A Bruxaria Tradicional no Brasil ainda é pobre porque essas pessoas empobrecem a Arte, banalizam, comercializam suas paranoias e o pior, têm que compra.
Hoje eu vou ensinar sobre como aplicar devidamente a Arte Sabática do Andrew Chumbley aqui no Brasil.
Esse trabalho já existe e, parte dele está na Basílica da Santidade Escura, o primeiro livro da Via Vera Cruz Nocturna. Também é encontrado no Liber Viae Australis, o primeiro livro do Covine Ekklesya Sabbati.
De
fato, o Chumbley ensinou que o iniciado ou o artesão da Arte deve ter justamente
esse olhar de não reproduzir ritos pelo simples reproduzir e sim se localizar
usando a Bússola Celeste de seu próprio local, usando Pontos Nodais de Poder em
seu próprio eixo e Genni Loci.
Ele
afirmou que cada geração de bruxos iniciados faria sua própria recensão da
Arte. A Tábua de Esmeralda fala em adaptação e, Guenon fala que todos os ritos
podem ser alterados desde que não se mexa na essência.
O
culto do Dragão de Chumbley na Arte Sabática não é exatamente um culto
devocional e nem é religião.
"The Art
is One, but its Masks are Many, according to Land and Star". – Andrew Chumbley.
Andrew
Chumbley era um sonhador. Ele desenvolveu trabalhos com o Dragão Sabático
Inglês porque lá no Hemisfério Norte esse é o The Point (zero) para ascensão
dos Mighty Dead (os Mortos Poderosos).
Ali
é o Eixo por onde você sobe a escada de Jacó.
Ele
não escolheu o Dragão porque era bonito, ele percebeu e escolheu porque o
Hemisfério Norte circunda o Polo sem se pôr. É o Qutub e o Prego que Nunca
Esfria, o Ponto que não Cai e por ser uma Gnose de Permanência e mudança, o
artesão se torna o próprio Qutub, sigilo vivo, segredo e ocultação.
Dentro
desse esquema há vários portais de mudanças reais onde a Arte vai
"massacrar" o artesão e fazer dele uma massa de moldar alquímica.
Não
é culto devocional como a maioria pensa.
Então
você pode captar a ideia e se lançar na Gnose ofidiana sulista chamada Via
Austral com um rito de abertura do Poste Austral usando as estrelas do
Hemisfério Sul aos moldes de Chumbley, inspirado na Arte dele, mas sempre ancorado
aqui nas terras onde seus pés estão.
A
regra é você conversar com o Céu que te cobre e te veste.
Aqui
no Brasil o nosso Qutub não é a Polaris nem a Ursa Maior que marca o ponteiro
da Bússola que aponta pro Dragão.
O
nosso Poste daqui é Sigma Octantis, a estrela do Sul, a Polaris Australis da
constelação de Octans (Oitante).
A
palavra sigma tem origem no grego antigo sîgma, nome da 18ª letra do alfabeto
grego. É derivada da raiz pré-indo-europeia associada ao verbo grego sizō
("eu assobio"), referindo-se ao som sibilante (som de "s")
que a letra representa, originado como uma continuação da letra fenícia samekh.
A
palavra Octantis é o genitivo latino da constelação Octans (Oitante). Sua
etimologia e origem estão diretamente ligadas à astronomia e à navegação do
século XVIII, e sua raiz Latina deriva do latim octans, que significa
"oitava parte de um círculo" ou "oitante".
O
nosso Dragão daqui não é Draco, é Ofíuco a Serpente que troca de pele porque é
médica e curandeira. Encontra-se em Escorpião com Centauro e domina o céu
austral.
Aqui
é Via Austral, não Via Tortuosa.
Aqui
é Encruzilhada pelo Cruzeiro do Sul, não Pentagrama (Gramática dos Cinco).
Mas
a Gramática dos Cinco se mantém nesse esquema devido ao Penta+asterismo.
O
leitor percebe aqui como o Pentasterismo se torna Arte!
A
Rubídea estica os braços vermelhos pro alto. A Pálida abre os braços
horizontalmente para acolher.
Acrux
e a Intrometida são cabeça e cauda da magia serpentina.
E
a Mimosa é o coração dessa encruzilhada.
Na
Arte Sabática aplicada ao Hemisfério Sul isso substitui o Pentagrama com
seriedade bruxa porque a Gnose aqui aponta pro Polo Sul Celeste!
É
a Cruz do Descimento. Lá no Norte se Draco sobe, aqui no Sul desce!
Aqui
a gente deve trazer o Sol Negro alquímico para a Terra, é como estar dentro do
inferno (submundo) ritualizando de dentro dele para sair pra fora enquanto lá
se ritualiza de fora para entrar nele e os elementos também mudam de posição.
Isso
é endereço mágico!
De
nada adianta repetirmos certos ritos feitos pro Hemisfério Norte se ao batermos
na porta ninguém está lá pra atender.
