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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por que algumas Bruxas Abandonam seus Covens?


A resposta dessa pergunta é a mesma que envolve relacionamentos.
É a mesma que responde o por quê que seus relacionamentos não dão certo.
Relacionar também é uma arte, senão vejamos:
Sempre que você inicia um novo relacionamento ou um novo compromisso você tende a fazer de tudo para que dê certo ou tudo para cumprir as premissas.
E quando você lembra dos outros relacionamentos que você já teve? a dúvida logo lhe indaga, será que não vai acontecer do mesmo jeito?
Pois bem, há bruxas que já até desistiram de se relacionar, ou pior, desistiram dos Covens e preferem seguir sozinhas, ou como se ouve muito por ai, bruxas solitárias...
Ah, se você soubesse o poder que essa palavra tem para te tornar solitária em tudo!



FAZENDO A GRAÇA DESCER

Agradecer é a escada da felicidade, não o contrário.

Uma das coisas que ferram os relacionamentos é a famosa frase padrão: "E viveram felizes para sempre".
O medo desse padrão não se cumprir é as vezes tão alto que você acaba reclamando em pensamento para si mesmo.
Acontece que quando você reclama você está clamando mais de uma vez para que o universo lhe dê mais daquilo que você está sentindo, então, você faz acontecer o fim, ou "até que a morte nos separe" antecipadamente.

Todo relacionamento, seja amoroso ou familiar, tem um fim e a morte é necessária para que haja o reencarne ou nova situação, seja morte física ou o fim de uma situação.
Mas nem sempre esse fim coincide com a nossa morte física.

É preciso ter em mente que os relacionamentos são construídos sob bases do não idealismo. Isso porque quando queremos impor nossos ideais de relacionamento ao outro, estaremos forçando-o a viver o nosso ideal e impedindo o outro de ser ele mesmo e, você começa se relacionar com o outro que tem um ideal diferente e os ideais não batem.

Quando esse tema é transportado para os Covens, a coisa funciona igualmente.
o novato não faz direito os trabalhos de ego e amplia seus ideais, almeja ou ambiciona ideais que nada tem a ver com bruxaria e pensam que já sabem tudo, passam a impor aos mestres ou iniciadores os seus ideais de como a bruxaria deveria ser ou de como o mestre deveria ser e quando a ficha cai, a decepção aparece e junto com ela a pessoa sai do coven, muitas vezes magoada e praguejando.

Você fica o tempo todo envolvido com a pessoa, mas na mente você só está idealizando aquilo que você quer do outro e de repente tudo cai por terra e o susto aparece: "nossa, você era assim?"

O ideal é uma imagem de como as coisas ou pessoas deveriam ser, com um buraco no rosto onde você enquadra o rosto de alguém nesse ideal.
Quando os véus de maia se abrem e os ideais são mostrados, você se dá conta que não tinha que ter aplicado os ideais ali.

Vejam: Os ideais são maravilhosos, mas só para quem o possui. Os ideais nunca devem ser aplicados no outro.

Você deve idealizar como você quer ser, desde que já saiba quem você é, para poder se transformar naquilo que você quer ser. Agora quando você idealiza como o outro quer ser ou deveria ser, é uma baita invasão, ou colonização do outro.

Muitas pessoas fazem de tudo para que o outro venha a ser aquilo que você quer.
Quantas mães fazem isso? Quantos pais fazem isso? Quantos casos reais você já viu na vida?
O ideal projetado é do que estamos falando, e ele pode ser melhor mostrado no filme Cisne Negro.

Galera, projetar o ideal no outro é no mínimo maldoso e desrespeitoso, desde que isso significa uma forma de controle sobre o outro e uma ilusão sobre si mesmo e no mínimo revela falta de amor, por isso seus relacionamentos não dão certo.

Nos Covens também acontece isso, principalmente entre aprendizes que não realizam e não poem em prática os treinamentos de forma correta. Eles idealizam o mestre para depois o julgarem e sair munidos de decepção na sacola da curiosidade.
Sabemos quem entrou para um coven de bruxaria pelos motivos errados quando a pessoa revela em seus atos que só entrou para saber o que as bruxas fazem ali, por pura curiosidade. Sem o verdadeiro chamado e aptidão, sem a constância, sem comprometimento e por muitas vezes até quebram votos e juramentos tornando-se persona non grata.



Amor perfeito não é amar o seu ideal.
Amor perfeito é entrega, sem competição e sem afrontamento.
Bruxos de verdade querem a mesma coisa um para o outro, ainda que Elphame tome posse do seu mestre para lhe dar um recado nada agradável em determinado momento.

Lapidar uma pedra bruta significa sacrifício, doação, paciência, mas acima de tudo, significa que o outro está entregue a isso. Os covens te mostram como você vai se auto lapidar, mas ninguém ali dentro irá idealizar como você deveria ser e sim, é você quem vai mostrar quem você é, porque as máscaras caem e, não é vergonha alguma isso dentro dos covens, isso é necessário pro auto conhecimento, ninguém nasceu polido. Nascemos com dons transformadores, não transformados.

Entre o ideal e a realidade, entre os itens da sua lista de ideais e a grossa realidade existe o trabalho de ego e se sua tabela não mudar, é claro que seus relacionamentos irão fracassar.

Ame o outro como ele é, não como você gostaria. Relacionamentos sadios são livres de ideais, conveniência e controle, pois até mesmo a conveniência é o motivo errado para se estar ao lado do outro para sempre. Um Coven é uma família mágica e, você não pode permanecer brigado com sua família para o resto da sua existência, a menos que você se afirme não ser um bruxo e só entrou para o coven por curiosidade. Mas se for um verdadeiro bruxo, vai perdoar a si mesmo, o outro e vai fazer o trabalho de ego direito, fazendo assim o que tem de ser feito! Sem idealismos, receba a orientação com humildade e gratidão para você se tornar aquilo que nasceu para se tornar!


Um brinde a liberdade do que somos!

