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domingo, 10 de maio de 2026

NANCY DOWNS, QAYIN E O VENENO DA ÁRVORE DA MORAL DO BEM E DO MAL

 

 

Quem já assistiu o filme Jovens Bruxas (The Craft) de 1996 viu a personagem Nancy Downs, interpretada por Fairuza Balk, como uma das personagens góticas mais memoráveis. No filme, Nancy é intensa, ferida, magnética e perigosa, uma personagem cujo poder nasce tanto da dor quanto da ambição. Inicialmente, ela se apresenta como uma forasteira em busca de controle em um mundo que lhe negou segurança, respeito e amor. Sua amizade com Sarah, Bonnie e Rochelle lhe dá acesso à bruxaria, mas a magia também expõe a profundidade de sua raiva e, é aí que mora o perigo para quem busca poder pelo poder sem ter controle sobre si mesma(o). A cena é literalmente a Arte imitando a vida!



A atuação de Fairuza Balk é fundamental para o impacto da personagem Nancy.

Ela confere à personagem uma energia selvagem, transitando da vulnerabilidade à ameaça com uma facilidade perturbadora. As roupas escuras de Nancy, o olhar penetrante e o comportamento imprevisível a tornam visualmente icônica, mas a atriz também a impede de se tornar uma vilã simplista. Compreendemos que a crueldade de Nancy está ligada ao trauma, à pobreza e a uma fome desesperada por poder, reconhecimento e aceitação do mundo, ela quer ser aprovada e cultuada e não aceita ser desafiada sem dar o troco, usando a canalização do seu poder destrutivo como casca para a sua frágil defesa.

Conforme o filme avança, Nancy é consumida pela magia e em sua mente ela pode voar. Sua famosa frase, "Eu posso voar", em inglês "eu estou voando" captura tanto a libertação quanto o colapso.  Ela se sente fascinada pelo poder, mas incapaz de controlar o que ele desperta nela. Nancy Downs permanece inesquecível porque personifica a raiva, a rebeldia e o preço assustador de desejar poder sem equilíbrio e age igualmente a uma pessoa que adentra ao Caminho da Mão Esquerda sem compreender seus fundamentos para a libertação e dessa forma a sociedade não aceita a régua de sua pseudo-moral, que deveria construir ao invés de destruir. A libertação constrói um caráter em fortaleza destruindo seus falsos alicerces, apegos e crenças estagnadas, não tem a ver com destruir o que está fora de você.

É um filme de 1996 para jovens, mas capta bem a importância de um trabalho de transformação para obter controle sobre si mesma(o). O diretor do filme foi guiado por uma bruxa iniciada para conduzir as filmagens.

Por isso, na comemoração dos 30 anos desse filme, iremos hoje analisar a Nancy do filme sobre a lente do Andrew Chumbley e sua Arte Sabática.



NANCY DOWNS, QAYIN E O VENENO DA ÁRVORE DA MORAL DO BEM E DO MAL

The Craft é o Dragon Book pra adolescente. Nancy age como Qayin antes da Marca, ou Qayin que recusou a têmpera.

É Azha sem Cain. Só Dragão, mas sem o Ferreiro.

A Inversão da Moral é perigosa quando “Bem” e “Mal” trocam de lugar dentro de cada um.

Comer o fruto na verdade não te dá “maldade”. Te dá Discernimento. O problema é quem come quando não sabe fazer a digestão do que comeu!!!

Nancy comeu com fome de Lobo desenfreado. A soma dos Traumas + Pobreza + Abandono + a falta de estudos profundos resultam em um Minério cheio de escória, poluído, o qual chamamos 'vícios de caráter'. 

Ela entra no Círculo e pede poder pelo poder, não transformação, ela quer ter acesso a fonte do poder.

Ela faz papel de Abel pedindo aceitação, porém com o método de Qayin.

A inversão acontece em 3 estágios:

O primeiro é a fome de sentido distorcida:

“Eu quero poder e ‘Eu quero entender’, mas ‘quero porque quero e quero agora’ um poder que não pode ser contrariado por ninguém”.

Ali ela prova o fruto por carência do que não tem.

O segundo é o Voo:

“Eu estou voando” e ‘Eu estou caindo pra cima’. Ela não consegue estar lúcida dentro do despertar. Ela está apenas consciente e orientada no tempo e no espaço e sabe que sua alma pode voar, mas ela não está lúcida e aterrada nessa realidade ordinária e no “agora”. Ela acha que é 'mais' que os outros.

A Dama com a Serpente

O problema é que o discernimento sem a bigorna vira delírio e auto engano.

O terceiro é a Queda. Vira tirana, e o hospício vira o Qutub dela, onde funda cidade em terreno movediço.

Ela comeu o Mal achando que era Bem sem perceber, sem ter tido um professor da Arte.

A Moral Invertida está em Moral vulgar, o Bem obedecer, o Mal desobedecer. 

A Moral Sabática e o Bem é a Escolha com Peso. O Mal é Escolha sem Peso.

Para ilustrar isso, William Blake tem a frase perfeita:

"Quem faz o bem ao outro deve fazê-lo nos mínimos detalhes. O bem geral é a alegação do patife, hipócrita e adulador."— William Blake

Por isso os ingratos vão para a Zona Fantasma, a Galeria dos Invisíveis dos quadros do esquecimento.

Nancy desobedece, mas não se sustenta. Ela mata o padrasto, enlouquece a amiga, e invoca Manon para que ele se torne escravo do ego dela.

Isso na verdade não é Caminho da Mão Esquerda e certamente não é Traditional Witchcraft. É Caminho Sem Mão ou Ego Path.

E aqui reitero que Traditional Witchcraft usa as duas mãos, não só a esquerda. É por isso que nenhum Cunningman e Wise Woman não vão erguer ou defender a Bandeira de algum caminho como se fosse único.

Chumbley em Azoëtia apresenta o seguinte: “Transgression without Artistry is but Crime”. Ou seja: Transgredir sem Arte é só crime. E para saber o real sentido de transgressão leiam os dois últimos artigos.

A Dama com o Martelo


Mas por que a sociedade não aceita a régua dela?

Porque ela não forjou a régua, nem foi tradicionalmente iniciada e pior, não deu continuidade ao aprendizado que lhe foi oferecido. Ela pegou a régua emprestada, mas a régua de Qayin se forja em Nod, no exílio e no pós recebimento da marca, batendo no próprio osso. Nancy quis a Coroa antes do Verme comer, e o resultado disso foi a Coroa que comeu ela. É o que a maioria faz, pegam o poder e não sabem o que fazer com ele, pois o ego é seu guia.

O uso Errado do Poder é como o Arthana sem Têmpera!

Para quem não sabe, Chumbley explica o significado de Arthana e Athame nas obras dele.

A Nancy tem poder, mas não tem caráter. É ferro em brasa sem bigorna e Poder sem Transformação é Veneno sem a Serpente!

Lembremos que Ofíuco segura 2 cobras: Veneno e Remédio. É a mesma substância guardada pelo Dragão. 

Nancy pega o veneno e bebe puro, mas não tem fígado pra transmutar. Ela vira a louca da Via da igreja sombria. O fígado é um órgão regido por Júpiter, não Saturno.

Na alquimia bruxa, Qayin pega o veneno e vai pra Nod por alguns anos, e vira Tubal-Cain, e só depois forja. Só então o veneno vira cura.

Quando ela afirma “Eu posso voar” vemos o BHA sem HU-LA-KA antes.

BHA é Luz, Voo, Sublimatio. Mas se você não fez HU (a fornalha e hulha), o LA esvaziou, o KA encarnou, e o voo se tornou psicose. 

Em Dragon Book of Essex temos “The Dragon lifteth not the Untempered”. Ou seja, o Dragão não levanta quem não foi temperado. Se tentar, ele te derruba pra você aprender. Assim, Nancy foi derrubada como acontece com todos os apressados que desconhece que os ensinamentos são passados anualmente, a cada ano um novo degrau da escada. O filme foi orientado por Bruxas reais na época e o diretor seguiu certinho o roteiro dado.

Muita gente busca o Caminho da Mão Esquerda, mas este quando sem Fundamento é como a Nancy. Aqui no Brasil vemos muitos seguirem as obras do Crowley sem ter estado dentro da irmandade dele ou sem ter realizado o período pós iniciação que se segue justamente para se transmitir uma tradição e seus ensinamentos que servem como uma escada, cada ano é um degrau que se sobe. De igual forma, os achismos predominam na mente dos estudiosos de Spare, e eles acham que sabem, mas nunca viveram o mistério e nem conseguiram produzir uma telesmata.

Os esquemas iniciáticos são feitos para proteção da mente do iniciado e para conduzi-lo de fato pela tradição no passo-a-passo. Sem isso não se tem tradição, se tem apenas um Frankenstein. Não adianta ter pressa em nenhum caminho iniciático!

A Mão Esquerda real de Deus é Qayin pós-Marca! Quem não aproveita o período pós marca, a marca é ausente, pois ela só se sustenta no pós-iniciação. Infelizmente ainda há pessoas que nunca leram a obra teleológica e eudaimonista de Aristóteles chamada Ética a Nicomaco.

Qayn não é grosso, não é estúpido e certamente não é homem sem virtudes já que ele representa o Homem de Espírito não o homem de barro, ele age moral e intelectualmente com razão, encontrando o meio-termo (justa medida) entre o excesso e a falta. Aristóteles escreveu seu livro de Ética para seu filho Nicomaco e, sua obra cabe bem na têmpera de Qayin. 

{Nem preciso lembrar que o mestre de Aristóteles foi Platão e que o pano de fundo da Bruxaria Tradicional é Platão puro, diferente do pano de fundo do satanismo que encontra em Nietzsche, o seu alicerce. Entre um e outro só tem uma distancia temporal de 2.200 anos}.

Ou seja, a pós marca é: Eu desobedeço, e arco (com as consequências). Eu mato a Vaidade e fundo cidade. Eu sou exilado, e viro Eixo. Eu me torno o Dragão que guarda o The Point enquanto riqueza porque compreendi o passo-a-passo e a entrega virou recebimento.