Aqui
temos endereço e correspondência!
É
essa maturidade que o Chumbley queria em um bruxo.
Se
você pegar farinha branca ou giz e riscar/traçar a encruzilhada e por velas nos
quatro pontos e uma no centro você já terá seu Ponto Qutub as 3h da manhã
quando ela está a pino.
A
Sigma Octantis é a nossa "Polaris" do Sul.
Invisível
a olho nu, mas ela está lá e ela guarda o Poder.
No
que a Tábua de Esmeralda orienta para separar o sutil do espesso com grande
perícia você observa que no Norte brilha a Polaris e no Sul Sigma se oculta.
Ela
é o olhar pra dentro que tanto almejamos.
Você
não olha direto e sim para o Vácuo do vazio interior entre as patas da Crux até
achar o Polo que é teu altar. Ali nasce o nosso feitiço Austral.
Como
Guardiões daqui temos Centauro + Alfa e Beta Centauri, que são mitologicamente Quíron
ensinando os heróis.
Na
Arte são os Transmissores e substituem Castor e Polux do Hemisfério Norte.
Nessa
Gnose, o Centauro é meio-homem e meio-fera. Ali se tem o Opositor domesticado e
o trabalho dele é sabedoria instintiva pura do atavismo.
A
fera te educa e ensina sem te devorar.
Depois
temos Ofíuco o Portador da Serpente!
Ele
fica escondido do Norte, mas aqui ele reina no zênite em julho. A astrologia
vulgar removeu o 13° signo.
Já
temos aqui o 5 + 8 = 13 formando a Gramática da Arte no ciclo transformador do
1+1=1 como deve ser na fórmula ofidiana do mistério do UM pra quem sabe ler, o
resto é integração instrumental de ferramentas alinhada com seus usos rituais.
A
gnose de Ofíuco enquanto Serpente é o próprio Asclepio, o curador ou curandeiro
e também o Sábio que rouba o fogo dos deuses. Nesse esquema temos o Qutub da
Medicina e do Veneno. Aqui você começa ver o Chumbley no Sul..
Os
trabalhos dessa estrela quebram feitiços e dá auto superação como cobra e
cajado!
A
serpente corta a Crux para mudar de pele!
Na
sequência temos Orion, o caçador.
Ele
é o Invertido e o Homem que desceu ou o iniciado que voltou do Sabbat.
Nessa
Gnose, no Norte Orion sobe, no Sul ele cai. O trabalho nosso com ele aqui no
Sul é pra encarnar o que trouxe do Outro Lado, se tornando o mediúnico Verbo Feito Carne e nisso você consegue
enxergar o meu desempenho e desenvolvimento na Arte, porque é o que eu tenho
feito.
La
no Norte, Draco foi usado pelo Chumbley porque conversava com a terra dele,
entrava nas grutas, nos teixos e na bruma. Aqui é diferente porque entra na
cruz, na formiga, na jurema, no ferro e na encruzilhada.
E
é assim que se casa o Céu com a Terra!
Então
reitero, aqui o Qutub é Sigma, o Círculo é a Crux, os Guardiães são os
Centauros, o Opositor é Ofíuco, e o iniciado é Orion de ponta cabeça ou duplo
da bruxa!
Já
temos nosso Calendário Austral.
Para
você que quer desenvolver sua Arte, finca o Poste dos Mortos Poderosos e vai
trabalhar sem medo! ...e deita sua cabeça pro Sul lembrando que aqui os mortos
poderosos não têm nomes ingleses, pois eles são preto velho e caboclo com
erudição e, a Lua Negra da fase Nova com sua Quintessência está para todos!
A
Assembleia das Bruxas: O Propósito Iniciático e o Caminho da Destruição Sagrada.
A
maior parte dos trabalhos sabáticos exige 3 anos para a conclusão de um esquema
cíclico. E isso não é fácil.
É
bonito falar. É outra coisa viver.
Aqui
você não decora ritual. Você é decorado por ele.
Nestes
trabalhos você vai vestir o Vazio. Vai derreter o ego até o osso. Vai destruir
a forma que chamou de “eu”. Vai arrancar sangue da alma e rir, entronizado, ao
se ver humilhado, rasgado ao meio, destrinchado em mil partes lacrimais e,
exilado.
São
operações diurnas e noturnas, com perda de status e desmoronamento total do
falso eu.
Esta
é a Via Tortuosa. Não há atalho. Só Kiasmós: a Encruzilhada onde o que está em
cima desce, e o que está embaixo sobe. Onde o Verme come a Coroa.
E
se o rito acertar, o bicho come a coroa e você agradece. Porque aquela coroa
era podre. Era o eu tirânico da vaidade que queria mandar, criar, controlar,
ter razão, ser reconhecido e ter a última palavra.
Por
isso se dorme sem luz. Porque a força está na entrega, não na memória.