Por Sett.









domingo, 19 de março de 2017

Curando Antigas Feridas


Queridos leitores,
Primeiramente quero agradecer o tempo que alguns de vocês disponibilizaram para nos escrever.
Tenho recebido muitas cartas me pedindo conselhos sobre como vivenciar um bom relacionamento com seu par. As cartas são muitas e muitas são as dúvidas, os problemas enfrentados e os vários condicionamentos, padrões repetitivos.
Entre os problemas abordados estão:
Sacerdotisas com "coração peludo";
Sacerdotes que não acolhem as dores reais de seus consulentes/pacientes;
Disputas pelo poder entre bruxos(as);
Pais de santo atacando bruxos;
Pessoas querendo ser mais que os outros, humilhando seus pares;
Mestres e mestras que ensinam seus neófitos, mas não permitem que os neófitos deixem de ser neófitos, e os "escravizam" com manipulações e outras doenças psicológicas.
Em fim, são tantos os problemas e cartas que eu ficaria o dia todo, quiçá o mês inteiro para responder tudo.
Como estou numa fase "ligth" e não quero escrever muito, vou deixar aqui a dica sobre as diversas questões sobre o tema que me foi perguntado, na fé de que, quem irá vos aconselhar serão vossas próprias consciências logo após assistir o vídeo abaixo.
Ocupar-se com isso é "curar-se", não desanimem, vocês já deram o primeiro passo.
Lembrando que, quem busca o triunfo é porque não o possui, por isso precisa buscá-lo.
No vídeo abaixo encontra-se as dicas que, inclusive podem e devem ser aplicadas tanto no contexto pessoal, em relacionamentos de diversos tipos, e também nos covens. 
Em todos os vícios de comportamento há a figura que te trata como "doente", há a figura do aparente superior e do aparente inferior e o meio de controle e libertação. Em todos os casos citados nas diversas cartas havia essas figuras, mas o que faltou de fato foi o desenvolvimento pessoal e a permissão desse desenvolvimento nos outros. O que mais me chamou atenção foi a figura de um lider religioso que ensina seu neófito até os altos graus, mas quando o neófito se torna mestre naquela arte, o lider o impede do "desmame" e o escraviza ou insiste em inferiorizar a pessoa para continuar a aparente lenda do eterno drama de controle sobre as pessoas, típico do triângulo dramático de Karpman.
Contudo, quando o paciente se cura, há que se observar que "poucas ou poucos" são aqueles que permitem o seu crescimento a partir dessa cura, o qual facilitaria a igualdade inter-pares.
E aqui fica um último aviso contra a vaidade:
UMA INICIAÇÃO LEGÍTIMA TEM QUE SERVIR PRIMEIRO PARA TI, PARA O TEU CAMINHO. De nada serve se dizer iniciado e ficar brigando na internet pela disputa de poder, para se auto afirmar ou para mostrar quem tem mais poder que o outro. De nada serve enfeitiçar um irmão de arte para se vingar por alguma razão. Primeiro que, sobre "guerras" de bruxos, os dois lados saem perdendo e, por último, A ARTE BRUXA se queima por causa dessas pessoas, quais não fazem outra coisa senão falar mal da arte bruxa sem perceber, faz cair em descredito a arte que já foi tão caçada pela inquisição. De igual forma, uma verdadeira transformação te liberta e liberta a todos ao seu redor, então todos devem revisitar os propósitos pelo qual buscaram a bruxaria, pois de nada serve você posar de bom moço ou boa moça e nos bastidores você "queimar" seus irmãos bruxos(as) nos mais variados feitiços de maldição.
Nem é preciso dizer que um mestre nunca ensina tudo que sabe!!! Por essa razão nem preciso falar da lei do retorno e como ela de fato é usada por um mestre.
Com relação aos pais de santo e mães de santo que insistem em atacar as bruxas eu só tenho uma coisa a dizer:
O reino de Oyó, o império onde nasceu Xango, foi fundado em 1.400 depois de Cristo. Logo, Xangô (Sangò/Sogbo/Vodum Badé etc..) nasceu bem depois dessa data. Aliás eu preciso lembrar aqui que os Celtas invadiram a Africa e transmitiram sua cultura aos Africanos, os quais trocaram informações e conhecimentos. Ver Anatólia e Gálatas. 
Em comparação com o respeito das forças que representam a Natureza, devo dizer e informar que a Deusa da Bruxaria e seu Culto não nasceu depois de Cristo, ao contrário, Ela possui 35 mil anos de egrégora documentados na história. Por essa mesma razão os pais de santo e mães de santo deveriam respeitar bem mais o Poder das Bruxas e não se opor a Ele, desde que as bruxas não são "menos perigosas" do que qualquer correligionário do candomblé. Se você é um iniciado(a) que anda "queimando" seus irmãos de arte sábia, eu sinto muito lhe dizer, mas sua iniciação não te vestiu ainda, ou melhor dizendo: Você não iniciou o caminho ainda, não está sendo melhor que ninguém, nem melhor que si mesmo, você continua no mesmo lugar de antes da sua iniciação e deve dar um passo para trás e revisitar seus propósitos, pois ninguém oferece ao mundo aquilo que não possui. Fazer o mal toda criança sabe fazer. Um(a) iniciado(a) faz a diferença sobre ele mesmo, e as ordálias são muitas e são eternas, cada uma em um nível mais hard que a outra. Se a pequenez humana tomou conta de ti, siga o exemplo da semente, do grão que vira tronco, que vira árvore, que dá folhas, flores e frutos, que alimenta o mundo com bondade, gentileza e graça.
Eu não quero com isso criar polêmica alguma e sim, conscientizar as pessoas sobre quem verdadeiramente respeita A Força da Natureza mais antiga e preza pela ancestralidade, pois ouvimos essas mães de santo falar tanto da ancestralidade, contudo não tem demonstrado respeito algum, apenas preconceito e disputa pelo poder feiticeiro.
Queridos pais de santo, vocês são tão "bruxos" quanto qualquer um de nós, e se houver nova inquisição vocês serão queimados igualmente. Então aos que dão conta de sacar isso, sejam bem vindos ao mundo da igualdade. Aos que ainda mantem a idéia do separativismo idiota eu digo, abram a mente. Que fique claro que não me refiro a todos, pois existem as exceções e muita gente humilde, honesta e que faz funcionar sua iniciação pra ti mesmo, como tem em qq lugar.
Em fim, bruxaria acima de tudo se ocupa com transformações, não com domínio. O domínio está nas mentes fracas que necessitam provar alguma coisa pra alguém, inclusive pra si mesmos. Nós bruxos nos ocupamos em nos transformar por dentro, oferecer mais, brotar e lapidar virtudes, fazer uma verdadeira alquimia, aprender com os erros e sermos melhores que nós mesmos todos os dias, para oferecer isso ao mundo que nos procura para pedir uma benção. 
Bom, não preciso de palavras para maiores esclarecimentos, o vídeo revela por si.
Bençãos a todos.
Sett


domingo, 12 de abril de 2015

Ding Dong - A Bruxa está viva!




