos sadios são livres de ideais, conveniência e controle, pois até mesmo a conveniência é o motivo errado para se estar ao lado do outro para sempre. Um Coven é uma família mágica e, você não pode permanecer brigado com sua família para o resto da sua existência, a menos que você se afirme não ser um bruxo e só entrou para o coven por curiosidade. Mas se for um verdadeiro bruxo, vai perdoar a si mesmo, o outro e vai fazer o trabalho de ego direito, fazendo assim o que tem de ser feito! Sem idealismos, receba a orientação com humildade e gratidão para você se tornar aquilo que nasceu para se tornar!


Um brinde a liberdade do que somos!

Por Sett.









domingo, 15 de março de 2015

A Cracia da Fantasia


Setanta Hypnotherapy Clinic | Maya Illusion

Temos assistido alguns "seres humanos" (que de humanos não tem nada, afinal são de raças superiores) ditar as regras do que pode e do que não pode em nossas vidas. 


Companheiros tanto da Arte Bruxa quanto pastores, padres, sacerdotes e afins têm se projetado como superiores dentre os humanos, bruxos e bruxas. A essa imensa superioridade dada somente à alguns poucos escolhidos, devemos as nossas humildes desculpas, nós pobres mortais. Desculpas pela arrogância dessas pessoas, afinal, o mundo não merece tantos seres superiores no mesmo chão. Desculpe-nos ó mundo, por alguns de nós serem tão pobres de espírito e se proclamarem oriundos de raças superiores. Desculpas ó mundo, por existir tamanha ardilosidade que nos inferiorizam.


Oras oras oras..., então por que essas pessoas não conseguem voltar para o berço de suas raças superiores aonde seriam bem melhor aplicada suas vidas, ao invés de perderem tempo conosco tão simplórios e inferiores que somos? 

Por que insistem em ficar aqui nos perturbando com suas verdades religiosas?

A resposta é uma só: Eles precisam de palco, pois não sabem compartilhar uma vida com quem não estão no mesmo "quadrado", ou diria globo? Morrem de medo de um deus, morrem de medo da morte e são comedores de arroz e feijão como todo mundo, mas insistem em criar fantasias de seres espetaculares para fugir de suas realidades feias para ostentar seu domínio ou um falso império. Insistem em benzer as águas em cima dos televisores, enfeitiçam os seguidores com óleo ungido e sal grosso, fazem fogueiras santas para cumprir um antigo ritual de exorcismo sem se darem conta que a palavra exorcismo possui etimologia em juramento, não em banimento. Erguem cones de poder com uma gritaria santa dentro dos supermercados que viraram igrejas.

Alguns entram nas listas de discussões de bruxaria para se proclamarem donos da bruxaria, outros caçam diplomas de iniciações com a finalidade de mandar nos demais em solo pátrio, enquanto outros se convertem por dinheiro e status e por um apadrinhamento político.
Essas pessoas não fazem nada mais do que mostrar ao mundo, que sacerdotes e pastores são uma aberração e, nisso Osho tinha razão e por isso ele virou um fdp para quase todo mundo, mas os exércitos continuam sendo criados e templos pagãos erigidos para servir a cristandade que paga para entrar e reza para não sair.

O laço de dependência que essas pessoas criam umas com as outras é a grande doença da fé.

Vivemos numa era de doutrinações. Vemos por ai ministros, sacerdotes, pastores e mais alguns “pregando” o que pode e o que não pode nas mais variadas vertentes religiosas.

Esse “não pode” lhe impede de experimentar a sua totalidade. 
Vejam queridos irmãos de arte, lembrem-se que a verdade é uma descoberta plural, é algo que você pode chegar sozinho(a) sem o devir, sem a obrigação, imposição, cobrança, pressão etc. Não se cria um mestre para mandar em você, ele só serve para apresentar um ou vários aspectos do caminho.

Em tempos de doutrinação, nos cabe despertar mais uma vez rasgando as máscaras e os véus da dicotomia do bem e mal, justamente porque não há de fato tal coisa fora do plano da ética e das “cracias”. 