Você
dorme com o Solve e acorda com o Coagula.
Qutub
ensina que o Ponto vira Círculo só depois que o Ponto nega a si mesmo. Não
adianta iniciados de 5 meses querer criar trabalhos sem ter vivido todos os
trabalhos na íntegra. Na queda se você não tem aonde ancorar, o estrago é
maior.
A
glória só chega quando você para de desejá-la.
Se
tudo der errado e toda sorte de desgraça te visitar no mundo onírico, é sinal
que pegou e que está fazendo os trabalhos corretamente. O Oppositor está
operando.
O
Dragon Book of Essex vai direto ao ponto: “O Dragão não coroa reis. Ele devora
pretendentes”.
Quem
quebra a coroa e chora por ela, ainda não é rei. Quando se torna Rei do Vazio,
você governa com cetro que não é visto.
O
propósito da Assembleia é iniciático e transformador.
Não
é coven de estética. É forja.
British
Traditional Witchcraft gira em torno da forja do caráter na soma da Arte dos Cunningmen
+ Arte Sabática + Gramática da Arte, tudo organizado e registrado. É por isso
que se chama Bruxaria Tradicional. Sem isso é mera bruxaria folclórica.
Estes
trabalhos quebram a vontade tirânica. Quebram a fome de poder, a compulsão por
controle, a mendicância por aplauso, a curiosidade do curioso que quer decifrar
o que tem além. Você vira verme primeiro antes de se tornar um deus. Porque só
o verme atravessa a terra sem ser notado. Só o verme chega ao Osso.
Esse
mistério de Qayin não te deixa santo. Te deixa Soberano sem Trono.
O
Azoëtia chama de Alinhamento do Azoth: quando o Enxofre do Eu é queimado, o Sal
da Forma é dissolvido, e o Mercúrio do Espírito se liberta. O Point é tocado
pelas forças do Azoth só quando a astúcia é maior que a vaidade. Eis o segredo
da transgressão. Não é rebeldia, não é resistência social, não é movimento
político. É transgredir a si mesmo como o grão transgride sua própria casca
para crescer. Não é grosseria com os outros, não é desafiar lideres externos a
ti mesmo. O confronto é entre tu e o seu eu.
Vai
mexer na tua estrutura inteira. Nas tuas larvas, nos teus pactos não
verbalizados, nos teus alicerces ocultos e nos seus cálices. Vai mexer no Eros
que te arrasta, no Medo que te paralisa, na Memória que te acorrenta.
Essa
bruxaria não é pra qualquer um porque ela te derrota antes. Só depois de
derrotado você é lapidado. Só quebrado você é refeito como Deus na Terra, dono
do teu destino. Para entender as dores do mundo e curar ou ajudar alguém você
deve ter passado por isso antes. Para compreender o destino você deve
sobreviver a ele, já dizia Joosten Garden em O Dia do Coringa.
É
um dos trabalhos feiticeiros de transformação mais radicais que existem. Você
simplesmente desaparece. Porque durante e depois dele, tua lente de ver os
mundos já não é a mesma. E você desaparece porque se funde com a fonte de tudo,
ali, você já não existe como você.
Você
enxerga o físico, o transparente e o invisível ao mesmo tempo. Saca as
intenções alheias antes delas virem à tona. Sua capacidade e habilidade para
despertar a Kundalini está apta. Depois desse despertar é que vem a libertação.
A Libertação ocorre quando você morre e continua desperto. É disso que são
feitos os Mortos Poderosos.
E
aprende a Lei mais dura da Arte: você só intervém se for pedido. No geral, você
dá corda pro outro se enforcar. E ele vai se enforcar, porque o ego é
tranqueira e só arruma encrenca. Ego é lixo. E ainda assim, precisamos dele pra
viver. A astúcia está em usá-lo, não em ser usado por ele.
Por
isso muitas bruxas e bruxos alcançam a Montanha dos Vitoriosos em Netzach sob a
fiança de Lady Lucífera e não caem.
Porque
passaram pela Morte do Rei no Qutub.
Porque
trilharam a Via Tortuosa e não atalharam.
Porque
firmaram o Ponto no Kiasmós e não no aplauso.
Porque
o Dragon Book lhes arrancou a pele, e a Azoëtia lhes deu outra.
A
maioria cai porque quer a Coroa sem o Verme. Quer o Trono sem o Vazio. Quer
Netzach sem passar por Malkuth de joelhos.
Aqui
na Assembleia das bruxas, a Coroa é comida primeiro. Só depois o Vazio te
coroa.
Este
é o propósito: não fazer bruxos de vitrine. Forjar Postes. Eixos. Qutub.
Gente
que atravessou o próprio inferno, riu da própria caveira, e voltou com o cetro
invisível na mão.
E
isso é tudo que eu tenho pra ensinar sobre esse tema.
Sett
Lupino.