Alguém aprendeu a ser livre e agora quer estar preso de novo?

Não se preocupe. Papo de cabresto é sempre papo de alguém que quer te controlar. Esse é o mesmo papo chato dos evangélicos e de gente que faz proselitismo.

Mas...como disse Aradia...

...Liberte-se da opressão.

Você não tem o porquê de sentir vergonha em ser livre, porque ninguém pode te impedir de ser livre.

Sem apegos, (Ap-ego).... percebeu?

O problema é quando você nota que eles vivem mais dentro de você do que você mesmo. Então preste atenção.

Todo mundo que lhe trouxe sofrimento, também lhe trouxe algum momento de felicidade e aprendizados. Tudo nessa vida é aprendizado e, quem está acorrentado aos seus pés sempre pode lhe proporcionar momentos de dança.

Uma bruxa inteligente me disse uma vez que estamos acorrentados na terra, mas queremos asas para voar e é por isso que temos a vassoura como o nosso símbolo phálico de liberdade. O processo é o mesmo da libertação. O deus das bruxas liberta! A terra é a nossa nutrição, mas os sonhos é a nossa alma, é o vento indomável. Se você parar de sonhar com as asas, deixará de existir a liberdade e não há hierarquia para a liberdade. Religiões nutrem hierarquia, bruxaria não. 

E não é incomum ver bruxas por ai confundindo religiões com bruxaria.

But the way.....A liberdade anda em pé de igualdade.

Veja só, o único animal que sente angústia é o ser humano, todos os outros estão plenamente satisfeitos com o que são. Isso é o processo do pensar, é a maldição dos animais inteligentes.

Quando um ser humano está descontente, ele sente vergonha do outro e se afasta para ser livre da vergonha, mas no fundo ele não está livre da vergonha pelo afastamento do outro, pois a vergonha mora dentro dele, é um processo de sombra Junguiana.

Eu gosto muito dessa história que vou narrar.

Uma vez um homem, um grande homem, lutava pela liberdade, estava viajando pelas montanhas. Ele passou a noite num caravançará e ficou encantado ao ver ali um papagaio numa gaiola de ouro e que continuamente repetia:

“liberdade! Liberdade!”

E o lugar era de um jeito que, sempre que o papagaio repetia a palavra “liberdade!”, ela ecoava pelos vales, nas montanhas.

Então o homem pensou: Já vi papagaios gostar de ser livre, mas nunca vi um papagaio que passasse o dia todo, de manhã até a noite, na hora de dormir, gritando por liberdade. O homem teve uma ideia. No meio da noite, ele se levantou e abriu a porta da gaiola. O dono do pássaro dormia profundamente, então, o homem cochichou para o bicho, “saia agora”.

Mas ele se surpreendeu ao ver o papagaio grudado ao poleiro, então ele continuou a falar com o papagaio “pode sair! A porta está aberta e seu dono está dormindo! O céu é todo seu!”.

E o papagaio continuava grudado no poleiro. Então o homem disse: “qual é o seu problema? Você é louco”?

Ele tentava tirar o bicho da gaiola e o bicho o bicava enquanto gritava “liberdade! Liberdade”!

Coven dos Papagaios
Os ecos se espalhavam pelo vale noturno e o homem teimava em arrancar o papagaio da gaiola, o bicho feria sua mão bravamente e o homem só se satisfez quando conseguiu lançar o papagaio para o céu, e foi dormir.

Na manhã seguinte, quando o homem acordou ouviu o papagaio gritar “liberdade! Liberdade”! Ele achou que talvez o papagaio estivesse empoleirado num galho de árvore, mas quando foi olhar viu que o bicho estava dentro da gaiola com a porta aberta.

A moral dessa história é muito simples. Você pode gostar de liberdade, mas a gaiola sempre lhe proporcionará certa proteção e segurança. Na gaiola, o papagaio não precisava se preocupar com comida, nem com os predadores, nem com coisa alguma. A gaiola é aconchegante, é feita de ouro. Nenhum outro papagaio tinha uma gaiola tão valiosa.

E assim é com o seu poder, com o seu controle das coisas, com sua família, com suas riquezas, o seu prestígio, essas são as suas gaiolas.

A liberdade é perigosa, porque ela não dá garantias, não dá proteção nem segurança.

Liberdade significa andar no desafio abrindo o próprio caminho e a todo instante haverá um novo desafio, às vezes fica quente demais, às vezes fica frio demais.
A liberdade significa uma enorme responsabilidade, você está por sua conta e risco.

Uma vez disse Rabindranath:

“A libertação é tudo o que desejo, mas tenho vergonha de esperar por ela, Tenho certeza de que há em ti um tesouro inestimável e que és o meu melhor amigo, mas não tenho a coragem de varrer a quinquilharia do meu quarto”, e ele está certo. Você não deve esperar pela liberdade, você deve promovê-la agora!

Porque não é uma questão de esperar, é uma questão de assumir o risco, desapegando-se de sentimentos fúteis e coisas fúteis. Para viver em liberdade, você pode aprender a se contentar e se contemplar primeiro na solidão, sozinho. Você deve se sentir bem consigo mesmo, sozinho. Quem não consegue viver sozinho, também não consegue viver com alguém.

Você pode estar certo que no mundo da liberdade existe um tesouro inestimável, mas essa certeza também é uma projeção do seu desejo, da sua expectativa. Então, você gostaria de estar certo. Você quer trocar um valor por outro do mesmo naipe.

Mas com a liberdade não se barganha, você tem de dar o salto rumo ao desconhecido, porque toda certeza também é uma gaiola.

A palavra razão vem do latim ratio e significa sugestão, cálculo, suposição. A razão nunca foi certeza e estar certo não tem nada a ver com estar com a razão. Você pode guiar sua vida sem norteá-la com a ideia do certo e do errado, isso não existe de fato, não existe o certo/errado. Existe o que tem de ser feito.
É por isso que há tanta confusão entre amor e ódio no mundo. O amor e o ódio são a mesma energia, mas você teme o ódio porque nunca ninguém lhe ensinou sobre ele. É por isso que o ódio é uma energia poderosa e assustadora, enquanto que o amor caiu na banalidade da boca do povo. Já percebeu que todo mundo hoje em dia afirma que ama você? Mas será que ama mesmo? Essa lição está fora do Coven do Papagaio.