Lancemos luz em Theo e Demo para a cracia fechar seu centro. Isso inclui até a monarquia que é uma forma de governo (hereditário).


Igrejas em geral funcionam porque existe a demanda dos que precisam ser guiados. Esses últimos não sabem ainda se guiar, eles realmente necessitam de um guia, um padre, um pastor, um rabino, um sacerdote etc.


Os covens em geral funciona como uma corte de reis, nobres e súditos, mas sem liderança hereditária e, nele o trabalho é conjunto com aquele que “puxa” o arcano sete do covine montado no cavalo negro. 

O mestre da encruzilhada é o único mestre de uma bruxa e nenhum mortal pode ocupar esse cargo. Esse mestre não quer seguidores, ele quer que você se liberte de toda opressão interna e externa e isso recai sobre os mistérios da vida e da morte. O sacerdote que o representa é aquele que te liberta e permite que você continue livre, inclusive das garras dele, das doutrinas dele. Ele sabe que a verdade dele não é única. Ele sabe que a natureza não é singular, mas plural.


A vida na Terra parece acontecer de forma a sermos mandados por alguém, isso se verifica nas formas de governo. Esse alguém recebe poder de liderar dos que precisam de liderança. Por tanto, o líder não é nada se não houver para quem liderar. O líder só é útil enquanto serve os necessitados que entram no carro. Por essa razão há o mito do desgoverno e a cada sete anos o líder é sacrificado para dar lugar à um novo condutor do carro.

Mas vejam só, não há arcano sete se não for para guiar a si mesmo, pois o passageiro é alguém temporário. O passageiro uma hora desce do carro. O passageiro uma hora morre aqui na Terra e volta ao seu estado natural se fundido com a fonte de todas as coisas. O corpo vai para sete palmos abaixo da terra ou vira pó de cremação. O espírito vai para Aster, vai para o céu, para o Eter, para o inferno, para Summerland, ou fica aqui na terra assombrando outros de forma apegada aos bens materiais ou pessoas materialistas igual ao morto, ou vai para a puta que o pariu que você quiser! Em fim, sempre tem um lugar sagrado para ir.


Olhando para as coisas mundanas, vemos as cracias de vários modos.

Bancocracia, cleptocracia, consumocracia, corruptocracia, dedocracia, meritocracia, plutocracia, plebecracia, entre outras, nada disso cabe à uma bruxa. Uma bruxa não precisa de alguém lhe governando. Um líder é líder de si mesmo. Um mestre é mestre de si mesmo. Uma bruxa é bruxa de si mesma e esse mundo maluco de doutrinadores precisa acordar. 
Eu estou dizendo que as iniciações foram inventadas para servir o despertar e um lider ou mestre perde a função quando deixa de servir esse propósito e entra na esfera pessoal na forma de um ditador de valores e regras, de como você e eu devemos agir etc...

Olha como somos julgados? Se você andar ou agir no contrassenso da doutrina deles, então você não serve mais porque você se tornou uma vergonha.

Oras, eles deveriam ter vergonha deles mesmos! Não de você.

Nesse caso, a “des-doutrinação” nos cabe bem e não há nada a temer.

Uma bruxa num é uma herege a toa. Ela pode trabalhar harmoniosamente com a “minha” verdade e com a “sua” verdade o tempo todo, sem dramas, sem esbravecer com os vários acontecimentos em sua vida, respeitando assim a sua liberdade e a dos outros. Uma bruxa trabalha em harmonia com mais de duas verdades religiosas ou filosóficas, bem mais de duas...
Os doutores da verdade se irritam com a verdade alheia porque não querem competição, eles querem que você "abrace" a causa deles e a finalidade política será levada a cabo.

Ah, o que seria do mundo se não houvesse o fato do príncipe, de Maquiável?


