sexta-feira, 8 de maio de 2026

COMO APLICAR A ARTE SABÁTICA DO CHUMBLEY NO BRASIL

 



Em 2014 eu fiz essa postagem, mas depois eu apaguei por entender que eu estaria dando pérola aos porcos, mas muitos me fazem essa pergunta quase todos os dias. Devido a moda que a bruxaria se tornou hoje, muitas pessoas mercantilizam a Arte de forma irracional e usam termos sem saber a fonte, falam de feitiçaria assoprando canela. Bruxas de todos os tipos pipocam na internet como se já fossem mestras em algo, em tão tenra idade. A maioria sem iniciação legítima, sem treinamento e cheias de ego e achismos. Esses dias assisti uma bruxa de Tiktok, não com mais de 17 anos de idade se afirmando especialista em um determinado sistema mágico. Que dó que eu sinto de você criatura!

A Bruxaria Tradicional no Brasil ainda é pobre porque essas pessoas empobrecem a Arte, banalizam, comercializam suas paranoias e o pior, têm que compra.

Hoje eu vou ensinar sobre como aplicar devidamente a Arte Sabática do Andrew Chumbley aqui no Brasil.

Esse trabalho já existe e, parte dele está na Basílica da Santidade Escura, o primeiro livro da Via Vera Cruz Nocturna. Também é encontrado no Liber Viae Australis, o primeiro livro do Covine Ekklesya Sabbati.

De fato, o Chumbley ensinou que o iniciado ou o artesão da Arte deve ter justamente esse olhar de não reproduzir ritos pelo simples reproduzir e sim se localizar usando a Bússola Celeste de seu próprio local, usando Pontos Nodais de Poder em seu próprio eixo e Genni Loci.

Ele afirmou que cada geração de bruxos iniciados faria sua própria recensão da Arte. A Tábua de Esmeralda fala em adaptação e, Guenon fala que todos os ritos podem ser alterados desde que não se mexa na essência.

O culto do Dragão de Chumbley na Arte Sabática não é exatamente um culto devocional e nem é religião.

"The Art is One, but its Masks are Many, according to Land and Star". – Andrew Chumbley.

Andrew Chumbley era um sonhador. Ele desenvolveu trabalhos com o Dragão Sabático Inglês porque lá no Hemisfério Norte esse é o The Point (zero) para ascensão dos Mighty Dead (os Mortos Poderosos).

Ali é o Eixo por onde você sobe a escada de Jacó.

Ele não escolheu o Dragão porque era bonito, ele percebeu e escolheu porque o Hemisfério Norte circunda o Polo sem se pôr. É o Qutub e o Prego que Nunca Esfria, o Ponto que não Cai e por ser uma Gnose de Permanência e mudança, o artesão se torna o próprio Qutub, sigilo vivo, segredo e ocultação.

Dentro desse esquema há vários portais de mudanças reais onde a Arte vai "massacrar" o artesão e fazer dele uma massa de moldar alquímica.

Não é culto devocional como a maioria pensa.

Então você pode captar a ideia e se lançar na Gnose ofidiana sulista chamada Via Austral com um rito de abertura do Poste Austral usando as estrelas do Hemisfério Sul aos moldes de Chumbley, inspirado na Arte dele, mas sempre ancorado aqui nas terras onde seus pés estão.

A regra é você conversar com o Céu que te cobre e te veste.

Aqui no Brasil o nosso Qutub não é a Polaris nem a Ursa Maior que marca o ponteiro da Bússola que aponta pro Dragão.

O nosso Poste daqui é Sigma Octantis, a estrela do Sul, a Polaris Australis da constelação de Octans (Oitante).

A palavra sigma tem origem no grego antigo sîgma, nome da 18ª letra do alfabeto grego. É derivada da raiz pré-indo-europeia associada ao verbo grego sizō ("eu assobio"), referindo-se ao som sibilante (som de "s") que a letra representa, originado como uma continuação da letra fenícia samekh.

A palavra Octantis é o genitivo latino da constelação Octans (Oitante). Sua etimologia e origem estão diretamente ligadas à astronomia e à navegação do século XVIII, e sua raiz Latina deriva do latim octans, que significa "oitava parte de um círculo" ou "oitante".

O nosso Dragão daqui não é Draco, é Ofíuco a Serpente que troca de pele porque é médica e curandeira. Encontra-se em Escorpião com Centauro e domina o céu austral.

Aqui é Via Austral, não Via Tortuosa.

Aqui é Encruzilhada pelo Cruzeiro do Sul, não Pentagrama (Gramática dos Cinco).

Mas a Gramática dos Cinco se mantém nesse esquema devido ao Penta+asterismo.

O leitor percebe aqui como o Pentasterismo se torna Arte!

A Rubídea estica os braços vermelhos pro alto. A Pálida abre os braços horizontalmente para acolher.

Acrux e a Intrometida são cabeça e cauda da magia serpentina.

E a Mimosa é o coração dessa encruzilhada.