Para aprender sobre liberdade, você deve aprender sobre o ódio, desde que sem conhecê-lo, você também não poderá conhecer o verdadeiro amor.

Assim, comece sua liberdade se tocando com as mãos e dizendo “eu me amo”, e se valorize. Depois se desapegue de tudo que não te serve mais, roupas, objetos, pessoas que já cumpriram seu papel na sua vida, etc, e dê um novo passo para frente. Se nada é igual, também nada é Uno, você não tem de se manter grudado em alguém ou numa única ideia, pessoa, filosofia, etc. 

O mundo é plural e é essa pluralidade que nos une. Se há o Uno tenha certeza que a união se encontra na pluralidade das coisas e ali há espaço suficiente para que você permita que o outro também siga o caminho dele como bem entender.

Lembre-se: O homem que a dor não educou será sempre uma criança. É por isso que a bigorna dura mais que o martelo.

Fizeram o que fizeram com você?

Não se preocupe. No final das contas isso é entre eles é o deus deles, a regra-gaiola.

Nunca foi entre você e eles, muito menos entre você e o deus que habita neles.
E assim, há os que cultuam o cabresto, e há os indomáveis.

Ninguém uiva por você!

Sett Ben Qayin


domingo, 15 de março de 2015

A Cracia da Fantasia


Setanta Hypnotherapy Clinic | Maya Illusion

Temos assistido alguns "seres humanos" (que de humanos não tem nada, afinal são de raças superiores) ditar as regras do que pode e do que não pode em nossas vidas. 


Companheiros tanto da Arte Bruxa quanto pastores, padres, sacerdotes e afins têm se projetado como superiores dentre os humanos, bruxos e bruxas. A essa imensa superioridade dada somente à alguns poucos escolhidos, devemos as nossas humildes desculpas, nós pobres mortais. Desculpas pela arrogância dessas pessoas, afinal, o mundo não merece tantos seres superiores no mesmo chão. Desculpe-nos ó mundo, por alguns de nós serem tão pobres de espírito e se proclamarem oriundos de raças superiores. Desculpas ó mundo, por existir tamanha ardilosidade que nos inferiorizam.


Oras oras oras..., então por que essas pessoas não conseguem voltar para o berço de suas raças superiores aonde seriam bem melhor aplicada suas vidas, ao invés de perderem tempo conosco tão simplórios e inferiores que somos? 

Por que insistem em ficar aqui nos perturbando com suas verdades religiosas?

A resposta é uma só: Eles precisam de palco, pois não sabem compartilhar uma vida com quem não estão no mesmo "quadrado", ou diria globo? Morrem de medo de um deus, morrem de medo da morte e são comedores de arroz e feijão como todo mundo, mas insistem em criar fantasias de seres espetaculares para fugir de suas realidades feias para ostentar seu domínio ou um falso império. Insistem em benzer as águas em cima dos televisores, enfeitiçam os seguidores com óleo ungido e sal grosso, fazem fogueiras santas para cumprir um antigo ritual de exorcismo sem se darem conta que a palavra exorcismo possui etimologia em juramento, não em banimento. Erguem cones de poder com uma gritaria santa dentro dos supermercados que viraram igrejas.

Alguns entram nas listas de discussões de bruxaria para se proclamarem donos da bruxaria, outros caçam diplomas de iniciações com a finalidade de mandar nos demais em solo pátrio, enquanto outros se convertem por dinheiro e status e por um apadrinhamento político.
Essas pessoas não fazem nada mais do que mostrar ao mundo, que sacerdotes e pastores são uma aberração e, nisso Osho tinha razão e por isso ele virou um fdp para quase todo mundo, mas os exércitos continuam sendo criados e templos pagãos erigidos para servir a cristandade que paga para entrar e reza para não sair.

O laço de dependência que essas pessoas criam umas com as outras é a grande doença da fé.

Vivemos numa era de doutrinações. Vemos por ai ministros, sacerdotes, pastores e mais alguns “pregando” o que pode e o que não pode nas mais variadas vertentes religiosas.

Esse “não pode” lhe impede de experimentar a sua totalidade. 
Vejam queridos irmãos de arte, lembrem-se que a verdade é uma descoberta plural, é algo que você pode chegar sozinho(a) sem o devir, sem a obrigação, imposição, cobrança, pressão etc. Não se cria um mestre para mandar em você, ele só serve para apresentar um ou vários aspectos do caminho.

Em tempos de doutrinação, nos cabe despertar mais uma vez rasgando as máscaras e os véus da dicotomia do bem e mal, justamente porque não há de fato tal coisa fora do plano da ética e das “cracias”. 

Lancemos luz em Theo e Demo para a cracia fechar seu centro. Isso inclui até a monarquia que é uma forma de governo (hereditário).


Igrejas em geral funcionam porque existe a demanda dos que precisam ser guiados. Esses últimos não sabem ainda se guiar, eles realmente necessitam de um guia, um padre, um pastor, um rabino, um sacerdote etc.


Os covens em geral funciona como uma corte de reis, nobres e súditos, mas sem liderança hereditária e, nele o trabalho é conjunto com aquele que “puxa” o arcano sete do covine montado no cavalo negro. 

O mestre da encruzilhada é o único mestre de uma bruxa e nenhum mortal pode ocupar esse cargo. Esse mestre não quer seguidores, ele quer que você se liberte de toda opressão interna e externa e isso recai sobre os mistérios da vida e da morte. O sacerdote que o representa é aquele que te liberta e permite que você continue livre, inclusive das garras dele, das doutrinas dele. Ele sabe que a verdade dele não é única. Ele sabe que a natureza não é singular, mas plural.


A vida na Terra parece acontecer de forma a sermos mandados por alguém, isso se verifica nas formas de governo. Esse alguém recebe poder de liderar dos que precisam de liderança. Por tanto, o líder não é nada se não houver para quem liderar. O líder só é útil enquanto serve os necessitados que entram no carro. Por essa razão há o mito do desgoverno e a cada sete anos o líder é sacrificado para dar lugar à um novo condutor do carro.