Uma bruxa entra em “ação” primeiro consigo mesma, chamando para si a responsabilidade por aquilo que causou “comoções”. Seu único mestre se apresenta através das plantas consoladoras, as plantas de poder. Não é a toa que o único que pode consolar uma bruxa é o deus dela. É ai que entra em cena o grande sabá e sua função/propósito e nesse aspecto reside o exemplo dos xamãs que não brigam com ninguém por causa de causas espirituais. Eles entram num estado alterado de consciência para buscar a "cura" de si mesmo e dos outros.

Você já se perguntou quem criou o primeiro bruxo? Quem inventou a formação da primeira tradição? Quem criou regras para a bruxaria? Oras, bruxas criam! E tudo que se cria só é possível devido a um relampejo noturno do deus das encruzilhadas da vida e da morte, não importa se é tradicional ou moderno, o deus das bruxas não erra ao guiar a bruxa, ele vive e viverá para sempre, não sendo possível nada ser moderno, desde que tudo que existe só pode ser concebido porque já existe em outro plano.


A magia de uma bruxa atravessa oceanos e horários planetários. A velha na floresta, que não sabe ler nem escrever mas sabe conjurar as nuvens, essa era a bruxa tradicional. Bruxaria tradicional não tem nada a ver com astrologia tradicional. Magos estudam astrologia para reconstruir seus talismãs. Uma bruxa iletrada simplesmente abre a boca e a coisa acontece, ela põe seus peitos para fora e amaldiçoa toda uma terra que se tornará inóspita e infértil. Ela porá suas mãos num doente e ele se curará. Ela pegará um toucinho e esfregará no pé esquerdo do moribundo para afastar a morte. Ela invocará quem ela bem entender e essa força responderá para a bruxa, porque a bruxa comanda a voz dos ventos, os pássaros, as águas dos rios, ela é sabedora das ervas e da natureza. Uma bruxa não possui ciência estudada, ela possui dons que nascem com ela e se desenvolvem na sinceridade de sua observação. Os estudos apenas ajudam ou atrapalham (depende de cada caso). Usei o termo bruxa para representar tanto mulheres quanto homens da arte. Há tantos casos que a ciência da medicina não pode curar ninguém, mas o altar de uma bruxa pode.


Ela é parte do todo, não está fora nem dentro, mas sim participa da totalidade, ainda que de forma marginal (na margem da sociedade). Uma bruxa também é uma cidadã participativa e, do ponto de vista de todo cidadão, seu direito deve ser exercido, contudo, isso se dá sem paixão (sem passio) e se dá no plano dos que vivem sob alguma forma de governo administrador de seu país.

Das palavras de Georg Lichtenberg podemos aferir o que?

Ele afirmou o seguinte: “quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Isso é válido para todas as formas de comando onde há uma relação entre sujeitado e sujeitador.

Mas uma bruxa teria vergonha de que? Portanto não há o que respeitar nem há o que desrespeitar a não ser se você pensar sobre o prisma de uma cidadã comum, não como uma bruxa.

Aferimos que uma bruxa não possui líder fora dela mesma! Ainda que ela esteja vivendo dentro de um sistema governamental, o que por si revela que não precisa de mais um sistema e, é o suficiente para deixar de construir muros e círculos dos quais ficaria presa dentro deles.

No sabá das bruxas, elas voam por cima dos círculos e das muralhas, elas vão ao encontro dos seus.


Parece que a maioria das pessoas se unem para “cumprir” uma meta, seja dentro de um covine ou não e, com isso elas se afastam dos legítimos propósitos da bruxaria, que é a visitação da criação, o retorno à Elphame, o congresso com o Espírito das Phadas, a libertação das opressões, o encontro consigo no mergulho crédulo na madrugada esquecida. Isso sim é o propósito de se unir ao covine. Entre um vinho e outro, as risadas e as lágrimas, os sátiros nos cercam com palmas em torno da fogueira. 


Dinastia Tudor
Uma bruxa não afasta de si aquilo que ela não gosta porque ela sabe que não há inimigo fora dela mesma. Ela gosta de tudo e de todos porque tudo existe na natureza. Uma bruxa enfrenta, transforma e convive bem com todas as diferenças. Se ela afasta alguém de si, isso revela que há algo dentro dela ainda mal resolvido e ela não pode se chamar de uma bruxa bem resolvida. 
Por este e por outros motivos só existe UMA dama em alguns covines tradicionais, não sendo possível barganhar com covines estrangeiros para se ganhar o título de dama representativa.