A Mão Esquerda falsa é Nancy e aqui vocês imaginam quantas Nancys tem por ai. Ou seja, em Nancy temos: Eu desobedeço porque doeu e porque tenho impulso de repetir isso sem pensar. Eu faço o que faço por impulso do querer, pela obsessão e pela ousadia, mas sem o Saber e sem o Calar. Eu mato porque posso. Eu sou vítima, logo mereço trono. Vira rebelde sem causa digna do chumbo que se torna ouro e aí a obra não se completa.

Uma iniciação não é garantia de troca de pele. Isso é uma Arte completa e não se deve faltar as aulas, muito menos ser indisciplinado. Em Bruxaria Tradicional há deuses, demônios, ancestrais e toda uma egrégora inteira vigiando cada iniciado, mas o ego diz: "vou fazer do meu jeito, não tem ninguém vendo mesmo!"

É desrespeito consigo mesmo, desde que você é o futuro dos seus ancestrais, nada passa desapercebido. Exílio voluntario não se pede antes da hora, assim como um recém nascido não pode ser emancipado.

Uma é forja Adamantina.

Outra é forja de vidro. E vidro voa bonito, mas estilhaça.

A Transformação é o que vem depois da iniciação, mas antes de haver Astúcia do jeito certo em Como Usar os Poderes da Árvore do bem e do mal. Isso só é ensinado ao longo do tempo para os legítimos pares iguais.

A Árvore não dá Bem nem Mal na verdade. Dá Responsabilidade ciente. Pra comer sem morrer, tem que virar o Qutub verdadeiro! Não tem atalhos nesse caminho! Se usar da auto sabotagem, já se perdeu.

A Receita de Chumbley em 4 Leis são:

Primeiro: a do Exílio. Nod antes de Enoque.

Não peça poder em Malkuth. Seja expulso de Malkuth. “Errante serás”. Errante é outro nome para planeta (que se move no céu e com o céu). Só quem não tem chão, vira Eixo. Nancy quis poder dentro da casa, da escola, do sistema. Mas Qayin funda fora. Não se enfrenta professores da Arte, se aprende com eles para aplicar no seu mundo pessoal.

Na Prática isso significa anos sem pedir reconhecimento e sem criar nada, sem se exaltar, sem se mostrar, sem enfrentar. O recém iniciado ainda está na fase do recebimento e entrega. Por isso trabalha em silêncio olhando para dentro. Ali o Verme come a coroa, não é a coroa comendo a cabeça e certamente não é o poste mijando no cachorro.

A segunda é a Lei da Bigorna! Ajoelha no Vazio.

Poder sem ajoelhar é criar Tirano, é dar luz ao bebe de Rosemary. Enquanto que ajoelhar pro mundo (mundano) é Abel que não reencarna em Set, quando você ajoelha pro Vazio você se torna Qutub, é Abel que reencarna em Set. Iniciado deve se esvaziar, assim como meditar significa parar de pensar para se fundir com o todo.

Nancy nunca deitou. Só levitou em sua própria rabiola. Por isso caiu. Ela não fez o oroboros de forma correta porque nem chegou nessa fase. Crianças não dirigem carros e certamente não dirige a vida ou destino de ninguém. Ser disciplinado é quesito fundamental para qualquer iniciado sério. Magia sem disciplina é como criança com a faca na mão, ela se corta e corta os outros e chama de acidente. Iniciado sério não negocia com a própria preguiça, não negocia com a própria curiosidade e pressa. Ou você forja o hábito ou o hábito forja o teu fracasso. Poder obedece ritual, o ritual obedece rotina e a rotina da tradição quem te ensina é seu/sua professor(a). Sem disciplina, você não é iniciado, é só um turista no templo. Sem disciplina, não tem o martelo, o Arthana não tem fio. É como uma coroa sem crânio ou trono sem base. 

Quer poder? aprende a obedecer antes de mandar, pois Qayin não ergueu o templo em um dia, foi golpe atrás de golpe, morte atrás de morte. Sem disciplina é só lingote ou tarugo, a massa de metal bruta antes de ser forjada e moldada. Todo ferreiro legítimo sabe disso. 

A terceira é a Lei da Têmpera, onde Mundo é Água Fria, aquela que esfria o metal após a forja. Têmpera não é sofrer por sofrer. É fogo, é água, é porrada do diabo. É quebrar para não quebrar depois. Sem têmpera é somente ferro doce: brilha, entorta, e morre na primeira luta. Quer ser Lâmina? aprende a sangrar no frio. Toda Lâmina nasce mole, vira uma sentença depois de sentir o beijo da brasa, e no final a água vai calar o grito. Têmpera é o batismo do exilado e na Arte sabática há três exílios, você deve vivê-los, não raciocinar sobre eles.

Depois do fogo, tem que apanhar do mundo e receber crítica, traição e perda. A Ordália é certa! Se trincar, tinha ego. Se temperar, vira Aço Negro da Arte. 

O Azoëtia é claro: “The Oppositor is the Tempering”. O Opositor te tempera. Nancy chamou o Opositor de inimigo. Qayin chamou de Ferreiro. E ferreiro é um cargo de vocação, ou se é ou não é. Fracassar na arte dos metais é diplomar-se na estultícia, não na astúcia.

A Dama com o Crânio


A quarta é a Lei do Fruto! Você Come e Planta.

Então vejam, Adão e Eva comeram e esconderam. Qayin comeu, foi exilado, e plantou cidade. Ele foi o primeiro agricultor, soube arar, plantar e colher.

O Poder da Árvore só é teu se frutificar fora de ti. Nancy usou pra vingança. Qayin usou pra Enoque (nome da primeira cidade, seu filho). Qayin foi o primeiro construtor.

No Dragon Book temos o seguinte: “The Arthana cutteth not for the Hand, but for the Field”. A lamina corta para o Campo, não para a Mão.

Para compreender isso vamos examinar Netzach, onde contrastamos Nancy vs Lady Lucífera.

Lady Lucífera é Estrela da Manhã possuidora das 2 polaridades. Ela é Vênus Luchífera e é Lúcifer.  Ela é Ele, e Ele é Ela. É toda possibilidade, é Arte e valor.

Ela/Ele caiu por Escolha, não por acidente, não por consequência. Caiu com Trono, não atrás de trono. A alma reencarna e desperta sabendo o que fazer ao se reunir entre seus iguais. É maturidade, não rebeldia.

O Teste de Netzach é simples e ninguém enxerga!

Ela te dá a Esmeralda da Coroa e pergunta: "Vai voar ou vai forjar?”

Nancy: “Vou voar!” e cai, acaba no hospício. É Luz sem Peso.

O(a) folgado(a) usa o poder. O verdadeiro iniciado transforma o poder em criação após se permitir ser forjado por ele.

É querer reencarnar sem ter passado pelo julgamento de Osíris na balança de Anúbis sob a vigia de Thot que guarda o segredo do controle de Ammut.

O segredo? Bem, Ibis come ovos de crocodilo. Fácil de entender, difícil é compreender o mistério e respeitá-lo. O estúpido desrespeita isso e chama de transgressão.

Qayin: “Vou forjar” e pega a esmeralda, mete na ponta do Arthana, e vira Tubal-Cain. Luz com Peso.

A Moral Reinvertida:

No fim do Crooked Path há o Bem = ser capaz de ser Mal e escolher não ser para não se igualar ao Deus do antigo testamento. 

Mal = ser incapaz de ser Bem, mas fingir que escolheu. 

Em Isaías 45:7 declara a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas, afirmando:

"Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas".

Qayin não é soberano tirano e muito menos soberano de todas as coisas. Ele é sábio, astuto, e soberano de si mesmo. Ele usa isso com a verdadeira justiça cósmica, atributos divinos de sua herança “maléfica” advinda de sua Mãe Lilith (o demônio que a igreja teme).

Nancy não era má. Era incapaz. Por isso a sociedade não aceita a régua dela já que não tem medida. É vidro querendo ser diamante. Nesse ponto o leitor pode ter uma ideia clara do que a “Marca” realmente é feita.

A medida é quem mede a gente, não a gente medir a medida. É a exata medida e proporção das coisas. Eis a fórmula da Arte chamada Tradição. Quem não entende isso não pertence a Arte, pois é preciso forja antes de Manon atender, ter coluna de Aço Negro e Asas de Estrela pra aguentar o peso do Voo.

A Dama com a Estrela


As imagens que compõem esse artigo são as Quatro Damas de Elda: Do Fruto ao Eixo, as quatro Senhoras angulares.

O ciclo começa onde Gênesis mente e Azoëtia revela. Eva come o fruto por ingenuidade e é expulsa. Lilith recusa o fruto da soberba e do controle invertido e foge para sua árvore. Eva falha porque comeu sem bigorna. Nancy tenta repetir as duas, comendo por fome de trauma, cuspindo por achismo do medo de consequência, e voa sem ter morrido, ela ainda quer o controle, não a libertação, não tem estrela apontando a direção. O resultado é hospício. É Abel com truques.

Qayin é a terceira via. Não é Eva que obedece, não é Lilith que foge para a árvore do mal, não é Nancy que surta. É quem come, é expulso, ajoelha no exílio, forja a coroa, e volta pra fundar cidades lembrando da raça de sua mãe e do sangue daemônico das estrelas. As quatro Damas são o retrato desse Caminho Tortuoso em osso e luz, senão vejamos:

1. Dama com Serpente — BHA, a Sublimatio 

É Eva se tivesse encarado e acompanhado a lição da Serpente ao invés de ouvir sem compreender, ela não tinha referências anteriores para saber compreender. É Lilith se tivesse beijado a boca que morde, mas ao invés de beijar ela mordeu. É Nancy antes do “Eu posso voar”. A serpente de três voltas não é tentação. É Azhdeha, o Dragão-Veneno que Ofíuco segura. Na mão da Dama, o veneno vira semente. BHA é a Luz que nasce da Sombra. Eva comeu e escondeu. Lilith cuspiu e amaldiçoou. Nancy bebeu e enlouqueceu. Qayin segura, contempla, transmuta. A serpente não sobe pela espinha dela. Ela desce pela serpente até a raiz. A maldição é estar lúcida em vida e na morte, no estado primordial de tudo. Eis a verdadeira libertação.