Na Arte Sabática aplicada ao Hemisfério Sul isso substitui o Pentagrama com seriedade bruxa porque a Gnose aqui aponta pro Polo Sul Celeste!

É a Cruz do Descimento. Lá no Norte se Draco sobe, aqui no Sul desce!

Aqui a gente deve trazer o Sol Negro alquímico para a Terra, é como estar dentro do inferno (submundo) ritualizando de dentro dele para sair pra fora enquanto lá se ritualiza de fora para entrar nele e os elementos também mudam de posição.

Isso é endereço mágico!

De nada adianta repetirmos certos ritos feitos pro Hemisfério Norte se ao batermos na porta ninguém está lá pra atender.

Aqui temos endereço e correspondência!

É essa maturidade que o Chumbley queria em um bruxo.

Se você pegar farinha branca ou giz e riscar/traçar a encruzilhada e por velas nos quatro pontos e uma no centro você já terá seu Ponto Qutub as 3h da manhã quando ela está a pino.

A Sigma Octantis é a nossa "Polaris" do Sul.

Invisível a olho nu, mas ela está lá e ela guarda o Poder.

No que a Tábua de Esmeralda orienta para separar o sutil do espesso com grande perícia você observa que no Norte brilha a Polaris e no Sul Sigma se oculta.

Ela é o olhar pra dentro que tanto almejamos.

Você não olha direto e sim para o Vácuo do vazio interior entre as patas da Crux até achar o Polo que é teu altar. Ali nasce o nosso feitiço Austral.

Como Guardiões daqui temos Centauro + Alfa e Beta Centauri, que são mitologicamente Quíron ensinando os heróis.

Na Arte são os Transmissores e substituem Castor e Polux do Hemisfério Norte.

Nessa Gnose, o Centauro é meio-homem e meio-fera. Ali se tem o Opositor domesticado e o trabalho dele é sabedoria instintiva pura do atavismo.

A fera te educa e ensina sem te devorar.

Depois temos Ofíuco o Portador da Serpente!

Ele fica escondido do Norte, mas aqui ele reina no zênite em julho. A astrologia vulgar removeu o 13° signo.

Já temos aqui o 5 + 8 = 13 formando a Gramática da Arte no ciclo transformador do 1+1=1 como deve ser na fórmula ofidiana do mistério do UM pra quem sabe ler, o resto é integração instrumental de ferramentas alinhada com seus usos rituais.

A gnose de Ofíuco enquanto Serpente é o próprio Asclepio, o curador ou curandeiro e também o Sábio que rouba o fogo dos deuses. Nesse esquema temos o Qutub da Medicina e do Veneno. Aqui você começa ver o Chumbley no Sul..

Os trabalhos dessa estrela quebram feitiços e dá auto superação como cobra e cajado!

A serpente corta a Crux para mudar de pele!

Na sequência temos Orion, o caçador.

Ele é o Invertido e o Homem que desceu ou o iniciado que voltou do Sabbat.

Nessa Gnose, no Norte Orion sobe, no Sul ele cai. O trabalho nosso com ele aqui no Sul é pra encarnar o que trouxe do Outro Lado, se tornando o mediúnico Verbo Feito Carne e nisso você consegue enxergar o meu desempenho e desenvolvimento na Arte, porque é o que eu tenho feito.

La no Norte, Draco foi usado pelo Chumbley porque conversava com a terra dele, entrava nas grutas, nos teixos e na bruma. Aqui é diferente porque entra na cruz, na formiga, na jurema, no ferro e na encruzilhada.

E é assim que se casa o Céu com a Terra!

Então reitero, aqui o Qutub é Sigma, o Círculo é a Crux, os Guardiães são os Centauros, o Opositor é Ofíuco, e o iniciado é Orion de ponta cabeça ou duplo da bruxa!

Já temos nosso Calendário Austral.

Para você que quer desenvolver sua Arte, finca o Poste dos Mortos Poderosos e vai trabalhar sem medo! ...e deita sua cabeça pro Sul lembrando que aqui os mortos poderosos não têm nomes ingleses, pois eles são preto velho e caboclo com erudição e, a Lua Negra da fase Nova com sua Quintessência está para todos!

A Assembleia das Bruxas: O Propósito Iniciático e o Caminho da Destruição Sagrada.

A maior parte dos trabalhos sabáticos exige 3 anos para a conclusão de um esquema cíclico. E isso não é fácil.

É bonito falar. É outra coisa viver. 

Aqui você não decora ritual. Você é decorado por ele.

Nestes trabalhos você vai vestir o Vazio. Vai derreter o ego até o osso. Vai destruir a forma que chamou de “eu”. Vai arrancar sangue da alma e rir, entronizado, ao se ver humilhado, rasgado ao meio, destrinchado em mil partes lacrimais e, exilado. 

São operações diurnas e noturnas, com perda de status e desmoronamento total do falso eu.

Esta é a Via Tortuosa. Não há atalho. Só Kiasmós: a Encruzilhada onde o que está em cima desce, e o que está embaixo sobe. Onde o Verme come a Coroa. 