Se ela possui uma verdade da qual batalha a todo custo por ela, certamente irá brigar o tempo todo com as pessoas e ainda irá manipular outras pessoas para “comprar” sua briga, instigando umas contras as outras. Tontos de quem se deixa ser manipulado por alguém mal resolvido e não percebe a estratégia que está por trás das aparências.

Uma bruxa bem resolvida é uma bruxa consciente do seu processo de sombras. De nada adianta fazer birra e chamar o superior para chorar dizendo que alguém está isso ou aquilo. Se perseguir a meta, estará se prendendo à isso. Metas te prende, não liberta.

Nessa limitação de si mesmo com essas metas a serem cumpridas, perdemos a nossa essência e nos afastamos de quem amamos verdadeiramente. A sombra mantém verdadeiras orgias com os conceitos de transferência e contratransferência.

Por exemplo, invejar alguém porque sua influência parece ser tão grande quanto a nossa. Não toleramos essa usurpação do nosso poder; e representamos o alguém como alguém que se comporta de modo vergonhoso, atroz, etc. E tentamos afastar nossos resignados de seus amigos e conhecidos. Defendemos o alguém a qualquer custo, seja marido, esposa ou qualquer um, como se ele não fosse capaz de se defender sozinho, ou quer seja porque existe uma meta de politicagem por de trás, do tipo "se ele cair eu caio junto porque não sou nada sem ele". O que Deus seria sem o Diabo? Percebe a relação que um não pode existir sem o outro?
A sombra do exegeta também o leva a desmerecer os amores anteriores dos resignados e, ao assim fazer, supervalorizar-se. Não é a toa que por convencionalismo muitas pessoas se unem como se casamento fosse e assim, mantem a aparência de um verdadeiro amor. Dessa maneira conseguem algum crédito dos cegos e eles fazem desses cegos, pessoas doentes e dependentes dos conselhos divinos deles.

Isso é muito importante de se compreender.

Sempre que o sofrimento de um resignado ameaça esmagar o crítico, sua sombra também lhe mostra um belo caminho para sair dessa dificuldade. O sofrimento neurótico não é um sofrimento real, assim diz algum dogma e, isso nos permite deixar de ver o fato de que o resignado está realmente sofrendo. 

Na realidade talvez não existam coisas como  sofrimento irreal ou inadequado, mas apenas problemas irreais ou inadequados. Isso faz muitos fracassados por ai, isso causa inimizades e guerras infundadas até mesmo entre bruxos.

Até mesmo o Self é mal empregado pelo analista que está mergulhado na sombra sem se dar conta.
Quantos comportamentos agressivos, imorais  ou intolerantes não são, com frequência, justificados por serem intrínsecos ao Self de um paciente?
Por exemplo: O adultério, deixa de ser encarado como um grave insulto e uma agressão ao cônjuge e, passa a ser uma libertação das normas coletivas em nome do Self. Comportamento injusto e desleal para com amigos, conhecidos, empregados e empregadores, rejeição da moralidade e dos códigos morais: o analista mergulhado na sombra ajuda e apoia tudo isso como sendo arrojados atos de libertação e redenção, de descoberta do Self. O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Alguns lideres, chefes e mestres acabam agindo da mesma forma e não percebe que estão se perdendo. Esses, não podem ser lideres da cura, pois não podem curar nem a si mesmos. Pelo menos ainda não.

Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Mas cada um tem sua loucura, não é mesmo?

Um(a) mestre(a) de coven precisa se perguntar diariamente o porque ele(a) se tornou mestre(a).
Qual é o propósito de alguém fundar um coven, senão pela linhagem e treinamento que recebeu, as autorizações de sua família mágica e pela necessidade que o próprio tempo lhe impõe? Chega uma hora que a vida lhe coloca nessa posição, os deuses lhe trás à isso, sem esforço algum.