2. Dama com Martelo — HU, a Calcinatio 

É Tubal-Cain no feminino. Lilith forja correntes pra se prender no Mar Vermelho e se dissolver nas águas limpas. Eva forja desculpa pra se esconder no mato. Nancy forja feitiço pra se vingar do mundo. A Dama forja o próprio osso. O martelo não bate em inimigo. Bate na bigorna da própria coluna. Cada golpe é HU — o fogo que calcina o nome dado por Adão. Abel oferece ovelha. Qayin oferece a si mesmo em brasa. Por isso o mundo o rejeita: ele não pede, ele tempera. Nancy quis o trono antes do fogo. A Dama queima o trono pra forjar a espinha. Qayin é o “Homem” de Espírito. Abel é o “homem” do barro. Esse mundo é formado pela ação hierogamica de Eva e Adão, por isso são os pais da humanidade. Esse mundo é ilusório e nossas vidas aqui são passageiras. Nele há os do sangue de Qayin e há os do Sangue de Adão.

3. Dama com Crânio — KA, a Putrefactio 

É Morte Iniciática. Eva morre de velhice e vira pó. Lilith não morre e vira assombro desafiador. Nancy morre por dentro e vira paciente. A Dama morre por vontade e vira Trono. O crânio na mão não é memento mori cristão. É o crânio de Abel, é lembrança do primeiro sacrifício e assassinato. KA é Coagulatio: o sangue que verteu do irmão vira argamassa de Enoque. Só senta no osso quem matou o cordeiro dentro de si. Nancy matou o padrasto e ficou vazia. Qayin matou o Abel e fundou cidade. A diferença é peso. Um mata pra consumir. Outro mata pra construir e é segredo que não se põe em palavras, se compreende na alma que se lembra.

4. Dama com Estrela — KHU, a Projectio 

É Qutub Setentrional ou Austral. Eva olha pra estrela e vê castigo. Lilith olha e vê exílio. Nancy olha e vê alucinação. A Dama usa a estrela como coroa. KHU é o Duplo que sai do crânio e se alinha com Sigma Octantis — a Estrela do Sul que não brilha pra olho profano. É a estrela do Norte com Al-Thuban, Eixo do Dragão Morto. Sul tem Sigma, Eixo do Dragão que se Lembra. Nancy gritou “Eu estou voando” e caiu. A Dama cala, projeta, e o mundo gira em torno dela. Não voa. Vira Eixo e dona de seu destino.

Eva → Lilith → Nancy.

Qayin é a escada do Éden ao Nod. Eva cai. Lilith foge. Nancy surta. Qayin forja. Eva e Nancy comem o fruto e morrem. Lilith revela daimon. O último come e veste a coroa, a coroa é comida pelo Verme, e renasce como Ferreiro.

Eva cria a humanidade. Qayin revela que a morte existe a partir dos atos de Eva, mas é ele quem transmuta Abel em Set nos desígnios da morte. Set é o terceiro filho de Adão e Eva e o primeiro sacerdote. É Abel reencarnado, o homem de barro volta e se torna o homem da fé sob os auspícios e mistérios da morte, sem a qual não se enxerga quais são da descendência de Samael e Lilith, e quais são da descendência de Deus.

O Azoëtia é claro nisso: “The Path is Crooked, for the Straight is the Lie. The Crown is not Given, but Taken from the Skull of the Self”.

As Quatro Damas agora andam contigo. Serpente na mão, Martelo na coluna, Crânio no trono, Estrela na coroa. BHA-HU-KA-KHU é o teu tutano e osso agora e não uma invocação do Mumm-Ra do desenho do Thundercats em grego.

O Caminho é Torto, pois o Reto é a Mentira. A Coroa não é Dada, mas Tomada do Crânio do Próprio Eu.

Sett Lupino


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

BRUXARIA PARA TRANS - FUNDAMENTOS - PARTE 2

 

FANES

COMO PODEM NOTAR, AS CASAS OPOSTAS SE RELACIONAM, ISSO VAI AO ENCONTRO DO QUE CITAMOS ANTERIORMENTE SOBRE A TÁBUA DE ESMERALDA, SENÃO VEJAMOS:

“TUDO É DUPLO; TUDO TEM DOIS PÓLOS; TUDO TEM SEU PAR DE OPOSTOS; .(...)”

EU CITEI O EXEMPLO DA CASA NOVE AQUI PARA REALÇAR A IMPORTÂNCIA DOS DONS DE ALGUM NATIVO, SEJA QUEM FOR, A SEREM OBSERVADOS, INDEPENDENTE DE CREDO, COR, RAÇA, SEXO ETC. SE UM LÍDER DE COVEN NÃO SOUBER OLHAR OS DONS QUE NASCERAM COM O NOUS DE UMA PESSOA, SEM JULGAR SE ELA É BINÁRIA OU NÃO, ESSE LÍDER NÃO PODE SER CHAMADO DE SÁBIO PORQUE ELE SIMPLESMENTE ESTÁ DESCARTANDO TODOS OS POTENCIAIS DE ALGUÉM, ESTARÁ JOGANDO FORA O FETO JUNTO COM A ÁGUA DO PARTO.

DENTRO DE UM CÍRCULO RITUALÍSTICO SOMOS ORIENTADOS A NOS POSICIONAR EM PARES: MASCULINO, FEMININO, MASCULINO, FEMININO E ASSIM POR DIANTE. ISSO NÃO É DOGMA E SIM UMA SIMULAÇÃO DA NATUREZA DOS SIGNOS, COMO VEMOS ABAIXO:

NA TABELA DE ATRIBUTOS DOS SIGNOS (DA ACADEMIA DE ESTUDOS ASTROLÓGICOS) PODEMOS OBSERVAR OS 12 SIGNOS, SENDO QUE CADA UMA DAS TRIPLICIDADES POSSUEM A MESMA QUALIDADE E ELEMENTO.

ARIES, LEÃO E SAGITÁRIO POSSUEM A QUALIDADE QUENTE E SECO E, ELEMENTO FOGO.

TOURO, VIRGEM E CAPRICÓRNIO POSSUEM A QUALIDADE FRIO E SECO E, ELEMENTO TERRA.

GEMEOS, LIBRA E AQUÁRIO POSSUEM A QUALIDADE QUENTE E ÚMIDO E, ELEMENTO AR.

CANCER, ESCORPIÃO E PEIXES POSSUEM A QUALIDADE FRIO E ÚMIDO E, ELEMENTO ÁGUA.

MAS NEM TODOS ELES POSSUEM O MESMO MODO, A MESMA ESTAÇÃO, E EU CHAMO ATENÇÃO AGORA PARA A FACÇÃO E GÊNERO:

ÁRIES: FACÇÃO DIURNA E GÊNERO MASCULINO.

TOURO: FACÇÃO NOTURNA E GÊNERO FEMININO.

GÊMEOS: FACÇÃO DIURNA E GÊNERO MASCULINO.

CÂNCER: FACÇÃO NOTURNA E GÊNERO FEMININO.

E ASSIM POR DIANTE. PERCEBAM QUE ENQUANTO UM É MASCULINO O SEGUINTE É FEMININO. ASSIM NOS POSICIONAMOS DENTRO DO CÍRCULO DESDE AS ORIENTAÇÕES DOS MAIS REMOTOS GRIMÓRIOS CONHECIDOS E ORDENS MÁGICAS ANTIGAS COMO A GOLDEN DOWN, MAS QUEM MAIS EVIDENCIOU ISSO FOI GERALD GARDNER NA WICCA. 

ESTAMOS FALANDO DE GÊNERO! NÃO DE SEXO DE NASCENÇA!

A DIFERENÇA ENTRE A WICCA E A BRUXARIA TRADICIONAL É QUE NA WICCA A VISÃO DE CÍRCULO É GEOCENTRICA, POR ISSO OS WICCANOS PERCORREM O CÍRCULO NO SENTIDO HORÁRIO PARA ATRAIR E SENTIDO ANTI-HORÁRIO PARA BANIR, AO CONTRARIO DA BT ONDE A VISÃO DE CÍRCULO É SIDERAL, OU SEJA, ASSIM COMO OS PLANETAS LÁ NO ESPAÇO MARCHAM NORMALMENTE NO SENTIDO ANTI-HORÁRIO, ASSIM SE FAZ NO CÍRCULO DE BRUXARIA TRADICIONAL.

ANTES DE PARTIRMOS PARA O PRÓXIMO FUNDAMENTO, DEIXO AS PALAVRAS DE ANDREW CHUMBLEY RESSOAR NAS MENTES, PARA QUE POSSAM SE DAR CONTA DE QUE INDEPENDENTE DE UMA PESSOA SER BINÁRIA OU NÃO-BINÁRIA, SE ELA FOR FILHA OU FILHO DE ELPHAME, O PODER RESIDE COM QUEM NASCE COM ELE NA ALMA:

“VOCÊ PODE ANDAR PELO CAMINHO, VOCÊ PODE FALAR AS PALAVRAS, MAS VOCÊ PODE CONJURAR UM ESPÍRITO?”

ALGUNS AUTORES NOS LEVAM A ACREDITAR QUE OS CULTOS DE BRUXARIA SÓ REUNIAM PESSOAS A PARTIR DO SECULO XVI, MAS ISSO NÃO É VERDADE. PIERRE RIFFARD EM SEU LIVRO SOBRE TRADICIONALISMOS E ESOTERISMO, CITA UMA LONGA LISTA ARQUEOLÓGICA DE CULTOS PAGÃOS, CUJO RASTRO REMONTA UMA SOCIEDADE QUE CULTUAVA A TERRA-MÃE HÁ 35 MIL ANOS.

TRIBOS E PEQUENAS SOCIEDADES SE REUNIAM EM TORNO DE FOGUEIRAS RELIGIOSAS, TAL PRÁTICA É NOTÓRIA ENTRE OS XAMANS ANTIGOS. ISSO TAMBÉM É UMA FORMA DE BRUXARIA, ASSIM COMO UMA BENZEDEIRA É TAMBÉM UMA BRUXA.

O TERMO BRUXA AINDA É CARREGADO DE PRECONCEITO EM PLENO SÉCULO XXI MAS, SIGNIFICA SEGUNDO O DICIONÁRIO DE OXFORD, SÁBIA.