E se o rito acertar, o bicho come a coroa e você agradece. Porque aquela coroa era podre. Era o eu tirânico da vaidade que queria mandar, criar, controlar, ter razão, ser reconhecido e ter a última palavra.

Por isso se dorme sem luz. Porque a força está na entrega, não na memória. 

Você dorme com o Solve e acorda com o Coagula. 

Qutub ensina que o Ponto vira Círculo só depois que o Ponto nega a si mesmo. Não adianta iniciados de 5 meses querer criar trabalhos sem ter vivido todos os trabalhos na íntegra. Na queda se você não tem aonde ancorar, o estrago é maior.

A glória só chega quando você para de desejá-la. 

Se tudo der errado e toda sorte de desgraça te visitar no mundo onírico, é sinal que pegou e que está fazendo os trabalhos corretamente. O Oppositor está operando. 

O Dragon Book of Essex vai direto ao ponto: “O Dragão não coroa reis. Ele devora pretendentes”. 

Quem quebra a coroa e chora por ela, ainda não é rei. Quando se torna Rei do Vazio, você governa com cetro que não é visto.

O propósito da Assembleia é iniciático e transformador. 

Não é coven de estética. É forja. 

British Traditional Witchcraft gira em torno da forja do caráter na soma da Arte dos Cunningmen + Arte Sabática + Gramática da Arte, tudo organizado e registrado. É por isso que se chama Bruxaria Tradicional. Sem isso é mera bruxaria folclórica.

Estes trabalhos quebram a vontade tirânica. Quebram a fome de poder, a compulsão por controle, a mendicância por aplauso, a curiosidade do curioso que quer decifrar o que tem além. Você vira verme primeiro antes de se tornar um deus. Porque só o verme atravessa a terra sem ser notado. Só o verme chega ao Osso.

Esse mistério de Qayin não te deixa santo. Te deixa Soberano sem Trono. 

O Azoëtia chama de Alinhamento do Azoth: quando o Enxofre do Eu é queimado, o Sal da Forma é dissolvido, e o Mercúrio do Espírito se liberta. O Point é tocado pelas forças do Azoth só quando a astúcia é maior que a vaidade. Eis o segredo da transgressão. Não é rebeldia, não é resistência social, não é movimento político. É transgredir a si mesmo como o grão transgride sua própria casca para crescer. Não é grosseria com os outros, não é desafiar lideres externos a ti mesmo. O confronto é entre tu e o seu eu.

Vai mexer na tua estrutura inteira. Nas tuas larvas, nos teus pactos não verbalizados, nos teus alicerces ocultos e nos seus cálices. Vai mexer no Eros que te arrasta, no Medo que te paralisa, na Memória que te acorrenta. 

Essa bruxaria não é pra qualquer um porque ela te derrota antes. Só depois de derrotado você é lapidado. Só quebrado você é refeito como Deus na Terra, dono do teu destino. Para entender as dores do mundo e curar ou ajudar alguém você deve ter passado por isso antes. Para compreender o destino você deve sobreviver a ele, já dizia Joosten Garden em O Dia do Coringa.

É um dos trabalhos feiticeiros de transformação mais radicais que existem. Você simplesmente desaparece. Porque durante e depois dele, tua lente de ver os mundos já não é a mesma. E você desaparece porque se funde com a fonte de tudo, ali, você já não existe como você.

Você enxerga o físico, o transparente e o invisível ao mesmo tempo. Saca as intenções alheias antes delas virem à tona. Sua capacidade e habilidade para despertar a Kundalini está apta. Depois desse despertar é que vem a libertação. A Libertação ocorre quando você morre e continua desperto. É disso que são feitos os Mortos Poderosos.

E aprende a Lei mais dura da Arte: você só intervém se for pedido. No geral, você dá corda pro outro se enforcar. E ele vai se enforcar, porque o ego é tranqueira e só arruma encrenca. Ego é lixo. E ainda assim, precisamos dele pra viver. A astúcia está em usá-lo, não em ser usado por ele.

Por isso muitas bruxas e bruxos alcançam a Montanha dos Vitoriosos em Netzach sob a fiança de Lady Lucífera e não caem. 

Porque passaram pela Morte do Rei no Qutub. 

Porque trilharam a Via Tortuosa e não atalharam. 

Porque firmaram o Ponto no Kiasmós e não no aplauso. 

Porque o Dragon Book lhes arrancou a pele, e a Azoëtia lhes deu outra.

A maioria cai porque quer a Coroa sem o Verme. Quer o Trono sem o Vazio. Quer Netzach sem passar por Malkuth de joelhos. 

Aqui na Assembleia das bruxas, a Coroa é comida primeiro. Só depois o Vazio te coroa.

Este é o propósito: não fazer bruxos de vitrine. Forjar Postes. Eixos. Qutub. 

Gente que atravessou o próprio inferno, riu da própria caveira, e voltou com o cetro invisível na mão.

E isso é tudo que eu tenho pra ensinar sobre esse tema.

Sett Lupino.

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