Mas o que vejo por ai é o seguinte:

Bruxos conjurando os espíritos dos dias da semana e pedindo sucesso e vitória para Jupiter, Saturno e outros, enquanto desprezam o sucesso alheio. Oras, a palavra sucesso vem de suceder. Sempre há alguém que nos sucede, mas poucos vê isso e aceita numa boa. Um mestre legítimo sorri quando ele transmite seus conhecimentos, isso sim é suceder com vitória.

Verborréias de mestres causam um verdadeiro estupro em nossa essência e, por si só denota que tais mestres não estão nos respeitando em primeiríssimo lugar, mas eles sempre culparão você, dizendo que você não o respeitou. Veja que quando alguém põe a culpa em você é porque essa pessoa não pode e não deve te curar em nada, desde que nem ela mesma conseguiu isso consigo. Bom, ninguém dá o que não tem, vejam por si.
Ninguém é mestre 24 horas por dia. A situação faz um mestre e, isso é um momento. Um único momento onde você liberta uma pessoa e ela lhe será grata pelo resto da vida. Se você ensinou alguém a se libertar de suas própria opressões, se você curou alguém com uma única palavra de conforto ou com uma magia, se você ensinou alguém a pensar por si só, se você ensinou alguém a ser ela mesma, isso fez de você um(a) mestre(a) em algum momento. Muitas pessoas almejam liderar outras e se esquecem de permanecerem juntas na liberdade, pois isso requer certos sacrifícios do líder, os quais poucos estão dispostos a pagar. 

Infelizmente, sempre há um bonequinho “vodu” para as intenções de prender ou matar cada pessoa que os incomodam não é mesmo? Isso é poder de mestre(a)? 
Garrafas, frascos de vidro, terras de cemitério e outros pós e conjures preenchem o quadro de uma culpa sua, mas que é atribuída ao outro.
Ai é demais, esse comportamento revela a máxima ausência de destreza em se guiar outros na jornada que na verdade nunca precisou ser guiada, mas sim "apresentada". Essas pessoas querem guiar-nos a força, querem nos obrigar a seguir seus passos e calçar os mesmos sapatos, ainda que você tenha o pé maior do que o deles. Mais uma vez o tema da Cama de Procusto. É uma opressão mascarada de liberdade, precisamos ter olhos para ver e disciplina para lidar com isso.

Uma iniciação não foi criada para ser guiada, mas para dar a oportunidade de sua "ficha cair" e aprender a nascer de novo - o tempo todo - como uma phoenix. Isso é para ser aplicado no mundo do dia-dia, no mundo ordinário fora do covine. O covine é um lugar para você se reabastecer e comungar com seus iguais, mas sempre há um fdp para falar que ele é diferente ou para apontar você como um ser diferente. Na verdade é o ego falando mais alto. É o ego que não quer cair do pedestal.
Quando essas regras requer que sejam aplicadas com irmãos de coven, então o problema foi evidenciado e quem está na cabeça do coven deve chamar a responsabilidade para si mesmo em primeiro lugar. Se falhar nesse ato, o coven se dissolve, a irmandade se dissolve e não adianta justificar que alguns caem suavemente e outros não. Quando se fundou um coven você já se achava sábio, ainda que não pôde prever o futuro e não previu sua própria desventura por falhar em observar sua sombra. Essas pessoas criam argumentos diversos para justificar o porque dos porquês de suas metas. Persistem nessas metas de maneira obcecada, a ponto de tomar por desprezível um irmão. Eles querem fazer o caminho deles se tornar um brilho somente para os poucos escolhidos, coisa tão pobre de espírito que temos de pedir desculpas pela arrogância dessa gente que se acha bruxa. Ah, desculpa, era segredo iniciático! Oras bolas!

Ser honesto com o coven todo é ser humilde, tão claro e cristalino quanto a água. Tudo que andar na contra mão dessas diretrizes seria no mínimo uma arrogância e uma prepotência. Logo, se não chamar para si a responsabilidade esse suposto carro chefe cairá no próprio descrédito, uma vez que ele mesmo desdenhou dessa regra e não deu crédito à verdadeira essência da honestidade em si.