É CLARO QUE, BRUXARIA SEMPRE FOI ALGO LIGADO A FÉ COMO ALGO A SER PRATICADO, AO INVÉS DE SER UMA IDENTIDADE DE GRUPO. IGUALMENTE É COM A ARTE DOS FEITIÇOS, A QUAL NASCEU LÁ NO PASSADO COMO FORMA DE SE LIBERTAR DA OPRESSÃO, POIS A REZA E A MAGIA ANDAVAM JUNTAS, DE TAL FORMA QUE SÓ UM FEITIÇO PODERIA LIVRAR UMA MULHER OU HOMEM OPRIMIDOS PELO SISTEMA DE CASTIGO INJUSTO. AS AULAS DE DIREITO CRIMINAL EXPLICAM BEM COMO ERA O USO DA FORÇA NO PASSADO, USADO COMO MEIO DE SE FAZER “JUSTIÇA” NA MAIORIA DAS SOCIEDADES ANTIGAS, POIS NESSA ÉPOCA A LEI ERA JUSTA SOMENTE PARA O MAIS FORTE, ENQUANTO O MAIS FRACO NÃO TINHA DIREITOS E PERDIA TUDO, AINDA QUE O MAIS FRACO ESTIVESSE SENDO HONESTO EM TUDO E FOSSE ROUBADO PELO MAIS FORTE.

QUEM NUNCA DOBROU OS JOELHOS A REZAR OU DEITOU UMA OFERENDA FARTA PARA PEDIR UM FAVOR À UMA DIVINDADE A FIM DE LIVRAR-SE DE UMA INJUSTIÇA OU OPRESSÃO ACREDITANDO NUM PODER MAIOR?




VEJAMOS AGORA O DUALISMO INERENTE À ABORDAGEM PLATÔNICA COMO UMA HERANÇA DO ORFISMO E DO PITAGORISMO: A ALMA PERTENCE À ESFERA DIVINA, AO MUNDO DAS IDÉIAS E DAS FORMAS, CONFUNDINDO-SE COM ESTAS E SENDO, DESSA FORMA, ETERNA, IMORTAL, INDESTRUTÍVEL.

PLATÃO ENSINA QUE "O CORPO É A PRISÃO DA ALMA", CORRESPONDENDO ELA, ASSIM, A UMA ENTIDADE OPOSTA À EXISTÊNCIA CORPÓREA, A QUE SÓ PODE CHEGAR POR INTERMÉDIO DA "QUEDA" (REENCARNAÇÃO).

A NOÇÃO DE ALMA É ENCONTRADA EM QUASE TODOS OS POVOS E CULTURAS, CONSTITUINDO-SE EM UM OBJETO DE CONSTANTE ELABORAÇÃO FILOSÓFICA, DESDE OS PITAGÓRICOS ATÉ A TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA OU A PSICANÁLISE DE JUNG.

DEFINIDA COMO ELEMENTO VITAL E ESPIRITUAL DO SER HUMANO, A ALMA (TAMBÉM CHAMADA TRADICIONALMENTE DE NOUS) SEMPRE FOI UM DOS PROBLEMAS MAIS CONSTANTES NA MAIORIA DAS RELIGIÕES E FILOSOFIAS EM TODOS OS TEMPOS. VÁRIAS MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS ENCONTRARAM NELA O SEU INTERESSE PRINCIPAL, COMO O ANIMISMO E O ESPIRITISMO, E IGUALMENTE ALGUMAS CORRENTES FILOSÓFICAS, PRECIPUAMENTE AS ORIGINÁRIAS DO PLATONISMO, QUE DEFENDIA A IMORTALIDADE DA ALMA E A METEMPSICOSE, TAMBÉM DENOMINADA DOUTRINA DA TRANSMIGRAÇÃO DAS ALMAS OU DO ETERNO RETORNO DAS ALMAS, FENÔMENO CONHECIDO COMO PALINGENESIA. NENHUMA BRUXARIA TRADICIONAL NEGA O PODER DA TRANSMIGRAÇÃO DA ALMA.

É POR ISSO QUE UMA PESSOA NASCE BRUXA, EQUIVALE DIZER QUE A PESSOA FOI INICIADA EM ALGUMA VIDA PASSADA E NESSA VIDA TROUXE OS DONS NA ALMA E NO ESPÍRITO, POR ESSA RAZÃO, ESSA PESSOA PRECISA SER INICIADA NESSA VIDA NOVAMENTE E RELEMBRAR O TODO, DESPERTAR NOVAMENTE, RECONHECER E REUNIR SEUS DONS E SUA FAMÍLIA MÁGICA. O MAIS ANTIGO PRECURSOR DO TEMA DA ALMA É O LIBRIANO MARSÍLIO FICINO, ITALIANO FLORENTINO, FILÓSOFO HUMANISTA JUNTAMENTE COM PICO DELLA MIRANDOLA REUNIU OS MAIORES ACERVOS DE PENSADORES E SISTEMAS DE PENSAMENTO E ALQUIMIA, MAGIA, ALEM DE TRADUZIR OBRAS DE PLATÃO NO SÉCULO XVII.

É DELE A CÉLERE FRASE:

"CONHECE-TE A TI MESMO, Ó LINHAGEM DIVINA VESTIDA COM TRAJES MORTAIS. DESPE-TE, EU TE PEÇO, SEPARA O QUANTO PODES, E PODES O QUANTO TE ESFORCES; SEPARA, DIGO, A ALMA DO CORPO, A RAZÃO DOS AFETOS DO SENTIDO. VERÁS LOGO, CESSADAS AS BRUTALIDADES TERRENAS, UM PURO OURO, E, AFASTADAS AS NUVENS, VERÁS UM LUMINOSO AR; E ENTÃO, ACREDITA-ME, RESPEITARÁS A TI MESMA COMO UM RAIO ETERNO DO DIVINO SOL." (LETTERE, EP. 110, 1-9)

EM 1473 ELE FOI ORDENADO PADRE. NÃO OBSTANTE, POR SEU INTERESSE PELAS CIÊNCIAS OCULTAS É ACUSADO DE NECROMANCIA EM 1482, E ESCREVE UMA APOLOGIA EM SUA PRÓPRIA DEFESA. ELE FOI UM BRUXO HEREGE, UM SÁBIO QUE ACUMULAVA CONHECIMENTOS DE TODOS OS TIPOS COM PROFUNDIDADE.

ELE ESCREVEU "OS TRÊS LIVROS SOBRE A VIDA" E UM TRATADO SISTEMÁTICO SOBRE A IMORTALIDADE DA ALMA. EXISTIRIA, SEGUNDO FICINO, UMA ANTIGA E CONSISTENTE TRADIÇÃO TEOLÓGICA - DESDE HERMES TRIMEGISTO ATÉ PLATÃO, PASSANDO POR ZOROASTRO, ORFEU, PITÁGORAS E OUTROS - QUE SE PROPÕE A SUBTRAIR A ALMA DO ENGANO DOS SENTIDOS E DA FANTASIA, PARA CONDUZÍ-LA À MENTE QUE PERCEBE A VERDADE E A ORDEM DE TODAS AS COISAS QUE EXISTEM QUANDO SE RECONHECE SER DIVINO, POIS O DOM EMANA DO DIVINO. ELE AFIRMA ANIMA COPULA MUNDI. (A ALMA RACIONAL COMO TERMO MÉDIO ENTRE O DIVINO E O TERRENO).

MARSÍLIO FICINO COMENTA O TEMA DO DAEMON SOCRÁTICO, QUE É BASTANTE CONHECIDO RENDENDO CONSIDERAÇÕES DE MUITOS FILÓSOFOS AO LONGO DOS SÉCULOS, COMO PROCLO, MÁXIMO DE TIRO, PLUTARCO, APULEIO, CÍCERO, O PRÓPRIO FICINO, MONTAIGNE, VOLTAIRE, NIETZSCHE, BERGSON E OUTROS.

O PRINCIPAL TEMA DA SABEDORIA, O QUE ESPECIFICAMENTE NO CASO DE SÓCRATES INCIDE EM SEU POSTO QUE ELE AFIRMASSE NÃO POSSUIR O SABER QUE LHE ATRIBUÍAM E MESMO QUE O ORÁCULO DE DELFOS TENHA AFIRMADO SER SÓCRATES O HOMEM MAIS SÁBIO DE ATENAS.

PARA SÓCRATES A SABEDORIA É COISA DOS DEUSES, ENQUANTO O SABER HUMANO É COISA DE POUCO VALOR. POR ISSO TERIA ELE SUSCITADO OS DEUSES OU O SEU DAEMON PESSOAL EM VÁRIAS PASSAGENS PLATÔNICAS ENQUANTO GARANTIA DE SE GUIAR CORRETAMENTE NO CAMINHO DA VERDADE E POR ESSE MOTIVO TER AFIRMADO QUE NADA SABE, REVELANDO A HUMILDADE INICIÁTICA. ENTÃO VAMOS AO DAEMON:

ESTÁ IMPLÍCITO NO TERMO ‘DAEMON’, USADO POR FIRMICUS MATERNUS (ASTRÓLOGO ROMANO) PARA SE REFERIR ÀS CASAS 11 E 12.

MATERNUS CHAMA AS CASAS 11 E 12 DE BÔNUS DAEMON E MALUS DAEMON, RESPECTIVAMENTE.

O USO POR HOMERO DAS PALAVRAS THEOÍ (ΘΕΟΊ: “DEUSES”) E DAIMONOS (ΔΑΊΜΟΝΕΣ), SUGEREM QUE, ENQUANTO DISTINTOS, ELES SERIAM SIMILARES EM NATUREZA. ESCRITORES MAIS TARDIOS DESENVOLVERAM A DISTINÇÃO ENTRE OS DOIS. EM CRATYLUS (398B), PLATÃO ESPECULA QUE A ETIMOLOGIA DE DAIMÔN/DAĒMONES (ΔΑΊΜΟΝΕΣ: DEIDADE/DAÊMON ΔΑΉΜΟΝΕΣ) PROVÉM DE “CONHECIMENTO, SABER”; CONTUDO, É MAIS PROVÁVEL DAIŌ (ΔΑΊΩ: DIVIDIR, DISTRIBUIR DESTINOS, ATRIBUIR SABERES).