Mas vejam só, não há arcano sete se não for para guiar a si mesmo, pois o passageiro é alguém temporário. O passageiro uma hora desce do carro. O passageiro uma hora morre aqui na Terra e volta ao seu estado natural se fundido com a fonte de todas as coisas. O corpo vai para sete palmos abaixo da terra ou vira pó de cremação. O espírito vai para Aster, vai para o céu, para o Eter, para o inferno, para Summerland, ou fica aqui na terra assombrando outros de forma apegada aos bens materiais ou pessoas materialistas igual ao morto, ou vai para a puta que o pariu que você quiser! Em fim, sempre tem um lugar sagrado para ir.


Olhando para as coisas mundanas, vemos as cracias de vários modos.

Bancocracia, cleptocracia, consumocracia, corruptocracia, dedocracia, meritocracia, plutocracia, plebecracia, entre outras, nada disso cabe à uma bruxa. Uma bruxa não precisa de alguém lhe governando. Um líder é líder de si mesmo. Um mestre é mestre de si mesmo. Uma bruxa é bruxa de si mesma e esse mundo maluco de doutrinadores precisa acordar. 
Eu estou dizendo que as iniciações foram inventadas para servir o despertar e um lider ou mestre perde a função quando deixa de servir esse propósito e entra na esfera pessoal na forma de um ditador de valores e regras, de como você e eu devemos agir etc...

Olha como somos julgados? Se você andar ou agir no contrassenso da doutrina deles, então você não serve mais porque você se tornou uma vergonha.

Oras, eles deveriam ter vergonha deles mesmos! Não de você.

Nesse caso, a “des-doutrinação” nos cabe bem e não há nada a temer.

Uma bruxa num é uma herege a toa. Ela pode trabalhar harmoniosamente com a “minha” verdade e com a “sua” verdade o tempo todo, sem dramas, sem esbravecer com os vários acontecimentos em sua vida, respeitando assim a sua liberdade e a dos outros. Uma bruxa trabalha em harmonia com mais de duas verdades religiosas ou filosóficas, bem mais de duas...
Os doutores da verdade se irritam com a verdade alheia porque não querem competição, eles querem que você "abrace" a causa deles e a finalidade política será levada a cabo.

Ah, o que seria do mundo se não houvesse o fato do príncipe, de Maquiável?


Uma bruxa entra em “ação” primeiro consigo mesma, chamando para si a responsabilidade por aquilo que causou “comoções”. Seu único mestre se apresenta através das plantas consoladoras, as plantas de poder. Não é a toa que o único que pode consolar uma bruxa é o deus dela. É ai que entra em cena o grande sabá e sua função/propósito e nesse aspecto reside o exemplo dos xamãs que não brigam com ninguém por causa de causas espirituais. Eles entram num estado alterado de consciência para buscar a "cura" de si mesmo e dos outros.

Você já se perguntou quem criou o primeiro bruxo? Quem inventou a formação da primeira tradição? Quem criou regras para a bruxaria? Oras, bruxas criam! E tudo que se cria só é possível devido a um relampejo noturno do deus das encruzilhadas da vida e da morte, não importa se é tradicional ou moderno, o deus das bruxas não erra ao guiar a bruxa, ele vive e viverá para sempre, não sendo possível nada ser moderno, desde que tudo que existe só pode ser concebido porque já existe em outro plano.


A magia de uma bruxa atravessa oceanos e horários planetários. A velha na floresta, que não sabe ler nem escrever mas sabe conjurar as nuvens, essa era a bruxa tradicional. Bruxaria tradicional não tem nada a ver com astrologia tradicional. Magos estudam astrologia para reconstruir seus talismãs. Uma bruxa iletrada simplesmente abre a boca e a coisa acontece, ela põe seus peitos para fora e amaldiçoa toda uma terra que se tornará inóspita e infértil. Ela porá suas mãos num doente e ele se curará. Ela pegará um toucinho e esfregará no pé esquerdo do moribundo para afastar a morte. Ela invocará quem ela bem entender e essa força responderá para a bruxa, porque a bruxa comanda a voz dos ventos, os pássaros, as águas dos rios, ela é sabedora das ervas e da natureza. Uma bruxa não possui ciência estudada, ela possui dons que nascem com ela e se desenvolvem na sinceridade de sua observação. Os estudos apenas ajudam ou atrapalham (depende de cada caso). Usei o termo bruxa para representar tanto mulheres quanto homens da arte. Há tantos casos que a ciência da medicina não pode curar ninguém, mas o altar de uma bruxa pode.


Ela é parte do todo, não está fora nem dentro, mas sim participa da totalidade, ainda que de forma marginal (na margem da sociedade). Uma bruxa também é uma cidadã participativa e, do ponto de vista de todo cidadão, seu direito deve ser exercido, contudo, isso se dá sem paixão (sem passio) e se dá no plano dos que vivem sob alguma forma de governo administrador de seu país.

Das palavras de Georg Lichtenberg podemos aferir o que?

Ele afirmou o seguinte: “quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Isso é válido para todas as formas de comando onde há uma relação entre sujeitado e sujeitador.

Mas uma bruxa teria vergonha de que? Portanto não há o que respeitar nem há o que desrespeitar a não ser se você pensar sobre o prisma de uma cidadã comum, não como uma bruxa.

Aferimos que uma bruxa não possui líder fora dela mesma! Ainda que ela esteja vivendo dentro de um sistema governamental, o que por si revela que não precisa de mais um sistema e, é o suficiente para deixar de construir muros e círculos dos quais ficaria presa dentro deles.

No sabá das bruxas, elas voam por cima dos círculos e das muralhas, elas vão ao encontro dos seus.


Parece que a maioria das pessoas se unem para “cumprir” uma meta, seja dentro de um covine ou não e, com isso elas se afastam dos legítimos propósitos da bruxaria, que é a visitação da criação, o retorno à Elphame, o congresso com o Espírito das Phadas, a libertação das opressões, o encontro consigo no mergulho crédulo na madrugada esquecida. Isso sim é o propósito de se unir ao covine. Entre um vinho e outro, as risadas e as lágrimas, os sátiros nos cercam com palmas em torno da fogueira. 


Dinastia Tudor
Uma bruxa não afasta de si aquilo que ela não gosta porque ela sabe que não há inimigo fora dela mesma. Ela gosta de tudo e de todos porque tudo existe na natureza. Uma bruxa enfrenta, transforma e convive bem com todas as diferenças. Se ela afasta alguém de si, isso revela que há algo dentro dela ainda mal resolvido e ela não pode se chamar de uma bruxa bem resolvida. 
Por este e por outros motivos só existe UMA dama em alguns covines tradicionais, não sendo possível barganhar com covines estrangeiros para se ganhar o título de dama representativa.