Essas pessoas ficam “loucas” para se livrarem dos vícios mundanos como se isso fosse um vírus. Oras, não são os vícios mundanos que nos tornam humanos? Não são os cigarros e as bebidas que seguram o “guia” em terra? Vírus tem cura?

Você já se perguntou por que depois de uma iniciação a sua fé é testada, ao ponto de você se ver numa ordália onde você é levado a acreditar que sua fé não existe mais?

Oras, um deus não faz culto para outro deus! Simples assim.

Ao adquirir a consciência de um deus na terra, devemos nos diminuir e sair da soberba e da arrogância, pois só os humanos fazem cultos à um deus e essa é a fórmula para se barganhar com um deus e “comprar” os favores divinos com uma boa oferenda a fim de se obter uma melhoria de vida. O acreditem ou não, há quem barganha para comprar os favores de um deus, com a finalidade de destruir um irmão de arte ao invés de torcer pela felicidade e sucesso dele. Contudo isso não nos preocupa porque quem tem cú, não precisa de patuá.

Adolf Guggenbühl-Craig em seu artigo intitulado "Charlatães, impostores e falsos profetas" diz que cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação. Ele diz: “Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego. Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.”

Poder e dever são coisas distintas, então usarei a palavra “podemos” ao invés de “devemos”.
Por essa razão caros leitores, podemos enxergar a nossas próprias crenças falsas, as falsas crenças que adquirimos como “manias” e acabamos sendo fiel à elas.

Harrison Dark Horse
Vamos rasgar os véus de Maya, vamos descer desses cavalos negros e vamos nos auxiliar uns aos outros de modo altruísta e desinteressado e vamos hesitar sim em adoecer pessoas saudáveis, ou seja, deixemos de ser enganados e de enganar os outros. Os charlatães ganham dinheiro e prestígio muito mais que verdadeiramente ajudam os outros. Esses charlatães não ligam para sua atividade espiritual de fato, eles traíram a si mesmos e traíram seus próprios votos juramentados e, agem de acordo com seus propósitos egoístas levando uma centena de pessoas a acreditarem que eles são os donos da verdade, publicam uma série de livros para obter fama, pura vaidade, e eles adoecem a si mesmos conjuntamente, tendo em vista que isso anda na contra mão de um trabalho sério de libertação de sua própria opressão interna e de seus "barros". Alguns usam o nome de Cain, mas agem como Abel. Usam o nome de Remo, mas agem como Rômulo.

O reverso dessa nobre imagem do "homem de Deus" é o hipócrita, o homem que prega, não por ter fé, mas porque quer influenciar os outros e exercer poder sobre eles. A congregação ou covine de qualquer pastor ou bruxo exerce grande pressão sobre ele para que aja com hipocrisia.

A companheira inevitável da fé é a dúvida. Se permita ter dúvidas sobre mim e sobre você, bem como sobre qualquer um.

O grande problema é que ninguém quer ter dúvidas acerca do seu líder espiritual, padre ou seu pastor; cada pessoa já tem suas próprias dúvidas, e estas lhe bastam. Um fraudulento não admite que ninguém tenha dúvidas dele, não admite que ninguém o questione ou que lhe ponha em cheque, pois se isso acontecer ele lhe manda para a fogueira. 
O fraudulento age como um psicopata, inteligente, ele sempre irá criar um texto, artigo ou argumento para justificar o porque de seus atos e decisões, que pesam sobre a vida de alguém e, assim irá doutrinar os cegos que ainda precisam ser guiados.

Como perguntou a si mesmo...alguém consciente: Por que o meu veneno é melhor do que o seu? Existe isso de ser melhor ou pior? Se a verdade divina é individual, fragmentada, passageira, transferível e mutável, ela é então universal, e se é para ser universal não há que se falar em “raças”, mas sim em etnias, pois estamos todos no mesmo planeta, incapazes de irmos para outro. Isso nos iguala.

Sett Ben Qayin