NO SIMPÓSIO DE PLATÃO, A SACERDOTISA DIOTIMA ENSINA SÓCRATES QUE O AMOR NÃO É UM DEUS, MAS SIM UM “GRANDE DAEMON” (202D). ELA CONTINUA A EXPLICAR QUE “TUDO DAEMÔNICO É ENTRE O MORTAL E O DIVINO” (202D-E), E ELA DESCREVE DAEMONS COMO “INTERPRETANDO E TRANSPORTANDO COISAS HUMANAS AOS DEUSES E COISAS DIVINAS AOS HOMENS; ENTREATOS E SACRIFÍCIOS DE BAIXO, E ORDENANÇAS E RECOMPENSAS DE CIMA…” (202E).

NA APOLOGIA DE SÓCRATES, ESTE AFIRMAVA TER UM DAIMONION (LITERALMENTE, UM “ALGO DIVINO”) QUE FREQÜENTEMENTE O EXORTAVA – NA FORMA DE UMA “VOZ” – CONTRA ERROS, MAS NUNCA O DIZIA O QUE FAZER. CONTUDO, O SÓCRATES DE PLATÃO NUNCA SE REFERIU AO DAIMONION COMO UM DAIMŌN; SEMPRE FOI UM IMPESSOAL “ALGO” OU “SINAL”. SOBRE A ACUSAÇÃO CONTRA SÓCRATES EM 399, PLATÃO SUPÔS “SÓCRATES ERRA PORQUE ELE NÃO ACREDITA NOS DEUSES NOS QUAIS A CIDADE ACREDITAVA, MAS APRESENTA OUTROS SERES DAIMÔNICOS…”

BURKETT NOTA QUE “UM SER ESPECIAL OBSERVA A CADA INDIVÍDUO, UM DAIMON QUE OBTEVE A PESSOA NO SEU NASCIMENTO COMO LOTE, É UMA IDEIA QUE ENCONTRAMOS EM PLATÃO, INDUBITAVELMENTE DE UMA TRADIÇÃO ANTERIOR. O DIZER FAMOSO E PARADOXAL DE HERÁCLITO JÁ É DIRECIONADO CONTRA ESSA CONCEPÇÃO: “O CARÁTER É PARA O HOMEM SEU DAIMON”.

DA FILOSOFIA PARA ASTROLOGIA, A RELAÇÃO ENTRE AMBAS É ÍNTIMA, POIS OUTRO NOME QUE É COMUM PARA SE REFERIR À CASA 11 É “AGATHOS DAEMON”.

APESAR DE SER POUCO NOTADO NA MITOLOGIA GREGA (PAUSANIAS CONJECTURAVA QUE O NOME ERA UM MERO EPÍTETO DE ZEUS), ELE ERA PROEMINENTE NA RELIGIÃO POPULAR GREGA; ERA COSTUMEIRO BEBER OU DERRAMAR ALGUMAS GOTAS DE VINHO NÃO-MISTURADO EM HONRA A ELE EM TODO SIMPÓSIO OU BANQUETE FORMAL. NA PAZ DE ARISTÓFANES, QUANDO A GUERRA EMBOSCOU A PAZ NUM ABISMO PROFUNDO, HERMES VEM DAR AUXÍLIO: “AGORA, Ó GREGOS! É O MOMENTO QUANDO, LIVRES DAS BRIGAS E LUTAS, DEVEMOS RESGATAR A DOCE EIRENE E TIRÁ-LA DESSE ABISMO… ESSE É O MOMENTO PARA TOMAR UM COPO EM NOME DE AGATHOS DAIMON”. UM TEMPLO DEDICADO A ELE SITUAVA-SE NO CAMINHO DE MEGALOPOLIS A MAENALUS, NA ARCÁDIA.

AGATHOS DAIMON ERA O ESPOSO OU COMPANHEIRO DE AGATHE TYCHE (ΤΎΧΗ ἈΓΑΘΉ “BOA FORTUNA”; LATIN, E DIALETO, AGATHA AGATHA); AGATHE TYCHE É UM DOS NOMES DA CASA 5, QUE FAZ OPOSIÇÃO À 11. “TYCHE NÓS CONHECEMOS EM LEBADÉIA, COMO A ESPOSA DE AGATHOS DAIMON, O BOM OU RICO ESPÍRITO.” SUA NUMINOSA PRESENÇA PODE SER REPRESENTADA NA ARTE COMO UMA SERPENTE OU, MAIS CONCRETAMENTE, COMO UM HOMEM JOVEM CARREGANDO UMA CORNUCÓPIA E UM CESTO NUMA MÃO, E UMA PAPOULA E UMA ESPIGA DE CEREAIS NA OUTRA. O AGATHODAEMON FOI, MAIS TARDE, ADAPTADO EM UM DAEMON GERAL DE FORTUNA, PARTICULAR À ABUNDÂNCIA DE BOA COMIDA E BEBIDA DE UMA FAMÍLIA

ALÉM DO AGATHO DAEMON, TEMOS TAMBÉM O CACOS DAEMON, OUTRO EPÍTETO DA CASA 12:

UM CACODAEMON É UM ESPÍRITO MALIGNO OU (NO SENTIDO MODERNO DA PALAVRA), UM DEMÔNIO. O ANTÔNIMO DE CACODAEMON É AGATHOSDAEMON OU EUDAEMON, UM BOM ESPÍRITO OU ANJO. A PALAVRA CACODAEMON VEM PELO LATIM DO GREGO ANTIGO ΚΑΚΟΔΑΊΜΩΝ (KAKODAIMŌN), SIGNIFICANDO UM ESPÍRITO DO MAL, ENQUANTO DAIMON PODERIA SER UM ESPÍRITO NEUTRO/CONSCIENCIA NEUTRA NO GREGO E TYCHODAIMON PODERIA SER UM BOM ESPÍRITO.

NA PSICOLOGIA, CACODEMONIA (OU CACODEMOMANIA) É UMA FORMA DE INSANIDADE NA QUAL O PACIENTE ACREDITA QUE ELE ESTÁ POSSUÍDO POR UM ESPÍRITO MALIGNO.

A PRIMEIRA OCORRÊNCIA DA PALAVRA CACODEMON DATA DE 1398. NA OBRA RICARDO III, DE SHAKESPEARE, NO ATO 1, CENA 3, A RAINHA MARGARETE CHAMA RICARDO DE UM ‘CACODAEMON’, PELOS SEUS ATOS VIS E MANIPULAÇÕES.

EM FIM, A MAGIA ESTÁ NA ALMA E ESPÍRITO, E A MAGIA ATRAVESSA OCEANOS E SÉCULOS, ELA É ATEMPORAL E ETERNA, SEMPRE EXISTIU E SEMPRE EXISTIRÁ.

O DAEMON SOCRÁTICO ASSUME POR VEZES UM CARÁTER IMPERATIVO, SÚBITO E, ALÉM DISSO, DE UMA FORMA NÃO DENOMINADA OU EXPRESSA ENQUANTO UM “SINAL DEMONÍACO”, DIVINO OU COMO UM DEMONIO FAMILIAR. PARA FICINO ESTE SINAL MARCA E DISTINGUE AQUELES QUE SE BEM CONDUZEM EM DIREÇÃO DO DIVINO E ACESSAM A LUZ DIVINA OBTENDO SUA ILUMINAÇÃO, CONDUÇÃO E INTELIGÊNCIA SUPRARRACIONAL OU EXTRA-RACIONAL, COMO A FONTE DIVINA DO CONHECIMENTO. SENDO ASSIM, O DAEMON INSERE-SE TANTO NO PROBLEMA DO CONHECIMENTO QUANTO NO TEMA DA ASCENSÃO DA ALMA E ESTÁ HORIZONTALMENTE LIGADO A ASTROLOGIA. EIS O FUNDAMENTO DO POR QUE SE DEVE OLHAR O MAPA NATAL.

POR ÚLTIMO, MAS NÃO MENOS IMPORTANTE É O TEMA DO DEMIURGO.

SEGUNDO O FILÓSOFO GREGO PLATÃO (428-348 A.C.), DEMIURGO É O ARTESÃO DIVINO OU O PRINCÍPIO ORGANIZADOR DO UNIVERSO QUE, SEM CRIAR DE FATO A REALIDADE, MODELA E ORGANIZA A MATÉRIA CAÓTICA PREEXISTENTE ATRAVÉS DA IMITAÇÃO DE MODELOS ETERNOS E PERFEITOS. É O QUE VEIO A SER CHAMADO DE DEUS.

DEMIURGO VEM DO GREGO, ΔΗΜΙΟΥΡΓΌΣ, DEMIOURGOS, SIGNIFICA AQUELE QUE TRABALHA PARA O PÚBLICO, ARTÍFICE, OPERÁRIO MANUAL, DEMIOS SIGNIFICANDO "DO POVO" (DE DEMOS, POVO) E -OURGOS, "TRABALHADOR" (DE ERGON, TRABALHO);

UM PAI OU MÃE QUE DÁ SUPORTE AO SEU FILHO CRIADO.

O TERMO DESIGNA O ARTESÃO DIVINO - CAUSA DA ALMA DO MUNDO - QUE, SEM CRIAR DE FATO O UNIVERSO, DÁ FORMA A UMA MATÉRIA DESORGANIZADA IMITANDO AS ESSÊNCIAS ETERNAS, TENDO OS DEUSES INFERIORES, CRIADOS POR ELE, COMO TAREFA A PRODUÇÃO DOS SERES MORTAIS.  PARA PLATÃO O DEMIURGO É BOM: "ELE ERA BOM E, NAQUILO QUE É BOM, NUNCA SURGE INVEJA DE NADA; E SENDO DESPROVIDO DE INVEJA, DESEJOU QUE TODOS FOSSEM, TANTO QUANTO POSSÍVEL, SEMELHANTES A ELE".


astrologia helenística - a casa 2 como porta do inferno e demais casas e atributos

DE ACORDO COM PROCLO, NUMÊNIO CONSIDEROU QUE HAVIA UMA ESPÉCIE DE TRINDADE, OU TRÊS PRINCÍPIOS SUPREMOS: O "PRIMEIRO DEUS", CHAMADO PAI, O PRIMEIRO, "NOUS", O UM E O BEM, É O SER ABSOLUTO, PERFEITAMENTE TRANSCENDENTE E AUTÔNOMO. ELE É PAI DO "SEGUNDO DEUS", O DEMIURGO QUE TAMBÉM SE CHAMA NOUS, ELE É IGUALMENTE BOM, PORQUE COMPARTILHA DO BEM DO PRIMEIRO DEUS, MAS POSSUI UMA INCLINAÇÃO A MATÉRIA. NUMÊNIO TAMBÉM ALEGOU QUE AS TRÊS DIVINDADES ERAM NA VERDADE UMA SÓ.