Se ela possui uma verdade da qual batalha a todo custo por ela, certamente irá brigar o tempo todo com as pessoas e ainda irá manipular outras pessoas para “comprar” sua briga, instigando umas contras as outras. Tontos de quem se deixa ser manipulado por alguém mal resolvido e não percebe a estratégia que está por trás das aparências.

Uma bruxa bem resolvida é uma bruxa consciente do seu processo de sombras. De nada adianta fazer birra e chamar o superior para chorar dizendo que alguém está isso ou aquilo. Se perseguir a meta, estará se prendendo à isso. Metas te prende, não liberta.

Nessa limitação de si mesmo com essas metas a serem cumpridas, perdemos a nossa essência e nos afastamos de quem amamos verdadeiramente. A sombra mantém verdadeiras orgias com os conceitos de transferência e contratransferência.

Por exemplo, invejar alguém porque sua influência parece ser tão grande quanto a nossa. Não toleramos essa usurpação do nosso poder; e representamos o alguém como alguém que se comporta de modo vergonhoso, atroz, etc. E tentamos afastar nossos resignados de seus amigos e conhecidos. Defendemos o alguém a qualquer custo, seja marido, esposa ou qualquer um, como se ele não fosse capaz de se defender sozinho, ou quer seja porque existe uma meta de politicagem por de trás, do tipo "se ele cair eu caio junto porque não sou nada sem ele". O que Deus seria sem o Diabo? Percebe a relação que um não pode existir sem o outro?
A sombra do exegeta também o leva a desmerecer os amores anteriores dos resignados e, ao assim fazer, supervalorizar-se. Não é a toa que por convencionalismo muitas pessoas se unem como se casamento fosse e assim, mantem a aparência de um verdadeiro amor. Dessa maneira conseguem algum crédito dos cegos e eles fazem desses cegos, pessoas doentes e dependentes dos conselhos divinos deles.

Isso é muito importante de se compreender.

Sempre que o sofrimento de um resignado ameaça esmagar o crítico, sua sombra também lhe mostra um belo caminho para sair dessa dificuldade. O sofrimento neurótico não é um sofrimento real, assim diz algum dogma e, isso nos permite deixar de ver o fato de que o resignado está realmente sofrendo. 

Na realidade talvez não existam coisas como  sofrimento irreal ou inadequado, mas apenas problemas irreais ou inadequados. Isso faz muitos fracassados por ai, isso causa inimizades e guerras infundadas até mesmo entre bruxos.

Até mesmo o Self é mal empregado pelo analista que está mergulhado na sombra sem se dar conta.
Quantos comportamentos agressivos, imorais  ou intolerantes não são, com frequência, justificados por serem intrínsecos ao Self de um paciente?
Por exemplo: O adultério, deixa de ser encarado como um grave insulto e uma agressão ao cônjuge e, passa a ser uma libertação das normas coletivas em nome do Self. Comportamento injusto e desleal para com amigos, conhecidos, empregados e empregadores, rejeição da moralidade e dos códigos morais: o analista mergulhado na sombra ajuda e apoia tudo isso como sendo arrojados atos de libertação e redenção, de descoberta do Self. O analista aprisionado na sua sombra começa, pouco a pouco, a brincar de profeta. Alguns lideres, chefes e mestres acabam agindo da mesma forma e não percebe que estão se perdendo. Esses, não podem ser lideres da cura, pois não podem curar nem a si mesmos. Pelo menos ainda não.

Ele satisfaz as necessidades religiosas de seus pacientes fingindo sabedoria transcendental. Assim como o clérigo aprisionado a sua sombra vê os atos de Deus em toda parte e em tudo, também o analista vê o inconsciente operando em toda parte o tempo todo. Mas cada um tem sua loucura, não é mesmo?

Um(a) mestre(a) de coven precisa se perguntar diariamente o porque ele(a) se tornou mestre(a).
Qual é o propósito de alguém fundar um coven, senão pela linhagem e treinamento que recebeu, as autorizações de sua família mágica e pela necessidade que o próprio tempo lhe impõe? Chega uma hora que a vida lhe coloca nessa posição, os deuses lhe trás à isso, sem esforço algum.

Mas o que vejo por ai é o seguinte:

Bruxos conjurando os espíritos dos dias da semana e pedindo sucesso e vitória para Jupiter, Saturno e outros, enquanto desprezam o sucesso alheio. Oras, a palavra sucesso vem de suceder. Sempre há alguém que nos sucede, mas poucos vê isso e aceita numa boa. Um mestre legítimo sorri quando ele transmite seus conhecimentos, isso sim é suceder com vitória.

Verborréias de mestres causam um verdadeiro estupro em nossa essência e, por si só denota que tais mestres não estão nos respeitando em primeiríssimo lugar, mas eles sempre culparão você, dizendo que você não o respeitou. Veja que quando alguém põe a culpa em você é porque essa pessoa não pode e não deve te curar em nada, desde que nem ela mesma conseguiu isso consigo. Bom, ninguém dá o que não tem, vejam por si.
Ninguém é mestre 24 horas por dia. A situação faz um mestre e, isso é um momento. Um único momento onde você liberta uma pessoa e ela lhe será grata pelo resto da vida. Se você ensinou alguém a se libertar de suas própria opressões, se você curou alguém com uma única palavra de conforto ou com uma magia, se você ensinou alguém a pensar por si só, se você ensinou alguém a ser ela mesma, isso fez de você um(a) mestre(a) em algum momento. Muitas pessoas almejam liderar outras e se esquecem de permanecerem juntas na liberdade, pois isso requer certos sacrifícios do líder, os quais poucos estão dispostos a pagar. 

Infelizmente, sempre há um bonequinho “vodu” para as intenções de prender ou matar cada pessoa que os incomodam não é mesmo? Isso é poder de mestre(a)? 
Garrafas, frascos de vidro, terras de cemitério e outros pós e conjures preenchem o quadro de uma culpa sua, mas que é atribuída ao outro.
Ai é demais, esse comportamento revela a máxima ausência de destreza em se guiar outros na jornada que na verdade nunca precisou ser guiada, mas sim "apresentada". Essas pessoas querem guiar-nos a força, querem nos obrigar a seguir seus passos e calçar os mesmos sapatos, ainda que você tenha o pé maior do que o deles. Mais uma vez o tema da Cama de Procusto. É uma opressão mascarada de liberdade, precisamos ter olhos para ver e disciplina para lidar com isso.