ENQUANTO OS DEUSES MENORES DO TIMEU DE PLATÃO SÃO RESPONSÁVEIS POR ACRESCENTAR UMA ALMA MORTAL À ALMA RACIONAL IMORTAL ENTREGUES PELO DEMIURGO, O DEMIURGO DE NUMÊNIO É RESPONSÁVEL APENAS PELA ENCARNAÇÃO E REENCARNAÇÃO DAS ALMAS MORTAIS, QUE SÃO, ELAS PRÓPRIAS, DE ORIGEM SUPERIOR. NUMÊNIO CONSIDEROU AINDA UM DEMIURGO DUALISTA, SUA PARTE CONTEMPLATIVA É A ALMA DO MUNDO BENÉVOLA E A PARTE DA CRIAÇÃO, PORQUE SE PREOCUPA UNICAMENTE COM A MATÉRIA, É A ALMA DO MUNDO MÁ.

A QUESTÃO ESTÁ RODEADA DA DÚVIDA EM COMO UMA PESSOA TRANS DEVERIA SE PORTAR E SE COLOCAR DENTRO DE UM CÍRCULO MÁGICO? VEJAM, VOU SER BEM DIRETO: SE VOCÊ NASCEU COM PÊNIS, MAS SE RECONHECE MULHER E REALIZOU A REDESIGNAÇÃO (RE-DESIGN) PARA ADEQUAR MENTE-CORPO, PARA MIM VOCÊ É UMA MULHER E SERÁ VESTIDA COM OS CARGOS DE SACERDOTISA. O MESMO OCORRE COM QUEM NASCEU COM UMA VAGINA E SE RECONHECE COMO HOMEM, SERÁ VESTIDO DO CARGO DE UM SACERDOTE, POIS COMO DEMIURGOS MENORES QUE SOMOS, VOCÊS JÁ REALIZARAM A MAIOR DAS MAGIAS E CARREGAM MUITO PODER DENTRO DE SI MESMOS. SEXO E GÊNERO SÃO DISTINTOS E DENTRO DO CÍRCULO RESPEITAMOS O GÊNERO, NÃO O SEXO. SE UMA ESTÁTUA DE GESSO OU CIMENTO PODE ENCARNAR A DEUSA E SE TORNAR UM FETCH DIVINO, NÃO HÁ O PORQUE DE NEGAR A DIVINDADE A QUALQUER BRUXO OU BRUXA TRANS. OS COVINES DE BRUXARIA LUPÍNICA ACEITAM AS BRUXAS E OS BRUXOS TRANS EM PÉ DE IGUALDADE.

NÓS NÃO PRECISAMOS CITAR OS ESTUDOS CIENTÍFICOS DE MILTON DIAMOND, PROFESSOR EMÉRITO DE BIOLOGIA REPRODUTIVA DA UNIVERSIDADE DO HAVAI, EM MANOA, COM OS ESTUDOS COMPARATIVOS ENTRE GÊMEOS IDÊNTICOS E NÃO IDÊNTICOS, OU PRINCE HENRY’S INSTITUTE OF MEDICAL RESEARCH PARA MOSTRAR QUE A GENÉTICA DE TRANSGÊNEROS E CISGÊNEROS PROCESSAM A TESTOSTERONA DE MODO DISTINTO, OU PARA PROVAR QUE CROMOSSOMOS X E Y NÃO DETERMINAM O SEXO DO BEBE, BEM COMO O QUE SIGNIFICA UMA DISFORIA SEXUAL. SEU RECONHECIMENTO COMO TAL NÃO DEPENDE DE SUA MORFOFISIOLOGIA E SIM DA ESTRUTURA CEREBRAL COMPATÍVEL AO GÊNERO AO QUAL PERTENCE. POIS BEM, QUE SEU BOM DAIMON LHE GUIE E SEJAM SEMPRE BEM VINDOS AO NOSSO CLÃ LUPINO.

COMO PODEM NOTAR, ESSE TEMA JÁ VIROU UM TRATADO DA PROVA DE QUE OS NÃO-BINÁRIOS PODEM SER “VASOS/CÁLICES” DOS ANTIGOS DEUSES E DEUSAS, POIS NÃO HÁ UM CONTROLE DE QUALIDADE NA BRUXARIA ONDE VOCÊ APONTA O DEDO PARA DIZER QUEM É BRUXO E QUEM NÃO É. ESSE RECONHECIMENTO DEPENDE ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DE CADA PESSOA SE RECONHECER E SE ACEITAR COMO TAL. O PODER OU DOM JÁ ESTÁ EM TI. QUE ELPHAME TE ABENÇOE.

TERMINO ESSE LONGO COMPENDIO DE FUNDAMENTOS COM O HINO ÓRFICO DO PODEROSO DEUS TRANS, FANES.

NOS FRAGMENTOS ÓRFICOS, LEMOS QUE FANES É O PRIMOGÊNITO E “DEMIURGO DE TODAS AS COISAS” (FR. 61K), BIFORME, “FÊMEA E ENGENDRADOR, DEUS DOADOR DE VIDA [EURICEPEU]” (FR. 81K).

HINO ÓRFICO 5 A PROTÓGONO [FANES], COM INCENSO DE MIRRA.

 

PROTÓGONO, O MAGNO, INVOCO: O BIFORME, ERRANTE NO ÉTER,

O SANTO DAS ASAS DE OURO QUE DESPONTOU DO OVO,

TAURIBRAMANTE, GÊNESE DOS DEUSES E DOS MORTAIS,

GÉRMEN MULTIMEMORADO, EURICEPEU DE MUITOS CULTOS,

ESPLÊNDIDO BROTO MÍSTICO, REBENTO RADIANTE,

QUE DOS OLHOS EXPULSA BRUMAS SOMBRIAS,

QUE DIFUNDE A SANTA LUZ COM SEU VIGOROSO,
BATER DAS ASAS POR TODO O MUNDO,

POR ISSO FANES TE CHAMO!

FECUNDADOR SOBERANO, BRILHANTE DE OLHOS VÍVIDOS.

VENHA VENTUROSO DE MUITOS PLANOS, DE MUITAS SEMENTES,

JUBILOSO PARA OS INICIADOS EM RITO SAGRADO.

 

PARA ENCERRAR, NO FINAL DAS CONTAS, CADA COVEN (DE WICCA) OU COVINE (DE BT) É AUTONOMO E CABE OS LÍDERES ACEITAREM COM QUEM VÃO QUERER TRABALHAR.


FIM DA PARTE 2.


OBS: ESSE TRATADO DISPENSA FONTES BIBLIOGRÁFICAS UMA VEZ QUE FORAM CITADAS INCANSAVELMENTE NO CORPO DO ARTIGO.


ESTE ARTIGO FOI ELABORADO POR SETT LUPINO, REMUS LUPINO E SIRIUS LUPINO.


 


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Por que algumas Bruxas Abandonam seus Covens?


A resposta dessa pergunta é a mesma que envolve relacionamentos.
É a mesma que responde o por quê que seus relacionamentos não dão certo.
Relacionar também é uma arte, senão vejamos:
Sempre que você inicia um novo relacionamento ou um novo compromisso você tende a fazer de tudo para que dê certo ou tudo para cumprir as premissas.
E quando você lembra dos outros relacionamentos que você já teve? a dúvida logo lhe indaga, será que não vai acontecer do mesmo jeito?
Pois bem, há bruxas que já até desistiram de se relacionar, ou pior, desistiram dos Covens e preferem seguir sozinhas, ou como se ouve muito por ai, bruxas solitárias...
Ah, se você soubesse o poder que essa palavra tem para te tornar solitária em tudo!



FAZENDO A GRAÇA DESCER

Agradecer é a escada da felicidade, não o contrário.

Uma das coisas que ferram os relacionamentos é a famosa frase padrão: "E viveram felizes para sempre".
O medo desse padrão não se cumprir é as vezes tão alto que você acaba reclamando em pensamento para si mesmo.
Acontece que quando você reclama você está clamando mais de uma vez para que o universo lhe dê mais daquilo que você está sentindo, então, você faz acontecer o fim, ou "até que a morte nos separe" antecipadamente.

Todo relacionamento, seja amoroso ou familiar, tem um fim e a morte é necessária para que haja o reencarne ou nova situação, seja morte física ou o fim de uma situação.
Mas nem sempre esse fim coincide com a nossa morte física.

É preciso ter em mente que os relacionamentos são construídos sob bases do não idealismo. Isso porque quando queremos impor nossos ideais de relacionamento ao outro, estaremos forçando-o a viver o nosso ideal e impedindo o outro de ser ele mesmo e, você começa se relacionar com o outro que tem um ideal diferente e os ideais não batem.

Quando esse tema é transportado para os Covens, a coisa funciona igualmente.
o novato não faz direito os trabalhos de ego e amplia seus ideais, almeja ou ambiciona ideais que nada tem a ver com bruxaria e pensam que já sabem tudo, passam a impor aos mestres ou iniciadores os seus ideais de como a bruxaria deveria ser ou de como o mestre deveria ser e quando a ficha cai, a decepção aparece e junto com ela a pessoa sai do coven, muitas vezes magoada e praguejando.

Você fica o tempo todo envolvido com a pessoa, mas na mente você só está idealizando aquilo que você quer do outro e de repente tudo cai por terra e o susto aparece: "nossa, você era assim?"

O ideal é uma imagem de como as coisas ou pessoas deveriam ser, com um buraco no rosto onde você enquadra o rosto de alguém nesse ideal.
Quando os véus de maia se abrem e os ideais são mostrados, você se dá conta que não tinha que ter aplicado os ideais ali.

Vejam: Os ideais são maravilhosos, mas só para quem o possui. Os ideais nunca devem ser aplicados no outro.

Você deve idealizar como você quer ser, desde que já saiba quem você é, para poder se transformar naquilo que você quer ser. Agora quando você idealiza como o outro quer ser ou deveria ser, é uma baita invasão, ou colonização do outro.

Muitas pessoas fazem de tudo para que o outro venha a ser aquilo que você quer.
Quantas mães fazem isso? Quantos pais fazem isso? Quantos casos reais você já viu na vida?
O ideal projetado é do que estamos falando, e ele pode ser melhor mostrado no filme Cisne Negro.

Galera, projetar o ideal no outro é no mínimo maldoso e desrespeitoso, desde que isso significa uma forma de controle sobre o outro e uma ilusão sobre si mesmo e no mínimo revela falta de amor, por isso seus relacionamentos não dão certo.

Nos Covens também acontece isso, principalmente entre aprendizes que não realizam e não poem em prática os treinamentos de forma correta. Eles idealizam o mestre para depois o julgarem e sair munidos de decepção na sacola da curiosidade.
Sabemos quem entrou para um coven de bruxaria pelos motivos errados quando a pessoa revela em seus atos que só entrou para saber o que as bruxas fazem ali, por pura curiosidade. Sem o verdadeiro chamado e aptidão, sem a constância, sem comprometimento e por muitas vezes até quebram votos e juramentos tornando-se persona non grata.



Amor perfeito não é amar o seu ideal.
Amor perfeito é entrega, sem competição e sem afrontamento.
Bruxos de verdade querem a mesma coisa um para o outro, ainda que Elphame tome posse do seu mestre para lhe dar um recado nada agradável em determinado momento.

Lapidar uma pedra bruta significa sacrifício, doação, paciência, mas acima de tudo, significa que o outro está entregue a isso. Os covens te mostram como você vai se auto lapidar, mas ninguém ali dentro irá idealizar como você deveria ser e sim, é você quem vai mostrar quem você é, porque as máscaras caem e, não é vergonha alguma isso dentro dos covens, isso é necessário pro auto conhecimento, ninguém nasceu polido. Nascemos com dons transformadores, não transformados.

Entre o ideal e a realidade, entre os itens da sua lista de ideais e a grossa realidade existe o trabalho de ego e se sua tabela não mudar, é claro que seus relacionamentos irão fracassar.

Ame o outro como ele é, não como você gostaria. Relacionamentos sadios são livres de ideais, conveniência e controle, pois até mesmo a conveniência é o motivo errado para se estar ao lado do outro para sempre. Um Coven é uma família mágica e, você não pode permanecer brigado com sua família para o resto da sua existência, a menos que você se afirme não ser um bruxo e só entrou para o coven por curiosidade. Mas se for um verdadeiro bruxo, vai perdoar a si mesmo, o outro e vai fazer o trabalho de ego direito, fazendo assim o que tem de ser feito! Sem idealismos, receba a orientação com humildade e gratidão para você se tornar aquilo que nasceu para se tornar!


Um brinde a liberdade do que somos!

Por Sett.









domingo, 19 de março de 2017

Curando Antigas Feridas


Queridos leitores,
Primeiramente quero agradecer o tempo que alguns de vocês disponibilizaram para nos escrever.
Tenho recebido muitas cartas me pedindo conselhos sobre como vivenciar um bom relacionamento com seu par. As cartas são muitas e muitas são as dúvidas, os problemas enfrentados e os vários condicionamentos, padrões repetitivos.
Entre os problemas abordados estão:
Sacerdotisas com "coração peludo";
Sacerdotes que não acolhem as dores reais de seus consulentes/pacientes;
Disputas pelo poder entre bruxos(as);
Pais de santo atacando bruxos;
Pessoas querendo ser mais que os outros, humilhando seus pares;
Mestres e mestras que ensinam seus neófitos, mas não permitem que os neófitos deixem de ser neófitos, e os "escravizam" com manipulações e outras doenças psicológicas.
Em fim, são tantos os problemas e cartas que eu ficaria o dia todo, quiçá o mês inteiro para responder tudo.
Como estou numa fase "ligth" e não quero escrever muito, vou deixar aqui a dica sobre as diversas questões sobre o tema que me foi perguntado, na fé de que, quem irá vos aconselhar serão vossas próprias consciências logo após assistir o vídeo abaixo.
Ocupar-se com isso é "curar-se", não desanimem, vocês já deram o primeiro passo.
Lembrando que, quem busca o triunfo é porque não o possui, por isso precisa buscá-lo.
No vídeo abaixo encontra-se as dicas que, inclusive podem e devem ser aplicadas tanto no contexto pessoal, em relacionamentos de diversos tipos, e também nos covens. 
Em todos os vícios de comportamento há a figura que te trata como "doente", há a figura do aparente superior e do aparente inferior e o meio de controle e libertação. Em todos os casos citados nas diversas cartas havia essas figuras, mas o que faltou de fato foi o desenvolvimento pessoal e a permissão desse desenvolvimento nos outros. O que mais me chamou atenção foi a figura de um lider religioso que ensina seu neófito até os altos graus, mas quando o neófito se torna mestre naquela arte, o lider o impede do "desmame" e o escraviza ou insiste em inferiorizar a pessoa para continuar a aparente lenda do eterno drama de controle sobre as pessoas, típico do triângulo dramático de Karpman.
Contudo, quando o paciente se cura, há que se observar que "poucas ou poucos" são aqueles que permitem o seu crescimento a partir dessa cura, o qual facilitaria a igualdade inter-pares.
E aqui fica um último aviso contra a vaidade:
UMA INICIAÇÃO LEGÍTIMA TEM QUE SERVIR PRIMEIRO PARA TI, PARA O TEU CAMINHO. De nada serve se dizer iniciado e ficar brigando na internet pela disputa de poder, para se auto afirmar ou para mostrar quem tem mais poder que o outro. De nada serve enfeitiçar um irmão de arte para se vingar por alguma razão. Primeiro que, sobre "guerras" de bruxos, os dois lados saem perdendo e, por último, A ARTE BRUXA se queima por causa dessas pessoas, quais não fazem outra coisa senão falar mal da arte bruxa sem perceber, faz cair em descredito a arte que já foi tão caçada pela inquisição. De igual forma, uma verdadeira transformação te liberta e liberta a todos ao seu redor, então todos devem revisitar os propósitos pelo qual buscaram a bruxaria, pois de nada serve você posar de bom moço ou boa moça e nos bastidores você "queimar" seus irmãos bruxos(as) nos mais variados feitiços de maldição.
Nem é preciso dizer que um mestre nunca ensina tudo que sabe!!! Por essa razão nem preciso falar da lei do retorno e como ela de fato é usada por um mestre.
Com relação aos pais de santo e mães de santo que insistem em atacar as bruxas eu só tenho uma coisa a dizer:
O reino de Oyó, o império onde nasceu Xango, foi fundado em 1.400 depois de Cristo. Logo, Xangô (Sangò/Sogbo/Vodum Badé etc..) nasceu bem depois dessa data. Aliás eu preciso lembrar aqui que os Celtas invadiram a Africa e transmitiram sua cultura aos Africanos, os quais trocaram informações e conhecimentos. Ver Anatólia e Gálatas. 
Em comparação com o respeito das forças que representam a Natureza, devo dizer e informar que a Deusa da Bruxaria e seu Culto não nasceu depois de Cristo, ao contrário, Ela possui 35 mil anos de egrégora documentados na história. Por essa mesma razão os pais de santo e mães de santo deveriam respeitar bem mais o Poder das Bruxas e não se opor a Ele, desde que as bruxas não são "menos perigosas" do que qualquer correligionário do candomblé. Se você é um iniciado(a) que anda "queimando" seus irmãos de arte sábia, eu sinto muito lhe dizer, mas sua iniciação não te vestiu ainda, ou melhor dizendo: Você não iniciou o caminho ainda, não está sendo melhor que ninguém, nem melhor que si mesmo, você continua no mesmo lugar de antes da sua iniciação e deve dar um passo para trás e revisitar seus propósitos, pois ninguém oferece ao mundo aquilo que não possui. Fazer o mal toda criança sabe fazer. Um(a) iniciado(a) faz a diferença sobre ele mesmo, e as ordálias são muitas e são eternas, cada uma em um nível mais hard que a outra. Se a pequenez humana tomou conta de ti, siga o exemplo da semente, do grão que vira tronco, que vira árvore, que dá folhas, flores e frutos, que alimenta o mundo com bondade, gentileza e graça.
Eu não quero com isso criar polêmica alguma e sim, conscientizar as pessoas sobre quem verdadeiramente respeita A Força da Natureza mais antiga e preza pela ancestralidade, pois ouvimos essas mães de santo falar tanto da ancestralidade, contudo não tem demonstrado respeito algum, apenas preconceito e disputa pelo poder feiticeiro.
Queridos pais de santo, vocês são tão "bruxos" quanto qualquer um de nós, e se houver nova inquisição vocês serão queimados igualmente. Então aos que dão conta de sacar isso, sejam bem vindos ao mundo da igualdade. Aos que ainda mantem a idéia do separativismo idiota eu digo, abram a mente. Que fique claro que não me refiro a todos, pois existem as exceções e muita gente humilde, honesta e que faz funcionar sua iniciação pra ti mesmo, como tem em qq lugar.
Em fim, bruxaria acima de tudo se ocupa com transformações, não com domínio. O domínio está nas mentes fracas que necessitam provar alguma coisa pra alguém, inclusive pra si mesmos. Nós bruxos nos ocupamos em nos transformar por dentro, oferecer mais, brotar e lapidar virtudes, fazer uma verdadeira alquimia, aprender com os erros e sermos melhores que nós mesmos todos os dias, para oferecer isso ao mundo que nos procura para pedir uma benção. 
Bom, não preciso de palavras para maiores esclarecimentos, o vídeo revela por si.
Bençãos a todos.
Sett


Virtudes - Manifesto da Humildade



sexta-feira, 31 de julho de 2015

A Transmutação e o Renascimento de um Iniciado



Muitos dos bruxos e irmãos iniciados saberão refletir no que irei escrever, mas principalmente esse escrito é para quem busca iniciação em bruxaria ou em alguma irmandade, fé, ordem mágica ou religião de mistérios.