Uma iniciação não foi criada para ser guiada, mas para dar a oportunidade de sua "ficha cair" e aprender a nascer de novo - o tempo todo - como uma phoenix. Isso é para ser aplicado no mundo do dia-dia, no mundo ordinário fora do covine. O covine é um lugar para você se reabastecer e comungar com seus iguais, mas sempre há um fdp para falar que ele é diferente ou para apontar você como um ser diferente. Na verdade é o ego falando mais alto. É o ego que não quer cair do pedestal.
Quando essas regras requer que sejam aplicadas com irmãos de coven, então o problema foi evidenciado e quem está na cabeça do coven deve chamar a responsabilidade para si mesmo em primeiro lugar. Se falhar nesse ato, o coven se dissolve, a irmandade se dissolve e não adianta justificar que alguns caem suavemente e outros não. Quando se fundou um coven você já se achava sábio, ainda que não pôde prever o futuro e não previu sua própria desventura por falhar em observar sua sombra. Essas pessoas criam argumentos diversos para justificar o porque dos porquês de suas metas. Persistem nessas metas de maneira obcecada, a ponto de tomar por desprezível um irmão. Eles querem fazer o caminho deles se tornar um brilho somente para os poucos escolhidos, coisa tão pobre de espírito que temos de pedir desculpas pela arrogância dessa gente que se acha bruxa. Ah, desculpa, era segredo iniciático! Oras bolas!

Ser honesto com o coven todo é ser humilde, tão claro e cristalino quanto a água. Tudo que andar na contra mão dessas diretrizes seria no mínimo uma arrogância e uma prepotência. Logo, se não chamar para si a responsabilidade esse suposto carro chefe cairá no próprio descrédito, uma vez que ele mesmo desdenhou dessa regra e não deu crédito à verdadeira essência da honestidade em si.

Essas pessoas ficam “loucas” para se livrarem dos vícios mundanos como se isso fosse um vírus. Oras, não são os vícios mundanos que nos tornam humanos? Não são os cigarros e as bebidas que seguram o “guia” em terra? Vírus tem cura?

Você já se perguntou por que depois de uma iniciação a sua fé é testada, ao ponto de você se ver numa ordália onde você é levado a acreditar que sua fé não existe mais?

Oras, um deus não faz culto para outro deus! Simples assim.

Ao adquirir a consciência de um deus na terra, devemos nos diminuir e sair da soberba e da arrogância, pois só os humanos fazem cultos à um deus e essa é a fórmula para se barganhar com um deus e “comprar” os favores divinos com uma boa oferenda a fim de se obter uma melhoria de vida. O acreditem ou não, há quem barganha para comprar os favores de um deus, com a finalidade de destruir um irmão de arte ao invés de torcer pela felicidade e sucesso dele. Contudo isso não nos preocupa porque quem tem cú, não precisa de patuá.

Adolf Guggenbühl-Craig em seu artigo intitulado "Charlatães, impostores e falsos profetas" diz que cada sonho, cada acontecimento, evento, doença, alegria, tristeza, cada acidente e cada prêmio de loteria é entendido como sendo o inconsciente em ação. Ele diz: “Nós, os analistas, descemos do nosso altar como pequenos deuses capazes de deduzir tudo de qualquer coisa. Deixamos de reconhecer a mão escura de Moira, o destino, diante da qual até mesmo os deuses, o inconsciente, devem se curvar. Para nós não existe tragédia, não existe o acidente cruel e cego. Acreditamos que as pessoas se desgraçam porque perderam contato com o inconsciente. E chegamos a acreditar, e deixamos que nossos pacientes acreditem, que podemos espiar por trás dos bastidores dos eventos do mundo.”

Poder e dever são coisas distintas, então usarei a palavra “podemos” ao invés de “devemos”.
Por essa razão caros leitores, podemos enxergar a nossas próprias crenças falsas, as falsas crenças que adquirimos como “manias” e acabamos sendo fiel à elas.

Harrison Dark Horse
Vamos rasgar os véus de Maya, vamos descer desses cavalos negros e vamos nos auxiliar uns aos outros de modo altruísta e desinteressado e vamos hesitar sim em adoecer pessoas saudáveis, ou seja, deixemos de ser enganados e de enganar os outros. Os charlatães ganham dinheiro e prestígio muito mais que verdadeiramente ajudam os outros. Esses charlatães não ligam para sua atividade espiritual de fato, eles traíram a si mesmos e traíram seus próprios votos juramentados e, agem de acordo com seus propósitos egoístas levando uma centena de pessoas a acreditarem que eles são os donos da verdade, publicam uma série de livros para obter fama, pura vaidade, e eles adoecem a si mesmos conjuntamente, tendo em vista que isso anda na contra mão de um trabalho sério de libertação de sua própria opressão interna e de seus "barros". Alguns usam o nome de Cain, mas agem como Abel. Usam o nome de Remo, mas agem como Rômulo.

O reverso dessa nobre imagem do "homem de Deus" é o hipócrita, o homem que prega, não por ter fé, mas porque quer influenciar os outros e exercer poder sobre eles. A congregação ou covine de qualquer pastor ou bruxo exerce grande pressão sobre ele para que aja com hipocrisia.

A companheira inevitável da fé é a dúvida. Se permita ter dúvidas sobre mim e sobre você, bem como sobre qualquer um.

O grande problema é que ninguém quer ter dúvidas acerca do seu líder espiritual, padre ou seu pastor; cada pessoa já tem suas próprias dúvidas, e estas lhe bastam. Um fraudulento não admite que ninguém tenha dúvidas dele, não admite que ninguém o questione ou que lhe ponha em cheque, pois se isso acontecer ele lhe manda para a fogueira. 
O fraudulento age como um psicopata, inteligente, ele sempre irá criar um texto, artigo ou argumento para justificar o porque de seus atos e decisões, que pesam sobre a vida de alguém e, assim irá doutrinar os cegos que ainda precisam ser guiados.

Como perguntou a si mesmo...alguém consciente: Por que o meu veneno é melhor do que o seu? Existe isso de ser melhor ou pior? Se a verdade divina é individual, fragmentada, passageira, transferível e mutável, ela é então universal, e se é para ser universal não há que se falar em “raças”, mas sim em etnias, pois estamos todos no mesmo planeta, incapazes de irmos para outro. Isso nos iguala.