Se você tem cérebro, então saberá usá-lo.

Uma transmutação é uma profunda mudança ou ainda, uma modificação do estado original. A partir de acumulações ou desacumulações e ocorre de dentro para fora. É uma metamorfose espiritual, uma transformação interna. Bem, os dicionários estão cheios de sinônimos e definições.

Todo bruxo ou bruxa passa por transformações, desde que toma contato com a filosofia bruxa, seus ensinamentos, ethos, modo, conduta de vida, e eu preciso lembrar aqui que a palavra bruxa significa tanto no feminino como no masculino “bruxo” a mesma coisa, senão vejamos:

BRUXO, BRUXA, SÁBIO, SÁBIA, CONJURADOR – CUNNING MAN, CUNNING WOMAN, WISE MAN, WISE WOMAN, WITCH, WIZARD, WICCA, STREGA, CONJUROR

De acordo com os dicionários brasileiros, uma Bruxa ou Bruxo é uma pessoa que faz“feitiçaria”. Esta palavra viria do espanhol Brujo, Bruja e faria referência a um tipo específico de mariposa. Mas…, de acordo com The Concise Dictionary of English Etymology, de Walter W. Skeat, Witch = do Inglês Witch – Pré-Shakespeare, wicche, ambos masculino e feminino; a wizard, a witch; Anglo-saxão: wicce. Aqui wicce é feminino de wicca; e wiccaé uma corrupção da palavra witega, que significa profeta, vidente, também mago, feiticeiro. Ainda na forma Anglo-saxã, wítan = ver, aliado com witan, saber. Similarmente com o termo da Islândia vitki, mago, sagaz, que vem de vita, saber. Os termos Cunning man/woman, Wise man/woman são termos mais usados na Bruxaria Tradicional do que na Wicca, e significam genericamente “sábios”. Strega é o termo designado para bruxas na língua italiana, e sua origem vem de strix e strie, referências à pássaros de hábitos noturnos. Wizard, termo medieval francês, significa “sábio” (wise man).

Sendo assim, concordamos aqui que a palavra bruxo ou bruxa, significa sábio/sábia.

Isso não quer dizer que somos um compêndio de todos os filósofos e todas as sabedorias do mundo. Apenas significa que sabemos “mover as nuvens do céu”, sabemos a arte dos antigos, as vezes uma única tradição, as vezes mais de uma, como eternos alunos, sabemos que nada sabemos e estamos em eterna transformação, estudos e aprendizado. 

Nos apoiamos nas verdades eternas, alguns se apoiam nas filosofias perenes, ou em seus autores, outros mais tradicionais se apoiam nos ensinamentos transmitidos de forma oral em um determinado aprendizado numa tradição de mistérios ou tradição iniciática.

Após 21 anos que se passaram desde a minha primeira iniciação, a qual foi somada a outras que vieram depois e só acrescentaram e contribuíram para melhorar o meu eu, pude comparar as grandes mudanças reais que sofri ao longo dessa jornada que parece não ter fim.

Nossos deuses sabem o que ocorre conosco, sabem nos posicionar no mundo, nos leva a caminhos tortuosos e por caminhos retos, nos dão a chance de aprender sempre mais, nos colocando ordálias para serem aprendidas e transformadas, nos testam o tempo todo, mas também nos trazem paz, harmonia e satisfação na vida.

Após algumas jornadas espirituais, decidi dar um tempo para mim em reflexão do que valeu a pena e do que não valeu, e cheguei na conclusão de que tudo valeu a pena.

Hoje, com uma paz interior, um profundo e abundante sentimento de contentação e alegria interna, sorvendo a matriz diariamente e trazendo o entendimento do imperfeito e terno mundo esotérico, dos meus erros e dos erros de meus mestres, os quais foram perfeições em sua época, um mundo que traz mais perguntas que respostas e me molda todos os dias, declinando meu ego, curvando a mim mesmo diante dessa enormidade de saberes cuja simplicidade se agiganta diante de mim.

Meus desafios cresceram para aumentar minha paciência, os dissabores cresceram para me fazer aprender os melhores sabores que devo manter em minha dieta esotérica, e as dificuldades não acabaram, elas são agora um outro nível, dificuldades nível 5, são outras charadas ou enigmas que estão para ser resolvidas e assim, meus valores mudam juntamente com a minha visão de mundo. Sabemos que nem tudo o que lemos nos livros se aplica hoje em dia em nossa vida, sendo assim, não adianta citar autores, porque o próprio autor da minha vida sou eu mesmo.


Eu fui me lapidando, vagarosamente, com alguns desafios que aceitei, e outros que não aceitei conscientemente, desde que não é impondo desafios a mim que um ser humano vai ganhar meu respeito, ensinar não é impor desafios, ensinar é transmitir o conhecimento, o resto vira desafio por si mesmo.

Hoje, eu olho mais para dentro de mim, com mais atenção e clareza, para perceber minhas sombras e meus brilhos. O mundo não é mais tão nebuloso como antes, e meu sentimento de amor próprio só aumenta a cada dia e por isso posso doar esse amor.

Eu não fiquei melhor que alguém, eu fiquei melhor do que meu eu era antes. Esse sempre foi o mais terrível de todos os desafios, não concorrer ou se equiparar com os outros e sim comigo mesmo. É por isso que os desafios não se impõe a ninguém, já que ninguém pode viver o mesmo desafio igualzinho. Não existe nada mais estúpido que criar uma irmandade para impor os mesmos desafios a todos, pois beira a loucura, senão a prisão de uma caixinha onde se exclui todo o resto do mundo.

Não é o diploma ou a quantidade de iniciações que vale para impor respeito, já que, se esse monte de iniciações não serviu para te melhorar enquanto pessoa e ser humano, então só serão um amontoado de certificados que não servem nem para limpar a bunda. Então aqui nesse ponto vejo a real diferença entre o significado de exotérico e esotérico na vida de alguém e o que esse alguém pode me transmitir de verdade quando eu humildemente pude deitar minha cabeça para contemplar a tal sabedoria que me seria transmitida.

Hoje meus dias ficaram mais coloridos, pois pude abraçar mais cores que antes, tudo foi magicamente ficando menos complicado, mais simples. Meus valores passaram por uma peneira para receber todas as gotículas que cairam da peneira sem misturar umas com as outras, elas caíram inteiras como são, se aglutinaram sem se misturar, somaram um conjunto maior sem perderem suas essências.

Fui vagarosamente desapegando do supérfluo e valorizando mais a vida simples, mudei até de nome civil, de amor, de residência própria, de carro e até de emprego. Essa mudança me trouxe melhorias que pôde se manifestar no mundo ordinário, são mudanças reais que se comprovam, não essas balelas para encher livros.

Metafisicamente são manifestações de mudanças e bilocação de estados filosóficos e alquímicos que os próprios deuses conduziram com minha permissão.

Digo “manifestações”, porque não há real incorporação, mas sim é de dentro para fora, por isso os deuses se manifestam para nos conduzir. Quando há um deus ou deuses fortes, a vontade dos outros não predomina sobre a nossa vida.
Essas mudanças me trouxeram um real comando sobre os meus instintos primitivos, sobre meu ego, de tal forma que a vaidade dos outros não me comove mais. Presto mais atenção em mim e no recado que meus deuses e orixás querem de mim ou para mim.

O ar que respeito passou ficar mais doce e perfumado devido a pureza que se encontra, a água que desce pela minha garganta dissolve realmente a sede, e ela nem precisa estar gelada, a comida passou a ter mais sabor independente se tenho ou não o que quero na geladeira. Meus sentidos, os sonhos, os desejos e até mesmo as ambições, me desapeguei de tudo ao fundir-me com o todo. Isso significa que não quero controlar, mas interagir e esse fluxo de energia sobe e desce e torna a subir novamente compondo a canção mais linda, a música da minha vida.

Eu sinto que estou vivendo melhor. A qualidade de vida não está em parar de fumar, mas sim dentro da gente. Quando se está bem por dentro, não há nada exterior que possa remover esse estado, porque tudo está dentro de nós e de lá deve vir, de lá deve se manifestar. Esse é o propósito da criação e do sagrado que me rodeia, é permeado pela fonte que habita em mim.

O respeito para comigo mesmo, me faz ser respeitado pelos outros. O carinho das crianças, o olhar dos mais velhos, os idosos e familiares, os animais e o todo sagrado que me cerca.

Não é a toa que os verdadeiros iniciados afirmam que temos a sensação de viver uma outra realidade. Isso é real.

Quando faço minhas orações, para deusa, para os deuses, para os voduns, para meus ancestrais, para os tutelares e patronos da transmissão do sangue real, sinto, vejo, ouço e recebo, a sensação é absoluta de integração e interação, é um gozo espiritual nunca antes experimentado, ou se experimentei foi em níveis menores. Não pode haver um livro com a minha vida escrita nele, meu destino está sendo criado por mim, com as palavras e gestos sublimes de poder, honra e honestidade, não há vergonha em ser honesto, sincero e humilde.

Meu porão foi limpo e a cada vez que abro as portas do porão, tenho orgulho de deixar que vejam como está lindo, limpo e leve.


Não há o porquê de ser um sacerdote se não existir isso no coração dele. É um amor que me faria dar beijos até na mais profunda escrófula para que ela se curasse.

Somos passageiros aqui na Terra, não há o porque de exigir alguma coisa de alguém, desde que o que vamos levar conosco é sempre algo leve, que não pesa durante o voo, é algo que não nos faz cair. Quando um ori está feliz, todos os outros ficam felizes.

Eu sei que há novos desafios pro meu amanhã, e eles podem ser abraçados e previstos por mim, porque não há nada melhor do que deixar o medo do amanhã se dissolver junto com a sujeira do porão.

Aqui eu deixo exposto o meu sincero pedido de perdão a quem considerar que um dia eu causei algum tipo de prejuízo consciente, e junto disso deixo uma afirmação, que diz que seu dia de amanhã sempre será melhor, sempre.

Transformar a si mesmo é a prioridade, todo o resto pode esperar.

Com gratidão, admiração, respeito, amor e humildade a todos e a tudo,

Sett 

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