Sett Ben Qayin







sábado, 7 de março de 2015

O GRANDE VAZIO

 
Quem tem medo do Nada? 
De repente tudo esta se esvaziando para você?
Isso pode ser aterrorizador e te desorientar por um instante, mas calma, um mestre só pode ser mestre se ele for mestre de si mesmo, se conhecendo.

A verdadeira liberdade se vive quando não se está apoiado em nada nem a ninguém, nem mesmo em qualquer sentido de direção.

Uma das coisas mais belas que aprendi foi tentar não controlar o destino, mas sim compreendê-lo e mudá-lo no que for possível. Digo isso porque nosso livre arbítrio deve ser exercido, apesar de limitado.

A ideia de Deus ou Deuses é a que eles querem que sejamos nós mesmos e, eles existem através de nós e do todo. Mas espere ai, eles não querem nos controlar, eles querem que exerçamos nossa parcela de livre arbítrio.
No entanto, alguns círculos da Arte não valorizam se você é ou não é do sangue, eles valorizam o “faça o que fazemos”, impondo dogmaticamente e doutrinariamente sua vontade vai se perdendo ou deixando de existir, para dar lugar à domesticação. Se você contrariar isso, você tá fora e ai, o desprezo lhe cai bem (infelizmente).

Os escolhidos, os esnobes da arte, ou a ideia de separativismo, egoísta e sem propósito, andam na contra mão da “iluminação” dessa gente que se apresenta como deus que controla seu destino ou opina drasticamente no resultado do que pode ou não na Arte. A liberdade não mora nisso, mas a cama de Procusto mora. Quem não conhece o mito da cama de Procusto pode procurar na internet.

Então veja: O nada é o estado de todas as possibilidades, uma vez que tudo é impermanente, são todos os potenciais.

Escolher o que você vai fazer com o nada é uma imensa responsabilidade, por isso algumas pessoas preferem ficar no silêncio e em reflexão até que a inspiração lhe advenha através de sua Musa.

No mergulho entre a expiração e a inspiração está guardado o tesouro de cada momento, pois alguma coisa sagrada está para advir.

A escuridão dentro de você pode lhe fazer insignificante. Mas todo mundo pode superar esse insignificantismo, desde que é a partir das trevas que se pode ver a luz.

Dois exercícios bons para transformar essa situação são:

Pegue um balde cheio de água e mergulhe seu braço lá dentro. Agora puxe para fora e olhe o buraco que sobrou. Esse buraco é o tamanho da sua importância.
Mas não há nenhum buraco ali. Esse é o tamanho de cada pessoa, é a importância de cada pessoa.

Por isso lembre-se: todos são iguais e ninguém possui mais nem menos importância que você. Basta que você pare de se dar demasiada importância acima dos outros e se nivele ao que cabe a cada semente.

O segundo exercício é:

Veja aquela pessoa intocável, que lhe parece imensa, veja-a sentada no vaso sanitário, pelada. Ali mesmo, diante de sua necessidade cada pessoa é e passa pelas mesmas situações que você. Ninguém é intocável, ninguém é imenso e nenhuma verdade é melhor ou pior que a outra. Note os cálculos diversos usados na Arte. Existem tantos cálculos, tantas equações. Uma equação exibe o ano de Marte, outra exibe o ano de Vênus e assim por diante. Não interessa qual é a melhor nem qual é a mais tradicional. Se você não é capaz de respeitar a Arte alheia, não pode respeitar nem mesmo a sua.

Você quebra a intocabilidade dessas pessoas quando você as vê como um comedor de arroz e feijão e essas pessoas são trazidas para o mesmo tamanho que qualquer outra possui. Para ser uma bruxa não importa observar o que uma bruxa faz, mas sim importa ser a bruxa.

A palavra bruxa em inglês é Witch, que significa sábia. Eu já fiquei admirado em ver uma bruxa chamando atenção de outra só porque essa outra se via como uma sábia. Na verdade a primeira tentava reduzir a segunda sem compreendê-la. Então sem a compreensão, como pode ser a primeira, uma sábia?  Mesmo assim, a segunda não diminuiu a primeira, não julgou-a.

Uma bruxa (a sábia) é sábia de sua Arte, de uma tradição, não é sábia da vida, mas da morte, haja vista que a morte é uma das verdades perenes e é a dona do mistério do Deus Chifrudo das bruxas. Acho até engraçado algumas bruxas desprezarem os homens, mas quando a água bate na bunda corre nos pés do Deus de chifres para pedir ajuda. Oras, ninguém chega na Deusa senão passar pelo deus antes. Ela é a vida, Ele é a Morte.

allium nigrum
Cabe a cada um ver as cores reais, sem o verniz, sem as tintas da sociedade, sem o semblante, sem o espelho do falcão que se quebra com o allium nigrum.
Quando foi a última vez que você se viu sorrindo de verdade?
O que realmente pode retirar sua alegria de viver?

Enquanto algumas pessoas nos tentam transformar em animais para que se possa domesticá-los, alguns animais se transformam no divino e se libertam das teias e das cadeias. Esse é um dos mistérios dos Lobos. Bruxas que se mudam em lobos compreendem isso.

Livre-se das teias que te amarram, livre-se dos ‘nós’ antes de tudo, pois ‘nós’ é uma palavra de junção, mas ninguém pode se juntar antes de ser um indivíduo inteiro e, quem se aparta da sua presença é como um bambu rachado, não está inteiro.

Um dos ditados da Stregoneria é: “somar sempre, subtrair nunca”.

O arco-íris nos ensina que essa soma é plural.

O arco-íris é uma junção de cores que andam na mesma faixa e, ainda assim, não existe um só arco-íris e mais, nenhum é igual ao outro, mas todos nascem dos céus e tocam a terra.

Portanto, aquilo que cada um encontra no fim do arco-íris é o nada do grande vazio, e ali, residem todas as possibilidades, todas as potencialidades, porque criar é natural de qualquer bruxa ou bruxo e não se deve ter vergonha de ser bruxo (sábio) ou bruxa (sábia).

Desligue as cadeias da opressão e mergulhe no grande vazio das potencialidades, pois nesse mundo de “demiurgos” tudo o que se cria ou se constrói é reflexo do divino.

Sett Ben Qayin